A realização da análise qualitativa dos riscos é definida no PMBOK (PMI, 2008) da seguinte maneira:
[...] processo de priorização de riscos para análise ou ação adicional através da avaliação e combinação de sua probabilidade de ocorrência e impacto. [...] O processo Realizar a análise qualitativa dos riscos avalia a prioridade dos riscos identificados usando a sua relativa probabilidade ou plausibilidade de ocorrência, o impacto correspondente nos objetivos do projeto se os riscos ocorrerem, bem como outros fatores, como o intervalo de tempo para resposta e a tolerância a riscos da organização associada com as restrições de custos, cronograma, escopo e qualidade do projeto. (PMI, 2008, p. 289).
Na mesma publicação pode-se encontrar a referência ao fato de que a definição de níveis de probabilidade e impacto é uma atitude que pode reduzir a parcialidade da análise realizada.
Ainda de acordo com o PMBOK “A realização da análise qualitativa dos riscos normalmente é um meio rápido e econômico de estabelecer as prioridades do processo de Planejar as respostas aos riscos e define a base para a realização da análise quantitativa dos riscos, se necessária.” (PMI, 2008, p. 289).
A partir deste ponto o PMBOK (PMI, 2008) passa a tecer considerações a respeito das entradas do processo e das ferramentas e técnicas adotadas no seu desenvolvimento.
O texto exposto no PMBOK (PMI, 2008) deixa transparecer a ideia de que este processo é executado de forma sequencial, após a identificação dos riscos e antecipando-se à análise quantitativa destes. Essa conotação pode ser percebida não só pelo conteúdo do parágrafo da página 289 referenciado acima, mas, também, pela indicação do uso do Registro dos riscos produzido no processo anterior como entrada do processo e da atualização desse mesmo registro como produto (saída) do processo ora abordado. Como será explanado no próximo tópico esse registro de riscos atualizado será utilizado como entrada do processo de realização da análise quantitativa dos riscos do projeto.
Este fato é importante ser relatado tendo em vista que se constitui em uma das diferenças levantadas entre as duas metodologias comparadas.
No estudo de situação pode-se verificar que a análise qualitativa dos riscos do projeto é efetivamente realizada, mas não na forma sequenciada e apoiada em dados numéricos que traduzem objetivamente a relação probabilidade X impacto (Matriz de probabilidade e impacto) apresentada no PMBOK (PMI, 2008, p. 292).
No caso militar ela é feita concomitantemente com a identificação dos riscos. No estudo de situação, quando um risco é identificado, ele é imediatamente analisado dentro da concepção doutrinária e, logo após a análise, é formulada uma resposta ou forma de tratamento que a ele deve ser dedicada.
Além disso, a análise dos riscos no processo militar é feita de forma empírica, na maioria das vezes baseada em fatores de alto grau de subjetividade tais como percepção de indícios e julgamentos decorrentes da experiência, do conhecimento doutrinário acumulado, de raciocínio lógico, da flexibilidade de raciocínio e da interpretação/intuição pessoal.
A fim de comprovar a proposição anterior são transcritos, em seguida, alguns trechos dos manuais de campanha que abordam o assunto nos quais se pode verificar a ausência da determinação do uso de ferramentas que quantifiquem a relação probabilidade x impacto dos riscos identificados .
b. Estudos de situação
(1) O EM elabora estudos de situação para assessorar o Cmt na apreciação de todos os fatores que influenciam as linhas de ação (L Aç). Com base nesses estudos de situação, o EM fornece ao Cmt:
(a) conclusão sobre como os fatores mais significativos afetam a situação (BRASIL, 2003d, p. 1-4).
“O grau de risco que o Cmt deve aceitar na escolha de uma L Aç é função de variáveis amplas, tais como: urgência, possibilidades de sucesso, missões futuras e conceito da operação do Esc Sp” (BRASIL, 2003e, p. B-16).
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“A análise da ordem de batalha do inimigo visa, [...], bem como levantar indícios que servirão de base para a posterior determinação da(s) L Aç provável(eis) do inimigo e suas vulnerabilidades” (BRASIL, 2003e, p. B-10).
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“Com base nos indícios decorrentes das atividades importantes recentes e atuais, as possibilidades inimigas levantadas são analisadas e discutidas, concluindo-se pela(s) mais provável(is)” (BRASIL, 2003e, p.B-12).
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(1) O EM faz uma análise preliminar e seleciona, entre as L Aç apresentadas pelo oficial de inteligência, aquelas que julga de maior probabilidade para ser colocada em execução pelo inimigo. [...].
(2) Não existem regras fixas que possam determinar as reais possibilidades do inimigo quanto às L Aç que devam ser selecionadas (BRASIL, 2003e, p. B-20).
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“Não há L Aç perfeita. Haverá, normalmente, algum fator sobre o qual a L Aç apresentará uma vantagem marcante. Caberá ao Cmt definir a preponderância de um ou mais fatores sobre os outros, empenhando todo o seu julgamento, habilidade e experiência.” (BRASIL, 2003e, p. B-43).
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“ [...] Conhecimento, experiência e discernimento influenciam na seleção da melhor L Aç, entre as várias apresentadas. (BRASIL 2003d, p. 6-1).
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Um bom julgamento é definido pela capacidade de selecionar e pesar fatos e idéias importantes. Deve reconhecer quais os aspectos mais significativos do problema e quais os fatos que devem ser afastados ou eliminados como irrelevantes. Deve, também, identificar qualquer indício que torne inadequada uma solução proposta. Experiência, instrução e estudo contribuem para um bom julgamento, mas vivacidade, flexibilidade de raciocínio e curiosidade intelectual são também essenciais. (BRASIL, 2003 d, p. 6-2).
Assim, mesmo sendo apoiada em valores ou fatores subjetivos, pode-se dizer que, à exceção da matriz de probabilidade e impacto, são utilizadas todas as demais técnicas de análise indicadas pelo PMBOK (PMI, 2008).
No que se refere ao produto final do processo (atualização do registro de riscos), pode-se dizer que, em função da simultaneidade das ações de identificação e análise dos riscos observada no estudo de situação, a atualização do registro dos riscos é feito de forma unificada e mais completa do que aquele previsto no gerenciamento de projetos.
Ainda fruto do que foi exposto é possível deduzir que o uso de um instrumento de cunho matemático como a matriz de probabilidade e impacto possa trazer maior precisão ao processo de analise qualitativa na metodologia militar.
5.4.15 Realizar a Análise Quantitativa de Riscos – Gerenciamento dos Riscos