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Non-specific binding of mouse secondary antibody in APP/PS1 mice

4. Discussion

4.2 Non-specific binding of mouse secondary antibody in APP/PS1 mice

Estudos sobre a relação entre a prosódia e as atitudes vêm sendo incentivados (Mozziconacci, 1997; Reis, 2010) e abordados (Azevedo, 2007; Queiroz, 2004; Alves, 2002) na tentativa de caracterizar e representar os aspectos prosódicos na expressão de atitudes do locutor.

Este estudo é apresentado a fim de somar esforços no sentido de uma melhor compreensão da prosódia na expressão de atitude. E, ainda, como é realizada a expressão de atitudes em casos nos quais o locutor apresenta “falhas” nos aspectos prosódicos, como acontece na gagueira.

No entanto, para entender a função expressiva da prosódia é preciso inicialmente compreender os chamados “estados afetivos do falante”: humor, atitudes, emoções, intenções, posturas (em relação ao interlocutor) e os traços da personalidade do falante (Antunes, 2007).

Porém, os conceitos de estados afetivos do falante se confundem na literatura, seguindo linhas diversas para conceituação. Neste estudo serão apresentados alguns conceitos que nortearão a pesquisa na busca por uma base teórica para o estudo das atitudes e a relação desta com a prosódia. Daremos foco aqui nas discussões sobre emoções e atitudes, já que atitude faz parte do tema principal desta tese e muitos autores não diferenciam atitudes e emoções.

Para diferenciar atitude e emoção, optamos por nos basear em Couper-Kuhlen (1986) que colocam as atitudes como sendo produções cognitivamente monitoradas. Já as emoções não podem ser monitoradas, sendo controladas pela fisiologia (logo, universais).

Neste sentido, Wilson e Wharton (2006) propuseram o seguinte diagrama:

Figura 15: Esquema de transmissão de informação prosódica segundo a Teoria da Relevância

A figura 15 mostra que as informações transmitidas pela prosódia podem ser executadas de forma não intencional e intencional. A forma não intencional diz respeito às emoções. No entanto, as emoções podem ser “encobertas” ou disfarçadas de forma intencional. Já as atitudes são transmitidas de forma intencional e evidente (Wilson e Wharton, 2006).

A distinção entre emoções e atitudes baseadas na natureza de sua concepção

involuntária e voluntária, respectivamente, vem ganhando força nos últimos anos (Sherer,

1979; Couper-Kuhlen, 1986; Aubergé, 2002; Wilson e Wharton, 2006; Antunes, 2007; Shoci

et al, 2008). É essa nossa posição no presente estudo.

Com base nessa distinção, apresentaremos a seguir alguns estudos sobre a prosódia na expressão de atitudes. Apesar dos primeiros estudos sobre emoções ou emoções/atitudes datarem da década de setenta do século XX (Antunes, 2007), o nosso foco são os estudos que visaram somente a expressão de atitudes.

Em 1990, Tench estuda algumas atitudes com intuito de elaborar um léxico entonativo. No entanto, o autor não distingue de forma clara as atitudes que utilizou. Para

Tench, a entonação, o léxico e a qualidade vocal são os responsáveis pela expressão de atitudes.

A persuasão foi estudada por Alves (2002) em contraposição com enunciados informativos. Para confirmação dos rótulos dados pela pesquisadora, os enunciados foram submetidos a um teste perceptivo. A autora estudou aspectos relacionados a frequência fundamental e a duração. Os resultados mostraram que os enunciados persuasivos apresentaram maior variação melódica, frequência usual e velocidade do movimento

melódico quando comparados aos enunciados informativos. Quanto aos parâmetros de

duração, a pausa praticamente não foi encontrada nos enunciados persuasivos e a velocidade de fala não sofreu muita alteração.

Piot e Lyaghat (2002) estudaram as seguintes atitudes da língua persa padrão para assertivas: neutro (AN), restrição (AR), confirmação (AC), advertência (AV), lassitude (LAS) e evidência (EVI). Os autores estudaram o tipo de contorno de F0, a intensidade e a duração de cada sílaba, sendo X a última sílaba acentuada, x as demais sílabas, com exceção da última

sílaba, x’, que segue X. A intensidade e a duração foram marcadas hierarquicamente, da mais

fraca a mais forte (*, **, ***, ****, *****). A figura abaixo mostra as tendências encontradas pelos autores seguindo esse tipo de análise.

Figura 16: Representação esquemática das tendências observadas de cada atitude em enunciados assertivos do persa. Fonte: Piot e Layqhat (2002)

Os autores sugerem que os parâmetros a serem estudados (contorno melódico, intensidade e duração) sejam analisados em conjunto e não separadamente.

Moraes e Stein (2006) estudaram as atitudes de consideração, desprezo, desapontamento, ironia, justificação, obviedade e incerteza. Uma mesma frase foi produzida por um sujeito e passou por processos e síntese e ressíntese, além de teste perceptivo. Os autores concluíram que algumas atitudes são mais marcadas por variações de F0 enquanto outras por variações nos parâmetros de duração.

Ao estudar atitudes dentro de questões, Antunes (2007) realizou etiquetagem (com

auxílio de testes perceptivos) para questões neutras, com dúvida, críticas, incrédulas,

indutivas, com interesse e com provocação. A autora estudou diversos parâmetros para o enunciado como um todo e para sílabas específicas de F0, como pontos de F0 inicial e final, tessitura e taxa de variação do movimento de F0 e de duração, como duração de sílabas e pausas.

A autora mostrou que para a forma neutra, os valores de F0 são menores, enquanto a duração apresentou valores médios. Já a crítica apresenta valores altos de F0, em especial no

início dos enunciados, com duração mais longa quando comparada às demais atitudes

estudadas. A indução apresenta valores de F0 mais baixos, com menor variação do movimento melódico, com duração média. Uma característica marcante para a expressão de dúvida é apresentar valores mínimos de F0 mais elevados do que os encontrados nas demais atitudes. A incredulidade apresentou os valores de F0 mais altos dentre as atitudes estudas pela autora, enquanto o interesse apresentou valores intermediários entre o neutro e a dúvida. Por fim, a provocação tem valores de F0 maiores do que dúvida e interesse, porém menores do que crítica e incredulidade (Antunes, 2007).

A fim de estudar características acústicas do sarcasmo, Cheang e Pell (2008) gravaram a expressão dessa atitude por seis falantes nativos do inglês. Os enunciados passaram por um teste perceptivo e aqueles considerados com suscesso receberam etiquetagem para análise

acústica. Foram analisados a média e desvio padrão de F0, tessitura, variação de intensidade,

velocidade de fala, taxa de harmonicidade (do inglês harmonics-to-noise) e ressonância nasal da vogal /i/. A expressão do sarcasmo foi comparada com a forma neutra, atitude de humor e sinceridade.

Os resultados do estudo acima descrito apontaram diferenças estatisticamente significativas entre as atitudes para as medidas de F0 realizadas, sendo que o sarcamo tende a apresentar valores mais baixos em todas elas. A velocidade de fala e a harmonicidade também apresentaram diferenças estatisticamente significativas, com valores mais baixos para o sarcasmo. O estudo da ressonância da vogal /i/ mostrou maior amplitude em quase todas as frequências tidas como cruciais. Já a variação da intensidade não apresentou diferença estatisticamente significativa entre as atitudes (Cheang e Pell, 2008).

Silva (2008) realizou um estudo com 10 atores a fim de analisar aspectos prosódicos na expressão das atitudes de certeza, dúvida e incerteza, no português brasileiro. A autora realizou dois testes perceptivos para verificação das atitudes, um aberto e um fechado. Foram considerados os enunciados que tiveram pelo menos 50% de respostas adequadas. Ao comparar as atitudes de incerteza e dúvida com a certeza, foi verificado que a F0 média e a tessitura do enunciado foi maior na incerteza e menor na dúvida, enquanto a duração foi maior na incerteza e na dúvida e menor na certeza. A autora observou prolongamentos apenas na dúvida e na incerteza, já pausas foram encontradas somente na incerteza.

Os estudos acima descritos mostram uma grande preocupação dos pesquisadores da

área com o interlocutor, uma vez que a maior parte das pesquisas contam com testes

comunicativa, aqui representada pela expressão de atitudes, e a percepção que o locutor tem da mesma.

Seguindo a proposta acima apresentada, acreditamos que a teoria pragmática que melhor suporta nossa pesquisa é a teoria da relevância, da qual trataremos a seguir.