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AND KNOWLEDGE FROM MOKOLODI TO OTHER AREAS IN BOTSWANA AND TO NEIGHBOURING COUNTRIES

2) Neighbours in the Global Village

A partir de março, concomitantemente à realização das entrevistas com as professoras, a pesquisadora passou a observar determinados momentos da rotina diária envolvendo crianças do Berçário I e professoras dos períodos da manhã e da tarde, com o intuito de levantar dados a respeito da organização do espaço da sala de referência, das relações entre as crianças e destas com as professoras e das mediações realizadas pelas professoras. Esses momentos foram definidos basicamente como: a) entrada e acolhimento; b) café da manhã; c) cuidados pessoais; d) explorações e brincadeiras na sala de referência; e) almoço; f) sono; g) jantar e h) saída.

A idéia primeira consistia em realizar essa coleta de dados através das ferramentas de notas de campo e de gravação em vídeo, mas no decorrer do processo essa última foi se revelando a ferramenta mais adequada e fidedigna ao registro das diversas cenas que compuseram o contexto do Berçário I. Isso se deve ao fato, principalmente, de que os bebês, de um modo geral, movimentam-se a todo instante pelo espaço, o que dificulta o registro

desses movimentos, bem como das diversas atividades, comportamentos, emoções, interações e trocas que se sucedem de modo veloz e que passam a constituir os tempos no berçário.

Assim, a prática videográfica configurou-se desde o início não só como excelente instrumento de registro, considerando as características específicas dos comportamentos das crianças pequenas, como também excelente instrumento desencadeador de constatações, análises e reflexões referentes às práticas das professoras.

O pesquisador da UNICAMP Carlos Reyna (2009), em um artigo publicado sobre vídeo e pesquisa antropológica, salienta que o filme constitui-se numa prática ideal tanto no registro quanto na análise visual e/ou estudo do comportamento, da comunicação humana, e dos processos culturais. Segundo Reyna (2009), o valor especial do vídeo consiste na captação de sutilezas do comportamento, ou na capacidade de registrar as nuances da emoção e da comunicação, o que a fotografia, a memória e as notas de campo não têm condição de prover.

Inicialmente as vídeo-gravações, realizadas com a utilização de uma câmera fotográfica, provocavam certa estranheza tanto às professoras, como às crianças. Era comum os pequenos virem de encontro à câmera, querendo pegá-la. As professoras, no início, mantinham-se menos à vontade diante dela, dando a impressão de estarem representando um papel teatral definido. O acordo ético estabelecido logo no começo da pesquisa foi importante para que elas sentissem segurança com relação à destinação e utilização dos vídeos. À medida que as professoras passaram a ter um retorno das gravações que ocorriam semanalmente em suas salas de referência, houve um aumento do interesse pelas filmagens e uma ampliação do sentido com relação aos propósitos desse recurso metodológico.

Em função da diferença de concepções e postura por parte das professoras do período da manhã e da tarde, as observações realizadas e registradas, dos diversos momentos da rotina, também evidenciavam algumas diferenças. No período da manhã, observava-se que havia uma preocupação maior com a distribuição dos brinquedos das caixas plásticas por todo o espaço da sala, para que as crianças os explorassem livremente. As duas professoras demonstravam já ter um conhecimento prévio acerca da importância de organizar os brinquedos em cantos, proporcionando opções de escolha às crianças. No entanto, o que ocorria é que distribuíam uma grande quantidade de brinquedos pelo espaço da sala, não tendo a intencionalidade de adotar determinado critério. Também era comum manterem-se mais afastadas enquanto as crianças realizavam suas explorações. Além disso, observava-se um maior desprendimento da parte delas para saírem da sala com as crianças a fim de

explorar outros espaços, inclusive as áreas externas. Contudo, o cuidado manifestado por relações afetivas com as crianças era mais reduzido por parte dessas professoras.

No período da tarde, as professoras realizavam um controle maior na oferta dos brinquedos. Não disponibilizavam grande quantidade de brinquedos na sala para que as crianças os explorassem como quisessem. Em contrapartida, verificava-se a concentração de maiores esforços nas adaptações das novas crianças, nas interações com elas, na proximidade física, no “olho no olho”, no cuidado mais afetuoso e no fortalecimento dos vínculos.

Além das observações semanais, a pesquisadora desenvolvia conversas individuais com as duplas de professoras da manhã e da tarde e estas conversas seguiam um encaminhamento diferenciado. Com as professoras da manhã, o foco estava sobre a melhor forma de organizar o espaço da sala para as crianças e sobre o modo de participação das professoras. Falava-se muito sobre a importância da observação, do olhar atento às crianças, do contato, do envolvimento, de se estar disponível e aberta para elas. Com as professoras da tarde, o foco recaía essencialmente sobre a importância de organizar o espaço com mais brinquedos e materiais, proporcionando maior autonomia para as crianças explorarem. Assim, as conversas giravam sobre quais seriam os brinquedos e materiais interessantes a compor a sala.

O que chamou a atenção foi que as professoras de ambos os períodos deram várias idéias de criação de brinquedos com materiais diversos e sucatas a serem produzidos por elas para as crianças, tais como móbiles de CDs com fotos, cubos grandes com figuras etc. Entretanto, ao longo de todo o ano, as professoras nunca produziram esses brinquedos.