• No results found

New active Users / Perceivers

In document LOST HIGHWAY INTER Active (sider 57-61)

Transcrição da entrevista semiestruturada ao entrevistado 6 (P2)

Dados da entrevista: Data: 09/05/2018 Hora de início: 14h20 Hora de término: 14h45 Duração: 0:25:19

Tipo de entrevista: presencial Entrevistado: (P2)

Investigador: (I)

Perfil do entrevistado: Idade: 49

Género: feminino

Habilitações académicas: Pós-graduação em educação especial Domínio Cognitivo e Motor Situação profissional: Professor com especialização em educação especial

Principal área de atuação: Professor de educação especial num Agrupamento de Escolas Distrito onde exerce atividade profissional: Faro

Transcrição da gravação áudio: I: Aceita participar neste estudo? P2: Sim.

I: Autoriza a gravação áudio desta entrevista? P2: Sim

I: Permite a utilização dos dados recolhidos para fins académicos ou investigativos? P2: Sim.

I: Qual a sua idade?

TE2: Quarenta e nove anos.

I: Quais são as suas habilitações académicas?

TE2: Em termos de formação inicial tenho licenciatura e depois fiz a especialização em educação especial no domínio cognitivo e motor.

I: E atualmente qual é a sua situação profissional? TE2: Sou quadro de agrupamento.

171 I: Como professora de educação especial?

P2: Sim, neste agrupamento. I: E na coordenação também? P2: Não, na coordenação já não!

I: Trabalhou com Intervenções Assistidas por Animais (IAA) em contexto escolar?

P2: Assisti a algumas intervenções da técnica especialista em IAA aqui no Agrupamento. Portanto nós temos aqui no Agrupamento duas unidades, uma do esperto do autismo, que trabalha com alunos do primeiro, segundo e terceiro ciclo, e temos uma unidade de multideficiência, que neste momento não tem alunos, mas que é só do ensino secundário. E foi há três anos que a técnica especialista em IAA trabalhou nessa unidade de multideficiência no ensino secundário. O ano passado fez outro tipo de trabalho aqui na unidade de espetro do autismo, mas nessa altura já eu não era coordenadora.

I: Tem ideia do que motivou a mobilização deste recurso na unidade e não outro?

P2: A técnica especialista em IAA é residente aqui no concelho e apresentou a proposta ao agrupamento. Pela primeira vez, ela fez a proposta de trabalhar voluntariamente. O ano passado fez a proposta para haver uma parceria entre o agrupamento e os Rotários ou a Câmara, com financiamento externo, mas isso não se concretizou.

I: Neste caso não foi a escola que procurou a associação… P2: Foi a técnica especialista em IAA que veio ter connosco, sim.

I: Na sua opinião que conhecimento considera que a comunidade educativa detém sobre as IAA em contexto escolar?

P2: Todos os docentes do Agrupamento? Eu acho que têm muito pouca. Muito pouca, sim. I: Tendo em atenção a sua experiência, as sessões a que assistiu, as informações que recolheu, que contributos considera que um cão de ajuda social possa eventualmente trazer a uma criança com necessidades educativas especiais em contexto escolar, a médio e a longo prazo?

P2: Muitos. Os resultados, logo, logo, muitas vezes não são visíveis. Estas coisas vêm-se os resultados a médio e a longo prazo, mas há sempre muitas melhorias e muitas aprendizagens que se fazem. Portanto são projetos que desenvolvem a interação social, a autonomia, a motivação, por aí fora.

I: Foram identificadas alterações nos alunos após introdução do cão de ajuda social?

P2: Em relação ao ano passado, na unidade de espetro do autismo, eu não tenho muita informação. Em relação ao trabalho desenvolvidos com as duas alunas que tínhamos na unidade de multideficiência, lá da secundária, notaram-se melhorias. Elas quando viam… eram alunas multideficientes, que não comunicavam verbalmente mas quando o cão, acho que era uma cadelinha, eu acho que chegaram a aparecer as duas, não ao mesmo tempo, mas quando as cadelinhas chegavam elas sorriam, ou ficavam emocionadas… havia ali uma expressão emocional!

172 I: Houve alguma situação em que se interrompessem sessões e depois se retomasse o grupo? P2: Na multideficiência iniciou e findou. Não começou logo no início do ano letivo, começou passado algum tempo do ano letivo ter iniciado, mas após ter iniciado foi até ao fim… seis meses, sete meses. Acho que houve continuidade, era uma vez por semana, que a técnica especialista em IAA ia lá à unidade de multideficiência.

I: Na sua ótica, considera que a presença do cão de ajuda social e do técnico que o acompanha, facilita o trabalho de docentes e técnicos com os alunos?

P2: Sim, com certeza que sim. Portanto, na unidade de multideficiência estavam sempre presentes as duas docentes de educação especial e a auxiliar de sala. Eu não sei se estava de vez em quando algum técnico, a unidade tinha terapeuta da fala na altura, a (identifica a terapeuta da fala) esteve lá e a fisioterapeuta que era (identifica a fisioterapeuta). Aqui, o ano passado, também estava a terapeuta da fala. Sei que o trabalho que era feito aqui na unidade era sempre em conjunto com a terapeuta da fala. Um trabalho muito colaborativo, muito, muito. E os docentes estavam, umas vezes estava um, outras vezes estava outro. Neste projeto do ano passado, também era uma vez por semana que a técnica especialista em IAA vinha cá ao agrupamento.

I: Que importância atribui a esse trabalho colaborativo do binómio (técnico mais cão) com as equipas multidisciplinares, no processo de desenvolvimento integral dos alunos?

P2: Os conhecimento que várias valências têm, trabalhando articuladamente, desenvolve-se um trabalho muito melhor.

I: Da sua experiência, das sessões que observou, das informações que recolheu, considera que os contributos da presença do cão de ajuda social nas escolas podem ser extensíveis a outros elementos da comunidade escolar?

P2: Não são específicos para a multideficiência, podem ser também trabalhados com outros jovens. Às vezes, aqueles problemas de comportamento também podem ser trabalhados por aí. I: E os professores/técnicos que trabalham colaborativamente com o binómio (técnico mais cão), acha que essas pessoas recolhem algum contributo das sessões que são dirigidas aos alunos com necessidades educativas especiais?

P2: Estamos sempre a aprender (risos) eu acho que estamos sempre a aprender e que todos os dias se aprendem sempre coisas novas.

I: Considera, que no geral, este recurso pode potenciar a qualidade da ação educativa?

P2: Sim, a aprendizagem, sim, sim e o desenvolvimento a todos os níveis. A nível social, pessoal, escolar.

I: Outros entrevistados referiram contributos a nível motor observados em unidades de multideficiência. No contexto deste agrupamento e das unidades, tem alguma informação relativamente a contributos a nível do domínio motor?

173 P2: Poderá ter havido. Eu sei que essas jovens entravam também em interação com as cadelas, quando era lançado determinado objeto e a cadelinha ia buscar, ou elas iam lá dar depois o prémio, o biscoitinho. A esse nível sim, agora não tenho muitos dados relativamente a isso.

I: Como foi encarada a proposta de incluir um cão de ajuda social, como adjuvante, em contexto escolar?

P2: A proposta partiu da técnica especialista em IAA, mas o agrupamento aceitou, sim. Havia a questão da parte financeira, que depois isso pudesse trazer custos para o agrupamento. Sei que a técnica especialista em IAA foi à direção, falou com os elementos da direção do agrupamento e teve autorização do diretor para vir trabalhar e desenvolver este projeto em contexto escolar. I:Identificou ou sentiu alguma apreensão, por parte de outros, face à inclusão de um cão de ajuda social, em contexto escolar?

P2: Não, eu acho que não. Eu acho até que estes cães têm autorização para trabalhar em contexto escolar, têm uma certificação, traziam sempre aquele corpetezinho. Todos os anos o agrupamento elabora o Plano Anual de Atividades, e portanto temos que fazer os projetos. Esses projetos relativamente a este trabalho desenvolvido pela técnica especialista em IAA foram aprovados em Conselho Pedagógico.

I: Na sua opinião, que fatores poderão eventualmente impossibilitar o recurso a cães de ajuda social, como adjuvantes, dos professores e/ou técnicos, nas escolas?

P2: Para além do fator financeiro, a questão da direção do agrupamento ser muito fechada à inovação. Se a Direção de um Agrupamento for muito fechada, se houver a proposta de um projeto deste tipo, não se abre, não há recetividade.

I: Dizer-lhe que a transcrição desta entrevista será enviada por email para aprovação do texto antes de passar ao tratamento dos dados. Antes de terminar, há algum assunto que queira acrescentar e que possa contribuir para esta investigação?

P2: Estes cães, a própria raça também é muito importante. O labrador é um cão meigo, dócil, inteligente. Tem que ser um tipo de cão que não provoque medo na criança. Eu acho que a técnica especializada em IAA além da formação especializada nesta área, ela formou-se no estrangeiro, também têm algo que joga muita a favor dos bons resultados dos projetos, que é ser formada em psicologia. A formação em psicologia ajuda bastante.

I:Agradeço o contributo e este tempinho que me dispensou. P2: Continuação de bom trabalho.

174

Apêndice 12 - Transcrição da entrevista semiestruturada ao

In document LOST HIGHWAY INTER Active (sider 57-61)