3 HENSYN BAK REGLENE
3.2 Reelt etablert
3.2.2 NOKUS-beskatning
A epidemia de AIDS, que se iniciou na década de 1980, como uma doença caracterizada pela transmissão homossexual masculina, continua repercutindo de forma significativa na população, principalmente por sua expansão em número de casos. Ocorreram, porém, grandes avanços na terapêutica e diagnóstico, aumentando a sobrevida dos pacientes, passando a ser considerada hoje uma pandemia crônica (BRASIL, 2006).
As estimativas mundiais evidenciam que mais de 30 milhões de pessoas já morreram de AIDS, 33 milhões de pessoas vivem com HIV, mais de 16 milhões de crianças passaram a ser órfãs por causa da AIDS, sete mil novas infecções por HIV ocorrem todos os dias e mais da metade dessas pessoas demora a descobrir que são portadoras do vírus (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2011).
Esses dados acerca da transmissão da AIDS se traduzem, também, nos dados registrados no Brasil entre 1980 e junho de 2010, com a notificação de 592.914 casos de AIDS no Brasil, onde a maioria dos casos se concentra entre a faixa etária de 40 e 49 anos. A faixa etária de 35 a 39 anos, entretanto, possui a maior taxa de detecção no País. O número de gestantes notificadas com HIV entre os anos de 2000 e 2009 foi de 54.218 (BRASIL, 2010c).
Em relação aos casos de AIDS em menores de cinco anos, é observada uma redução desde 2002, porém esse decréscimo foi notado apenas nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O Norte e o Nordeste exibem aumento do número de casos nessa faixa etária. O coeficiente de mortalidade por AIDS mostrou tendência decrescente de 1997 a 2004, ano em que esse coeficiente se estabilizou (BRASIL, 2010c).
Esses dados retratam o cenário da epidemia da infecção por HIV, que, além de evoluir para a cronicidade, tem tendências de feminização, heterossexualização, juvenilização, pauperização e interiorização (BRASIL, 2006).
Estudo de Souza Júnior et al (2004) evidenciou que a cobertura da oferta do teste anti HIV para gestante no pré-natal era de mais de 90%, todavia, com a estratificação para regiões do Brasil, a cobertura do teste anti-HIV no pré-natal nos estados do Nordeste era de apenas 24%. Apesar das dificuldades e das diferenças regionais identificadas, a incidência de AIDS em crianças por exposição à transmissão vertical está decrescendo progressivamente (HARUNARI et al, 2011).
O diagnóstico positivo para HIV repercute em diversos aspectos do cotidiano das mulheres e famílias que vivenciam essa situação, podendo abalar a estabilidade e a segurança dos relacionamentos (GONÇALVES et al, 2009). Além disso, a mortalidade por AIDS trouxe outros problemas, como o aumento no número de crianças que viviam na condição de órfãs. No final da década de 1990, esse número chegou a 29.929 crianças (MACHADO et al, 2010).
Além desses dados, Brasil (2010.3) aponta que, entre 2000 e 2009, foram notificados 54.218 casos de infecção por HIV em gestantes com a concentração de faixa etária entre 20 e 29 anos. Estimativas revelam ainda que 12.456 recém-nascidos são expostos ao HIV anualmente.
O aumento do diagnóstico de infecção por HIV em mulheres no período gestacional reflete a adequação da política de saúde na atenção pré-natal, mediante a triagem sorológica anti-HIV; mas, representa uma falha no processo de educação e formação de uma consciência que estimule a adoção de medidas de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a infecção pelo HIV, além de uma gravidez não planejada (BRASIL, 2010c).
No Ceará, entre 1983 e setembro de 2010, foram notificados 9.722 casos de aids, considerando possibilidades de existência de subnotificação relacionada ao estigma e problemas operacionais da vigilância e assistência. A ampliação da notificação evidenciou uma redução da razão de sexos e interiorização da doença. Entre 2000 e 2008, foram
notificados 1.060 casos de gestantes infectadas pelo HIV com status sorológico definido durante o pré-natal (CEARÁ, 2010).
Num recorte para o cenário do Município de Canindé, destacamos que, desde a notificação do primeiro caso de aids em 1997, até 2011, foram registrados 80 casos, sendo 30 do sexo feminino. A faixa etária com maior recorrência foi a de 20 a 29 anos, com 38 casos notificados, seguido por 30 a 39, com 23 casos. Foi registrada a ocorrência de três casos de TV nos anos de 1999, 2001 e 2009.
A infecção por HIV pode ser dividida em quatro fases clínicas: infecção aguda, fase assintomática, fase sintomática inicial e aids. A infecção aguda é pouco percebida pelo baixo índice de suspeição, pois nessa fase ocorrem manifestações clínicas inespecíficas durante o pico de viremia e de atividade imunológica, que inclui também a janela imunológica, que é o período compreendido entre a aquisição da infecção e a soroconversão. A fase assintomática é a infecção precoce pelo HIV, em que os sinais e sintomas são mínimos ou inexistentes. Na fase sintomática inicial, o portador do vírus HIV pode mostrar sinais e sintomas inespecíficos e processos oportunistas de menor gravidade. A aids se instala quando há uma redução imunitária com o desenvolvimento de infecções oportunistas (IO) (BRASIL, 2006).
Com suporte nesses aspectos, resta explícito o fato de que, nas várias dimensões dos serviços de saúde ofertados pela atenção básica, em algum momento, os profissionais irão deparar portadores da doença, pois a atenção básica se fortaleceu ao longo dos anos, com o papel de programar as ações de prevenção de doenças e promoção da saúde, além de ter a oportunidade de acompanhar as pessoas no contexto familiar, cultural e social (BRASIL, 2006).
Da EqSF, espera-se que mantenha uma qualidade de trabalho com relação de vínculo entre si e destes com a comunidade. Há orientações acerca da necessidade de estabelecer relações de confiança entre a equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF) e o portador de HIV, de forma que contribua com a atuação dos serviços especializados para melhor adesão às recomendações e tratamento (BRASIL, 2006).