New Order of Kings
2.4 The new order of King James
Sem adentrar no mérito de que modalidade de educação trata, o que importa destacar é o entendimento de que a educação pode ser importante indutora na transformação de uma realidade, refletindo na minoração de problemas socioambientais. A educação pode ser um dos veículos promotores de mudança, em especial no sentido de “[...] recriar continuamente comunidades aprendentes geradoras de saberes abertas ao diálogo e à intercomunicação (BRANDÃO, 2003). A fala de VAS segue nesse perspectiva:
Eu cresci numa época muito difícil em Laranjal do Jari, quem estuda sobre Laranjal ou quem tá aqui há muito tempo sabe da realidade do antes, do agora e o que se espera do amanhã. Laranjal do Jari foi uma cidade muito violenta, com alto índice de prostituição, alto índice de tráfico de drogas e alto índice de garimpagem, meu pai também foi garimpeiro. Em função disso tudo, a vida aqui naquela época era muito delicada. Muitos dos meus colegas foram enterrados cedo. Os valores do meu pai foram muito importantes na minha vida, graças a Deus o papai criou nove filhos, desses sete são professoras, muito comprometidas porque a nossa causa é a educação, a gente acredita nisso. A educação é que pode mudar por onde a humanidade caminha (VAS).
Dentre as ações sugeridas pelos moradores, emergiu a importância da educação ambiental para aquele contexto. Na pesquisa de campo, a maioria dos participantes convergiu para a necessidade de um trabalho de educação ambiental formal, com sua inserção no currículo escolar. Porém algumas falas também sinalizaram a educação ambiental na perspectiva da educação popular. Nesse sentido foi enfatizado o que cada um pode realizar para minorar os efeitos causados, por exemplo, pelo depósito inadequado de lixo e de água,
do esgoto a céu aberto, que há décadas se faz presente no contexto urbano no qual estão inseridos, degradando o meio ambiente.
Sobre a educação ambiental, Carvalho (2001) argumenta que, a mesma deve atingir, conjuntamente, o meio ambiente e as relações que se formam no seu âmbito. Essa forma de compreensão do meio ambiente na sua totalidade é reforçada por Reigota (2004) ao afirmar que na sua concepção trata-se de um espaço que coaduna múltiplas formas de vida e relações em permanentes mudanças, as quais devem ser consideradas nas discussões que contornam as problemáticas socioambientais. Na concepção de Jacobi (2003, p. 200) “a educação ambiental deve destacar os problemas ambientais que decorrem da desordem e degradação da qualidade de vida nas cidades e regiões”. Esses argumentos se somam e sinalizam a complexidade que permeia a prática de uma educação ambiental que ajude a projetar alternativas preventivas e ações efetivas para solução ou mitigação de questões socioambientais emergentes.
A expressão educação ambiental surgiu num encontro de educadores que houve em 1965, em Keele, na Inglaterra. Mas a sua evolução foi discutida na Conferência de Educação Ambiental de Tbilisi, no sentido de que deveria alcançar todos os âmbitos tanto na educação formal quanto não-formal e que tal educação deveria ser orientada para a comunidade, num reconhecimento da interdependência existente entre o ambiente natural e o construído.
Jacobi (2003, p. 193) sustenta que “a Educação Ambiental é condição necessária para modificar um quadro de crescente degradação socioambiental, mas ela ainda não é suficiente”. O que autor quer salientar segue no sentido de entendê-la como uma ferramenta mediadora entre distintas culturas, comportamentos e interesses coletivos, vislumbrando a transformação almejada.
Segundo tal autor (Ibid, p. 196), “o desafio é, pois, o de formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora, em dois níveis: formal e não formal”. Contudo, esse autor ressalta que o principal eixo da educação ambiental deve visar o resgate da solidariedade, além da igualdade e o respeito à diferença, mediados por ações democráticas que estejam sustentadas por práticas interativas e dialógicas.
A educação ambiental deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária. E o que tem sido feito em termos de educação ambiental? A grande maioria das atividades são feitas
dentro de uma modalidade formal. [...]. A educação ambiental que tem sido desenvolvida no país é muito diversa, e a presença dos órgãos governamentais como articuladores, coordenadores e promotores ainda é muito restrita (JACOBI, 2003, p. 198).
Como se pode verificar, a educação ambiental na educação formal também surgiu nos debates e depoimentos como importante aliada na luta por melhorias nos contextos de vivência. No depoimento de VAS que se segue, essa educação ambiental aparece como uma alternativa à melhoria do ambiente de vivência e que por essa razão não deve ser trabalhada em grupos fechados numa sala de aula. Trabalhar a educação ambiental de forma setorizada na escola, para VAS, é difícil no sentido de se restringir ao ambiente da sala de aula. É preciso praticar e atingir diversos grupos para que se torne efetiva. Nesse sentido, VAS assim se pronunciou:
É muito difícil falar e fazer educação ambiental numa sala com ar- condicionado. Numa escola só com a turma é muito difícil, porque não é uma escola toda, não é um grupo todo, eu acho que a educação ambiental aqui em Laranjal do Jari deveria fazer parte do currículo. É difícil você só falar de educação ambiental pras pessoas, as pessoas têm que praticar.
VAS sugere que a educação ambiental seja uma disciplina. Acredito que essa é uma proposta interessante, desde que admitida em todos os níveis de ensino e nos cursos de graduação. Mas também entendo que, nessa perspectiva, deveria ser uma alternativa transitória, para introduzir no ambiente educacional a importância de cuidar do meio ambiente de vivência e estimular o desenvolvimento do espírito solidário para que tal educação possa ser assumida cotidianamente em todos os âmbitos da sociedade. A universidade, em face de sua função social e enquanto formadora, não pode ficar à margem. Ao contrário, deveria implantar uma política ambiental, em sintonia com a escola e a comunidade, de forma interativa.
Carvalho (2008) argumenta que a educação ambiental urbana tem o propósito de sensibilizar as pessoas acerca da importância do seu local de vivência, elevando o olhar aos
aspectos históricos, naturais, às transformações urbanas permeadas pelos irrefutáveis conflitos e contradições engendrados pela dinâmica que se figura na vida cotidiana. Nessa perspectiva, considero que os saberes devem ser intercambiáveis. Tristão (2011) me auxilia nessa compreensão ao afirmar que, a educação é como um processo de construção de sentidos e como tal, “o saber cotidiano se constrói no desenvolvimento do conhecimento e da informação em redes. Pensar dessa maneira exige um esforço teórico para além das amarras e fronteiras estabelecidas entre as disciplinas” (p. 6).
A legislação educacional que versa sobre a educação ambiental se assenta na Lei Nº 9.795 (BRASIL,1999), regulamentada pelo Decreto Nº 8.281 (BRASIL, 2002). Essa lei determina que a abordagem sobre o tema “Educação Ambiental” perpasse por todas as disciplinas dos currículos concernentes à Educação Básica, pois o meio ambiente e os elementos que o compõem permeiam múltiplas áreas do conhecimento. Há experiências de criação de disciplina específica sobre essa temática,porém em cursos, mas também há controvérsias, pois os resultados alcançados tem sido incipientes.
Penso que a discussão acerca de uma educação ambiental que, de fato, seja funcional e, portanto, praticável deve ser aprofundada, pois a transversalidade é difícil de ser materializada num modelo educacional, como o brasileiro, que é disciplinar, transferindo a todos e a ninguém a decisão e o compromisso de implementá-la. No entanto, nesse sentido, entendo que se poderia utilizar a estrutura disciplinar da educação em favor da educação ambiental.
JES, na roda de conversa, reforçou: a educação ambiental deveria ser feita desde o
pré-escolar. Deveria existir essa disciplina de educação ambiental nas escolas, porque só dão educação ambiental de 5ª a 8ª série. Nem todas as escolas têm né?
Esse sujeito entende que a educação ambiental também deveria integrar o currículo desde a pré-escola, porque as crianças são capazes de influenciar seus pais. E adiciona que algumas escolas que trabalham a temática, e são casos pontuais, criaram a disciplina, como no Ensino Fundamental e outras a desenvolvem como projetos. Mas adverte no curso de sua fala que nem todas as escolas que atuam no Ensino Fundamental trabalham a temática.
A esse respeito, o Código Ambiental do Município traz no seu bojo, o Art. 14, o qual institui que “o Município através de seus órgãos competentes deverá promover, por todos os meios pedagógicos disponíveis, a educação ambiental, especialmente no nível fundamental de ensino” (AMAPÁ, 2006, p.17). Não obstante, o Art. 2, VIII, do mesmo código, estabelece
que a educação ambiental tem que ser extensiva às comunidades com o intuito de sensibilizar os munícipes para a realização de práticas que resultem na melhoria da qualidade do meio ambiente.
No aspecto do envolvimento das comunidades, por meio das falas constatei que o código não tem efetividade, pois as comunidades não são envolvidas nas pontuais e incipientes ações de educação ambiental que são realizadas pela Secretaria de Meio Ambiente e por alguns professores da educação formal que se inquietam com os problemas ambientais postos em Laranjal do Jari.
JES (professora) informou que a sua prática pedagógica com a citada temática foi a seguinte:
Eu trabalhei na escola Emílio Médici com educação ambiental sabe. Eu falei muito sobre as sacolas de plástico, às vezes você pega sacolas sem necessidade. Tem gente que pega três, quatro sacolas, chega em casa só faz jogar lá em baixo da ponte, por isso que tem enchente. Aí tinha mãe que dizia que aquilo era besteira. Os meninos de 5ª série, 6ª série, falavam em casa, quando iam no supermercado, eles diziam que não era pra levar sacola, aí as mães diziam que era mentira, que era besteira, que a professora não tem o que fazer, fica falando besteira, eles diziam pra mim, sabe. Eu dizia que não era besteira, isso aí no futuro vai servir pra todos nós, todos nós precisamos respirar, qual o motivo dessas enchentes? Vocês todo tempo ficam agregados nas escolas quando tem enchente, consequência dessas coisas. A gente quer ensinar mas, elas não querem aceitar, dizem que a gente não tem o que fazer.
O uso das sacolas de plástico já se tornou parte da vida cotidiana a despeito das campanhas de que são degradadoras do meio ambiente, pois carecem de 400 anos para decomposição. O mercado induz o consumidor a utilizá-las como um acessório que, pela sua praticidade, facilita no transporte de produtos adquiridos.
SAB ratificou, em depoimento, essa afirmativa quando disse: Embora eu seja a favor
da redução, eu não me vejo sem as sacolas, porque como é que eu vou fazer compras no mercado? A sacola retornável é uma boa alternativa, mas tem um custo muito alto.
A substituição de sacolas de plástico por sacolas retornáveis é uma alternativa ainda muito remota no meu entendimento, porque como disse SAB o custo é elevado e, dependendo
do volume de compras, seria necessário mais de uma, o que tornaria essa alternativa inviável do ponto de vista econômico ao consumidor. Todavia já se vê nos comércios sacolas de plásticos biodegradáveis, ou seja, confeccionadas com materiais de fácil decomposição, quando submetidas a determinadas condições ambientais, dessa forma, os impactos negativos ao meio ambiente são reduzidos.
Sobre outros fatores que suscitam danos ao meio ambiente, JES também assim procedeu quando trabalhou educação ambiental:
Quando eu trabalhei educação ambiental era assim: eu conscientizava os alunos do prejuízo que causa, pro meio ambiente, a sujeira, a fumaça de fábrica, de carro, essas coisas todas. Era isso que eu ensinava pra eles. Eu tentava passar pra eles sobre o mal que pode causar pro meio ambiente.
Nessa fala apareceu a palavra “conscientizar”. Tanto nos depoimentos, quanto nas rodas de conversa, estive diante da polissemia que o termo apresenta. Quando JES disse eu
conscientizava, o sentido era de ensinar o que é certo, de mostrar aos alunos que a sujeira e a
fumaça causam danos ao meio ambiente.
Também na roda de conversa, NIV concorda com JES ao afirmar: na minha opinião,
educação ambiental é um trabalho de conscientização. Nessa mesma atividade, ROZ
assinalou que a educação ambiental deve ser trabalhada nas escolas desde o pré-escolar. Esse participante entende que é importante para conscientizar as crianças e assim reforçou:
a partir daí sim se criar uma cultura de educação ambiental mais profunda e não só pregar. Tentar ensinar uma criança. Que fosse uma matéria obrigatória nas escolas ensinar desde o jardim, o maternal, a criança cresce com aquilo na mente.
Sobre o termo “conscientização” concordo com freire quando adverte que ninguém conscientiza ninguém. A conscientização se dá no processo das relações, no processo
educativo assentado na perspectiva freireana e a educação ambiental popular se funda nessa linha, ou seja, deve ser uma educação política focada nas populações que vivem em situação de risco. Então, é preciso que a comunidade reflita sobre essa compreensão equivocada de que as pessoas podem ser conscientizadas, sensibilizadas.
Entretanto, cumpre reconhecer um dos avanços na dimensão ambiental no intuito de empreender a educação ambiental na escola ou em outros segmentos, mesmo que de forma pontual, ou com a introdução nos currículos a título de tema transversal ou como simples práticas pedagógicas aplicadas por outras organizações não governamentais. O avanço também se deu nos movimentos de educação popular com a mesma finalidade, associando a participação popular como um princípio educativo da educação ambiental. Os resultados ainda são irrisórios, porém, esse último caso, sinaliza possibilidades para mais próximo da realidade. Refiro-me às práticas de educação ambiental na educação formal, não formal e informal39.
Reigota (1999, p. 79-80) acredita que a “tendência da educação ambiental escolar é tornar-se não apenas uma prática educativa, ou uma disciplina a mais no currículo, mas sim consolidar-se como uma filosofia de educação, presente em todas as disciplinas [...]”. No entanto, Tristão (2011, p.6) argumenta que “pensar dessa maneira exige um esforço teórico para além das amarras e fronteiras estabelecidas entre as disciplinas”.
Estabelecer a educação ambiental como uma política educacional é uma proposta relevante, mas ainda frágil, com resultados concretos pontuais e sem continuidade. A escola por si só não dá conta de equacionar os problemas ambientais, tendo em vista a forma hierarquizada de seus currículos e, por vezes, o seu distanciamento do contexto de vivência de seus alunos. Um programa de educação ambiental pode iniciar na educação formal, mas penso que deverá buscar subsídios para as práticas pedagógicas e de conscientização, no seio das comunidades do entorno da escola, as quais deverão, segundo Wanderley (2010), estar conectadas ao fazer e ao saber de tais comunidades.
É preciso “propor uma educação ambiental crítica que aponte para as transformações da sociedade em direção a novos paradigmas de justiça social e qualidade ambiental” (GUIMARÃES, 2007, p. 28). É nessa linha que eu penso que a educação ambiental deve ser
39 “A educação formal refere-se à educação escolar; a não formal, à educação fora da escola, mas com sistematização metodológica (nas ONGs, por exemplo); e a informal refere-se à educação sem sistematização e metodologia (nas relações cotidianas, por exemplo)” (TOZONI-REIS, 2008, p. 5).
formulada e efetivada, ou seja, numa perspectiva integradora e transformadora que a educação popular é capaz de inspirar.
Os moradores apresentaram propostas de educação ambiental para dentro da escola, como também para fora, o que já é um indício de que eles pensam uma educação que envolva a comunidade, como salientou BAS: fazer um trabalho de educação corpo a corpo, no contato direto com cada morador.
A educação ambiental da qual se fala está associada à tradição da educação popular que compreende o processo educativo como um ato político no sentido amplo, isto é, como prática social que conduz o sujeito ao exercício da cidadania, o que não descarta a participação da escola, pois essa também é parte integrante da educação popular. Nessa perspectiva, a proposta de educação ambiental popular deve coincidir com a vocação da educação para formação de sujeitos que, inseridos numa conjuntura sociopolítica, se tornem capazes de agir criticamente na sociedade (FREIRE, 1967).
De acordo com Carvalho (2001, p. 47), “há várias experiências de EA popular que elegem certos atores sociais como sujeitos prioritários da ação educativa ambiental, como, por exemplo, os grupos e organizações populares”. Essas também destacam a importância de trabalhar com os grupos cuja interação com o meio ambiente é mais direta, a exemplo de agricultores, recicladores, dentre outras categorias.
Bakhtin (1999) pensava que a concreta imagem da vida cotidiana, movida pela dinâmica dos conflitos e contradições, ainda está inconclusa, assim a razão não é suficiente para analisá-la e compreendê-la. Sobre esse prisma, não se deve pensar a educação ambiental, no sentido estrito de dissolver conflitos ou vislumbrar a preservação da natureza com intervenções pontuais. Essa variante da educação deve atuar na transformação das relações dos grupos humanos com o meio ambiente, como também estar inserida num contexto da transformação da própria sociedade. No entendimento de Carvalho (2008), as práticas de educação ambiental urbana, como meio de inserção dessa temática no contexto coletivo de forma compartilhada e democraticamente negociada, devem contemplar as seguintes modalidades de ações desde que repensadas e ajustadas à realidade local:
[...] organização de reuniões nas diferentes associações de bairros mobilizadas para a temática socioambiental, onde poderão ocorrer
apresentações, mostras de vídeos, fotografias e cartazes e palestras para esclarecer o debate sobre um ou mais temas de interesse local; a promoção de cursos, seminários, oficinas e, principalmente, debates, onde a população urbana deve dirimir suas dúvidas e inquietações sobre o valor de sua atuação local; a formação de grupos operativos como os Conselhos/Centros ambientais de defesa e preservação sociourbana em instituições locais, tais como: agremiações, associações de moradores e outros; [...] (Ibid, , p. 26).
Essas propostas são interessantes e bem-vindas, porém, é preciso atentar para possibilidade de cooptação por instituições que se dizem parceiras. É preciso que as comunidades envolvidas desenvolvam a consciência crítica (FREIRE, 1967), e a educação, com viés de problematizadora, instigue o sujeito a olhar o mundo na sua totalidade, com seus problemas e potencialidades nas mais diversas dimensões ambientais. Por isso se busca uma educação ambiental transformadora, que oportunize as classes populares reivindicarem por melhores condições de vida, a lutarem por democracia e exercício de cidadania (REIGOTA, 1991). Segundo Carvalho (2001), essa educação vai além daquelas tradicionalmente já utilizadas. O ambiente é pensado como um sistema complexo de relações e interações da base natural com o social, tendo por arcabouço a forma de apropriação pelos diversos grupos, populações e interesses sociais, políticos e culturais que nesse contexto se fundam.
Nas rodas de conversa, o termo conscientização apareceu com distintos significados: BAR disse que: as pessoas têm que ter consciência e jogar seu lixo no lixo. As incursões sobre o termo tenderam para o sentido de que a pessoa sabe o que é correto, mas não evita o procedimento incorreto. Tal sentido também se apresenta na fala de FAR: tem que
conscientizar as pessoas, fazer um trabalho social, uma coleta seletiva, se não tiver conscientizado de que é preciso fazer de fato, não vai adiantar.
Sobre a ausência de pessoal técnico e qualificado para intervir em ações de melhoria ou preservação ambiental, o termo conscientização também aparece com o sentido de fazer o correto. NIV, na roda de conversa, aventou que:
A Lei Ambiental do Brasil é a melhor lei, só que na verdade ela não é muito respeitada. Até porque falta mesmo esse trabalho de conscientização. As pessoas são leigas no assunto, e tem poucas pessoas pra fiscalizar na questão ambiental geral né? Tanto na questão de peixes,
de flora, falta fiscalização, falta conscientização. A gente tem leis e essas leis estão sujeitas a apenas aqueles que de fato irão cumpri-la. Mas na verdade não tem esse trabalho de fiscalização, não tem pessoas qualificadas. Até mesmo no trabalho do município colocam pessoas que não são qualificadas.
NIV faz uma análise da situação que coincide com a realidade do que é observado no Brasil em relação às contratações de pessoas para atuação em órgãos públicos vinculados ao meio ambiente. É importante ressaltar que a ausência de qualificação técnica e ou de pouca qualificação revela-se em entrave para que se desenvolva a conscientização no sentido atribuído. Isso é comum em órgãos públicos que contratam pessoas, temporariamente, para