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4. INNSAMLEDE DATA

4.1. NORD FOR LAMØYAVEIEN

Não houve diferença entre os valores para a dominância manual, medidas pelo inventário de Edimburgo entre pacientes (EMTE e EMTD) e controle. Este estudo não incluiu canhotos porque canhotismo em pacientes com lesões no hemisfério esquerdo pode associar-se à presença de fatores relacionados com a patologia (Sveller, et al., 2006) ou a fatores genéticos. A associação entre dominância manual esquerda e dominância de linguagem à direita, em pacientes com lesões no hemisfério esquerdo, é mais frequente do que na população de indivíduos saudáveis, nos quais o canhotismo está associado a fatores genéticos. O canhotismo em nossos pacientes poderia confundir os resultados, uma vez que não estaria claro se a dominância manual à esquerda estaria associada a fatores genéticos ou aos fatores patológicos de instalação precoce, que poderiam estar associados à transferência da dominância manual da direita para a esquerda.

O grau de dominância manual para a direita dos pacientes foi um pouco menor que o dos controles, porém esta diferença não atingiu significância estatística.

6.2 Avaliação clínica de linguagem

A avaliação de linguagem do presente estudo é um aprimoramento de avaliação desenvolvida anteriormente pelo Grupo de Epilepsia visando à avaliação de pacientes com EMT (Messas, Mansur e Castro, 2008). O estudo anterior comparou o desempenho em memória semântica e memória episódica verbal em 20 pacientes com EMTe e EMTd, e 18 controles saudáveis. As provas de memória semântica empregadas em nosso estudo foram fluência verbal semântica e fonológica, nomeação de substantivos comuns (vivos e não

vivos), nomeação de verbos e adjetivos, nomeação de nomes próprios, nomeação responsiva, definição de objetos, definição de substantivos comuns (vivos e não vivos) e de adjetivos, definição de verbos e compreensão de palavras. A memória episódica verbal foi avaliada com provas de recontagem imediata e tardia de estória, e aprendizagem de lista de palavras.

Neste estudo (Messas et al., 2008), os dois grupos de pacientes apresentam dificuldades nas provas de fluência semântica e fonológica, nomeação de objetos e nomes próprios. Nas provas de compreensão de palavras e nomeação responsiva, apenas os pacientes EMTe apresentaram pior desempenho em relação aos controles. Os pacientes EMTe apresentaram, ainda, dificuldades nas provas de memória episódica verbal (Messas et al., 2008).

A estrutura de nosso protocolo de avaliação de linguagem é a mesma do estudo anterior, mas aumentamos levemente a dificuldade das provas, sobretudo das provas de nomeação visual, responsiva e de compreensão, que tinham mostrado alto índice de acertos nos grupos de pacientes com esclerose de hipocampo.

A prova de fluência semântica e fonológica de nosso estudo diferiu da prova anterior pelos itens apresentados aos pacientes. Ao invés de animais e meios de transportes, utilizamos frutas e itens de supermercado; e, ao invés das letras F, A, S, utilizamos as letras M e P. Esta adaptação foi motivada para não repetir testes aplicados na bateria neuropsicológica aplicada anteriormente em nossos pacientes.

Os itens das demais provas de nosso estudo foram extraídos de uma lista de 99 figuras de nomes de objetos e 96 figuras de ações (verbos) de uma bateria desenvolvida especificamente para nomeação visual (“An Object and Action Naming Battery” Druks; Masterson, 2000)) e traduzidos. Utilizamos o número de vezes que cada item desta lista foi citado no site Google brasileiro, e formamos sequência crescente de dificuldade das palavras. Este método foi empregado, anteriormente, por Wilson et al. (2009). Estudos anteriores mostraram que palavras de baixa frequência levam mais tempo para serem nomeadas, com menor acurácia (Jescheniak e Levelt, 1994). Estes efeitos da frequência da palavra sobre a nomeação não poderiam ser atribuídos a

dificuldades no reconhecimento do objeto, nem a atraso na inicialização da articulação, mas a efeito exclusivamente lexical ao acesso da forma fonológica da palavra (Graves et al., 2007).

Os itens das provas de nomeação de objetos, nomeação de verbos, nomeação responsiva e de compreensão foram balanceados entre itens mais e menos frequentes, de menor e maior dificuldade para os sujeitos, respectivamente.

As provas de nomeação de objetos e nomes próprios (Messas et al., 2008) evidenciaram pior desempenho dos pacientes EMTe e EMTd em relação aos controles. A prova de nomeação de verbos e adjetivos, mais difícil, não mostrou diferença entre grupos. Em nosso estudo, os pacientes apresentaram pior desempenho na prova de nomeação de verbos que os controles. Esta diferença, provavelmente, se deveu ao fato de que, na bateria atual, foram testados 32 verbos, enquanto, na bateria anterior, foram testados apenas 13 verbos. O estudo atual não avaliou a nomeação de adjetivos, pois a bateria utilizada (“An Object and Action Naming Battery” Druks; Masterson, 2000)) não

apresentava adjetivos para nomeação.

A prova de nomeação de nomes próprios mostrou resultados semelhantes à bateria anterior (Messas et al., 2008), apesar de conter metade de itens (12 fotos de celebridades). Os critérios para a elaboração desta prova foram os mesmos (relevância, atividade profissional, década em que viveram), atualizados.

A prova de compreensão do estudo atual manteve o formato da prova anterior, com mais itens distratores. Além da figura-alvo, havia um distrator semântico próximo, um distrator semântico distante, um distrator visualmente semelhante e um distrator auditivamente semelhante. Os itens distratores na prancha de Messas et al. (2008) eram três itens da mesma categoria semântica da figura-alvo. Uma diferença entre as duas provas de compreensão de palavras foi a escolha dos itens: na prova de Messas et al. (2008), havia os mesmos nomes comuns, verbos e conceitos (p. ex.: pesado, sozinho) que nas provas de nomeação, mas o sujeito era solicitado a apontar apenas aquelas figuras que não foram nomeadas corretamente nas provas de nomeação. A prova de compreensão de palavras de nosso estudo contava apenas de figuras

de objetos e todos deveriam ser apontados. Nossos pacientes não mostraram dificuldades em realizar esta prova, indicando não haver dificuldades de compreensão de palavras nestes grupos de pacientes. Os pacientes EMTe de Messas et al. (2008) mostraram dificuldade nesta prova.

Encontramos poucos trabalhos que estudaram aspectos de linguagem não limitados à nomeação visual e responsiva. Um estudo (Bartha et al., 2005), talvez o mais importante, avaliou 23 pacientes destros com ELT refratária, dos quais 10 com EMTe, 11 com EMTd, um com tumor e um com lesão displásica, ambos em áreas mesiais temporais à esquerda. Os aspectos de linguagem investigados foram fala espontânea, compreensão verbal e repetição de palavras, leitura, escrita sob ditado, fluência fonológica e semântica, além de nomeação visual e auditiva (Bartha et al., 2005). Todas estas provas fazem parte do Aachener Aphasie Test (AAT) e do Innsbrucker Benenntest (IBT), exceto a prova de fluência verbal. O IBT é um teste de nomeação visual de objetos que, como em nossa prova de avaliação, variam de baixa à alta frequência. Igualmente a nossa prova, pistas semânticas e de fonêmicas são propostos em caso de dificuldade, para avaliar a causa do défice de nomeação. O teste da Wada mostrou 21 pacientes com linguagem no HE e 2 pacientes com linguagem bilateral. Défices linguísticos foram observados em 30% dos pacientes e 17% apresentaram défices em mais de um aspecto da linguagem. Além disso, como em nosso estudo, não houve diferença no desempenho de pacientes ELTe e ELTd. Este estudo avaliou a linguagem de modo abrangente e concluiu que alguns pacientes com ELT mesial apresentam défices linguísticos quando especificamente testados, independentemente do lado da lesão. O resultado é o mesmo de nosso estudo. O número de participantes de nosso estudo era o dobro e a população era mais homogênea quanto à etiologia da lesão do hipocampo.