C) SAKKYNDIGES VURDERING
8. NETTVERK OG INTERNASJONALISERING
Segundo Carvalho e Vieira (2005, p.12), o conceito de campo organizacional apresenta-se como elemento central da Teoria Institucional e compõe a ideia de que as organizações sobrevivem ao compartilhar valores dentro de um determinado espaço social. O entendimento de que esta troca se dá, não apenas em relações de troca material, como também em trocas simbólicas, forja o alicerce sobre o qual são construídos os argumentos institucionais.
De acordo com as pesquisas sobre a teoria neoinstitucional, uma vez que tenha início o ciclo de vida de um determinado campo organizacional, as práticas executadas nas organizações, que vão se formando em seu entorno, tendem a ser
intensamente diversas, o que impede sua estruturação. Isso acontece principalmente porque, nesta fase, o mapeamento de um campo não é algo facilmente perceptível, assim como sua dimensão é um limitante, posto que a quantidade de organizações e profissionais envolvidos neste campo é ainda reduzida. Além disso, a população que dele se beneficia ainda não lhe credita a força suficiente à sua institucionalização. No entanto, por meio de investigações empíricas e o consequente aprendizado resultante dessas investigações, além da necessidade de interação interorganizacional percebida no desenvolvimento do campo, esta estruturação, chamada pelos institucionalistas de institucionalização, acaba por se definir, o que tende a torná-las cada vez mais semelhantes, DiMaggio e Powell, assinalam que o institucionalismo organizacional se estabelece em um campo organizacional quando quatro elementos passam a fazer parte deste campo, como se pode observar a seguir:
Um aumento na amplitude da interação entre as organizações no campo, o surgimento de estruturas de dominação e padrões de coalizões interorganizacionais claramente definidos; um aumento na carga de informação com a qual as organizações dentro de um campo devem lidar; e o desenvolvimento de uma conscientização mútua entre os participantes de um grupo de organizações de que estão envolvidos em um negócio comum (2005, p. 76).
Conforme estão estabelecidos os campos organizacionais, a estruturação das organizações neles contidas tende a tornar-se cada vez mais similar, posto que as diferenças vão sendo eliminadas para atender diversos critérios estabelecidos por estas mesmas organizações, o que as torna institucionalizadas. Esta institucionalização, diretamente relacionada com o amadurecimento do campo dentro do qual as organizações estão estabelecidas, deve-se de forma concreta a fatores econômicos, como a competição pelo mercado consumidor; legais, quando o Estado estabelece as leis que regulam a sua atuação, e ainda normativos, quando as categorias profissionais, ou patronais, estabelecem, por meio de seus códigos de conduta, as normas de comportamento das organizações e dos profissionais que nelas atuam.
Pode-se depreender, a partir daí, que algumas organizações estão mais sujeitas à similaridade do que outras. As organizações que não contam, em seu campo de atuação, com empregados que desempenham profissões
regulamentadas, são menos suscetíveis de se tornarem semelhantes do que as que estão estabelecidas em campos com esta exigência. Mesmo assim, segundo os mesmos autores, isso não as isenta de similaridade, pois outros fatores geradores de institucionalização são observados em sua estruturação.
Esta característica da similaridade é tão forte que, muitas vezes, estratégias e práticas desnecessárias adotadas em determinadas organizações, reconhecidas como líderes em seu segmento, são absorvidas por outras empresas estabelecidas no mesmo campo organizacional. Nestes casos, é possível observar que as empresas seguidoras buscam muito mais a legitimidade junto ao mercado consumidor, ao governo ou aos órgãos de classe, do que a melhoria de desempenho. Esse comportamento reforça a tese de DiMaggio e Powell (2005, p. 79), de que “[...] as organizações tendem a tomar como modelo em seu campo outras organizações que elas percebem ser mais legítimas ou bem-sucedidas”.
Carvalho, Goulart e Vieira afirmam que uma questão subliminar emerge de algumas afirmações da teoria neoinstitucional, que vem a ser uma apologia à subalternidade organizacional, como observado a seguir:
[...] expressões como ‘adequação’, ‘padrões’, ‘assegurar’, ‘reduzir riscos’ e ‘conformidade’ [propõem] [...] o ajuste ao que está dado pelas forças que definem o ambiente [...] evidentemente o ambiente amplo, o ambiente global, ditado por uma complexa combinação de relações que tomam forma longe do ambiente próximo à organização; aquele que ela compreende e sobre o qual poderia influir (2005, p. 867).
Entretanto, apontando para uma orientação diferente desta levantada por Carvalho, Goulart e Vieira, March e Olsen apud DiMaggio e Powell (2001) afirmam que: “O que observamos no mundo é incongruente com a forma que as teorias contemporâneas nos pedem que falemos” explicando que, enquanto as teorias tradicionais apontam para os critérios da escolha racional, em que os mitos, a cerimônia e a cultura não têm espaço, a realidade aponta em uma direção diversa, demonstrando o neoinstitucionalismo, não como uma teoria que estabelece amarras às organizações, mas, sim, que busca mostrar que estas amarras já estão impostas, procurando centrar seu foco nas razões que levaram as organizações a estabelecer estas amarras a si próprias. A busca da teoria neoinstitucional consiste em atender a
demanda levantada no momento em que se observou, entre outros fatos, a homogeneidade existente, inicialmente entre organizações componentes de um mesmo campo organizacional e, numa análise mais abrangente, a homogeneidade existente entre as organizações formais, independente do campo no qual estejam inseridas. Trazendo para a discussão pontos não contemplados pelas teorias vigentes até aquele momento.
Neste debate, Carvalho, Goulart e Vieira (2005, p. 867) defendem a tese de que sua “[...] perspectiva e visão de mundo não abdicam da análise do mundo como ele é. Entretanto, fazê-lo simplesmente não é suficiente. Descrever a realidade ‘como ela é’ é descrevê-la de forma parcial.” Os autores afirmam que “[...] a perspectiva institucional tem dificuldades em desenvolver ferramentas conceituais que expliquem as razões para o surgimento de um novo cenário” (CARVALHO; GOULART; VIEIRA 2005, p. 868).
Contudo, os fatores culturais estabelecidos em determinados campos sociais e também organizacionais, e a junção de critérios subjetivos ao impositivo racional, anteriormente absoluto nas teorias organizacionais, assim como outros pressupostos contidos na teoria neoinstitucional, apesar dessa crítica, podem se apresentar como importante referencial no estudo de problemas concretos existentes dentro das organizações públicas e privadas. Sua contribuição pode fixar- se notadamente no que diz respeito ao entendimento das razões que tornam legítimas as estruturas e os processos organizacionais, e qual a influência que os mesmos exercem nos resultados destas organizações.