Neste texto, A1 já inicia o texto concordando com o fato que ocorre na tirinha da Mafalda, explanada em sala de aula, e, para isso, utiliza uma justificativa, utilizando o operador “por” para introduzir uma breve justificativa. Podemos dizer que “por”, neste caso, tem sentido de “pois”. Esse elemento, tradicionalmente, é classificado no grupo das preposições, entretanto, aqui, no enunciado do aluno, poderia apresentar uma relação de causalidade ou justificativa sobre a ideia de as propagandas serem “sensatas”. Apesar disso, o enunciado não fica claro, pois semanticamente, é incoerente relacionar a sensatez a que ele se referiu com a confusão criada na cabeça da criança. Podemos inferir que o equívoco se dá, portanto, pela falta de compreensão do que significa o adjetivo “sensata” e não pelo uso do elemento coesivo.
O aluno apresenta seu texto estruturado em três parágrafos que apenas lançam informações trazidas pela professora e debatidas por seus colegas em sala de aula, falando sobre o que ele “achou” sobre elas, mas sem desenvolvê-las de modo efetivo Há, neste caso, também, um problema de informatividade para a defesa desse argumento, pois não há informação que justifique sua posição, reforçando apenas seu “achismo”.
Dessa forma, os pontos de vista apresentados por A1 no texto surgem a partir de uma relação de subordinação ao que foi proposto em sala de aula. O aluno parece apenas transcrever o que foi debatido e memorizado, unindo as ideias em uma tentativa de construir significações que não sejam contrárias ao que foi exposto e constatado em sala de aula: o fato das propagandas atuarem de forma perigosa na vida das pessoas.
Como marca da ruptura do texto produzido, ele utiliza operadores que introduzem conteúdos pressupostos no início dos parágrafos (“já”). Neste caso, o uso desse operador funciona como uma ideia falsa de argumento novo.
Nesta primeira versão, constatamos indícios da competência argumentativa, pelo Achei a propaganda muito sentada, por confundir a criança apresentada na tirinha.
Já na segunda tirinha, achei que aquela criança assistia muita TV, com propagandas muito
elaboradas para essa criança, entam ela ficou de uma maneira independente dos comerciais da TV. Nas propagandas passadas no data show, achei que elas exagerarão no verbo imperativo, a apresentado au consumidor.
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fato de o autor concordar e apresentar uma ideia como justificativa, embora seja inadequada a escolha que fizeram do operador argumentativo. Isso significa que o fato de apenas “concordar” com uma pergunta do enunciado não dá conta da competência argumentativa do aluno-produtor.
Para uma análise mais profícua do uso dos operadores argumentativos, observemos como se apresentou a segunda versão desse mesmo texto, após a primeira produção, mediante uma leitura reflexiva e sob mediação da professora.
2ª Versão
Para começar, direi que achei a propaganda muito sensata, por confundir a criança apresetada na tirinha.
Neste ponto, acho muita maldade por que ele(a) são crianças que são tão incertos no que veem, falam e dizem.
Na segunda tirinha, achei que aquela criança assistia muita TV, com propagandas muito ilusionista para essa criança, entam ela ficou de uma maneira inacreditada com aquilo.
Na minha opinião as propagandas passadas no data show, achei que elas exagerarão no verbo imperativo, para apresenta au consumidor
Observamos que, na segunda versão de A1, o aluno-produtor foi capaz de explicar, utilizando uma breve justificativa, o porquê de ele achar “muita maldade”, corroborando com a sentença do período acima, em que ele afirma que a propaganda pode “confundir a criança”. Isso fez com que ele utilizasse um maior número de palavras do que na primeira versão, e, consequentemente, demonstrasse uma melhora no desempenho argumentativo, tendo em vista o uso dos operadores argumentativos dentro das suas respectivas funções.
Fazendo uma comparação entre as duas versões, verificamos que, no plano argumentativo, a segunda mantém a ideia geral da primeira versão, mas essas ideias são minimamente ampliadas em cada parágrafo da segunda versão.
Neste caso, A1 acrescenta informações / ideias / argumentos atrelados ao tema por meio do uso adequado de operadores argumentativos. O aluno-produtor introduz o “porque” na produção justificando, assim, o ponto de vista defendido. Ele ainda repete o “entam” utilizado na primeira versão que, segundo (KOCH, 2006), é um operador que introduz uma conclusão relacionada a um argumento apresentado anteriormente,
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juntamente com outros operadores de mesma natureza (portanto, logo, pois). Esse uso, feito na primeira vez de forma bem colocada, segue bem disposto na segunda versão.
Outra diferença que merece destaque nas produções desse aluno, é o fato de, em sua primeira produção, ele utilizar o operador “já” por duas vezes, iniciando dois parágrafos que estruturam o seu texto. Na reescrita, esse elemento é subtraído pelo aluno sendo substituído por elementos que deixam o texto mais fluido e organizado, dando ideia de continuidade entre eles, como os “para começar” e “neste ponto”. Isso foi estimulado pela professora no momento das análises dos textos deles em sala de aula o que se refletiu na reescrita deste aluno.
Essa melhoria, em termos da organização da argumentação e do uso dos operadores, contou com a ajuda das estratégias da professora, nos momentos que antecederam a reescritura, quando foram realizadas a leitura e reflexão das primeiras versões e nova discussão do tema. A estratégia da reescritura colabora, então, para a melhoria das produções. Esse foi um momento ímpar vivenciado nas aulas, porque embora cada aluno não tenha tido uma atenção especial e particularizada da professora, a leitura realizada por ela, acompanhada dos seus comentários sobre as produções forneceram pistas para melhorar o desempenho dos alunos na refacção.
Sabendo disso, ainda comparando as duas produções do mesmo aluno, é possível verificar que na segunda versão os operadores argumentativos, além de terem se apresentado em maior número no texto, parecem ter sido usados de forma mais reflexiva do que na primeira versão.
Talvez tenha sido esse o momento em que os alunos desenvolvem uma escrita com uso mais recorrente de argumentos e dos operadores, pois para alcançá-la, eles demonstraram maior conhecimento e domínio da língua na situação comunicativa em estudo. Em outras palavras, nessa produção em si existem as competências linguística e comunicativa no uso dos operadores, o que, por sua vez, propiciou a competência no uso dos operadores argumentativos. A argumentatividade inscrita no interior da própria língua (DUCROT, 1988) permite que as frases, por mais curtas que sejam, tragam orientação argumentativa.
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Observemos a tabela que resume, quantitativamente, o uso dos operadores pelo aluno e a quantidade de palavras utilizadas por ele nas duas fases.
Tabela 1 – A1
Aluno 1
Etapas Operadores Argumentativos Quantidade de Palavras
PRODUÇÃO INICIAL 3 60
REESCRITA 3 85