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NIKUs rapport om visuell innvirkning på kulturminner og kulturmiljøer

2 Innledning

2.1 NIKUs rapport om visuell innvirkning på kulturminner og kulturmiljøer

A área formada pela Rota Ecológica, composta pelos municípios de Passo de Camaragibe, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras, é rica em tradições e festejos culturais. Neste estudo foram reconhecidas as seguintes manifestações culturais locais: Caboclinho; Pastoril dos Homens, uma espécie de vingança ao pastoril das mulheres (Figura 31); a Chegança, que é uma homenagem aos marinheiros que chegavam à região; o Pagode; Coco de Roda; as Baianas, quadrilhas, cirandas; todas elas foram citadas pela população local como as mais relevantes dos seus lugares, demonstrando similaridade quantos aos aspectos culturais dos três municípios que fazem parte da Rota Ecológica.

Figura 31: Pastoril dos Homens de São Miguel dos Milagres

Fonte: G1 AL

Nesse contexto de aspectos culturais da Rota Ecológica, várias são as memórias populares embutidas no cotidiano e no folclore de sua população. Dentre as lendas mencionadas pelos moradores, as que mais se destacam são: a da história do nome de São Miguel dos Milagres, que é atribuída à cura milagrosa de um pescador que encontrou a imagem de São Miguel Arcanjo em um momento em que estava pescando e a lenda da Moça da Capa Preta. Algumas histórias perpetuam lendas no lugar, como é o caso da lenda do Bode do Ponte, que supostamente se passaria nas ruínas de uma antiga casa próximo à praia de São Miguel dos Milagres (Figura 32/ Figura 33) e que já foi tema de um documentário em 2012, dirigido pelo cineasta alagoano Pablo Gomes, nascido no lugar e que de algum modo ajuda a perpetuar o folclore local. Entre a população local, alguns moradores já disseram ter ouvido o bode e toda a história em torno do bode do ponte é levado sério principalmente pelos mais antigos.

Outras lendas e histórias também povoam o imaginário das pessoas da região, como a história em Porto de Pedras, que, segundo os locais, quando D. Pedro II visitou o lugar ele se

sentou para descansar no oitizeiro, na subida para o mirante do farol (Figura 34). E também a lenda da árvore secular no cruzeiro de São Miguel dos Milagres, segundo a qual nunca caiu nenhuma folha dessa árvore até hoje (Figura 35).

Figura 32: Fotos das ruínas da casa do bode do ponte antigas

Figura 33: Ruínas da Casa recente da lenda do Bode do Ponte, município de São Miguel dos Milagres

Fonte: LTTD/UFAL 2015.

Figura 34: Oitizeiro na subida do farol náutico em Porto de Pedras

Figura 35: Foto da Revista “O Natal” de dezembro de 1939 falando sobre a árvore secular em São Miguel dos Milagres

No município de Porto de Pedras, dentre as manifestações as Mucambinas são as mais conhecidas. Já no povoado de Barra de Camaragibe (pertencente à Passo de Camaragibe), as tradições locais são parecidas com os demais municípios da Rota Ecológica; destacando-se a festa de São Pedro no mês de junho na Colônia de Pescadores. Essa festa é tradicional em lugares de pesadores e onde há colônias de pesca, já que este santo é considerado protetor dos trabalhadores do mar. É necessário ressaltar que s três municípios, com seus povoados, compartilham muito do folclore e tradições culturais.

Quando a atividade turística chega à determinada área, ela encontra lugares cheios de significados, experiências, e aspirações humanas, como nos diz Mariani (2002). Em função disso, Panosso Netto (2010) afirma que, dentre outros aspectos, o turismo inevitavelmente causa mudanças nas sociedades afetadas por ele e à sua economia, e complementando o raciocínio, Xavier (2007) afirma que as pessoas das comunidades que são turistificadas desenvolvem uma capacidade de perceber tais mudanças; é o que ele chama de “percepção geográfica”.

Em toda área da Rota Ecológica há a presença considerável de patrimônio histórico e cultural. Neste aspecto se destacam os municípios de Passo de Camaragibe e Porto de Pedras que possuem um acervo arquitetônico já trabalhado em projeto de Extensão da Universidade Federal de Alagoas. O primeiro de Porto de Pedras com o título: Inventário Arquitetônico do Município de Porto de Pedras – Sede Urbana (etapa 1 e 2), PROEX nº 014, no ano de 2005. O segundo de Passo de Camaragibe, com o título: Inventário do Patrimônio Arquitetônico de Passo de Camaragibe do ano de 2010. Isso demonstra que:

Arquiteturas têm identidades construídas pela forma como organizam a vida dos homens entre espaços, mas principalmente por seus atributos físicos. Reconhecemos paisagens, cidades e edifícios pelos elementos que os compõem, a forma como são arranjados e os materiais aplicados (AMORIM apud FERRARE et al, 2005, p.3).

O documento apresenta um levantamento fotográfico e gráfico dos imóveis. Além de levantamento das características arquitetônicas – materiais empregados, coroamento, revestimento, molduras, cores predominantes, pisos, tetos etc- dimensões das edificações, época da construção das fachadas e classificação do estado de preservação do imóvel “Os elementos arquitetônicos, indicadores do vínculo tipológico – estilístico com a herança da arquitetura colonial brasileira, bem como a expressão vernacular de alguns exemplares se

constituíram nos parâmetros que selecionaram 71 unidades” (FERRARE et. al, 2005, p.5) São vários edifícios nos povoados de importante valor cultural e histórico (Figura 36):

Figura 36: Parte do Patrimônio Histórico dos municípios da Rota Ecológica

A B

C D

A: Cadeia Pública – Porto de Pedras B: Fórum em Porto de Pedras

C: Igreja no povoado Tatuamunha – Porto de Pedras D: Casa em Tatuamunha - Porto de Pedras E: Casa no povoado de Tatuamunha – Porto de Pedras F: Casa em Tatuamunha – Porto de Pedras

G: Igreja em Porto de Pedras H: Casa de 1938 São Miguel dos Milagres Fonte: LTTD/ UFAL 2015

Normalmente todos os componentes formadores do patrimônio histórico e cultural dos lugares turísticos, que em muitos lugares faz parte dos próprios atrativos turísticos, se transformam por causa do turismo. Em alguns casos, as mudanças podem ser tão profundas, ao ponto de gerar um fenômeno que é denominado de “efeito de demonstração” (PEARCE, 2003), pelo qual, depois de expostos por muito tempo à presença dos turistas no seu lugar, os moradores locais passam a copiar o comportamento dos visitantes, e a alterar sua própria cultura. Assim, em lugares como os que formam a Rota Ecológica é normal que certos aspectos da cultural local, como as manifestações folclóricas, mudem ao longo do tempo, devido à exposição das comunidades ao turismo.

Entretanto, no caso deste estudo, verificou-se que, na visão dos moradores, como será visto no terceiro capítulo deste texto, eles não parecem perceber tal tipo de alteração, correlacionados à presença ou interferência das pousadas da Rota Ecológica nas manifestações culturais locais. No que de certa pode parecer paradoxal, os residentes explicam que na verdade esse tipo de hospedagem tem incentivado a continuidade do folclore e cultura locais, já que, na visão deles, esses aspectos do lugar são mais um atrativo para os hóspedes das pousadas. Talvez

essa dinâmica pudesse ser diferente caso a oferta turística da Rota Ecológica tivesse sido baseada nos moldes do turismo de massa.

Como essas pousadas estão alinhadas mais as características das formas alternativas de turismo, nas quais a cultura das comunidades visitadas é importante para os turistas, talvez por isso não tenha ainda ocorrido mudanças perceptíveis pelos moradores. Alguns deles comentam que na verdade essas manifestações estão sendo de alguma forma esquecidas pela falta de apoio do poder público local e da própria comunidade com as novas gerações que não possuem o mesmo interesse que os mais antigos.

Entretanto, apesar da visão negativa de determinados moradores, há alguns eventos que são patrocinados ou apoiados pela prefeitura e por empresários locais (Figura 37); eles patrocinam grupos folclóricos da Rota Ecológica para que possam se apresentar em feiras culturais e em eventos de divulgação do turismo de Alagoas, incluindo a própria Rota Ecológica. Por exemplo, entre setembro e novembro ocorrem alguns festejos tradicionais dos municípios da Rota Ecológica, contando com diversas apresentações, apoiados pela iniciativa privada e poder púbico local. Porém, esse tipo de incentivo ainda é insuficiente para que seja realizada uma promoção cultural mais eficaz dos municípios dessa parte de Alagoas.

Figura 37: Cartaz do evento I Milagres Fest 2014

De acordo com as comunidades destes municípios, os turistas e pousadeiros têm a preferência pela cultura local sem muitas alterações, e este seria um ponto que ainda segundo os locais precisa ser mais bem trabalhado e valorizado. Ainda sobre esta questão, entre as pousadas da Rota Ecológica, a pousada do Toque foi a mais citada como pioneira no incentivo a essas manifestações da cultura local. Em São Miguel dos Milagres, município que possui a maior quantidade de pousadas da Rota Ecológica e estabelecimentos de oferta turística, há empresários interessados em difundir mais o folclore e cultura do lugar, tendo a ideia de promover, no período de alta temporada da Rota Ecológica, apresentações no município e entorno.

Parece haver entre os moradores uma sensação de que com o passar do tempo e falta de incentivo às manifestações culturais locais elas estão desaparecendo. É necessário se ponderar já que, nesses tempos de globalização, a maioria dos lugares vem passando por transformações nas suas tradições folclóricas e culturais em geral. Praticamente todos os lugares do mundo têm enfrentado mudanças, maiores ou menores, que se manifestam melhor a cada nova geração. Assim, novos comportamentos, ou padrões de comportamento, são estabelecidos, em que as inovações tecnológicas predominam em detrimento da memória e de valores locais. Enquanto esse é um fenômeno geral, nos lugares em que o turismo penetra as mudanças podem ser rápidas (KNAFOU, 1996) devido aos avanços nos meios de transporte e das comunicações, principalmente nos lugares e destinações turísticas.

No caso específico da Rota Ecológica, pode-se deduzir que há um processo de mudanças no cenário cultural local, devido, em parte, à introdução do turismo localmente. Todavia, enquanto as alterações ocasionadas pelo turismo na cultura de um lugar pode se apresentar de forma negativa, gerando efeitos de demonstração como os mencionados acima, pode ser que devido ao estágio da Rota Ecológica, no seu ciclo de vida (BUTLER, 1980), e a predominância de uma oferta turística alternativa, a atividade turística nesse trecho de Alagoas parece que ainda não causou interferências significativas. Ao menos isso tem ocorrido nas características culturais locais, com as transformações se manifestando mais na introdução de novos comportamentos e posturas dos visitantes, e menos no comportamento dos moradores da Rota Ecológica. Pode ser também que tal configuração se dê apenas por uma questão de tempo, por isso como Rodrigues (2006) argumenta a necessidade de entender as consequências das transformações culturais e simbólicas exercidas pelo turismo nas comunidades anfitriãs, promovidas pela chegada do turismo e dos turistas. Assim, no caso da Rota Ecológica, seria

interessante que fossem realizadas pesquisas longitudinais, usando diferentes metodologias, buscando entender as mudanças em curso.