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4. Komparativ analyse av Trøndelag og CIT

4.3 Noe å lære?

Como já visto na representação da Figura 9, assim como em Newman (2003), as relações estabelecidas entre os agentes de uma rede qualquer podem possuir diversos tipos e intensidades. Granovetter (1973) mostra que a força das conexões entre agentes pode ser mensurada através da frequência de interação. O estudo mostra que uma proporção surpreendente de empregos é adquirida através do processo de networking de baixa intensidade, ou seja, de relações reconhecidas como fracas. O efeito desse tipo de relação, segundo as conclusões de Granovetter (1973), não deve ser subestimado, pois seu impacto pode ser diferencial no estabelecimento de estruturas de rede. A explicação de Granovetter (1973) para tal fenômeno estaria no fato de que indivíduos com um menor grau de comprometimento em suas relações estariam mais propensos a aproveitar as oportunidades oferecidas pelo meio, pois possuiriam maior capacidade ociosa para lidar com eventuais demandas. Talvez um esforço de estudo maior pudesse apontar para outras possibilidades essencialmente conectadas ao perfil cultural do ambiente compartilhado pelos objetos de pesquisa. Uma provável sob esse viés seria a política de não emprego de pessoas com alto grau de relacionamento com outras unidades relacionadas ao grupo de trabalho, tal qual uma tendência ao combate de nepotismo ou oferecimento de oportunidades a amigos íntimos, passível de ser observada em muitas empresas na América do Norte e Europa.

Ainda que as justificativas de Granovetter (1973) para explicação do fenômeno possam ser refutadas, a percepção de que laços fracos são de grande importância parece válida sob todas as perspectivas. Os laços fracos podem ser responsáveis por grande parte da redundância de informação gerada no interior de um sistema, o que significa ampliação das possibilidades de inovação, remodelagem e manutenção sistêmica, segundo Terra (2010). Observando uma rede como uma reprodução estática de um sistema dinâmico, talvez os laços fracos possam parecer menos importantes, mas ao se lembrar da componente tempo em sua composição multidimensional, tem-se uma ideia de seu possível impacto para todo o modelo.

Um dos principais papéis das redes sociais, segundo Jackson (2008), é o de instrumento de condução no processo de disseminação de informações na sociedade. Muitos estudos relacionam o estabelecimento de relações sociais, em diversos níveis, com a possibilidade de emergência de novas técnicas e tecnologias. Essa constatação não se limita ao plano da disseminação de conhecimento tácito que possa se transformar em novos produtos

e técnicas, mas também na transmissão das novas técnicas enquanto expansão do comportamento social de seu emprego. No âmbito da disseminação de elementos que colaborem com a emergência de novas tecnologias por meio de relações informais, Ganzert e Martinelli (2009) mostram que a troca de informações na informalidade entre profissionais do Vale do Silício “foi tão importante quanto os investimentos realizados pelos empreendedores da região” (GANZERT; MARTINELLI, 2009, p. 151). Antes deles, Reagans e McEvily (2003) mostraram os efeitos da coesão e amplitude de uma rede sobre a transferência de conhecimento. Muitas desses fluxos informacionais ocorrem através de conexões fracas. Elas podem originar insights que contribuem para o processo criativo dentro de um sistema produtivo de qualquer ordem, mas não somente isso.

Coleman, Katz e Menzel (1966) mostram que há relação entre o formato de estabelecimento de uma estrutura social e a adoção de novas práticas de uso da tecnologia emergente dos meios de pesquisa e desenvolvimento. Os laços fracos são igualmente importantes como mecanismo de formação de um padrão de comportamento para a sociedade, atuando como canais de redundância que validam um determinado modelo de comportamento de adoção de novas técnicas para os membros conectados à rede social. Além da importância da transmissão de informações, McPherson, Popielarz e Drobnic (1992) argumentam que o volume de relações fracas tem correlação positiva com a probabilidade de migração de indivíduos para novos grupos, considerando a aplicação dessa constatação, principalmente em redes do tipo scale-free. Essa característica é muito importante quando abordado o tema de colapso de estruturas produtivas de diversas espécies, e pode significar o indício de uma alternativa para a manutenção sistêmica em modelos abertos.

A aceitação da existência de laços fracos e sua relevância para o contexto da rede social pressupõe a adoção de parâmetros de mensuração de intensidade de laços, assim como sua tipificação no caso de existência de diversas formas de conexão entre os indivíduos representados. Segundo Granovetter (1973), a “força de uma relação é uma combinação (provavelmente linear) da quantidade de tempo, intensidade emocional, intimidade (confiança mútua) e os serviços recíprocos que caracterizam a relação” (GRANOVETTER, 1973, p. 1361). São as relações que determinam, em primeira instância, a estrutura de uma rede social, e cabe aqui recuperar o quadro comparativo de princípios e suposições de Rowley (1997):

QUADRO 1

Princípios Suposições Problema Metodológico

O comportamento é interpretado nos termos das conexões estruturais em atividade e não como algo que acontece apenas dentro das unidades.

Os atores e suas ações são vistos como unidades

interdependentes.

Quais são as fronteiras da rede sob estudo?

As análises focam as relações entre unidades.

Relações entre atores são canais de transferências ou fluxos de recursos.

Que tipo de relações serão medidas? Eles medem o grau de relevância dos componentes do constructo focado?

A preocupação central é como o padrão das relações entre múltiplas unidades afeta o comportamento dos membros.

Modelos de redes focados nos indivíduos vêem o ambiente estrutural de rede como provedor de oportunidades e limitador das ações individuais.

Serão coletados dados

qualitativos ou quantitativos? A operacionalização das relações entre os construtos requerem mensuração da força das relações?

Métodos analíticos se

relacionam diretamente com a natureza relacional padronizada da estrutura social.

Modelos de redes conceituam estruturas (sociais, econômicas, políticas, entre outras) como padrões de relações entre atores.

As relações são direcionais ou não direcionais? As relações de intercâmbio entre os parceiros da rede são recíprocas?

Princípios e Suposições da Análise de Redes

Fonte: Rowley (1997, p. 893), baseado em Wellman (1988) e Wasserman e Galaskiewicz (1994). Como visto em Rowley (1997), a primeira discussão que circula a mensuração da força de uma relação é acerca de sua necessidade no contexto do estudo desejado. No caso da resposta ao problema de pesquisa proposto por esta pesquisa, as forças estabelecidas pelos laços entre atores sociais e econômicos possui importância tão acentuada quanto sua própria posição no contexto de uma estrutura de rede. Por isso, é necessária a recuperação da teoria das redes sob o viés dessa mensuração.

Antes de qualquer análise, é necessário verificar qual o tipo de relação a ser mensurada. Alguns tipos de relação não possuem uma medida de peso intrínseca, tal o caso do objeto de estudo de Padget e Ansell (1993), os casamentos na Florença do século XV. Entretanto, conexões tais como fluxos de recursos podem ser mensuradas, de acordo com a conveniência da pesquisa em relação àquilo que se propõe. Outras conexões, de definição mais complexa, tal qual a confiança, não possuem ainda um modelo de mensuração bem definido na literatura, convencionando-se muitas vezes a adoção de arbitrariedades de representação, ou seja, uso de dispositivos não paramétricos inferidos em torno de suposições. A confiança é um tipo de percepção subjetiva que depende da experiência de vida única de cada unidade conectada à rede. Dessa forma, não há como determinar uma rede de confiança

não direcional, uma vez que a mensuração para cada direção da relação partirá de escalas diferentes, e não paramétricas ou escalares. Isso ocorre porque o sentido de confiança é muito diferente de indivíduo para indivíduo. Para Luhmann (1979), a confiança significa o quanto se tem por convicção que uma determinada expectativa a respeito de um comportamento de determinado objeto em foco se concretizará. Entretanto, como garantir as mesmas expectativas a respeito do comportamento de um objeto foco para n observadores se cada um construirá sua expectativa a partir de sua própria experiência de interação com o ambiente? Para resolver tal situação, não há outra alternativa a não ser partir para a composição de modelos arbitrários.

Para efeitos de representação, entende-se na literatura que a melhor forma de representação dos pesos das relações seria através de matrizes, tendo como particularidade a aproximação linear de um determinado contexto de atribuição de valores. Esse tipo de representação é derivado de problemas de redes não sociais, tal qual o exemplo de análise de Barrat et al (2004), no qual se estuda o banco de dados da IATA (International Air Transportation Association). Tal base fornece subsídios que permitem o desenho de um gráfico de relações com 3880 aeroportos (ou nós) e cerca de 18810 conexões diretas entre eles (ou seja, relações estabelecidas diretamente), possuindo como grau médio da rede 9,7 e máximo grau de um nó em 318 (BARRAT et al, 2004, p. 3747). O peso de cada conexão entre dois determinados nós é convencionado pelos autores em número de assentos disponíveis por ano naquela relação (em milhões de assentos). Assim, o trecho entre Los Angeles e Chicago possui peso 1,84, que denota 1.840.000 assentos disponíveis por ano nas rotas aéreas diretas entre as duas cidades. A adoção de tal medida para a intensidade das relações é compatível com a finalidade do estudo, e por fim, conveniente à análise proposta pelos autores. Isso ilustra a necessidade de compatibilidade entre o contexto da análise e o tipo de medida de intensidade arbitrado. A representação do peso | da relação direta entre os nós i e j é dada pela conveniência, tendo como convenção que se a relação entre os dois nós não existir, | 0 e que nem sempre se encontrará a relação | = | , ou seja, os pesos poderão mudar em função da direção da relação (BARRAT et al, 2004).

Outra abstração de peso | a uma relação direta entre dois nós é dada por Newman (2001), na qual se relata o estudo das interações entre autores de artigos científicos. A medida considerada como peso é a somatória dos artigos escritos em parceria com um determinado coautor pelo número de coautores de cada artigo. Sendo os autores i e j, a força de

colaboração entre eles é dada por | em um número k de artigos, considerando o número de coautores de um determinado artigo, estabelecendo-se a relação:

| = ' '− 1

Note-se que ' denota a participação do autor i no artigo k, assim como ' aponta para a participação do autor j no artigo k, sendo ambos valorados em 1 se há a participação e 0 se não há. Em suma, o peso é baseado, arbitrariamente, pela existência ou não de conexão entre autores na composição de artigos, ponderado pelo número de coautores.

Voltando a Barrat et al (2004), os autores ainda discorrem sobre o conceito de força de um nó, relegando-o à soma de todas as forças de suas relações diretas com outros nós. Essa medida é dependente do grau do nó, denotado por ! , sabendo-se que ! = A T , onde T tem valor 1 para a existência da relação entre i e j e valor 0 no caso de nulidade da relação. A partir disso, tem-se que a força de um nó S é dada pela somatória das conexões não nulas multiplicadas por suas respectivas intensidades, expresso por:

S = T |

• n

Para tal, a componente N nada mais é do que o número de nós presentes na rede, passíveis de se estabelecer uma relação positiva ou de nulidade (BARRAT el al, 2004, p. 3748).