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A comunidade científica tem constantemente divulgado a importância de

fatores psicológicos no desenvolvimento de doenças, sua prevenção e recuperação. Essas

doenças são fruto de interação entre o meio social em que vivemos e as pré-disposições a

doenças, ou seja, fatores biológicos que são particulares a cada indivíduo e que podem

contribuir para o aparecimento de doenças (ADLER e MATHEWS, 1994).

Uma vez que ambos os fatores (disposições individuais e meio ambiente) estão

intimamente ligados, torna-se necessário conhecer bem os fatores sociais que podem

sociais mais comuns que podem influenciar no aparecimento de doenças são: a comunidade

onde vive o indivíduo, o ambiente familiar, o ambiente social, o trabalho.

A comunidade onde a pessoa vive pode influenciar no surgimento de doenças,

pois muitas delas estão ligadas a fatores sócio-econômicos que podem favorecer o seu

aparecimento. Por exemplo, comunidades com baixo desenvolvimento sócio-econômico têm

apresentado altos índices de taxas de câncer, hipertensão arterial, problemas no coração e

problemas respiratórios (ADLER e COHEN, 1993). É certo afirmar que a comunidade em que

a pessoa vive esta intimamente ligada ao status social que ela ocupa. Por isso, é fácil

compreender que os fatores sócio-econômicos são fatores que podem determinar com mais

proximidade o tipo de ambiente em que o indivíduo se encontra, a vizinhança onde mora, o

trabalho ocupado pelo mesmo. Conhecer esses fatores é de fundamental importância para

entender certos aspectos que influenciam na saúde (WILLIAMS e COLLINS, 1995;

MACFADYEN, MACFADYEN e PRINCE, 1996).

TAYLOR e REPETTI (1997) afirmam ainda que existe uma elo de ligação

entre o estado sócio-econômico com a morbidade e a mortalidade dos indivíduos, pois, na

maioria das vezes, existe uma relação linear entre esses indicadores, ou seja, quando os

indicadores sócio-econômicos são melhorados a um decréscimo na taxa de morbidade e

mortalidade e vice-versa.

Comunidades pobres que sofrem por terem um menor número de serviços, tais

como comércio, hospitais, bancos, serviços de saneamento básico, maior número de habitantes

por família e maior índice de criminalidade têm se mostrado mais propensas a apresentar um

TAYLOR e REPETTI, 1997), demonstrando que existe uma clara relação entre a comunidade

onde se vive e o grau de estresse apresentado pelos indivíduos.

Também as características familiares favorecem o surgimento de estresse. Um

alto nível de conflito e de violência familiar estão ligados a problemas de saúde em crianças e

adolescentes que não possuem atenção dos pais. (TAYLOR e REPETTI, 1997, DUBOW e

TISAK, 1989). Corroborando essa percepção, MECHANIC e HANSELL (1999) afirmam que

brigas em casa podem gerar como conseqüência doenças psicossomáticas, como dor de

cabeça, estômago.

O péssimo ambiente familiar pode ainda favorecer o surgimento de doenças

mentais, tais como a depressão, pelo fato do indivíduo perder o suporte familiar tão necessário

para uma saúde mental. Esse quadro pode se agravar e chegar ao cometimento de suicídio,

conforme explanado por KASLOW, DEERING e RACUSIN (1994).

Resumindo, é fácil notar que o ambiente familiar pode contribuir para o

surgimento de doenças, principalmente em crianças e adolescentes. Esses problemas advêm de

fatores como: a) um clima social de conflito e raiva familiar, b) um relacionamento distante

entre os membros da família, principalmente entre pais e filhos, favorecendo a perda do

suporte emocional, principalmente das crianças e adolescentes, c) pais que têm um controle

muito grande ou, ao contrário, muito pequeno sobre seus filhos, com regras muito rígidas e/ou

com a ausência de regras. TAYLOR e REPETTI (1997) consideram esses fatores como

causadores de estresse, podendo advir daí vários problemas de saúde, como por exemplo: o

psicossomáticas na adolescência (dores de cabeça, dores no estômago (COLLINS et al.,

1993)); depressão (KASLOW, DEERING e RACUSIN, 1994).

É evidente, portanto, que existe um forte elo entre o tipo de ambiente familiar e

problemas de ordem física e mental.

Outro fator social que pode influenciar na aquisição de um quadro de estresse

são os grupos sociais. Ser aceito pelo grupo é de fundamental importância para o

desenvolvimento social do indivíduo. Adolescentes que possuem conflitos com amigos,

namorado (a), solidão, ou têm problemas de integração com o grupo, possuem maiores

problemas de distress (REPETTI et al., 1996). Corroborando esse pensamento, DUBOW e

TISAK (1989) afirmam que o suporte dos amigos pode fornecer proteção às crianças dos

impactos negativos a que elas estão expostas.

Mas não só as crianças e adolescentes necessitam de suporte do grupo social em

que vivem. Também os adultos estão sujeitos a esses fatores. Os laços sociais (família,

parentes próximos e amigos) são de fundamental importância para a manutenção da saúde e

têm um papel fundamental na redução do estresse (SWICKERT et al., 2002; BALBIN,

IRONSON e SOLOMON, 1999; LUTGENDORF e CONSTANZO, 2003). KIELCOLT-

GLASER et al. (1994) afirmam que uma boa relação entre marido e mulher está associada

com uma melhor resposta imunológica do organismo. Inversamente, esposos que possuem um

relacionamento marcado por constantes conflitos apresentam maiores incidências de

problemas cardiovasculares e neuroendócrinos, bem como uma baixa função imunológica

(BALBIN, IRONSON e SOLOMON, 1999). GEORGE (1989) diz que uma grande interação

STELLAR (1993) relatam que o ambiente de hostilidade e conflito está intimamente associado

não somente com o aumento do distress, mas, também, com o aumento de doenças

psicossomáticas.

O ser humano em si é um ser social. Como ser social, ele estabelece inter-

relações com diversos grupos que favorecem o seu aprendizado, já que a maioria dos

comportamentos exibidos ao longo da vida é aprendida. O local onde se vive grande parte da

vida e que primordialmente cuida do aprendizado de forma sistematizada é a escola.

As aprendizagens formais, transmitidas pela escola, essencialmente dependem

da integração do pensar, sentir, falar, ouvir e agir, influenciadas pela ação constante de fatores

internos (origem orgânica, cognitiva e emocional) e externos (origem social, pedagogia) do

indivíduo (TONELOTTO, 2003). Por isso, condições que predisponham os estudantes ao

estresse podem interferir nos processos de aprendizagem aos quais os mesmos são expostos.

As situações estressoras, como já foi visto anteriormente, são caracterizadas

pela experimentação de qualquer emoção capaz de mudar sua rotina, sejam elas fontes de

alegria ou tristeza. Percebe-se que diversos estudos têm se preocupado em mensurar a

quantidade de estresse nas várias fases da vida acadêmica (ensinos fundamental, médio,

superior e pós-graduação (MISRA, 2000; TRICOLLI, AFONSO e GONÇALVES, 2003;

SOUZA e VALENTIM, 2003; NOVAIS et al., 2003; OLIVEIRA, PREGNOLATTO e LIPP,

2003; URBANO et al., 2003). Essa preocupação tem legitimidade, uma vez que torna-se

extremamente necessário que professores, orientadores educacionais e demais profissionais

ligados a área de educação conheçam os efeitos do estresse sobre a aprendizagem para que os

Nota-se, ao longo da literatura, que relaciona o estresse com a atividade

acadêmica, que as pesquisas realizadas no Brasil seguem um padrão, utilizando-se de

ferramentas e métodos que podem ser visualizados, a título de ilustração, no trabalho realizado

por CALAIS, ANDRADE e LIPP (2003). Estas autoras realizaram um estudo para avaliar as

diferenças de sexo e de escolaridade na manifestação do estresse em jovens adultos, utilizando

como amostra um grupo de 295 estudantes, com faixa etária dos 15 aos 28 anos (150 mulheres

e 145 homens), que cursavam o 1° e 3° ano do ensino médio, cursos pré-vestibulares e 1° e 4°

ano do ensino superior.

Os resultados demonstraram que 65,60% dos participantes apresentavam

estresse, sendo as mulheres mais estressadas (79,30%) que os homens (51,72%). Com relação

ao nível de estresse relacionado com as séries escolares, verificou-se que os estudantes de

cursos pré-vestibulares (83%) e os alunos do 3° ano do ensino médio (70%) apresentaram os

maiores índices de estresse. Já com relação à fase de estresse constatou-se que 6,19% dos

entrevistados estavam na fase de alerta, 92,78% na fase de resistência e 1,03% na fase de

exaustão.

Essa maior incidência de jovens na fase de resistência é preocupante, pois é

nessa fase que o organismo precisa de um maior gasto energético para se reequilibrar, ou seja,

o organismo tenta manter o equilíbrio interno frente a situações de estresse vivida. Segundo

CALAIS, ANDRADE e LIPP (2003), “dois sintomas (...) aparecem de modo bastante

freqüente: a sensação de desgaste generalizado sem causa aparente e dificuldades com a memória. No nível fisiológico, muitas mudanças ocorrem principalmente em termos do funcionamento das glândulas supra-renais: a medula diminui a sua produção de adrenalina e

seu córtex produz mais corticosteróide podendo o sistema imunológico ficar afetado, o que aumenta a probabilidade da pessoa adoecer” (pág. 262).

O fato do nível de estresse se mostrar mais acentuado nos alunos de cursos pré-

vestibulares e do 3° ano do ensino médio demonstra que, nessa fase da vida, atribulada com

tantas incertezas, os jovens necessitam de um modo de lidar com o estresse e a ansiedade, a

fim de proporcionar um estado que possa ajudá-los a enfrentar com mais serenidade o

momento em que se encontram. Criar fatores que possam ajudá-los é extremamente saudável,

pois encarar a vida de uma forma mais leve pode auxiliá-los a enfrentar melhor os problemas.

Outro fator social ligado ao estresse na vida moderna é o ambiente de trabalho.

Sabe-se que hoje o trabalho é um fator de fundamental importância para a satisfação e o

desenvolvimento da vida pessoal. Os elementos estressores do trabalho são muito comuns e

freqüentes, uma vez que, atualmente, a maioria dos adultos passam grande parte do dia no

desempenho de tarefas laborais (TAYLOR e REPETTI, 1997), sendo o mesmo considerado

pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma epidemia global (RIBEIRO, ASSIS e

LOTERIO, 2000).

O mundo do trabalho tem sofrido mudanças importantes nos últimos anos.

Globalização da economia, aumento da sofisticação tecnológica, aumento do número de

informações, ambiente de trabalho altamente competitivo, transitoriedade do emprego são

fatores que vêm afetando o bem-estar físico e mental dos trabalhadores. É de se esperar que

todos esses fatores resultem em um aumento da insegurança, ansiedade e elevação dos níveis

de estresse dos trabalhadores (CARLOTTO e GOBBI, 1999; LAUTERT, CHAVES e

Uma boa relação com a atividade de trabalho é fundamental para o

desenvolvimento da vida humana. A relação de satisfação com o trabalho está intimamente

ligada aos suportes afetivos e sociais que os indivíduos recebem durante seu percurso

profissional. O suporte afetivo provém dos relacionamentos com pessoas com as quais é

possível compartilhar preocupações, amarguras, esperanças, enfim, sentimentos de segurança,

conforto e confiança (ABREU et al., 2002). Já o suporte social refere-se ao quadro geral de

relações que se estabelecem entre colegas de trabalho, vizinhos, conhecidos, que podem

favorecer o aprofundamento de relacionamentos futuros podendo, portanto, fazer parte do

suporte afetivo (DUBOW e TISAK, 1989).

O contínuo enfrentamento dos efeitos estressores, aliado ao movimento sócio-

organizacional, bem como a característica de certos tipos de trabalho, tais como: muitas

tarefas a desempenhar, aumento da pressão, aumento de responsabilidades, contribuem para o

surgimento da Síndrome do Burnout. Esta síndrome tem gerado grande interesse da

comunidade científica nos últimos 20 anos, como também das entidades governamentais,

empresas e sindicatos norte-americanos e europeus, devido à severidade das conseqüências no

âmbito individual e organizacional.

PERLMAN e HALTMAN (1982) afirmam que o interesse sobre o Burnout

aumentou devido a três fatores: a) devido à importância de melhoria da qualidade de vida

introduzida pela Organização Mundial de Saúde (OMS); b) pelo aumento das exigências da

população relacionada aos serviços sociais, educacionais e de saúde e c) devido à

conscientização das autoridades públicas acerca da síndrome, pois com o aumento dos casos

As primeiras pesquisas realizadas nessa área foram feitas através de

observações de casos, estudos exploratórios, entrevistas com populações específicas

(profissionais de saúde, educação). Daí constatou-se que os sintomas do Burnout resultariam

num conjunto de expectativas inalcançadas por certas profissões. Sabe-se hoje que o Burnout

não é uma doença restrita a certas profissões, mas que aparece em profissões que apresentam

um constante contato interpessoal (CARLOTTO e GOBBI, 1999).

Como grande parte das profissões têm exigido inter-relações pessoais, seja no

atendimento de clientes, consumidor, colegas de trabalho, percebe-se que pela natureza do

trabalho executado, há profissões de risco elevado, sendo poucas as profissões, atualmente,

que apresentam baixo risco de desenvolver a síndrome.

Burnout é uma expressão inglesa para designar aquilo que deixou de funcionar

por exaustão de energia (FRANÇA, 1997; BORGES et al, 2002). Segundo FRANÇA (1997),

o termo foi utilizado primeiramente por Freudenberger, em 1974, para descrever um excessivo

desgaste de energia que gerava nos indivíduos um sentimento de fracasso, exaustão, decepção

e perda de interesse pela atividade do trabalho.

Embora existam várias definições do Burnout, todas possuem no mínimo cinco

elementos comuns:

A) existe uma predominância de sintomas relacionados a exaustão mental e

emocional, fadiga e depressão;

B) há ênfase nos sintomas comportamentais e mentais e não nos sintomas

físicos;

D) os sintomas manifestam-se em pessoas comuns, que não sofrem de

distúrbios psicopatológicos antes do surgimento da síndrome;

E) a diminuição da efetividade e desempenho no trabalho ocorre por causa de

atitudes e comportamentos negativos (MALASCH, SCHAEFELI e LEITE,

2001).

Mesmo não havendo um consenso sobre a definição do que seja a Síndrome do

Burnout, a conceituação mais aceita atualmente é o que define o Burnout como sendo um fenômeno formado por três aspetos: a) exaustão emocional: caracterizada por uma falta de

energia e um esgotamento emocional, podendo agregar sentimentos de frustração e tensão nos

trabalhadores que sentem não possuir mais energia para atender seus clientes; b)

despersonalização ou desumanização: caracterizada pelo fato de tratar os clientes, colegas de

trabalho e a própria organização como objetos, perdendo o vinculo afetivo, onde este é

gradativamente substituído por um vínculo racional, havendo aqui um aumento considerável

da irritabilidade, da perda de motivação, comprometimento com os resultados obtidos no

trabalho, e c) diminuição da realização pessoal no trabalho: caracterizada pela tendência

negativa que o trabalhador possui em se auto-avaliar. Aqui há um profundo sentimento de

infelicidade e insatisfação com o desenvolvimento do trabalho executado (PERLMAN e

HARTMAN, 1982; MALASCH e LEITER, 1999).

Discutindo ainda a etiologia da Síndrome do Burnout, BORGES et al. (2002)

destacam fatores facilitadores e desencadeadores da Síndrome. As variáveis facilitadoras

sobre o indivíduo, enquanto as desencadeadoras são a ação de agentes estressores percebidos

como crônicos no ambiente de trabalho. A tabela 01 sintetiza esses aspectos.

Desencadeadores Facilitadores

Ambiente físico de trabalho e conteúdo do posto: a. nível de ruído, vibrações e iluminação

b. conforto físico percebido c. turnos

d. riscos e perigos percebidos e. sobrecarga percebida

f. previsibilidade percebida das tarefas ou de seu controle

Relacionados aos desempenhos dos papéis, às relações interpessoais e desenvolvimento da carreira. Relacionados à adoção de novas tecnologias e aspectos da estrutura organizacional, incluindo as questões referentes ao acesso ao processo decisório.

Variáveis demográficas

a. Pontuações masculinas mais elevadas em despersonalização

b. Variações inconsistentes por gênero c. Incidência maior entre os jovens d. Menor incidência entre casados e. Maior incidência em pessoas sem filhos Variáveis de personalidade

a. Mais propensão entre os empáticos, sensíveis, humanos e idealistas

b. Locus de controle externo c. Sentimentos de auto-eficácia d. Centralidade no trabalho

Tipos de estratégias de afrontamento utilizadas Apoio social

Tab. 2.1. Desencadeadores e Facilitadores da Síndrome de Burnout Fonte: BORGES et al. (2002).

Embora esteja crescendo o consenso sobre o que é o Burnout, é importante

diferenciá-lo do conceito de estresse. O que diferencia os dois é o papel temporal e relacional.

Esse papel tem origem na tensão emocional e nos recursos de enfrentamento que o indivíduo

utiliza nas inter-relações presentes no mundo do trabalho. O Burnout, portanto, é visto como

sendo a etapa final das progressivas tentativas do indivíduo lidar com o estresse decorrente das

condições de trabalho (CARLOTTO e GOBBI 1999; BYRNE, 1993; RABIN, FELDMAN e

KAPLAN, 1999; ABREU et al., 2002). Assim, o Burnout não deve ser visto como um evento,

mas sim como um processo, que apesar de apresentar semelhanças com o estresse ocupacional

fator da despersonalização dirigida especificamente ao ambiente de trabalho, enquanto que o

estresse é um esgotamento diverso que interfere na vida pessoal do indivíduo, além do seu

trabalho.

O processo de surgimento da síndrome é paulatino. Sua evolução pode levar

anos e até mesmo décadas. Seu efeito é cumulativo, com incremento progressivo em

severidade, não sendo percebido pelo indivíduo, que geralmente se recusa a acreditar que está

acontecendo algo de errado com ele (FRANÇA, 1997).

Como forma de tentar resolver os problemas gerados pela síndrome, muitos

profissionais pensam em abandonar a sua profissão. Essa situação ocasiona sérios problemas

no âmbito da instituição. Nota-se que essa forma de resolver o problema não se concretiza na

prática devido à atual conjuntura social, onde cada vez mais pessoas sofrem pela falta de

emprego. Como essa forma de lidar com a síndrome não se concretiza na prática, o que se

percebe é que o trabalhador que possuí a síndrome utiliza outra forma de lidar com o

problema. Essa forma se dá através de “retiradas” psíquicas do trabalho, favorecendo um

enfraquecimento do envolvimento do indivíduo acometido da síndrome com o trabalho e as

decisões que lhes são inerentes (LAUTERT, CHAVES e MOURA, 1999; MALASCH,

SCHAEFELI e LEITER, 2001). Devido a essa constatação, a melhor forma de prevenir a

síndrome seria tratá-la como um problema coletivo e organizacional e não como individual.

Esse tratamento se daria através da harmonização dos valores humanos, levando uma melhora

no ambiente de trabalho, permitindo assim uma melhor readaptação do indivíduo ao seu

O homem é um ser social que se descobre, se transforma e é transformado pela

via do trabalho. Trabalhar não é só uma série de conhecimentos e habilidades para atingir a

satisfação de necessidades financeiras. Trabalhar é fazer-se a si mesmo. Transformar a

realidade, portanto, é de fundamental importância para as relações psicossociais que envolvem

o trabalho. Na medida em que se entende melhor esses fenômenos, sendo o Burnout um deles,

identificando suas etapas e dimensões, pode-se vislumbrar ações que permitam prevenir a

ocorrência do estresse.