O conceito de turismo surgiu no século XVII e referia-se a um tipo de viagem especial. O turismo terá tido a sua origem na palavra tour, de origem francesa (Barretto, 2008, p. 43), ou do hebraico Tur que significa viagem de reconhecimento (Haulot, (sd), citado por Barretto, 2008, p. 43), e teve em Thomas Cooke o seu principal impulsionador no século XIX (Costa, 2009, p. 28).
Para Herman von Schullern zu Schattenhofen (1911, citado por Lopes, 2010, e Vieira, 2006), o turismo inclui todos os processos, nomeadamente os económicos e sociais, que se desenvolvem através do fluxo das chegadas, permanência e do regresso dos turistas, dentro e fora de um determinado espaço, contribuindo também para a alteração desse espaço por determinadas pessoas que afluem a um lugar onde não possuem a sua própria residência.
Como refere Cunha (2006), o turismo é um fenómeno social e justifica a existência de várias definições dependendo da forma como o fenómeno é abordado porque, se para uns o turismo propicia emprego, rendimento e alcance de bem-estar social, para outros, para quem viaja, é uma forma de libertação e sinónimo de diversão, de ócio e de realização e satisfação pessoal.
Segundo Ricco (2013) e na conceção de alguns autores (e.g., Costa, 2009; Osório, 2010), são vários os que referem que o turismo necessita de ser visto de acordo com a moderna teoria de Sistemas, pois é construído por um conjunto de partes e/ou subsistemas que se relacionam com o fim de possibilitar a sua concretização. Estes subsistemas são a superestrutura (organizações dos setores público e privado, regulamentos, gestão e planeamento), a procura (turistas que procuram toda a estrutura de serviços), as infraestruturas (e.g., aeroportos, portos de mar e fluviais, rodovias,
saneamento, comunicações), os atrativos (naturais e culturais/imateriais), os equipamentos e as instalações (hotéis, pousadas, casas de campo, restaurantes, comércios, agências de viagens, entre outros) e a comunidade receptora (residentes).
Como realçado por Cunha (2006), é importante abordar o conceito de turismo não só do lado da procura como também da oferta. Para o autor e sob o ponto de vista da oferta, o turismo pode ser encarado como um vasto conjunto de lugares, de profissões e empresas, de organizações e de relações que se concertam para satisfazer as necessidades decorrentes das viagens transitórias (Santos, 2011).
Oscar de La Torre Padilha (1994, citado por Ricco, 2013), define o turismo como sendo um fenómeno social que consiste na deslocação voluntária e temporária de grupos de pessoas ou de indivíduos que, basicamente, por motivo de descanso, cultura, recreação, ou saúde, se deslocam do seu domicílio habitual para outro lugar, no qual não irão exercer qualquer atividade remunerada ou lucrativa, e que vão gerar variadas inter- relações de importância cultural, social e económica.
O turismo é uma atividade dinâmica e devido à sua ligação com o objeto de estudo da geografia, ou da proximidade da relação “sociedade – natureza”, interfere na construção do espaço geográfico e, para além de estar intrinsecamente conetado ao espaço geográfico com elementos conceituais, como a paisagem e o lugar, sendo estes elementos utilisados como produtos ou atrativos para a realização da atividade turística e de desenvolvimento económico (Amorim, 2013).
Também é importante definirmos os conceitos de visitante, turista e excursionista. Pelo lado da procura, o visitante é a pessoa, que pode ser nacional ou não, que se desloca para fora do seu lugar habitual de residência com um objectivo que não seja o de realizar uma actividade remunerada. O turista, que pode ser também nacional ou internacional, sendo todo o visitante que permanece, pelo menos, uma noite no local visitado. Quanto ao conceito de excursionista, é todo o visitante que não pernoita no local visitado.
Podemos afirmar que o turismo, desde o seu início, se tem mostrado muito dinâmico e em continuada evolução. Cunha (2006), recordando o início das grandes migrações, viagens e realizações com influência direta no turismo, aponta para esse dinamismo desde o tempo em que o primeiro homo sapiens aparece na África, Europa e Ásia, e o “moderno” homo sapiens que se expande pela Austrália, vindo do sul da Ásia, entre os 50 000 e os 30 000 mil anos a.C..
A evolução do turismo na Idade Clássica está profundamente ligada às deslocações e ao desejo de conhecer outros lugares, outras tradições, outros povos e estabelecer relações com outras civilizações, o que sempre foi frequente na história da Humanidade, e por razões de expansão territorial, curiosidade, políticas, comerciais, culturais, científicas e religiosas.
Chegados à idade Moderna e para Costa (2009, p. 24), os grand tours, já firmemente estruturados no século XVII, atingiram o seu auge em meados do século XVIII, caraterizando-se como deslocações de longa duração (de três anos, em média) para formação, principalmente de jovens pertencentes à elite britânica, tendo sido produzidas grandes mudanças, quer a nível tecnológico, quer a nível económico, social e cultural, e até político.
É nesta época que as viagens de recreio, como forma de aumentar os conhecimentos, procurar novos encontros e experiências, eram a motivação principal e tornaram-se mais populares entre as camadas sociais de maiores recursos económicos (Costa, 2009).
Ainda de acordo com Costa (2009), o país mais rico e mais poderoso desse período era a Inglaterra, mas, geograficamente, os ingleses estavam isolados e para se tornarem membros de uma sociedade dita educada acreditavam que era necessário ver,
in loco, o património construído (e.g., os palácios, as igrejas, as coleções de arte) das
grandes capitais da Europa continental como também era importante conhecer as ruínas da Roma clássica.
Porém, é no século XIX, que surge o maior movimento de pessoas e com ele, a maior evolução do turismo, época em que começam a surgir os primeiros conceitos de turismo como é o caso de A. J. Norwal (1936), Michele Troisi, Walter Hunziker e Kurt Krapf (1942), Luis Fernández Fúster (1973) e De la Torre (1992), entre outros, citados por Barretto, 2008.
Para Ansarah (2000) e Barretto (2007), a expansão do turismo ou o turismo de massas contemporâneo ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial, por volta do ano de 1950, e fazia parte da expetativa de muitos governos e de organizações internacionais que fosse um motor de intercâmbio cultural e de entendimento entre os povos.
Chegados à Idade Contemporânea, e segundo a OMT (2013), as preocupaçãoes dos seus responsáveis vão no sentido da existência de boas práticas através da “Ética e
Dimensões Sociais do Turismo”, fazendo um apelo aos países turísticos no sentido da implementação do Código Mundial de Ética do Turismo.
Este Código está repartido pelos dez princípios que contribuem para suprir as componentes económicas, sociais, culturais, ambientais, de viagens e turismo, e que consideram ser importantes e que funcionem como um roteiro para o desenvolvimento do turismo no mundo. Adotando-o, beneficiam os turistas, operadores turísticos, as comunidades recetoras e o ambiente em todo o mundo (Rifai, 2013).
De acordo com o secretário geral Taleb Rifai (2013), a OMT está confiante de que as pessoas e o próprio planeta poderão beneficiar significativamente com o contributo do turismo e que através da observação do Código Mundial de Ética do Turismo também haverá beneficícios para todos os stakeholders (partes interessadas) e para o ambiente.
Andrade (1992) refere que turismo é um conjunto complexo de serviços e de atividades relacionados com as deslocações, alojamentos, alimentação, transportes, circulação de produtos típicos, atividades relacionadas com os movimentos culturais, visitas, lazer e entretenimento e engloba um conjunto de serviços de receção e atendimento aos indivíduos e aos grupos fora das suas residências habituais.
Segundo a OMT (2001, p. 37), o turismo, em matéria de estudos universitários,
começou a interessar no período compreendido entre as duas grandes guerras mundiais (1919 – 1938) e, durante esse período, economistas europeus começaram a
publicar os primeiros trabalhos, destacando-se a chamada Escola de Berlim com autores como Glucksmann, Schwinck ou Bormann (1930), e hoje é uma atividade popular e massificada. Nas últimas décadas, o turismo cresceu principalmente sob uma orientação mais economicista.
Sendo o turismo uma atividade económica importante, como é, que gera muitos empregos e que tem o poder de transformar lugares, altera o quotidiano das comunidades onde ele se insere, e de certa forma, as suas tradições, costumes e modos de agir, e podemos dizer que o turismo se impõe como um fenómeno económico, social, cultural e comunicacional, que envolve tanto as relações concretas quanto imaginárias (Oliveira, 2010, p. 1).
De todas as definições apresentadas sobre turismo, cabe destacar a importância dos seguintes elementos que são comuns a todas elas, não obstante as particularidades próprias das mesmas:
- existe um movimento físico dos turistas que, por definição, são os que se deslocam para fora do seu lugar de residência;
- a estada no destino deve ser durante um determinado período e não permanente; - o turismo compreende tanto a viagem até ao destino como as atividades realizadas
durante a estada;
- qualquer que seja o motivo da viagem, o turismo inclui os serviços e produtos criados para satisfazer as necessidades dos turistas.
A Figura 1, segundo a OMT, representa a classificação dos viajantes e os vários motivos das suas viagens como turistas ou excursionistas.
Figura 1 - Classificação dos viajantes e motivos da viagem
Fonte: Adaptado da OMT (2007).