4. ANALYSE AV INFORMANTDATA
4.2 I NFORMANTENE OM RE- FAGET OG DIALOG
Nesta secção serão relacionados os resultados encontrados no presente trabalho com a literatura existente acerca da Terapia Centrada no Cliente e da colaboração terapêutica. Será ainda apresentada uma breve discussão sobre as mudanças apresentadas pela cliente ao longo do caso, uma vez que o presente trabalho se trata de um estudo de caso.
Começando por mencionar os resultados encontrados referentes à evolução da colaboração terapêutica a um nível micro, foi possível verificar que a intervenção terapêutica mais frequente ao longo de todo o processo terapêutico foi o suporte no problema, que variou entre 63% na sessão 11 e 95% na sessão 15. Embora numa percentagem reduzida, existiram intervenções de desafio por parte da terapeuta variando entre 3% na sessão 14 e 20% na sessão 11. Dentro do desafio o marcador mais frequente foi a interpretação no entanto, neste caso, esta interpretação foi tão empática que permitiu que a cliente se sentisse compreendida pela terapeuta e ao mesmo tempo a cliente sentiu que foi ela própria autora da ideia transmitida pela terapeuta. Esta empatia transmitida pela terapeuta foi transmitida ao longo de todo o caso e não apenas em alguns momentos, o que realça a importância atribuída por Rogers (1985) à empatia ao longo de todo o processo terapêutico.
Por conseguinte, as intervenções de suporte no problema por parte da terapeuta fizeram com que a cliente permanecesse na zona de segurança na maioria do processo terapêutico tendo esta permanência da zona de segurança variando entre 73% na sessão 13 e 95% na sessão 15. Importa referir a existência de um pico de respostas de inovação por parte da cliente a partir da 10ª sessão até ao final, embora tenha decaído na 15ª sessão. Este resultado vem comprovar a teoria que refere a importância do cliente se sentir num ambiente seguro para a ocorrência de mudança (Rogers, 1985).
De facto, os resultados encontrados na análise dos níveis de interação em relação à ZDPT demonstraram que o processo terapêutico se situou maioritariamente dentro da ZDPT, com terapeuta e cliente a encontrarem-se no mesmo nível de desenvolvimento, atual ou potencial. A partir da sessão 10 até à sessão 15, terapeuta e cliente encontraram-se durante todo o tempo no mesmo nível de desenvolvimento. Tendo em conta a base teórica que suporta a Terapia Centrada no Cliente, este era um resultado esperado, uma vez que esta tipologia de terapia pressupõe que o comando da terapia está nas mãos do cliente e, deste modo, o terapeuta acompanha o nível em que se encontra o cliente bem como as movimentações que este vai fazendo ao longo da ZDPT durante todo o processo terapêutico.
Um dos resultados mais importantes foi que na maior parte das vezes (55%) a intervenção terapêutica que antecedeu os momentos de inovação por parte da cliente não foi o desafio da terapeuta mas sim o suporte no problema. Estes resultados corroboram o pressuposto Rogeriano da importância do cliente para a mudança terapêutica, bem como os pressupostos subjacentes à natureza humana. Isto não quer dizer que a terapeuta não tenha tido influência no processo terapêutico, pois existem um
39 conjunto de condições essenciais para o sucesso do processo terapêutico que se devem em grande medida ao terapeuta como é o caso da empatia, da aceitação positiva incondicional e da congruência.
Este resultado levou-nos a analisar qual a reação da terapeuta às respostas de inovação apresentadas pela cliente e os resultados demonstraram que 62% das vezes a terapeuta suportou a inovação da cliente e em apenas 7% das interações permaneceu no desafio. Mais uma vez, este resultado demonstrou que a terapeuta mantém-se quase sempre no nível da cliente, quer esta esteja na zona de desenvolvimento atual ou potencial. Neste caso, uma vez que a cliente estava na zona de desenvolvimento potencial, a terapeuta manteve-se ao lado da cliente, suportando, na maioria das suas intervenções, as inovações que a cliente ia demonstrando.
No mesmo sentido, quando a cliente invalidou as intervenções da terapeuta, a terapeuta na maior parte das vezes voltou ao problema (82%) transportando em 92% das interações a cliente de novo para a zona de segurança. Este resultado vem de encontro à base teórica da Terapia Centrada no Cliente que propõe que quem dirige o processo terapêutico é o cliente uma vez que é o próprio que sabe qual os seus principais problemas, e, deste modo, o melhor é deixar o cliente dirigir o processo terapêutico (Rogers, 1974). Podemos considerar que neste caso foi a cliente quem dirigiu o processo terapêutico, uma vez que era ela que decidia se estava ou não preparada para se movimentar na zona e não a terapeuta que levava a cliente para a zona de desenvolvimento potencial. De acordo com o SCCT (Ribeiro et al., 2012), quando o terapeuta desafia e o cliente invalida este desafio significa que o cliente ainda não está preparado para avançar na zona e, deste modo, o terapeuta deverá fazer com que o cliente volte para a zona de segurança de forma a não comprometer o sucesso do processo terapêutico.
Uma vez que esta dissertação consiste num estudo de caso, importa perceber os resultados do processo terapêutico à luz do caso. O problema principal da cliente prendia-se com o facto de esta nunca ter a certeza de nada tornando-a bastante insegura quando se encontrava numa situação em que ela era a única pessoa a tomar decisões (por exemplo, quando o marido se encontrava fora durante muito tempo e ela tinha que acarretar sozinha a responsabilidade de educação dos filhos). Para além disso demonstrava dificuldade na expressão de emoções como o choro. Ao longo do processo, sempre que a cliente demonstrou certeza naquilo que dizia e nas ações que tomava ou quando conseguia expressar as suas emoções, esta informação foi cotada como inovação. Por exemplo, quando a cliente demonstrava que o problema que ela apresentava, e que a transportava para um estado depressivo, não era assim tão grave e tinha resolução e quando ela conseguia ver o lado das outras pessoas e colocar-se na posição deles. Tudo isto era uma exceção ao problema e por isso foi cotado como inovação.
Em suma, este caso elabora a ideia de equilíbrio entre intervenções de suporte e intervenções de desafio por parte do terapeuta para a mudança terapêutica, proposto pelo SCCT (Ribeiro et al., 2012). Neste caso, a mudança foi essencialmente derivada de intervenções de suporte por parte da
40 terapeuta, com vista a disponibilizar um ambiente seguro à cliente, no sentido da obtenção de bons resultados ao longo do processo terapêutico (Rogers, 1983). A elevada percentagem de intervenções de suporte por parte da terapeuta e as reduzidas intervenções de desafio levam a considerar que a reflexão da terapeuta e a relação empática que forneceu um ambiente de segurança para a cliente foi por si só um importante promotor da mudança. Neste sentido, este resultado permitiu acrescentar uma ideia nova aos pressupostos do SCCT (Ribeiro et al., 2012).
O facto de o trabalho terapêutico se ter situado maioritariamente no nível de segurança, a percentagem elevada de suporte por parte da terapeuta e o número reduzido de invalidações por parte da cliente corrobora a importância da colaboração terapêutica para o sucesso terapêutico. Esta ideia é sustentada pelo SCCT que suporta a ideia de que a colaboração entre terapeuta e cliente está intimamente relacionada com a mudança em psicoterapia momento a momento (Ribeiro et al., 2012).
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