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«LEVE HELE LIVET»

11 NOEN KONKLUDERENDE BETRAKTNINGER

A formação é um dos temas relevantes na atualidade e fundamental no processo educativo. A continuidade do processo de formação é indispensável para promover a atualização dos saberes dos docentes. A sociedade contemporânea necessita de conhecimentos múltiplos não lineares para reconhecer os problemas da atualidade em consonância com a atualização do pensamento cujo caminho docente se apresenta apto a organizar o conhecimento.

Para Morin (2002, p. 36), “os problemas do mundo contemporâneo são interdisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais e planetários”. O autor acrescenta que a problemática global aponta que “a educação deve favorecer a aptidão natural da mente em formular e resolver problemas essenciais e, de forma correlata, estimular o uso da inteligência geral” (MORIN, 2003, p. 39).

Diante da complexidade da sociedade contemporânea, há uma ampliação dos campos do saber, desenvolvimento de tecnologias em um processo contínuo, expansão dos meios de comunicação tradicionais ou virtuais. Tais mudanças impelem mudanças na

postura e na prática do professor diante do conhecimento, da pedagogia e as suas relações com o trabalho, inseridos na perspectiva histórica, cultural e social.

Na perspectiva histórica, a profissão docente caracterizava-se pela presença do conhecimento objetivo. Sabemos a importância da autonomia acerca das decisões sobre problemas profissionais da prática, mas hoje é necessário muito mais. Nesse contexto, a formação docente transcende o ensino para atualizar saberes científicos, pedagógicos e didáticos. Ela nos remete a espaços de participação, reflexão e formação para possíveis adaptações a incertezas e mudanças. Imbernón (2006, p. 17) salienta que

A formação do professor deve estar ligada a tarefas de desenvolvimento curricular, planejamento de programas e, em geral, melhoria da instituição educativa e nelas implicar-se, tratando de resolver situações problemáticas gerais ou específicas relacionadas ao ensino em seu contexto.

A constituição da tarefa de ensinar, repleta de relações humanas, revela-se por si só a viabilidade de reflexões acerca da complexidade do mundo contemporâneo, impelindo ações para ultrapassar barreiras de apenas munir os professores com instrumentos relativos à profissão no sentido de consolidar a formação. Sobre essa orientação, Imbernón (2006, p. 48-49) assevera que

A formação terá como base uma reflexão dos sujeitos sobre sua prática docente, de modo a permitir que examinem suas teorias implícitas, seus esquemas de funcionamento, suas atitudes etc., realizando um processo constante de autoavaliação que oriente seu trabalho. A orientação para esse processo de reflexão exige uma proposta crítica da intervenção educativa, uma análise da prática do ponto de vista dos pressupostos ideológicos e comportamentais subjacentes.

A formação nos leva à mobilização da cultura profissional no sentido de viabilizar caminhos para reflexões e críticas da profissão. As rápidas mudanças no desenvolvimento social, econômico e tecnológico necessitam cada vez mais de profissionais preparados e atentos aos novos tempos.

A concepção para a formação contínua do pensamento reflete a ideia do contínuo processo evolutivo do ser humano. Freire (1997, p. 20) destaca que

A educação é permanente não por que certa linha ideológica ou certa posição política ou certo interesse econômico o exijam. A educação é permanente na razão, de um lado, da finitude do ser humano, de outro, da consciência que ele tem de finitude. Mas ainda, pelo falto de, ao longo da história, ter incorporado à sua natureza não apenas saber que vivia, mas saber que sabia e, assim, saber que podia saber mais. A educação e a formação permanente se fundam aí.

As novas necessidades e a eclosão de novas reflexões acerca da formação docente e a prática propõem caminhos diferenciados para a realidade socioeducacional. Na busca de uma identidade formativa, o profissional deve ser ágil e capaz de respostas inteligentes diante das múltiplas situações da atividade docente. A ação docente se caracteriza de forma extremamente complexa e impregnada de relações humanas, em que a subjetividade e a diversidade no processo se fazem presentes.

Arroyo (2008, p. 17) afirma que

A formação de docentes-educadores para o trato da diversidade se defronta no sistema escolar e na academia com concepções generalistas, únicas de ser humano, de cidadania, de história e de progresso, de racionalidade, de ciência e de conhecimento, de formação e de docência. Defronta-se com diretrizes curriculares, normas e leis, políticas, processos e tempos de ensino-aprendizagem legitimados em princípios universais.

Os aspectos frisados não podem ser tomados como padrões de classificação dos indivíduos e dos coletivos. Não se pode fazer da diversidade desigualdades em função de padrões pré-concebidos. É necessário eliminar as diferenças e a segregação social por meio das leis e das normas que regem os sistemas educacionais.

Outro fator importante no contexto educacional, além da subjetividade, é a criatividade. Martínez (2006, p. 74) salienta que “a criatividade no trabalho pedagógico tem também outro significado: ela não é apenas importante para o objetivo central da aprendizagem e do desenvolvimento dos alunos, mas também para o professor, para o seu bem-estar emocional e seu desenvolvimento”, tornando-se, assim, um fator potencial no sentido de contribuir para mudanças.

O docente deve ser capaz de produzir conhecimentos. A perspectiva da discussão dos saberes compreende práticas reflexivas como prática social em consonância com as condições sociais do ensino. Morin (2002, p. 35) afirma que,

Para articular e organizar os conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os problemas do mundo, é necessária a reforma do pensamento. Entretanto essa reforma é paradigmática e, não, programática: é a questão fundamental da educação, já que se refere à nossa aptidão para organizar o conhecimento.

Em uma sociedade complexa, na qual a mudança em curso impõe uma dinâmica na formação de professores, os processos técnicos devem ser deixados de lado na concepção da busca da autonomia, na reconstrução de saberes e competências pedagógicas de forma contínua. Martins (2009, p. 4) observa que “a verdadeira imagem do futuro depende dos olhos de quem o olha”.

No contexto atual, prevalece a EDUCAÇÃO MATEMÁTICA sobre a matemática. A EDUCAÇÃO MATEMÁTICA é aberta e se constitui como instrumento à formação docente intelectual e social de todos e, em especial, do professor de matemática do ensino fundamental e do ensino médio promovendo a educação por meio da matemática.

Em contrapartida, a identidade e a sedimentação dos saberes necessários à docência são fundamentais para a formação consistente e competente, não no sentido de técnica, mas na utilização das experiências vividas a serviço do seu desenvolvimento. A formação docente implica pensar habilidades ao professor na sua prática e em seu contexto social, além da importância do seu papel diante das desigualdades e da falta de oportunidades. Nesse sentido, o professor deve atuar em um processo contínuo de construção de significados relativos à educação, ao ensino e à aprendizagem. Salienta-se a necessidade da formação em um processo sistemático, concatenado com a realidade socioeducacional. Outro aspecto é a promoção e a aproximação dos saberes nas instituições formadoras com os saberes que se originam dessa prática.

A atividade docente exige uma infinidade de saberes e competências necessários à prática do ensino-aprendizagem, para proporcionar uma contínua reflexão do ato educativo. Para isso, Nóvoa (1991, p. 25) afirma que

A formação deve estimular uma perspectiva reflexivo-crítica que forneça aos professores os meios de um pensamento autônomo que facilite as dinâmicas de autoformação participada. Estar em formação implica um investimento pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os percursos e projetos próprios; com vista à construção de uma identidade que é também uma identidade profissional.

A reflexão nos remete ao desenvolvimento profissional docente consistente da carreira de forma permanente com o foco no contemporâneo. Rocha e Fiorentini (2009, p. 126) asseveram que

[...] o DP (desenvolvimento profissional) docente é um processo de aprendizagem que acontece ao longo da carreira, envolvendo uma combinação de etapas formais e não formais que não se limitam à iniciação à docência e a formação continuada, mas envolve, também, a formação inicial, pois esta deve ser tratada como uma fase prospectiva do desenvolvimento docente.

O desenvolvimento profissional se constitui em um processo evolutivo, contínuo de forma a se tornar permanente. Nesse sentido, ainda, Imbernón (2009, p. 91) assegura que

A profissão docente sempre foi complexa por ser um fenômeno social, já que numa instituição educativa e numa aula devem ser tomadas decisões rápidas para responder às partes a ao todo, à simplicidade ou à linearidade aparente do que há à frente e da complexidade do entorno preocupa.

A complexidade do ato educativo nos reporta a observarmos que os sujeitos comprometidos e envolvidos com o ensino-aprendizagem devem ser abordados em sua totalidade. Portanto, na ação docente, devemos considerar o emocional e o subjetivo. A mobilização de saberes pedagógicos de forma contínua e dinâmica é relevante. O conhecimento da área de atuação, os saberes curriculares e as experiências da vida profissional solidificam o exercício profissional.