• No results found

Noen innledende avklaringer

In document Konsekvensanalyser: [Håndbok V712] (sider 111-114)

samfunnsøkonomiske analyser

6 Ikke-prissatte konsekvenser

6.1 Noen innledende avklaringer

A velhice é mais uma etapa da vida, altura em que se dispõem de muito tempo livre e se sente necessidade de o ocupar, sob pena de surgirem graves consequências a nível físico e psicológico. Assim, é essencial para o idoso ocupar o seu tempo livre, recorrendo a actividades gratificantes que lhe proporcione momentos de lazer, que lhe permita manter e recuperar a sua capacidade física, mental e social (Geis, 2001), isto porque a melhor forma de ter uma velhice saudável é através das actividades, sejam elas em que área forem (Zimerman, 2000).

Como em qualquer outro período existencial da vida humana, o decurso vital da velhice exige o desafio de propostas significativas para os tempos livres que, através da geração de novas aprendizagens, promovam espaços reais para a expressão do idoso como ser diferente, para a sua afirmação na sua originalidade e na sua mesmidade (Tamer & Petriz, 2007).

Efectivamente, o lazer e a recreação devem fazer parte da vida das pessoas; as actividades recreativas podem proporcionar momentos de descontracção, diversão e alegria, que contribuirão para uma melhor ocupação do tempo livre e para a aquisição de novas experiências (Araújo, 2011).

Contudo, a valorização social do Homem pela sua capacidade de produção coloca os idosos numa situação de exclusão e negligência social. Antes da reforma o indivíduo era útil, válido e responsável, com a chegada da reforma vê-se rejeitado ou pelo menos marginalizado por uma sociedade competitiva, para a qual deixa de ter valor. Aliás, sucede frequentemente que, por causa de uma dedicação exclusiva a essa mesma sociedade (sobretudo através da vida profissional), que no momento da “passagem a reforma”, nomeadamente, muitos indivíduos são literalmente apanhados sem saber fazer mais nada, sem qualquer perspectiva extra-profissional de ocupação do tempo, vendo-se subitamente desvalorizados, vazios, tentando agarrar-se a qualquer coisa que preencha e dê sentido ao quotidiano (Fonseca, 2004), isto porque, “ é raro encontrar uma pessoa totalmente feliz por não fazer nada” (Bize & Vallier, 1985, p. 195).

Independentemente do espírito com que cada pessoa encara a reforma, a verdade é que o fim do trabalho profissional leva a um dos maiores problemas sentidos na terceira idade: a falta de ocupação do tempo. Deste modo, diante do vazio que a reforma pode produzir na vida de certas pessoas, é necessário procurar actividades gratificantes e motivadoras que ocupem ao menos uma parte do dia, aumentando a sua auto-estima e fazendo-os sentir-se activos e úteis, pois, a falta de ocupação tem efeitos negativos sobre qualquer ser humano (Geis, 2001).

Assim sendo, os idosos que não beneficiam de uma vida activa e se concentram apenas no “seu mundo interior” e nas doenças próprias da idade, estão mais sujeitos à depressão, à desmotivação, à ausência de objectivos de vida, são mais vulneráveis às frustrações causadas pelas perdas (Zimerman, 2000), tornam-se apáticos e melancólicos, deixando um modelo de “velho” infeliz para os que um dia também lá chegarão (Bize & Vallier, 1985).

Efectivamente, a prática e o desenvolvimento de actividades de lazer têm-se revelado na vida dos indivíduos como um factor de crucial importância. As actividades do tempo livre são uma compensação ao trabalho que aborrece, além de contribuir para um melhor estado de espírito dos cidadãos, pode, no caso dos mais velhos, amenizar os efeitos decorrentes do processo de envelhecimento (Geis, 2001).

Na linha de argumentação que vem sendo apresentada, Fonseca (2004, p.186) refere algumas medidas preventivas que podem reduzir o impacto negativo das perdas desenvolvimentais que venham a ocorrer, na sequência do processo de envelhecimento, a saber, entre muitas, “promover a ligação entre tempos livres e educação/formação da qual se retirem efeitos visíveis e que não sirva apenas para ocupar o tempo de um modo descomprometido; (...) Estimular o treino cognitivo (através da aprendizagem da arte, da cultura), praticar actividades físicas e cuidar da saúde física e mental”.

À luz do que foi referido, e dada a importância e os benefícios que as actividades de lazer assumem em qualquer idade, o reformado precisa ser educado para o lazer, entendendo-o como:

“Um conjunto dinâmico e complexo de ocupações, voluntariamente usado para relaxar e divertir-se ou, ainda, para desenvolver a participação social, os gostos, os conhecimentos ou

aptidões depois de ver-se libertado das obrigações profissionais, familiares, sociais e cultural; não é apenas o tempo que resta após o trabalho, é fazer algo” (Dumazedier, cit. in Geis, 2001, p.33).

Considerando, portanto, o lazer sob esta perspectiva, ele aparece como uma possibilidade de escolha individual de práticas no tempo disponível, proporcionando efeitos, como o descanso, o divertimento e o desenvolvimento da personalidade e da sociabilidade. Estas actividades (de lazer) devem constituir momentos onde o indivíduo (idoso) se empenhe, algo que escolha de livre e espontânea vontade, que lhe ofereça prazer, satisfação, descontracção e que contribua para o desenvolver como pessoa. Assim, os indivíduos, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos, depois de realizarem as tarefas que são “olhadas” como obrigações, têm tempos livres que devem ser ocupados com diferentes actividades (Geis, 2001).

Existe um grande leque de oferta de actividades para seniores proporcionadas pelos vários recursos locais desde autarquias, instituições públicas, empresas privadas, entre outros, dinamizadas por profissionais especialistas na área de gerontologia. Mas, só fazem sentido, se forem ao encontro das necessidades e desejos da população alvo. As actividades de que os idosos podem usufruir são várias, desde actividades lúdicas (jogos tradicionais), actividades físicas (ginástica, piscina), manuais (modelagem, costura, pintura), intelectuais (universidades seniores, dinâmicas de grupo), artísticas (teatro, grupo de cantares), associativismo (voluntários, clubes), convívios intergeracionais, passeios, actividades que impliquem novos conhecimentos e contacto com novas realidades, com as novas tecnologias, entre outras (Jacob, 2007).

Apesar dos vários benefícios apontados pelos diferentes autores, o tempo dispensado para as actividades de lazer ainda é irrisório quando comparado com o tempo dedicado à actividade profissional. Isto porque, o tempo de trabalho tem um grande valor social, já que é considerado como o mais importante, é o que ocupa a maior parte do dia e ao qual são dedicados todos os esforços (Geis, 2001). A sociedade educa-nos principalmente para preencher esse tempo de trabalho e não leva em conta os hábitos, as actividades e a formação pessoal que é adquirida durante o tempo livre (Geis, 2001).

Assim, cabe às entidades públicas a promoção de actividades e a sua apresentação aos grupos de idosos, adaptando-as às necessidades, aos interesses, às possibilidades económicas, culturais e sociais dos idosos (Geis, 2001). Isto porque as actividades de tempo livre estão muito condicionadas à capacidade económica, à classe social à qual se pertence, à cultura e à educação que se possui, aos hábitos e à saúde (Malo, 1971, cit. in Geis, 2001).

Assim sendo, os idosos com um poder económico mais reduzido, circunscrevem-se ao seu espaço, não tendo oportunidade de usufruir de actividades sociais e culturais, com a sua rede social, família e amigos. Os que possuem um rendimento económico mais estável conseguem manter e efectuar os seus interesses sociais e culturais (Fonseca, 2004).

Pinquart e Sorensen (2000, cit. in Fonseca, 2004) realizaram uma investigação que os levou a perceber que o estatuto socioeconómico e educacional pode contribuir para o bem-estar psicológico pela melhoria da qualidade de vida objectiva: quanto mais dinheiro disponível, melhor habitação, maior participação em actividades culturais, sociais e de lazer. E, por seu turno, um nível educacional elevado está associado a um melhor conhecimento dessas actividades, promovendo a sua utilização.

Já mesmo Aristóteles (350 A. C., cit. in Jacob, 2007, p.73) referia que “a cultura é o melhor conforto para a velhice”. Efectivamente, a fraca ou inexistente educação escolar, bem como a falta de experiências anteriores em actividades de ocupação de tempo livres pode contribuir para promover no indivíduo solidão. Neste sentido, os níveis mais elevados deste sentimento ocorrem em classes sociais mais baixas, com poucos interesses específicos e com uma baixa capacidade de ocupação em actividades de índole pessoal (Barreto,1984, cit. in Fonseca, 2004).

Como já foi enfatizado, a terceira idade é mais uma fase da vida que pode ser caracterizada como um período de aproveitamento para realização pessoal de investimento em si próprio. Uma das grandes vantagens é o tempo livre que as pessoas dispõem, tornando possível a participação em actividades antes quase impossível.

Para que o ser humano obtenha uma velhice bem-sucedida, é necessário todos os responsáveis (sociedade) apoiarem, ou seja, facilitar o acesso dos idosos a actividades culturais e fomentar, entre eles, o emprego criativo do tempo livre através de uma educação para o ócio, melhorando a sua qualidade de vida e a capacidade de se sentirem úteis. Ao mesmo tempo, devem promover uma cultura de participação e de solidariedade (Levet, 1995).

Efectivamente, a pessoa idosa deve ser contemplada como um ser biopsicossocial, necessitando constantemente de estimulação física, psicológica e social (Zimerman, 2000).

2.4 Benefícios da estimulação cognitiva para um envelhecimento com mais

In document Konsekvensanalyser: [Håndbok V712] (sider 111-114)