Associados aos fatores mencionados nos itens anteriores, a formação de um professor de LI deve promover o desenvolvimento de competências, as quais são fundamentais para um ensino eficiente. Segundo Almeida Filho (1993), as competências a serem desenvolvidas são: aplicada, teórica, implícita, profissional e linguístico-comunicativa.
A competência aplicada está relacionada à capacidade do professor de ensinar, conscientemente, com base em teorias e pesquisas na área. Essa competência está intimamente ligada às competências teórica e prática.
A competência teórica está ligada aos estudos e resultados das pesquisas de outros professores que juntamente com aquilo que o professor já articula aproxima sua maneira de ensinar daquilo que lê. Essa competência envolve o saber explicar como se dá o processo de ensino/aprendizagem por meio de termos e teorizações explícitas e articuladas.
A competência implícita se refere ao “conjunto de intenções, crenças e experiências” (p.20), as quais o professor alcança durante o processo de formação. É uma competência intuitiva, a qual pode ser percebida em professores que ensinam LI e que não são da área.
36 A metacompetência profissional, segundo Almeida Filho, é a mais nobre das competências, pois está relacionada à consciência do professor sobre seus papéis, sobre a necessidade de aperfeiçoamento, bem como sobre o papel da LI na sociedade.
O gráfico abaixo representa a metacompetência profissional apontada por Almeida Filho (2004, p. 3):
Gráfico 1 - Metacompetência profissional
Essa competência abarca traços distintivos da profissionalização do professor, os quais devem ser, segundo o autor, profissionais com certificação e prática em formação especializada, além de possuírem postura observadora, aberta, crítica e flexível; intelectuais conscientes, compromissados, éticos e abertos, dispostos a se pensar e pensar a profissão; leitores e interlocutores que valorizam o ser professor e estão preocupados com questões teóricas do processo de ensinar e aprender língua(s); professores que reconhecem seu valor, seus direitos e deveres, bem como se preocupam com seus colegas profissionais e se emprenham em tornar os alunos melhores aprendentes.
O domínio da língua inglesa, tanto oral quanto escrita, é requisito fundamental para o professor de LI, mesmo que esse conhecimento, isoladamente, não indique que o professor seja um bom profissional, a falta dele implica um professor que não
37 conhece o que deve ser ensinado e que, portanto, não cumprirá seu papel de forma satisfatória.
A competência comunicativa se refere à capacidade do professor em usar a LI. A falta do desenvolvimento dessa competência durante a formação do professor de LI é uma das maiores queixas desses professores, levando-os a se sentirem inseguros e, por conseguinte, inseguros e amarrados a livros didáticos sem apresentarem condições de pensar sobre a língua.
O conhecimento sobre a língua e sua gramática é necessário para o professor de LI, mas esse conhecimento somente não garante seu ensino de forma eficaz. É necessário também desenvolver a competência linguístico-comunicativa, a qual atua sobre a estrutura e adequação da língua em uso.
Todas essas competências são de grande importância para a boa formação do professor de LI, mas com certeza, conforme declara Martins (2007), existem outros fatores que influenciam a aplicação do conhecimento lingüístico do professor em relação a sua prática, como personalidade, atitude, engajamento do professor e a importância que ele atribui a assuntos relacionados aos conteúdos.
Formar professores bem preparados, aptos a lidar com os problemas do cotidiano com destreza, conscientes de seu papel, bem como desejosos de mudança não é tarefa fácil, conforme declara Perrenoud (2002, p.181): “quando alguém se torna formador de professores, a construção de competências profissionais deve se transformar no verdadeiro desafio”. O mesmo autor aponta alguns desafios que devem ser superados pelo corpo de formadores a fim de contribuir com a formação de professores:
1. Trabalhar o sentido e as finalidades da escola sem transformar isso em missão.
2. Trabalhar a identidade sem personificar um modelo de excelência. 3. Trabalhar as dimensões não reflexivas da ação e as rotinas sem
desqualificá-las.
4. Trabalhar a pessoa do professor e sua relação com o outro sem pretender assumir o papel de terapeuta.
5. Trabalhar os não ditos e as contradições da profissão e da escola sem decepcionar a todos.
6. Partir das práticas e da experiência sem se restringir a elas, a fim de comparar, explicar e teorizar.
7. Ajudar a construir competências e exercer a mobilização dos saberes. 8. Combater as resistências à mudança e à formação sem desprezá-las.
38 9. Trabalhar as dinâmicas coletivas e as instituições sem esquecer as
pessoas.
10. Articular enfoques transversais e didáticos e manter um olhar sistêmico.
(Perrenoud, 2002, p. 170-171)
O enfrentamento desses desafios sugere a possibilidade de um avanço na profissionalização do professor formador, favorecendo a imagem da profissão deste.
Tais desafios não se referem a conteúdos a serem oferecidos aos professores. Trata-se de compreender a profissão dentro de sua complexidade, sem se preocupar com o domínio total da situação de aprendizagem, com o domínio baseado em saberes infalíveis.
A preocupação deve residir na tomada da consciência do papel da formação inicial e permanente, privilegiando a postura reflexiva, “reinventando coletivamente a formação tendo por base os limites de suas práticas pessoais em vez de almejarem um modelo” (PERRENOUD, 2002, p.188).
Essa mudança não acontece sem o entendimento e o envolvimento dos sujeitos em questão. É preciso que se reconheça a posição que se está ocupando no momento, as condições de produção e sofram a “metamorfose”, assumam uma identidade de formadores.
Dessa forma, conforme palavras de Freire (2008, p. 30), “quando o homem compreende sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la e com seu trabalho pode criar um mundo próprio: seu eu e suas circunstâncias”.
Para se compreender como e porque os cursos de licenciatura atuam dessa maneira é preciso conhecer as diretrizes que regem os cursos de Licenciatura em Letras, bem como o percurso percorrido até os dias atuais.
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