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Netto driftsresultat fordelt på grupper av kommuner

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7.3 Netto driftsresultat fordelt på grupper av kommuner

A arquitetura vernacular é a vivacidade fundamental da cultura de uma comunidade na sua relação com o meio natural, geradora de uma paisagem humanizada, onde território e patri- mónio formam uma simbiose. Esta contém a mesma ligação e carisma, mencionado anterior- mente no subcapítulo de Património e encerra a alma e harmonia na paisagem, referida no subcapítulo da Ruína. O termo vernacular tem mantido o seu significado ao longo dos tempos, derivando do latim vernaculus, que significa nativo, indígena ou doméstico.

Morris (1877)35, em The Manifesto of the Society for the Protection of Ancient Buildings, reflete

e questiona o que será património vernacular;

«If, for the rest, it be asked us to specify what kind of amount of art, style, or other interest in a building, makes it worth protecting, we answer, anything which can be looked on as ar- tistic, picturesque, historical, antique, or substantial: any work, in short, over which edu- cated, artistic people would think it worthwhile to argue at all» 36

Esta ligação com a arquitetura nota-se nos finais do Século XIX, onde o termo surge como refe- rência a um tipo de construção, através de arquitetos como Lutyens37, Voysey38 e Webb39. Se-

gundo Manser (1993)40, deve-se ao movimento Arts & Crafts, onde a importância da arquitetura

era totalmente atribuída aos costumes e aos impulsos humanos que levavam a uma forma tão especial de construir. Já Oliver (1997)41, procurando garantir uma maior proximidade possível

à definição real de arquitetura vernacular, estipula distinções essenciais que poderiam parecer à primeira vista sinónimos: ARQUITETURA PRIMITIVA - aparece muitas vezes, beneficiando os edifícios monumentais e formais de determinada cultura, acumulando ainda a pejorativa dis- tinção entre classes sociais; ABRIGO - remete para uma necessidade básica, mas não representa um tipo de construção generalizado; INDÍGENA - perde significado ao verificar que muitos dos edifícios assim classificados são construídos por imigrantes e colonos; ANÓNIMA - torna-se uma expressão arquitetónica menor, em prol de uma realidade onde a atenção é atribuída à obra do arquiteto; ARQUITETURA POPULAR - sinónimo de diferenciação social, enquanto rural e

35 MORRIS, William – The Manifesto of the Society for the Protection of Ancient Buildings (1877). [Consult. 1 Dez. 2015]. Disponível em: https://www.spab.org.uk/what-is-spab-/the-manifesto/

36 «Se, de o resto, nos perguntarem para especificar qual o tipo de valor da arte, estilo, ou outro interesse num edifício faz valer a pena proteger, nós respondemos, qualquer coisa que pode ser visto como artístico, pitoresco, histórico, antigo, ou substancial: qualquer trabalho, em suma, sobre os quais educados, os artistas podem pensar que vale a pena argumentar tudo.»

37 Edwin Lutyens (1869-1944) foi um arquiteto britânico conhecido por adaptar estilos arquitetónicos tradicionais com os requisitos da época, projetou muitas casas de campo inglesas.

38 Charles Voysey (1857-1941) foi um arquitetos britânico, designer de mobiliário e têxtil. Foi considerado um dos pioneiros da arquitetura moderna, crédito que ele rejeitou.

39 Philip Webb (1831-1915) foi um arquiteto britânico, pioneiro no movimento de renascimento nacional Inglês e é muitas vezes chamado o pai do movimento Arts & Crafts

40 MANSER, Michael - Is there a modern vernacular? In: Companion to Contemporary Architectural Thought. (1993) p.198 – 201

rústica são substantivos aplicados demasiadas vezes e de forma um pouco vulgarizada; TRADI-

CIONAL - mais próxima de vernacular, ainda assim, muitas vezes a expressão é associada a

edifícios monumentais.

Assim Paul Oliver (1997) 42, concorda claramente com Michel Manser, definindo a arquitetura

vernacular como sendo um dialeto regional ou local, uma linguagem comum na forma de cons- truir.

Pautada pela otimização dos poucos recursos disponíveis que as populações possuíam, esta ar- quitetura molda-se as circunstâncias do lugar, despertando um grande interesse por uma rela- ção estreita entre o edifício e os três pilares da sustentabilidade, Economia, Sociedade e Am- biente. Desta forma, o conhecimento inerente a arquitetura vernacular deverá implementar a base do progresso sustentável (PINTO, 1998)43 (RIBEIRO, 2008)44.

Em Portugal a primeira publicação de referência sobre o tema, data de 1961 intitulada Inquérito à Arquitetura Popular em Portugal, ao encargo do Sindicato dos Arquitetos Portugueses e im- pulsionado por uma ideia de Francisco Keil do Amaral. Também trabalho de Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano (1992)45, é um exemplo que abraça a variedade dos aspetos arqui-

tetónicos, históricos, culturais, sociológicos e etnográficos da arquitetura tradicional portu- guesa. Na verdade, este tema mesmo atualmente continua a suscitar interesse a nível interna- cional, surgindo relacionado com a construção sustentável e a uma maior consciência ambien- tal. (RIBEIRO, 2008)46

Por estes motivos as obras vernaculares devem ser cuidadas com “livros”, mantendo o seu conteúdo íntegro e desenvolvendo os ensinamentos já aplicados.

“Seria importante que o homem pudesse usufruir das riquezas do passado e do presente, que

tivesse tempo para voltar às origens através do seu património cultural, natural, político, social, económico, técnico e industrial. A ética da salváguarda preconiza justamente esta res- piração, e é por este motivo que, longe de se opor ao progresso, a salváguarda constitui atu- almente a condição sine qua non47 da retoma de um progresso autêntico.” (LACROIX, 1997)48

42 OLIVER, Paul - Encyclopedia of vernacular architecture of the world. (1997) p.xxi 43 PINTO, F. - O nosso passado terá de estar no nosso futuro. (1998) p.144-149

44 RIBEIRO, Vítor - Materiais, sistemas e técnicas de construção tradicional: Contributo para o estudo da arquitectura vernácula da região oriental da serra do Caldeirão. (2008)

45 OLIVEIRA, Ernesto Veiga; GALHANO, Fernando - Arquitectura Tradicional Portuguesa. (1992)

46 RIBEIRO, Vítor - Materiais, sistemas e técnicas de construção tradicional: Contributo para o estudo da arquitectura vernácula da região oriental da serra do Caldeirão. (2008)

47 Termo em latim que significa “sem a/o qual não”, refere-se a uma ação cuja condição ou ingrediente é indispensável e essencial.