E. sinenesis har migrasjonsatferd, kan også vandre over tørt land. Den er en nattaktiv art som foretar migrasjoner i estuarier og elver
5.2 Noen potensielle problemarter som kan forventes tii norske farvann
Análises bem recentes admitem a possibilidade da existência de uma nova estratégia político-eleitoral empregada pela IURD. Tomando como referência as eleições de 2006 no Rio de Janeiro, Cunha (2006) analisa as estratégias evangélicas, com base na IURD, para pontuar mudanças no contexto da política brasileira nesse momento, embora admitindo que tais estratégias ainda sejam ambíguas.
Para tanto, reflete a partir da criação do Partido Republicano Brasileiro, o PRB.55
Na sua concepção, este partido teria sido parte de uma estratégia elaborada pelos articuladores da campanha de Marcelo Crivella ao governo do estado, a fim de criar um distanciamento político necessário entre ele e a própria IURD, dado que esta identificação trar-lhe-ia grande rejeição na disputa.
Em 2006, o PRB elegeu sem coligações 1 Deputado Federal pelo Rio de Janeiro com 83.127 votos. Com representantes seus em outros partidos, elegeu 1 Deputado Federal por São Paulo, pelo PMDB; um 1 pelo Ceará, pelo PMDB; e 1 por Mato Grosso, pelo PP.
Na disputa para a Câmara Federal, alcançou em todo o território nacional 58.242 votos de legenda, 185.817 votos nominais e obteve 244.059 votos totais.
Com relação às Assembléias Legislativas Estaduais, o PRB elegeu sem coligação três candidatos: um no Pará, com 35.163 votos e dois no Rio de Janeiro, com 35.725 votos e 39.266 votos, respectivamente. Obteve 56.925 votos de legenda, 169.119 votos nominais e 226.044 votos no total.
55 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RIO DE JANEIRO. Disponível em: http://www.tre- rj.gov.br/ Acesso em outubro de 2006. Homologado no final de 2005, como Partido Municipalista Renovador - PMR, teve a sua denominação alterada para Partido Republicano Brasileiro – PRB, presidido nacionalmente por Vitor Paulo Araújo dos Santos.
De acordo com Novaes (2001, p. 55), a eficácia da política dos grupos religiosos consiste na manutenção dos laços religiosos que ligam aqueles que compartilham a mesma fé. Portanto, como já se afirmou antes, o político pentecostal deve estar afinado com as demandas da denominação que o elegeu. Essa posição exige, assim, um pensamento que, na maior parte das vezes, supera a ideologia ou a identificação com um partido político específico.
Para Baptista, o entendimento de Novaes é reafirmado quando alega:
No jogo complexo da atuação política pentecostal, o atendimento às demandas da igreja e da base eleitoral prevalece acima de qualquer ética de convicção ideológico-partidária. (Baptista, 2009, p. 238)
A escolha da utilização pela IURD de pequenos partidos, de legendas de aluguel ou de grandes partidos ou a de um partido de oposição ou situação se relaciona muito mais às chances de eleição do candidato apresentado pela Igreja do que especificamente a questões de afinidade ideológica entre a denominação e legenda a ser escolhida. A esse respeito, Baptista (op.cit., p. 242-243) ainda afirma que, em primeiro lugar, se coloca possibilidade de eleição e depois a proximidade do eleito com o poder partidário e as agendas públicas. É interessante manter certa “capilaridade”, conservando pentecostais em todas as legendas. Da mesma forma, a escolha de partidos menores possibilita o exercício de liderança por um parlamentar “do baixo clero” 56, no qual quase sempre se encontram os Deputados pentecostais. Ao mesmo tempo, é importante refletir que a presença dos evangélicos nas renomadas legendas reduz espaços de atuação, porque não só torna possível a eleição com menor número de votos, graças à
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Em recente trabalho, MESSENBERG (2009, p. 3) situa o termo “baixo clero” para identificar: “[...] parlamentares, jocosamente identificados como baixo clero. Nesse grupo encontram-se,em geral, os Deputados que não exercem, na avaliação dos próprios congressistas, papel relevante na estrutura organizacional da Câmara e nem se destacam durante os trabalhos legislativos. São aqueles que, inclusive, em virtude de sua inexperiência e inexpressiva atuação parlamentar, em termos de visibilidade de ação e posicionamentos, ocupam costumeiramente as últimas fileiras de cadeiras no plenário da Câmara”.
engenharia eleitoral brasileira, como também permite maior acesso aos espaços de propaganda eleitoral, menor necessidade de atuar em coligações com os grandes partidos e o próprio acesso ao “poder de agenda” e privilégios a estes atribuídos, tendo a oportunidade de gravitar em torno dos políticos mais poderosos, costumeiramente conhecidos como “cardeais” 57 no Congresso Nacional.
Da mesma forma, Figueiredo Filho explica:
Os políticos da IURD não se concentram em um só partido, ao contrário, compõem um quadro suprapartidário e se pretende representar a IURD nas câmaras possíveis e nas siglas partidárias das mais diversas. Contudo, pelo fato do bispo Rodrigues estar filiado e ser uma liderança do Partido Liberal (PL), há uma forte inclinação da Igreja para apoiar esta sigla partidária. (Figueiredo Filho, 2002, p. 66)
Entretanto, de acordo com a acepção de Baptista, assiste-se a iniciativa da IURD de criar partido próprio como uma tentativa de evoluir no sistema partidário. Depois de manter por mais de uma década a maior parte de seus representantes em legendas mais fortes, tais como o PL e o PFL, nos quais, inclusive, seus Deputados ocuparam posições destacadas (caso dos Bispos Rodrigues e Wanderval), a criação do Partido Municipalista Renovador – PMR, oficialmente registrado em outubro de 2005 e com denominação alterada em março de 2006 para Partido Republicano Brasileiro – PRB, passou a se autonegar como “partido evangélico” ou “partido da Igreja Universal”, a fim de descaracterizar a iniciativa como tentativa de institucionalizar um Estado teocrático, visto que o Estado contemporâneo consagra a separação entre Igreja e Estado, e consequentemente, a laicização estatal.
57 De acordo com a autora citada na nota acima, os “cardeais” referem-se: “De forma irônica, a elite parlamentar brasileira que é denominada entre os membros da Câmara dos Deputados como “alto clero”, numa alusão ao Sacro Colégio Pontifício, que congrega os cardeais da Igreja Católica [...] podem ser identificados de forma parcial ou total, aludindo principalmente as seguintes questões: a ocupação de postos-chave do Poder Legislativo; a representação de interesses sociais e/ou institucionais organizados e a posse individual de faculdades especiais, reconhecidas entre os membros dessa comunidade como próprias de um líder” (Ibidem, p. 3 e 19).
Dentro dessa mesma estratégia, porém, a criação do partido atenderia a outros fins, como a necessidade de desvincular a IURD de partidos envolvidos em corrupção. Dentre estes partidos, menciona-se em especial o PL, com o qual a IURD sempre manteve ligação estreita e pelo qual lançou suas mais importantes candidaturas, como as do bispo Crivella, do bispo Carlos Rodrigues (mesmo tendo sido ele um dos mentores da ideia do PMR) e de outros integrantes da hierarquia da igreja que ocupavam cargos públicos.
A criação do PRB atenderia, também, à existência de uma tensão pré-eleitoral na qual não se conheciam as regras pelas quais as eleições seriam conduzidas. Principalmente em relação à condição do vice-presidente da República, José Alencar, membro do PL e agora do PRB, acuado que estava pela associação de seu partido a escândalos de dimensões nacionais e internacionais.
No caso da mudança de partido para o bispo Crivella, Cunha (op. cit.) sugere que o tiro teria saído pela culatra, pois, durante a campanha, a mídia reiteradamente teria citado sua identidade evangélica. Ou seja, sua filiação ao PRB estaria sendo apresentada no espaço público muito mais de forma acusatória do que como recurso à moralidade religiosa.
No que tange às reflexões sobre o pleito mais recente ocorrido no Rio de Janeiro, Cunha na mesma análise traça a atual conformação política brasileira e comenta:
O contexto político nacional alterou agendas e articulações partidárias. Os escândalos que revelaram o desvio de verbas da IURD, assim como a aparição de quase metade dos parlamentares da chamada ‘Bancada Evangélica’ em escândalos de corrupção, vêm modificando cada vez mais o recurso à identidade religiosa como forma de aferir valor a um candidato, sobretudo nas candidaturas majoritárias.58
Assim, o recurso à identidade moral e ética dos religiosos, usada em outros pleitos eleitorais com sucesso, já não mais se concatenaria com a ideia de idoneidade moral na política. Apesar de tais considerações, permaneceria ainda a indagação sobre a matriz ideológica da IURD, mesmo com a instituição de seu novíssimo partido político.
A julgar pelo caminho trilhado por seus principais líderes políticos, é possível conceber que nunca houve uma definição clara sobre seu posicionamento ideológico, até porque, conforme observa Freston (1999, p. 329-340), a política corporativa provoca concorrência ideológica interna. A representação iurdiana em uma diversidade de partidos jamais teria deixado clara à população brasileira uma ideologia, preferindo abster-se deste tema para privilegiar seus próprios interesses nos planos religioso e político.
Quanto ao projeto político da IURD, consubstanciado no novo partido, o PRB, ainda é cedo para determinar um viés ideológico próprio. Mas é possível conceber que, em função de um posicionamento conservador de seus representantes em relação a todas as questões, e mediante um discurso moralista renitente, ele poderia refletir uma inclinação à direita política.
A questão que se coloca, então, é o efeito da intersecção iurdiana na política brasileira, em relação ao regime democrático vigente no País. Representaria esta inserção um risco à continuidade do processo democrático em curso?
Mariano (1999, p. 231) observa que a atuação generalizada dos neopentecostais na política partidária brasileira é marcada pelo conservadorismo, pelo corporativismo, pelo fisiologismo explícito e pela inclinação à direita política. Entretanto, considera que isto não justifica um eventual temor de que o crescimento do pentecostalismo no Brasil represente uma ameaça à democracia “semelhante ao temor da Europa Ocidental frente
à expansão do fundamentalismo islâmico no Oriente Médio, no Leste Europeu, nos países da Ásia e do Norte da África”.
No entanto, o posicionamento teórico nesse sentido é frontalmente dividido, conforme analisa Freston (op. cit.). Segundo o mesmo autor, há uma corrente de autores que destacam o potencial democratizante do modelo de cristianismo pentecostal, no qual as igrejas ofereceriam um espaço social livre, uma experiência de solidariedade e de nova identidade pessoal, além de participação responsável em uma comunidade. Freston cita Smith e David Martin como alguns autores de destaque desta corrente positivista, embora argumente que esta corrente não considera realidades particulares do Brasil e admite que a divisão do protestantismo brasileiro, produto de uma tradição voluntarista, pode ser um fator positivo para a democracia.
Em relação à nossa realidade, Fonseca (2006, p. 3) concorda, afirmando que a participação, pela primeira vez, de novos setores na vida política, discutindo programas, propostas de candidaturas e apoios é ótima para a democracia brasileira.
Freston identifica outro grupo de autores, como Bastian (1994b), que privilegia a face repressiva e corporativista dos neopentecostais, pois que estes teriam evoluído da cultura do catolicismo popular, sincrética, corporativista e politicamente passiva. Haveria, para eles, uma afinidade entre o pentecostalismo e a cultura política latino- americana como um todo.
Outros, ainda, consideram que a democracia depende menos da ética protestante e da cultura política e mais da relação estabelecida entre as dirigentes e instituições, bem como de decisões estratégicas tomadas por líderes religiosos e políticos.
Em seu estudo sobre a inserção da Universal na política brasileira, Maria das Dores Machado apud Rodrigues (2006)59 identifica efeitos ambíguos sobre o processo democrático. Para a autora, a experiência democrática e o regime republicano estimulam o uso de identidades partidárias. Assim, por um lado, a presença da IURD na política brasileira instigaria importantes espaços de discussão sobre a importância do voto, socializando politicamente setores segregados da população, o que significaria uma ampliação da democracia brasileira, reforçando-a.
Porém, por outro lado, considera que, simultaneamente, há uma ambivalência com relação à sua entrada de representantes da IURD na política, pois que eles apresentariam um nível de informação muito baixo, que tenderia a repetir atuações parlamentares assistencialistas. Nessa dimensão, a prática política neopentecostal brasileira, sobretudo a iurdiana, traria o risco de manutenção das práticas políticas tradicionais que ressaltam vícios frequentes, a saber, sectarismo, fisologismo, nepotismo
e clientelismo.
Para Freston (1999), a discussão polarizada sobre a influência do pentecostalismo no processo democrático só faz ressaltar que os conceitos essenciais do protestantismo não são suficientes para enfrentar a complexidade da realidade e as “múltiplas influências sobre a política concreta”. Na sua concepção,
nem um modelo estático das operações da religião voluntarista, nem um modelo ideológico do papel da religião na sociedade, nem o elitismo que julga as seitas pelas expectativas do ‘ centro’ religioso, bastam para responder à questão. (Freston, op. cit., p. 335)
Em função disso, sugere o mesmo autor que, no caso brasileiro, a nova constituição do campo religioso pode trazer efeitos imprevisíveis, produzindo novas
59 RODRIGUES, Carla. A íntegra do depoimento prestado pela Professora Maria das Dores está In No Mínimo. Entrevista. Voto sob controle da fé. Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2006. Disponível em: http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publication Code=1&pageCode=31. Acesso em 10.10.2006.
variantes na relação religião/sociedade. A contribuir para esses efeitos estaria o poder “desequilibrador” da IURD no meio protestante e suas aspirações hegemônicas, razão pela qual a democracia seria vista pelos iurdianos com um olhar “meramente instrumental”. Para Freston, não há uma resposta simples na avaliação desta influência sobre a democracia.
CAPÍTULO 3