DEL II TOSPRÅKLIG OPPLÆRING OG TEORETISKE PERSPEKTIV PÅ
4.5 Tospråklig utdanning
5.1.1 Noen begrepsavklaringer
A “Sondagem de interesse” apontou que dos 323 profissionais interessados em participar como facilitador dos grupos, 89,4% possuíam experiência em trabalho com grupos, porém 61,7% não possuíam formação para fazê-lo. Assim, foi oferecido o módulo “Metodologia de trabalho com grupos de cuidadores familiares de idosos frágeis”, desenvolvido por meio de estratégias educacionais interativas, que resultou na legitimação da proposta metodológica consolidada a partir das oficinas do módulo anterior, e na construção compartilhada de técnicas de grupo para cada tema proposto pelo projeto, a serem desenvolvidas nos encontros com os cuidadores familiares de idosos(12). Esta formação foi repassada por 23 profissionais formadores/multiplicadores, que participaram de um módulo “Preparatório para o trabalho com grupos”. A carga horária de 20 horas/aula foi desenvolvida em aulas teóricas, bibliografia comentada e oficinas, conteúdos sobre o trabalho com grupos–tipologia e fenômenos grupais e apresentou a consolidação das estratégias de formação dos grupos, construídas a partir da Etapa 1, na disciplina “Elaboração da proposta de implementação do projeto na rede SUS-BH”.
3.6.4 A implantação dos grupos
Com base nos objetivos dos grupos, a proposta metodológica do PQCIF se deu sob a orientação de que o saber, a cultura e o modo de fazer do cuidador familiar deveriam ser considerados e valorizados e, apesar das sugestões de
temas a serem trabalhados, o conteúdo foi desenvolvido com base no interesse dos participantes de cada grupo (68). A problematização de situações cotidianas de modo a permitir a reflexão crítica referenciada por Freire (64), bem como a habilidade do facilitador no manejo metodológico, foram a base para as diversas experiências com os grupos desenvolvidos.
O formato dos grupos foi fruto de uma construção coletiva dos profissionais que participaram da etapa de capacitação do referido projeto e como resultado foram implementados, entre 2011 e 2013, 121 grupos de cuidadores familiares de idosos frágeis nas UBS, distribuídos por todas as regionais de Belo Horizonte, o que representou um avanço na política de saúde voltada para a pessoa idosa e seu cuidador, no município.
Até maio de 2011, 210 profissionais de nível superior das UBS e do NASF se tornaram os facilitadores para implantação dos grupos de apoio aos cuidadores familiares de idosos frágeis nas UBS. E, desde a finalização das primeiras turmas de capacitação na Etapa 2, ficou pactuado o matriciamento bimestral da implementação dos grupos, a ser realizado em encontros distritais.
Em 2013 foram realizados seis grupos de cuidadores em áreas diferenciadas(68). Para este estudo foram selecionados os cuidadores familiares participantes destes grupos por serem eles o principal público do PQCIF e por não contarem com formação ou apoio para cuidar. Coube, portanto, compreender a percepção dos cuidadores familiares em relação ao cuidado e à
sua participação nesses grupos promovidos no âmbito da atenção primária à saúde em Belo Horizonte.
4 PERCURSO METODOLÓGICO
Foi realizado um estudo exploratório descritivo com abordagem quantitativa- qualitativa com cuidadores familiares que participaram dos grupos promovidos pelo PQCIF, no ano de 2013. Na etapa de natureza quantitativa buscou-se caracterizar o perfil dos participantes pela aplicação de um questionário; na qualitativa foram realizadas entrevistas individuais para conhecer sua percepção sobre o cuidado e seu modo de cuidar, após a participação nos grupos supracitados.
O percurso metodológico encontra-se sistematicamente esquematizado na Figura 1:
Figura 1.Trajetória metodológica da pesquisa, Belo Horizonte-MG, 2014.
• QUANTITATIVO: • 91 participantes, dos
quais 37 cuidadores selecionados de acordo com critérios de inclusão .
População estudada
• Questionário adaptado do Estudo SABE – 30 questões • Perfil sociodemográfico; • Conhecer atividades realizadas
.
Procedimentos instrumentos • Banco de dados (SPSS): frequência; medida de tendência central; dispersão.
Análise de dados •QUALITATIVO: •14 cuidadores •Multivocalidade: gênero, idade, local, parentesco, tempo de cuidado, território •Saturação População estudada •Entrevista semi estruturada: a) Como se sente cuidando; b) O que é cuidar; c) O grupoProcedimentos instrumentos •Análise de conteúdo de Bardin, em 3 etapas. Análise de dados
O que é cuidar e efeitos do cuidar; Participação nos grupos de cuidadores; Sugestões para grupos futuros.
VARIÁVEIS PESQUISADAS
Características sociodemográficas do cuidador;
Condição de trabalho do cuidador; Dados sobre o cuidado;
Atividades realizadas pelo cuidador
CATEGORIAS IDENTIFICADAS
A área estudada foi delimitada de acordo com a realização dos grupos de cuidadores no ano de 2013. Em seis UBS de diferentes regionais e áreas de variados níveis de vulnerabilidade em saúde(69) foram realizados grupos de cuidadores familiares, a saber: UBS Salgado Filho - Regional Oeste; Heliópolis e Felicidade II -Regional Norte; Jardim Alvorada - Regional Pampulha; Regina - Regional Barreiro; e João Pinheiro - Regional Noroeste(68), conforme apresentado na Figura 2(70).
Figura 2 . Mapa de Belo Horizonte com as áreas de abrangências das UBS,
segundo a classificação de risco.
Todas elas participaram das etapas quantitativa e qualitativa deste estudo. Para identificação dos cuidadores participantes dos grupos, foram verificadas as listas de presença e os nomes dos participantes foram relacionados em uma planilha apresentada à equipe da respectiva UBS (gerente, facilitador e Agente Comunitário de Saúde) para seleção da amostra.
No universo de 91 pessoas presentes nos encontros, 37 foram selecionados, de acordo com os seguintes critérios de inclusão: cuidadores familiares de pessoas idosas que continuavam exercendo esse papel e que estavam em condições de responder ao questionário. Os critérios de exclusão foram: óbito da pessoa idosa; ser cuidador formal ou profissional da UBS; residir fora da área de abrangência da UBS; não ser localizado ou não aceitar participar. (Apêndice A)
O instrumento de coleta de dados escolhido para a etapa quantitativa consta de 30 questões fechadas (Apêndice B), adaptadas do questionário utilizado pelo Estudo Saúde, Bem estar e Envelhecimento (SABE), realizado em sete países da América Latina e Caribe (http://www.fsp.usp.br/sabe), com o objetivo de investigar as condições de vida da pessoa idosa (sociais, econômicas e de saúde, redes de apoio, acesso aos serviços públicos, etc.), incluindo a questão do cuidado(71).
Para a etapa qualitativa, realizou-se uma entrevista aberta (Apêndice C) em local, dia e horário escolhidos pelos14 cuidadores selecionados. A entrevista aberta fornece dados que se referem diretamente ao indivíduo, constituindo-se uma representação da realidade em relação a suas ideias; crenças; maneira de pensar; de sentir e atuar; opiniões; condutas e razões conscientes ou inconscientes de determinadas atitudes e comportamentos(72). O roteiro semi- estruturado de entrevista incluiu questões relativas à percepção dos cuidadores sobre: a) como se sente cuidando de alguém idoso?; b) o que é cuidar?; c) a
participação no grupo: se o grupo ajudou ou não; se teria sugestões para aprimorá-lo.
O número de entrevistas foi regulado pelo critério de saturação, quando a entrevista aberta com novos cuidadores não acrescentaria nenhum dado novo para o estudo(73). As entrevistas foram gravadas e transcritas pela pesquisadora, permitindo a leitura atenta para identificar categorias analíticas, a interação entre elas e sua articulação com o contexto sociocultural vigente(72).
Visando à padronização e maior domínio dos instrumentos pela pesquisadora, foi realizado um pré-teste junto a cinco cuidadores que não pertenciam ao grupo elegível. Os cuidadores selecionados eram cuidadores familiares que haviam participado de grupos do PQCIF em período anterior a 2013, que pertenciam a uma mesma área de abrangência. Não foram necessários ajustes nos instrumentos testados.
A aplicação do questionário se deu pela própria pesquisadora, em local de escolha do cuidador (UBS de referência ou domicílio), após agendamento realizado pelo facilitador dos grupos da UBS.
Na etapa qualitativa, utilizou-se a análise de conteúdo proposta por Bardin(74). Para descrever o conteúdo da mensagem de forma objetiva e sistemática, trabalhando as palavras, suas significações e aquilo que está por trás delas, incluindo suas crenças e valores, a análise foi organizada em três etapas:
1. a pré-análise: consiste na organização dos dados com objetivo de sistematizar as ideias e impressões iniciais em um plano de análise; 2. a exploração do material: a partir da leitura atenta das entrevistas,
emergem categorias que classificam os elementos da mensagem, dando sentido e certa ordem ao conteúdo das entrevistas, e
3. o tratamento e a interpretação dos resultados para que se tornem significativos e válidos, cabendo ao pesquisador propor inferências, interpretar ou descobrir algo inesperado.
Essa análise permite uma aproximação pesquisador/entrevistado e revela o mais significativo nas respostas, as diferenças entre as falas, o que foi dito ou não (74).