CHAPTER I: INTRODUCTION………………………………………………………….1-11
1.3 Nepal- A country of Diversity
As características da profissão militar, apresentadas no item 4.1, revelam peculiaridades da profissão que a torna diferente de muitas outras, justificando a identificação dos fatores de motivação desses profissionais, para que se obtenha uma eficiente gestão estratégica de pessoas.
A profissão militar possui alguns valores peculiares que influenciam, de forma consciente ou inconsciente, o comportamento e, em particular, a conduta pessoal de cada integrante do Exército Brasileiro.
A carreira militar não é uma atividade inespecífica e descartável, um simples emprego, uma ocupação, mas um ofício absorvente e exclusivista, que condiciona e autolimita os militares até o fim. Ela não exige deles as horas de trabalho da lei, mas todas as horas da vida, impondo-lhes também seus destinos. A farda não é uma veste, que se despe com facilidade e até com indiferença, mas uma outra pele, que adere à própria alma, irreversivelmente para sempre. Brasil (2002, p. 3)
As Instituições Militares possuem referenciais fixos, fundamentos imutáveis e universais: são os valores militares. As manifestações essenciais dos valores militares são: patriotismo, civismo, fé na missão do Exército, amor à profissão, espírito de corpo, aprimoramento técnico-profissional (Brasil, 2002).
Os militares executam atividades peculiares a uma profissão que visa a administrar o caos (a guerra), executam exercícios de tiro com diversas armas e montam acampamento em área rural. São nomeados para o exercício do comando, usam fardamento, utilizam instalações militares e equipamentos adequados à profissão, são designados para missões no exterior e experimentam a sensação de status e realização profissional à medida que vão sendo promovidos (por merecimento ou por antiguidade). As Forças Armadas recebem a confiança do Estado Brasileiro para exercerem a força quando necessário, a fim de garantir a segurança nacional.
Com base nas teorias de conteúdo (das necessidades) pode-se inferir algumas necessidades das pessoas em organizações públicas fortemente hierarquizadas. Normalmente, nas organizações públicas as pessoas recebem uma remuneração suficiente para satisfazer as necessidades fisiológicas e de segurança. Assim sendo, as necessidades que crescem de importância no meio militar passam a ser as sociais, de estima e de autorrealização, isto é, as
de ordem mais psicológicas do que fisiológicas. Essas necessidades psicológicas são de ordem superior e possuem maior potencial motivador.
Durante a vida militar, o profissional pode receber dispensas, elogios ou punições dos superiores hierárquicos (líderes), recebe remuneração adequada, relaciona-se com inúmeros companheiros e amigos, pode ser agraciado com medalhas e condecorações, realiza cursos e estágios profissionalizantes (os quais possibilitam a utilização de brevês nos uniformes) e ainda, pode conquistar a estabilidade no emprego.
A satisfação da família do militar também é alcançada, por meio de uma assistência de saúde adequada; do atendimento do interesse do militar por ocasião das movimentações, sempre que possível e, a distribuição de próprio nacional residencial, também sempre que é possível.
A motivação normalmente é estudada em relação ao indivíduo e não a grupos, no entanto, em se tratando dos militares, a motivação de grupos sociais faz-se necessária, pois os militares vivem em grupo e, a maioria das missões que cumprem é em grupo.
Segundo Tamayo e Paschoal (2003), a motivação pode receber uma abordagem multinível, isto é, pode ser definida e analisada no nível do indivíduo, das equipes, dos grupos ou setores organizacionais e da organização como um todo, compreendendo assim os níveis micro, meso e macro. Cada vez mais nas organizações, executam-se muitas tarefas em equipe. A distribuição das tarefas em equipes muda a unidade de responsabilidade pela execução do trabalho do indivíduo para a equipe, introduzindo uma série de processos que não existem no nível individual, tais como cooperação, coordenação e conflito, mas que são altamente relevantes para o desempenho da equipe. Atualmente, mais do que nunca, a efetividade organizacional depende de pessoas que trabalham em equipe.
Teorias dominantes sobre motivação no trabalho, como a teoria da expectativa e a teoria da definição de metas, normalmente assumem que o nível de motivação da equipe afeta o nível de motivação individual indiretamente (CHEN E KANFER, 2006).
Desde os bancos escolares, nas escolas de formação, que os militares são educados para viverem e trabalharem em grupo e sob o comando de um chefe militar. Essa característica da profissão está associada ao espírito de corpo, que é cultuada com um dos valores militares.
O militar está sempre enquadrado em uma fração (uma equipe), seja uma Esquadra (4 pessoas), um Grupo de Combate (cerca de 9 pessoas), um Pelotão (cerca de 36 pessoas), uma Companhia (cerca de 150 pessoas), uma Unidade (cerca de 900 pessoas), uma Brigada (cerca
de 5000 pessoas), uma Divisão de Exército (cerca de 20000 pessoas) e um Exército de Campanha (cerca de 50000 pessoas).
O trabalho (missão) a ser realizado normalmente é atribuído a um grupo de militares e o líder exerce papel fundamental para o êxito da missão do grupo. A missão é de todos e não somente do líder. O líder rapidamente divide as funções de modo que todos possam contribuir para o êxito da missão. Após o cumprimento da missão, o reconhecimento é normalmente para o grupo e não para a pessoa do líder.
No trabalho em grupo, os membros são mutuamente dependentes e interagem para atingir as metas comuns num período determinado de tempo. O trabalho em grupo é bom para os membros e para a organização, pois melhora a criatividade, melhora a tomada de decisões, aumenta o comprometimento com as decisões, ajuda a diminuir o efeito de grandes organizações e, os membros se autocontrolam.
A estrutura de um grupo militar está apoiada nos pilares hierarquia e disciplina. Essa estrutura possui uma cadeia de comando claramente definida e altamente formalizada, que determina detalhadamente a maneira de agir de seus integrantes em qualquer situação possível, além de um escalonamento de responsabilidades na tomada de decisões.
O termo família militar é muito usado para englobar um grupo ainda maior, o dos profissionais militares e a suas famílias, pois essa possui características específicas como mobilidade geográfica a critério da instituição, o que provoca várias dificuldades para a esposa que trabalha e os filhos que estudam.
Os valores militares constituem um atributo da profissão que muito contribui para que os militares se sintam valorizados. Os valores militares distinguem os militares dos demais profissionais, torna-os diferentes, e isso é notável às pessoas que não são militares. Os valores militares estão associados à disciplina, à hierarquia, o respeito à instituição, à honra militar, à ética e pundonor militares, que os militares tanto prezam. Estes valores militares fazem parte das necessidades superiores da Hierarquia das Necessidades e são, portanto, de ordem psicológica e muito motivadoras.
Como visto anteriormente, a significância do trabalho para a pessoa é uma maneira de enriquecer o trabalho, tornando-o intrinsecamente interessante e motivador. A profissão militar, como já visto, possui características peculiares que a torna difícil e até sacrificante. Sem falar nos cursos das escolas de formação, em especial dos oficiais de carreira, que estudam na Academia Militar das Agulhas Negras e passam por uma seleção rigorosa para entrar no curso e, principalmente, durante os cinco anos de formação. Diante disso, pode-se inferir que, a princípio, o oficial do EB gosta da atividade militar, sente-se recompensado pela
própria atividade militar, sente-se orgulhoso de usar a farda, de prestar continência aos superiores hierárquicos e recebê-la dos subordinados. Portanto, a atividade militar passa a ser um fator de motivação intrínseca, ou seja, para muitos militares a própria profissão torna-se uma recompensa.
Um aspecto importante para a motivação intrínseca dos militares é a seleção das pessoas que ingressam na carreira militar. A inclusão de pessoas vocacionadas para a profissão facilita a motivação intrínseca delas, pois a atividade militar já significa para essas pessoas uma valiosa recompensa. Esse fato adverte que se deve valorizar ainda mais o processo de seleção dos futuros profissionais militares.
O fato de as missões do EB estarem previstas na Constituição Federal do Brasil e em Leis Complementares, ressaltam a sua importância e injeta valorização em quem as cumpre. Assim, os militares se sentem valorizados por serem capacitados para exercer tão significante e gratificante trabalho, que não pode ser executado por qualquer um, mas apenas por pessoas autorizadas pelo Estado. Isso tudo proporciona distinção e valor ao militar, motivando-o intrinsecamente.
Maslow (2000),inicia suas observações sobre motivação, dizendo que indivíduos altamente evoluídos assimilam o seu trabalho como identidade, ou seja, o trabalho se torna parte inerente da definição que eles fazem de si próprios.
O status proporcionado pelo uso da farda do EB, uma instituição que, em pesquisa de opinião junto à sociedade vem conquistando, há vários anos, as primeiras colocações como instituição de maior confiança do povo brasileiro, causa valorização e motivação, associando o Exército e os seus integrantes a uma imagem de significância e crescimento, que proporcionam valorização ao militar.
Os elogios dos superiores hierárquicos são ferramentas muito usadas no meio militar e proporcionam a sensação de crescimento e valorização. A influência da liderança do chefe é fundamental, pois normalmente as missões militares são cumpridas em grupo. A remuneração adequada dá ao militar a sensação de justiça, quando compara a remuneração que recebe com a de outros profissionais semelhantes. O relacionamento com os companheiros é motivador, pois dá a sensação de pertencimento. A estabilidade no emprego tranquiliza o militar quanto à satisfação das necessidades fisiológicas e de segurança, abrindo oportunidades para as motivações de ordem superiores, ligadas às necessidades sociais, de estima e autorrealização. As punições, apesar de possuírem um aspecto negativo, quando aplicados com justiça motivam os militares, principalmente os que não foram punidos, uma vez que não cometeram infrações disciplinares. As dispensas do serviço, as medalhas recebidas e os brevês de cursos
e estágios provocam grande sensação de crescimento e valorização. As movimentações atendidas, a existência de instalações militares adequadas, equipamentos e materiais necessários ao bom exercício da profissão, além de assistência de saúde adequada e próprio nacional residencial, proporcionam grande satisfação ao militar e à sua família, aumentando a sua motivação.
5 METODOLOGIA
Este capítulo aborda a metodologia que foi adotada nesta pesquisa, caracteriza o tipo de pesquisa e o modo como foi realizada a coleta e a análise dos dados, a seleção dos sujeitos da pesquisa e as limitações do método.