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Chapter 6: Niq, Evidentiality and Epistemic Restrictions

6.1 Niq and Evidentiality

O projeto do Diagnóstico Hidrogeológico da Região de Goiânia, publicado pela Superintendência de Geologia e Mineração, da Secretaria de Indústria e Comércio do

Governo do Estado de Goiás (SGM, 2003), apresenta um extenso estudo do comportamento climático da área em questão, visando à compreensão das relações entre a precipitação e o reabastecimento dos aqüíferos profundos, objeto do referido projeto.

A intensidade relativa da precipitação pode ser associada às formações naturais, com extensão regional, do local onde ocorre o fenômeno pluviométrico. No projeto supracitado realizou-se uma análise estatística dos dados das estações pluviométricas, com base no acervo de suas séries históricas, para a determinação da sazonalidade dos períodos secos e chuvosos. A análise dos elementos climáticos da área foi elaborada com base nos dados de temperatura, umidade relativa do ar e do vento, evaporação e insolação obtidos nas várias estações pluviométricas da região de Goiânia.

A área em estudo localiza-se entre latitudes que proporcionam um regime do tipo tropical comandado pelos sistemas regionais de circulação atmosférica atuantes na região Centro-Oeste. O clima da região de Goiânia, segundo a classificação de Köeppen, de 1948, citada em Santos (1997), é do tipo Aw, tropical úmido, com duas estações bem definidas. Uma delas, a seca, se dá nos períodos de outono e inverno (especialmente de maio a setembro) e a outra, úmida com chuvas torrenciais, durante a primavera e o verão.

A precipitação média anual varia de 1.300 a 1.750 mm e concentra-se principalmente entre os meses de dezembro e março, com precipitação média de 250 mm mensais. Conforme Ferreira (1994), a precipitação média anual no período de 1950 a 1993 foi de 1.516 mm, com a máxima mensal de 559,6 mm (em janeiro/1980) e máxima diária de 155,6 mm (em 07/12/1954). De junho a agosto as precipitações médias mensais são praticamente nulas (abaixo de 10 mm). O número médio de dias de chuva por ano é 136.

Durante a elaboração do Projeto Básico do Metrô de Goiânia foram utilizados os dados das precipitações pluviométricas, no período de 1931 a 1990, obtidas na estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET (Estação Goiânia), situada no centro de Goiânia. Nesta pesquisa também são apresentados os dados da estação meteorológica da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), no período de 1975 a 2002. A Figura 2.8 mostra a precipitação média mensal na cidade, nos referidos períodos, em que se verificam as duas estações distintas.

O regime térmico da região apresenta temperaturas de amenas a elevadas sem variações significativas durante o ano. As médias térmicas anuais oscilam entre 21o C e 24o C. Segundo CPRM (2001), a média anual é de 23o C. A temperatura mínima oscila entre 18o C e 21oC e a máxima atinge valores entre 27o C e 30o C. A Figura 2.9 apresenta as temperaturas médias de Goiânia.

(a)

Precipitação média mensal de Goiânia durante o período de 1975 a 2002 0.0 100.0 200.0 300.0 400.0 500.0

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

P rec ipi ta ç ão m é di a m ens al ( m m ) (b)

Figura 2.8 – Precipitações médias mensais: (a) de 1931 a 1999 (modificado – SEINFRA, 2005); e (b) de 1975 a 2002 (Escola de Agronomia da UFG – www.meteorgo.hpg.com.br. Acesso em 18 abr. 2005).

Figura 2.9 – Temperatura média em Goiânia de 1961 a 1990 (modificado – SEINFRA, 2005). As temperaturas mais elevadas durante o ano ocorrem nos meses de setembro a dezembro, muitas vezes superando 35o C. Junho e julho correspondem aos meses mais frios, com médias mínimas de temperaturas oscilando entre 13 e 18o C, e com os menores índices de umidade relativa do ar. Nestes, a variação térmica diária chega até 10o C (SGM, 2003).

De maneira geral, os dados das séries históricas apresentadas no Diagnóstico Hidrogeológico da Região de Goiânia (SGM, 2003) indicam que ocorre uma redução na temperatura a partir do mês de maio, atingindo os menores valores em julho, e que as maiores temperaturas ocorrem nos meses de setembro e outubro. Segundo Sabino Jr. (1980), em 18/05/1977 a temperatura desceu a 5,7o C.

Quanto à insolação, que corresponde ao tempo (horas e décimos de hora) de duração da radiação solar, Goiânia apresenta uma média de 215 h de sol por mês, contudo a distribuição destas horas não é uniforme, atingindo o mínimo de 5,5 h por dia em dezembro e o máximo de 9,4 h por dia em junho.

Os dados apresentados em SGM (2003) indicam que o trimestre de junho a agosto possui maior incidência de radiação solar. Os dados de insolação total da Estação Goiânia apresentados nestes meses são 270,2 h em junho; 283,1 h em julho e 269,2 h em agosto (SGM, 2003). A Figura 2.10 mostra a variação da insolação total mensal em Goiânia.

Figura 2.10 – Insolação total mensal em Goiânia, 1961-1990 (modificado – SEINFRA, 2005).

Um elemento climático crítico da região de cerrado do Brasil Central é a umidade relativa do ar, em face das conseqüências danosas a que são submetidos o clima, a vegetação, as atividades econômicas tradicionais da região (agricultura e pecuária) e até mesmo a população. Nesta região é comum a umidade relativa do ar, intimamente associada à quantidade de precipitação, atingir valores extremamente baixos na estação seca (abaixo de 20%), às vezes chegando até cerca de 10%.

Por estar localizada em uma área de clima tropical úmido, com período seco muito prolongado, a cobertura vegetal do município de Goiânia caracteriza-se por formações florestadas, conhecidas como cerradão (Savana Arbórea Densa) e formações mais abertas (Savana Arbórea Aberta), o cerrado e o campo cerrado, que ocorrem em colinas suaves em solos pobres e lixiviados. Em relevo colinoso e em áreas aluviais ao longo dos rios ocorrem também remanescentes de Floresta Estacional Semidecidual Aluvial ao longo do rio Meia Ponte, conhecida como floresta ciliar, de Floresta de Galeria, ao longo dos córregos, e de Floresta Estacional Semidecidual, como os grupamentos florestais existentes no Campus II da UFG. Existem também, em relevo colinoso, as áreas de transição fitogeográfica encontradas em formas de capões de contatos entre a Floresta Estacional e o Cerrado. Na parte noroeste do município, na região onde predominam rochas granulíticas ortoderivadas, são ainda encontrados capões de Floresta Estacional Decidual (Romão, 2006).

A publicação do Programa de Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil da CPRM (CPRM, 2001) indica que a vegetação original é constituída por matas tropicais, campos cerrados e matas-galerias, em que grande parte dela foi substituída por pastagens e culturas cíclicas, especialmente de grãos. Nas áreas dissecadas e nos interflúvios tabulares e colinosos, em virtude da umidade atmosférica atuante, ocorrem as matas tropicais, classificadas como Floresta Caducifólia Tropical. Estas se constituem de espécies descritas como formação arbórea alta, porém rala, povoada por árvores finas, em sua maior parte caducifólias, de folhas pequenas, com maior número de espécies.

O caráter caducifólio proporciona que o chão fique recoberto pelas folhas secas desprendidas das árvores, formando, no fim da estação de estiagem, um verdadeiro tapete. É justamente este manto, característico destas matas, que fornece excelente material, tanto para a formação do húmus quanto para o alastramento do incêndio, provocado pelas queimadas. Durante este período é notável a mutação gradual da cor da folhagem, passando do verde ao amarelo, vermelho e marrom, especialmente nos trechos situado sobre os divisores, onde a mata assume aspecto mais pobre e seco.

Os cerrados desenvolveram-se sobre os terrenos Pré-Cambrianos, moldados em superfícies tabulares e planaltos rebaixados com altitudes que variam de 650 a 1.200 m, e constituem-se por arbustos e árvores baixas, retorcidas. As matas ciliares (matas-galeria) ocorrem ao longo das drenagens.

Quanto à hidrografia, a rede de drenagem da Região Metropolitana de Goiânia é relativamente densa e os cursos d’água são, em geral, perenes. Existem quinze bacias hidrográficas identificadas no município de Goiânia, sendo que algumas delas são divididas em sub-bacias, de acordo com a função desempenhada no espaço geográfico.

A bacia do ribeirão Anicuns, que é atravessada pelo traçado do metrô, é subdividida em cinco sub-bacias, devido à sua complexa demanda em algumas áreas. Destas sub-bacias, duas delas são subdivididas por se situarem na área central da cidade e por serem responsáveis pelo esgotamento da área densamente povoada. É o caso das bacias do córrego Cascavel, com a sub-bacia do córrego Vaca Brava; e do córrego Botafogo, com a sub-bacia do córrego Capim Puba. A localização destas bacias encontra-se apresentada no Apêndice E, ao final deste trabalho.

A Figura 2.11 apresenta o mapa de drenagem em que se pode verificar (por seus traçados) que os principais ribeirões e córregos têm direção NE–SW e constituem a sub-bacia do rio Meia Ponte (maior rio da área), o qual percorre toda a extensão do mapa. Esta sub-

bacia adentra a região na parte N–NW e a partir da parte central toma rumo ao sul até desaguar no rio Paranaíba.

Figura 2.11 – Mapa de Drenagem de Goiânia (modificado – SGM, 2003).

Do ponto de vista hidrogeológico, o manto de alteração compõe o domínio poroso caracterizado por uma porosidade intergranular. Além deste, as rochas cristalinas (granulitos, xistos e quartizitos) constituem-se em aqüíferos caracterizados predominantemente por uma porosidade secundária de origem tectônica, o que somente permite a acumulação de água em descontinuidades planares, como zonas de falhas e zonas de fraturas (SGM, 2003).

2.8 GEOLOGIA ECONÔMICA

No município de Goiânia não se registram ocorrências de jazidas minerais de natureza metalogenética. As atividades mineradoras ocorrem apenas em alguns locais restritos e conduzem a processos característicos de intervenção antrópica. Destacam-se as ocorrências, muitas delas não-registradas de brita e areia, além de cascalheiras aluvionares.

As ocorrências de pedreiras para a exploração de brita são bastante numerosas no município. Existem nove pedreiras regularmente instaladas na RMG e uma em processo de instalação. Dentre as instaladas, quatro exploram o micaxisto da região, três exploram o granulito e duas, o gnaisse. A última em processo de implantação está sendo instalada em uma área do substrato rochoso gnáissico, a nordeste da RMG.

A maioria delas produz mensalmente de 20.000 a 30.000 m3, cuja comercialização chega a mais de 90% deste total. Segundo dados do DNPM (DNPM, 2007), o valor da produção total de brita das pedreiras da RMG, em 2005, foi de 1.369.294 m3.

As pedreiras de maior produção exploram as rochas xistosas do Grupo Araxá–Sul de Goiás e localizam-se ao sul de Goiânia, especialmente em Aparecida de Goiânia que é o maior município produtor da região. O principal mercado consumidor é a própria capital, Goiânia, incluindo arredores, e abrange as áreas da construção civil e de pavimentação.

A extração de areia no município ocorre, geralmente, de forma clandestina em pequenas explorações nos córregos da região. Entretanto, grande parte do material que abastece a região é proveniente de áreas vizinhas. A principal jazida fornecedora é a da Serra da Areia, no município de Aparecida de Goiânia, onde a extração se dá a partir de quartzito friável, com lavra semi-mecanizada.

Capítulo

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