6 GENERAL DISCUSSION
6.3 Neurobiological alterations after CMS
4.7.3.1. Fechamentos verticais
Nos fechamentos verticais destacam-se as trincas, as infiltrações, que causam bolor, limbo e corrosão, e os descascamentos de revestimentos.
a) Trincas
As trincas são os fenômenos de maior ocorrência nos fechamentos, causam efeito estético desagradável, instalam infiltrações e provocam descascamento do revestimento. Elas podem surgir quando os fechamentos verticais ficam solicitados a esforços de tração ou de cisalhamento, mas também podem ser resultantes de movimentações causadas por coeficientes de dilatação térmica distintos dos materiais (movimentação higrotérmica) e de movimentação excessiva da estrutura causada pelo vento (Figura 4.8). Outra causa da ocorrência de trincas são as infiltrações (CASTRO, 1999; SALES, 2001).
Quando se utiliza alvenaria comum como fechamento de edificações em aço, torna-se necessário que o projetista detalhe as uniões entre os diferentes materiais para evitar o surgimento desse fenômeno. No caso de fechamentos industrializados a técnica de montagem das juntas são inerentes a cada tipo de fechamento adotado, mas normalmente
são utilizadas juntas telescópicas, que isolam a estrutura do fechamento por meio de borrachas, silicones, mastiques especiais, telas galvanizadas, dentre outros. Inserts metálicos, formados por cantoneiras, pinos, parafusos e rebittes podem ser utilizados como elementos de fixação entre estrutura e fechamento. Desvincular o fechamento da estrutura é outra alternativa adotada pelos projetistas para evitar trincas (CAIXA, 2003).
No caso de haver trincas vindas de deformações, vale salientar que essas últimas em excesso são efeitos de sobrecargas não consideradas no cálculo estrutural, dimensionamento inadequado e falta de detalhamento. Uma análise, seguida de reforço ou substituição dos perfis estruturais, se faz necessária antes do fechamento da patologia em questão. No caso de trincas decorrentes de infiltrações, deve-se investigar qual é a causa dessa última e eliminá-la antes da reparação das trincas (THOMAZ, 1989).
Figura 4.8 – Trincas em fechamento de alvenaria
b) Infiltrações
As infiltrações nas edificações em estruturas metálicas surgem devido a trincas causadas pela movimentação da estrutura e devido a frestas presentes nas ligações principalmente. Edificações com estruturas aparentes são mais propensas à existência de frestas, que comprometem a estanqueidade do fechamento e contribuem para o desenvolvimento da corrosão nas peças metálicas e para o descolamento de revestimentos, além de causar desconforto e comprometer a estética.
Normalmente, usa-se o mastique, produto impermeável e flexível, para vedar as frestas. Outras soluções para as infiltrações são a utilização de produtos isolantes a base de silicone e a facilitação do escoamento da água com a utilização de rufos, pingadeiras, calhas, tubulações, e outros, que devem ser aplicados em locais como juntas de dilatação, ligações, coberturas etc (CASTRO, 1999, VON KRÜGER, 2000; SALES, 2001).
c) Descascamentos de revestimentos
O descascamento do revestimento ocorre no contato entre estrutura e fechamentos em conseqüência das trincas causadas pela dilatação térmica diferenciada desses elementos e das infiltrações em revestimentos externos que levam a descascamentos no interior da edificação (Figura 4.9). Também em regiões sujeitas a respingos de água continuamente pode ocorrer descascamento do revestimento.
Figura 4.9 – Infiltrações causando descascamento de revestimento
Antes de corrigir esse fenômeno devem-se eliminar as causas das trincas e das infiltrações, conforme informado anteriormente, e dos respingos de água promovendo-se escoamento e drenagem adequados no local.
4.7.3.2. Fechamentos horizontais (lajes)
As lajes, coberturas geralmente utilizadas nas construções de estrutura metálica, estão sujeitas a patologias como corrosão, trincas, descolamento e vibração excessiva.
a) Corrosão
Esse fenômeno facilmente se instala nas frestas que existem nas interfaces entre vigas metálicas e lajes de concreto, as quais, diante da permeabilidade do concreto, são regiões susceptíveis à umidade, podendo atingir até a armadura da laje. Para tratar o problema, deve-se identificar a causa da infiltração, que pode estar nas instalações hidrossanitárias ou na própria cobertura, e eliminá-la, antes de tratar a corrosão.
No caso de lajes steel deck, as quais são compostas por concreto e chapas de aço com nervuras, que servem de forma para o concreto inicialmente e de armadura positiva após o endurecimento, pode surgir corrosão quando houver infiltração de água entre o concreto e a chapa.
b) Trincas
Provenientes do dimensionamento inadequado ou da escolha incorreta do tipo de laje empregado, as trincas surgem nas lajes de concreto armado devido a esforços e deformações excessivos da estrutura em aço, ao enfraquecimento localizado em regiões de passagem de eletrodutos, ao efeito de retração ou ao puncionamento próximo a uma coluna. As trincas podem também aparecer quando se apóiam fechamentos diretamente sobre as lajes, sem que elas estejam dimensionadas para isso.
As trincas podem surgir ainda em lajes steel deck pela falta de armadura negativa ou pela retração do concreto durante a cura. As lajes nervuradas ou pré-moldadas costumam apresentar trincas resultantes de deformações excessivas e de movimentação diferenciada entre as nervuras e os componentes inertes de enchimento, ou entre o rejuntamento e os painéis. As lajes dispostas em formato retangular, de modo a serem armadas em uma direção somente, tendem a uma redução de deformações e trincas.
c) Descolamento
O descolamento ocorre em lajes steel deck quando o concreto se destaca da chapa de aço devido à solicitação cisalhante entre chapa e concreto estar acima de sua resistência, em presença de sobrecarga excessiva e corrosão da chapa metálica.
d) Vibração excessiva
Edificações mais leves e esbeltas estão sujeitas a freqüências naturais e taxas de amortecimentos mais baixas, o que deixa os pisos das construções susceptíveis a vibrações maiores. Dessa maneira, locais sujeitos a carregamentos dinâmicos, tais como ação externa de tráfego rodoviário e ferroviário e ação interna de grande movimentação de pessoas e atividades rítmicas de grupos, estão sujeitos à vibração excessiva das lajes de pisos. Esse fenômeno, embora não signifique dano às estruturas, pode trazer sensação de insegurança aos usuários da edificação, causando-lhes desconforto. Se as vibrações forem causadas por fontes externas, como tráfego rodoviário e ferroviário, é possível fazer-se o isolamento entre a fonte e a edificação criando-se barreiras no meio de propagação da vibração, reduzindo-se assim a transmissão da onda vibratória.
Vibrações excessivas causadas por fontes internas, como movimentação de pessoas e atividades rítmicas, podem ser evitadas projetando-se as lajes e os vigamentos, que irão sustentá-las, de modo a reduzir a um nível desprezível as possibilidades de qualquer risco e danos provocados pela vibração. Isso é conseguido assegurando-se ligações rígidas das lajes e das vigas com seus respectivos apoios. Outros fatores que influenciam na vibração são as dimensões e disposição da laje e a flexibilidade relativa da estrutura. Assim, distâncias das vigas de piso das lajes pré-moldadas e entre pilares no caso de outros tipos de lajes constituem fatores que contribuem para a vibração de lajes (SALES, 2001).
Em geral as patologias das lajes são eliminadas na fase de projeto, por meio do correto dimensionamento e escolha do tipo de laje a ser aplicado. Nem todos os problemas apresentados estão relacionados à estrutura metálica, mas, seja qual for a patologia detectada, sua intensidade deve ser cuidadosamente avaliada e suas causas eliminadas, antes de se proceder a um reforço ou substituição da laje.