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Non Penetrating model

In document Fracture propagation modeling (sider 23-28)

Chapter 3 Stresses around borehole and failure mechanism

3.5 Fracture Initiation Models

3.5.1 Linear Elastic models

3.5.1.2 Non Penetrating model

A Revista do Patrimônio era ricamente ilustrada com um grande número de

fotografias, desenhos e reproduções de gravuras e pinturas, diferentemente dos demais periódicos de alta cultura, que freqüentemente eram pouco ilustrados. Sua capa já dá uma idéia do esmero com os cuidados gráficos e ilustrativos que acompanham a Revista (Figura 1). Vale examinar.

As capas eram coloridas em monocromia, destacando um detalhe de alguma imagem contida naquele número da Revista (Figura 2). Quanto a sua autoria, sabe-se apenas a do número inaugural, elaborada por Luiz Jardim, conforme nota informativa no próprio volume. O mesmo Jardim foi ilustrador de algumas imagens do miolo do periódico, além de ter sido ainda o autor da capa do primeiro volume das Publicações do Sphan (Figura 3).

Jardim (1901-1987), pernambucano de Garanhuns, era romancista e autor de literatura infanto-juvenil, além de atuar como artista plástico. Em 1918, foi morar em Recife, onde conheceu Joaquim Cardoso, assíduo colaborador da Revista do Patrimônio. Jardim e Cardoso, como também Gilberto Freyre, eram freqüentadores da “Esquina Lafaiete” – menção ao ponto de encontro da intelectualidade pernambucana que liderou o modernismo na região. A partir de 1929, Luiz Jardim foi colaborador do jornal A Província, a convite de Freyre, onde escreveu sobre crítica de arte. Na década de 1930, foi convidado a expor suas aquarelas no Rio de Janeiro, para onde se mudou. Inicia, assim, sua carreira de ilustrador, elaborando capas de obras como a de Raquel de Queirós. Em 1939, participou da fundação da Associação dos Artistas Plásticos, cuja diretoria foi composta por ele mesmo, ao lado de Cândido Portinari, Tomás Santa Rosa95, Alcides da Rocha Miranda, Quirino Campofiorito e outros.

95 Antes de se obter a informação de que Luiz Jardim era o ilustrador por trás da capa do número 1 da Revista, acreditava-se que essa havia sido feita por Santa Rosa. Paraibano nascido em 1909, Santa Rosa mudou-se para o Rio de Janeiro em 1932, onde auxiliou Portinari na realização de diversos murais. É tido como um dos primeiros ilustradores no Brasil, consolidando o design gráfico. Já em 1933, Santa Rosa iniciou suas atividades como ilustrador dos periódicos Sua Revista e Rio Magazine. Nesse ano, também fez seu primeiro projeto gráfico para o livro Caetés de Graciliano Ramos, publicado pela Livraria Schmidt Editora. Também ilustrou Cacau, de Jorge Amado, publicado pela Ariel Editora. Entre 1934 e 1954, foi ilustrador das publicações da Editora José Olympio, realizando diversas capas e ilustrações para os livros dessa prestigiada editora – dos quais se destacam Menino

de Engenho, Macunaíma e outras obras de Jorge Amado, Graciliano Ramos, Adalgisa Nery, Augusto Frederico

Schmidt, Antonio Callado, Carlos Drummond, Murilo Mendes e Guimarães Rosa. Em 1936, foi o autor da capa de Velórios, única obra de ficção de Rodrigo Melo Franco de Andrade. Em 1945, fundou o jornal A Manhã com Jorge Lacerda, ali ilustrando e escrevendo para o suplemento Letras e Artes. Paralelamente, era crítico de arte no

Diário de Notícias. Trabalhou ainda para o Serviço de Documentação do MES, onde tinha a responsabilidade de

atualizar o aspecto gráfico dos livros editados pelo ministério. Assim, diante desse perfil (de ter trabalhado nas principais editoras do período e de manter estreitas relações com intelectuais que também eram próximos de Rodrigo, Mário de Andrade ou de outros membros do “grupo do patrimônio”, e ainda pelos aspectos formais de

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Quanto ao miolo da revista, havia muitas ilustrações, sempre impressas em preto e branco e em papel couché. As dificuldades tipográficas para a impressão dessas imagens provavelmente era um fator determinante para que as figuras fossem diagramadas isoladamente do texto.

Essas imagens que ilustravam os artigos, de modo geral, compareciam com a finalidade de reforçar dados textuais, sendo assim fundamentais para a compreensão dos artigos publicados. Embora boa parte de suas legendas não informem a sua procedência, pode-se supor que a maioria delas era proveniente dos serviços fotográficos contratados pelo Sphan.

Isto se deve à prática institucional de registro fotográfico que perdurou, de modo mais efetivo, nas duas primeiras décadas de atuação do Sphan. As fotografias subsidiavam estudos sobre arquitetura, história da arte, restaurações etc. Eram um meio de produzir documentação, constituindo uma ferramenta para os estudos técnicos ali realizados – e hoje, pode-se dizer que compõem uma memória visual das atividades do Serviço, ainda que essas imagens não tivessem tal intuito.

É provável que as fotografias que ilustram a Revista fossem de autoria dos fotógrafos contratados pelo Serviço para percorrer o país. Vosylius, Erich Hess, Germano Graeser, Marcel Gautherot, H. Schultz, Herman Kruse, entre outros, foram alguns dos fotógrafos contratados para registrar o patrimônio, dentro de uma “política de documentação fotográfica” instaurada por Mário de Andrade que “formaria através da iconografia uma visão de seu patrimônio” (Turazzi, 1998:14).

A antropóloga Lygia Segala (2005), em pesquisa sobre a produção do francês Gautherot, mostra que os fotógrafos contratados pelo Sphan recebiam de Rodrigo orientações pormenorizadas e enquadramentos estipulados a fim de comporem uma “documentação elucidativa”. Um trecho citado por Segala demonstra bem como eram os direcionamentos para os fotógrafos: “Igreja Santa Ifigênia do Alto da Cruz: armar andaime e fotografar a imagem do nicho do conjunto, vendo-se a data 1762, e nos pormenores as cabeças dos anjos, da Santa e do menino” (Carta de Rodrigo para Gautherot Apud Segala, 2005:86).

suas capas), poder-se-ia supor que Santa Rosa provavelmente também executou as capas da Revista do

Patrimônio. Mesmo sem tê-lo feito, é provável que Luiz Jardim, o autor dos números inaugurais das duas séries

editoriais do Sphan, tenha sido influenciado por Santa Rosa, uma vez que as características formais do trabalho de ambos era semelhante. (Sobre Santa Rosa, ver Barsante, 1993 e Cardoso, 2005.)

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Um outro caso, dentre muitos encontrados junto aos relatórios de atividades no Arquivo Central do Iphan, trata de uma orientação enviada por Rodrigo a Godofredo Filho:

Reitero solicitação fotografar conjunto de um dos púlpitos desde embasamento até respectivo docel, inclusive. Peço outrossim fotografar detalhes do mesmo púlpito, pia batismal, interior da igreja de frente para o coro e parede interna sacristia do lado do mar. Rogo ainda comparar mármore púlpitos com mármore altar e lavatório sacristia afim informar a respeito este Serviço...96

Essas fotografias, relativas a obras em andamento ou a obras já executadas, eram recolhidas mensalmente pelo arquivo do Sphan no Rio de Janeiro. Tratava-se de um trabalho sistemático de montagem de um verdadeiro acervo de imagens para subsidiar estudos, atestar trabalhos realizados e fixar o trabalho do Sphan. Em 1950, o chefe do Arquivo e da Seção de História do Sphan, Carlos Drummond de Andrade, escreve um relatório97 informando que, até aquele momento, haviam sido catalogadas 25 mil fotografias de bens localizados em todo o território nacional98. Tais imagens constituem instrumento de inventário e de conhecimento do patrimônio a ser preservado, ao mesmo tempo em que criavam uma espécie de memória institucional. São essas imagens que ilustram a Revista, em sua maioria.

96 Encaminhamento de Rodrigo M. F. de Andrade a Godofredo Filho, 06/09/1940. Série Arquivo Técnico- Administrativo, Subsérie Atas, Relatório, Atividade do Iphan (1940), Caixa 02, Pasta 04. Arquivo Central do Iphan.

97 Relatório de Carlos Drummond de Andrade ao Diretor da Divisão de Estudos e Tombamentos, 30/06/1950. Série Arquivo Técnico-Administrativo, Subsérie Atas, Relatório, Atividade do Iphan (1949-1951), Caixa 03, Pasta 09. Arquivo Central do Iphan.

98 O relatório informa a quantidade de fotografias relativas a cada estado, sendo que Rio de Janeiro, Minas, Bahia, São Paulo e Pernambuco eram os estados com mais obras fotografadas, provavelmente por se tratarem dos locais onde havia escritórios do Sphan.

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