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As questões acerca do entendimento do domínio da agropecuária brasileira têm sido estudadas pela Geografia, História, Sociologia e Economia, a partir de diferentes abordagens (GIRARDI, 2008). Esse domínio é bastante complexo devido, sobretudo, por sua agrodiversidade. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)9 aponta que o Brasil é composto por seis grandes biomas: a Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Pampa. O termo “bioma” designa um complexo conjunto de elementos que compõem a agrobiodiversidade, pois é um

conjunto de vida (vegetal e animal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria (IBGE, 2012, on-line).

Conforme informações disponíveis no site do Ministério do Meio Ambiente10 (MMA), a agrobiodiversidade é um termo que inclui todos os componentes da biodiversidade que têm relevância para a agricultura e alimentação, assim como todos os componentes da biodiversidade que constituem os agroecossistemas. Esses componentes englobam as variedades e a variabilidade11 de animais, de plantas e microrganismos, seja nos níveis

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As informações apresentadas de autoria do IBGE referem-se a dados disponibilizados pela instituição no ano de 2012, no site oficial do IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/>. Acesso em: 15 jul. 2013.

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BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. [Site com informações sobre a área agropecuária brasileira]. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/>. Acesso em: 20 jul. 2013. A maior parte das informações acerca da complexidade da agrodiversidade brasileira foi retirada desse site governamental.

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genético, de espécies ou de ecossistemas, os quais são necessários para sustentar as funções básicas dos agroecossistemas, suas estruturas e processos. Ou seja, a agrobiodiversidade é a parcela da biodiversidade utilizada pelo homem na agropecuária, ou em práticas correlatas, de forma domesticada12 ou semidomesticada.

A biodiversidade de flora e fauna brasileira é a maior do planeta, contando com grande variedade de animais, plantas, micro-organismos e ecossistemas, muitos deles únicos em todo o mundo. Toda essa riqueza deve-se, entre outros fatores, à extensão territorial e aos climas diversificados nas distintas regiões do país. Por exemplo, o MMA possui relatórios e publicações sobre a biodiversidade brasileira, comprovando que o Brasil possui o maior número de espécies conhecidas de mamíferos e de peixes de água doce, o segundo de anfíbios, o terceiro de aves e o quarto de répteis. Ademais, o Brasil ocupa o primeiro lugar em biodiversidade vegetal, com mais de 50 mil espécies de árvores e arbustos. O MMA ressalta que, apesar de todos esses dados, o registro da biodiversidade pode representar apenas 10% da vida no país, uma vez que há regiões ainda pouco conhecidas e estudadas pelos cientistas da área.

Nota-se, assim, que o domínio da agropecuária brasileira é de alta complexidade, o que exige do agricultor e dos pesquisadores maior conhecimento sobre aspectos ecológicos, sociais, econômicos, culturais, políticos e éticos da área (GEMMA, 2008). Gemma (2008) afirma que isso envolve coletar informações sobre solos, climas, vegetação, animais e ecossistemas. A autora sugere que haja investimento em tecnologias organizacionais que possam facilitar o acesso a informações que auxiliem o agricultor e os pesquisadores nas tomadas de decisões. Gonçalves e Souza (2008) acrescentam que as transformações ocorridas na atividade agropecuária no Brasil, nas últimas cinco décadas, exercem profundos impactos sobre a reorganização do território brasileiro e, a autora desta tese acrescenta, sobre a organização de seu recurso informacional. Com isso, há uma exigência por mudanças nas estruturas rurais mais conservadoras, sobretudo relacionadas ao emprego de tecnologias para coleta, processamento, armazenamento e disseminação de informação (YAMAGUCHI, 2002). Dessa maneira, há a necessidade de integrar as distintas dimensões dos conhecimentos acerca do domínio da agropecuária, de forma a criar uma organização dinâmica para esses saberes, com intercâmbio de experiências, que possam se adequar às diferentes demandas de informação (GEMMA, 2008).

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A domesticação de animais ou plantas é um processo utilizado desde a pré-história e consiste na seleção e adaptação de certos seres vivos, considerados úteis para suprir necessidades humanas. Esse processo acarretou modificações em várias características originais dos seres vivos domesticados. Por um lado, ela é benéfica para o desenvolvimento da humanidade. Por outro lado, é prejudicial à natureza e à ecologia, pois provoca uma seleção artificial de alguns seres vivos, sendo um fator de redução da biodiversidade.

Nesse contexto, a EMBRAPA possui unidades que se empenham no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a disponibilização compartilhada de informações, tanto para os agricultores quanto para pesquisadores. Entre essas unidades, a EMBRAPA Informática Agropecuária (EIA), já citada, propôs o projeto INTAGRO, que visa à organização e representação dos processos de Intensificação Agropecuária.

2.2.1 O projeto INTAGRO13

O projeto “Intensificação Agropecuária em Polos de Produção de Soja e Cana- de-Açúcar: Territorialidade, Sustentabilidade e Competitividade” (INTAGRO), foi desenvolvido pela EIA, contando com a participação da EMBRAPA Monitoramento por Satélite (Campinas/SP), EMBRAPA Solos (Rio de Janeiro/RJ), EMBRAPA Soja (Londrina/PR), EMBRAPA Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás/GO), EMBRAPA Amazônia Oriental (Belém/PA) e EMBRAPA Rondônia (Porto Velho/RO). O principal objetivo do projeto foi mapear a realidade das atividades de Intensificação Agropecuária em regiões brasileiras, e buscar identificar se o crescimento da produção de grãos está associado à expansão da área agricultável ou à adoção de processos produtivos mais intensivos.

Essa questão norteou o projeto INTAGRO durante o período de 2008 a 2011, em uma investigação sobre a produção de duas das mais expressivas commodities agrícolas brasileiras: a soja e a cana-de-açúcar. A produção desses dois alimentos envolve oferta de alimentos e bioenergia, abarcando vários elementos que integram os processos de Intensificação Agropecuária, tais como a dinâmica de uso da terra e a utilização de tecnologias na produção de alimentos, que está associado a expressivos índices de produtividade. O mapeamento das características desses elementos, que envolvem a produção de soja e cana-de-açúcar, permitiu perceber os aspectos agroambientais e socioeconômicos que englobam o processo de Intensificação Agropecuária. Os resultados dessa investigação geraram conhecimentos que devem ser apropriados e disseminados nos núcleos de pesquisa da EMBRAPA. Para isso, vêm sendo desenvolvidas iniciativas relacionadas à criação de uma terminologia e de SOCs que possam representar a área de especialidade da Intensificação Agropecuária.

O conhecimento sobre a área temática Intensificação Agropecuária, derivados das investigações realizadas no âmbito do projeto INTAGRO, tem como fundamento as bases teóricas desenvolvidas por Boserup, em 1965. Essa área temática foi selecionada como recorte desta pesquisa, cujas características estão descritas no Subcapítulo 2.3, a seguir.

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As informações deste Subcapítulo foram obtidas no site da Embrapa e em Boletins de Pesquisa disponibilizados por Ivo Pierozzi Jr.

2.3 RECORTE TEMÁTICO DA PESQUISA: INTENSIFICAÇÃO