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A discussão que trazemos à baile nessa seção e como já anunciado é sobre como se deve ensinar as línguas. Todo embasamento teórico que trazemos a respeito desse assunto foi útil e nos serviu de norte e guia na observação das aulas no campo e na análise dos registros obtidos.

Alves (2012, p.39) nos assegura que com o surgimento das novas teorias sobre ensino das línguas não maternas, a abordagem comunicativa é a mais privilegiada porque viabiliza a interação em diversas situações de comunicação. As necessidades comunicativas passaram a constituir o centro do processo de ensino e aprendizagem de línguas não maternas.

Sellan (2012, p. 28) assevera que ensinar e aprender uma nova língua não deve se resumir ao conhecimento sobre o sistema da língua em estudo é importante dar atenção aos outros componentes, entre eles a aquisição da oralidade, da escrita, dos usos de argumentos, dos atos da fala, das condições de produção discursiva, da organização textual, da seleção e emprego lexicais e das visões sócio-histórico-culturais. Trata-se de viabilizar o interesse do aluno para adquirir e aprender a usar a língua para comunicação, pois é para comunicação que é constituído o fundamento do ensino e aprendizagem de línguas, visto que aprendemos as línguas para comunicação. É importante que alunos aprendentes falem, mesmo que seja “errado”, pois é indispensável aprender falando ou dialogando, a partir da interação social.

O trabalho de ensino de línguas tem que ser realizado a partir dos diferentes gêneros do discurso em que se realiza. Faz-se necessário que o ensino leve em consideração os gêneros dos discursos nos quais os textos utilizados em sala de aula estão inseridos e as relações culturais expressas através deles, pois isso possibilita a reflexão sobre o uso da linguagem como algo social, a partir de materiais didáticos que levem em conta a relação

dialógica da prática social e o contexto em que ela estabelece, e de que forma essa reflexão pode influenciar ou auxiliar os alunos na aprendizagem da língua na medida em que colabora para que eles relacionem sempre as formas linguísticas ao seu uso situado (SCHOFFEN,2012.p.24). A autora ainda acrescenta que o ensino de língua estrangeira ou segunda deve ir muito além das regras gramaticais e apresentação dos vocabulários ou datas de marcos históricos do país cuja língua está sendo estudada. O importante no ensino de uma nova língua é focar numa prática que leve os alunos a dar sentido aos fatos que eles mesmos descobriram no seu estudo da língua alvo.

Conforme aponta Mendes (2011, p.143), aprender uma língua como o português é aprender a estar socialmente nela, isto é, é aprender a usar a língua portuguesa nos seus diversos modos e contextos. Todavia, isso envolve mais do que meramente ter o domínio de formas linguísticas da língua alvo, pois a língua representa mais que a gramática. Ensinar uma língua, portanto, é mais do que fazer os alunos conhecerem a nomenclatura dos elementos gramaticais, a sua estrutura, visto que ela vai além desses elementos, representa mais do que a fala, mais do que a estrutura, mais do que um instrumento para trocar as ideias e informações, ela é um símbolo, um modo de identificação, um sistema de produção de significados individuais, sociais e culturais, lente através da qual enxergamos a realidade que nos circunda (MENDES, 2011, p.143).

Essa ideia de Mendes (2011), reforça o conceito de abordagem comunicativa que apresentamos nesta pesquisa. Entretanto, consideramos relevante agregar a fala da autora para dar uma visão mais ampla do que é ensinar a língua, numa perspectiva fora da abordagem gramatical.

Com relação às tarefas propostas como plano norteador das ações dos participantes ou dos alunos, Schoffen (2012, p. 24) aponta que as tarefas didáticas que se propõem trabalhar na perspectiva de gêneros do discurso estimulam e ajudam os alunos a assumirem, na sala de aula, a posição do falante, ou seja, ao propor uma tarefa voltada aos gêneros discursivos, o professor coloca o aluno na posição do interlocutor e, a partir daí, ele vai interagir com a língua que está aprendendo, nos seus diferentes contextos de uso. Para isso, a tarefa didática deve facultar aos alunos situações comunicativas evidentes, para que assim possam descobrir a posição enunciativa da qual devem se apropriar.

As necessidades comunicativas são fundamentais para um ensino e aprendizagem eficiente das línguas não maternas. Os aprendentes tem que estar em interação com a língua, praticá-la, não apenas estudar e conhecer as frases soltas, fora do contexto de comunicação. Antunes (2003, p.151) acrescenta que a análise ou estudo de frases soltas, sem contextualização, inviabiliza o reconhecimento da dependência entre a linguagem e os seus contextos de uso. Assim, é eminentemente importante o uso de textos autênticos para o ensino da língua.

Mendes (2011) afirma que sem o uso, a língua não é nada mais do que uma abstração. A língua em aprendizado precisa ser usada, praticada na sua forma real, sem medo dos erros que irão surgir durante o seu uso.

A comunicação deve constituir um espaço privilegiado no processo de ensino e aprendizagem de língua não materna. Não há como alguém aprender uma língua nova sem praticá-la. Não é tão importante ensinar a estrutura de maneira isolada, a estrutura tem que ser acompanhada com a funcionalidade, o que os pesquisadores chamam de prática da língua em situações reais da comunicação.

Krashen (1982) aponta a importância das abordagens comunicativas, conforme podemos confirmar a seguir:

Ambientes que sejam favoráveis à aquisição de outro idioma cujos objetivos estão voltados para a mensagem e não forma e quando há baixo nível de ansiedade, produzem resultados mais efetivos. Para alunos adultos, cujas necessidades estão voltadas principalmente ao ambiente profissional, atividades que procurem focar cada vez mais nesses aspectos podem ser de grande valia nos métodos de ensino aprendizagem de idiomas. A abordagem comunicativa busca atingir esses objetivos por meio de atividades voltadas para tarefas que devem ser realizadas pelo aluno, visando resolver problemas e criar situações reais de comunicação em sala de aula (KRASHEN:1982).

Os estudantes guineenses precisam de língua portuguesa para seus ambientes profissionais, Assim deve priorizar nesse ensino a abordagem comunicativa, ou seja, o desenvolvimento da competência comunicativa, o uso real do português desde as salas de aulas como lugares plenos de oportunidades para tal.