4 RESULTATER FRA SPØRREUNDERSØKELSEN
4.3 Negative påstander for å velge bort sykkel
Tão grande foi a influência das propostas de Rui Barbosa nos debates educacionais entre os intelectuais no início da República que, em 1916, Fernando de Azevedo publica um livro (AZEVEDO, 1960) para tratar exclusivamente da Educação Física, em grande medida, baseado nas proposições presentes no Parecer nº 224/1882. Não só o pioneirismo de Barbosa em defesa da Educação Física é mencionado, como sua contribuição na tentativa de superar a dicotomia ensino intelectual/educação física, na defesa desenvolvimento harmônico60 dos indivíduos
(CASTELLANI FILHO, 2008).
59Barbosa (apud SOARES, 1994, p. 92-93) estabelece critérios para que a Educação Física se tornasse parte
- Instituição de uma secção especial de ginástica em cada escola normal; 2º - Extensão obrigatória a ambos os sexos na formação do professorado e nas escolas primárias de todos os graus, tendo em vista, em relação à mulher, a harmonia das formas feminis e as exigências da maternidade futura; 3º - Inserção da ginástica nos programas escolares como matéria de estudo, em horas distintas das do recreio, e depois das aulas; 4º - Equiparação, em categoria e autoridade, dos professores de ginástica aos de todas as outras
60 reforçar a visão dualista de Homem,
Segundo Piletti (1994), o interesse de Fernando de Azevedo pela Educação Física ficou expresso não apenas pelos quinze anos de estudos teóricos sobre o tema, mas também nas iniciativas administrativas e reformas educacionais que, em virtude de sua participação decisiva, reservaram, para a disciplina, espaço privilegiado nos programas escolares. Apesar de não ter exercido o magistério na área, a tese A poesia do corpo, que apresentou no concurso para assumir a cadeira de Educação Física no Ginásio do Estado, em Belo Horizonte, resultou no referido livro, Da Educação Física. Nas mais de trezentas páginas, o estudo apoiou-se em
francesas (65) e alemãs (12), distribuindo-se as restantes entre o italiano, o inglês, o latim e o espanhol, fato que atesta a grande influência das ideias e dos métodos franceses sobre a
Na referida obra de Fernando de Azevedo, nota-se que os argumentos higienistas e eugenistas legitimam a Educação Física em dois aspectos: primeiro, como uma política pública de governo voltada para corrigir os vícios e sanar as doenças da população degenerada pelos ranços de uma indesejada miscigenação; e segundo, como uma disciplina escolar capaz de, em sintonia com os novos princípios educacionais, ser coadjuvante na formação dos futuros cidadãos da República.
Sobre o primeiro aspecto, o excerto a seguir é esclarecedor.
[...] [Sendo a eugenia] não só a intervenção da profilaxia contra o meio biológico representado pela matéria viva, patogênica, na luta constante contra as moléstias [...] nem somente a engenharia sanitária, melhorando o meio físico, dessecando o solo paludoso, onde incubam os miasmas, que infeccionam os povos, impedindo a fixação e o aperfeiçoamento do tipo étnico pela ação higiênica, educativa e social: nem apenas a defesa contra a perpetuação tenebrosa de taras hereditárias, na adoção de medidas tendentes a proteger a procriação contra a degenerescência e pela privação, aos reprodutores doentes, dos meios de serem prejudiciais à raça: A Eugenia [...] é também a aplicação de uma educação enérgica para a conquista da plenitude das forças físicas e morais, tirando-nos deste plano inclinado de depauperamento e decadência, onde, pouco a pouco, escorregamos para as deformações e toda espécie de doenças [...] (AZEVEDO, 1960 apud CASTELLANI FILHO, 2008, p. 55-56)
Partilhando das crenças eugênicas daquele período, Fernando de Azevedo via na atividade física, fundamentada cientificamente, um meio para o desenvolvimento da sociedade brasileira que passaria, no início do século XX, pelo imperativo da regeneração da população. Desenvolver o povo brasileiro significava produzir homens com vigor e força física para defesa e construção da Pátria e, especialmente, a criação de mulheres fortes e saudáveis que, consequentemente, teriam filhos também sadios. Desta forma, o auto
semelhante à de Rui
prole forte e saudável não se pode esperar senão de pais saudáveis e robustos, cujos filhos sejam assistidos desde a fase pré-natal, até a última etapa do crescimento humano [...] a Educação Física, pois, na sua mais ampla concepção, deve começar desde a família pela educação dos
apud SCHNEIDER; FERREIRA NETO, 2001, p. 147).
No segundo aspecto, aquele que trata da Educação Física escolar, Fernando de Azevedo demonstra suas preocupações de caráter claramente mais pedagógico ao expressar, por exemplo, que a Educação Física
[...] é essencialmente educação, e, como parte desta, liga a uma teoria geral da fundamentos psicológicos e sociais, tem de desenvolver-se em relação orgânica com a educação como um todo e, portanto, com as outras matérias e seções nele representadas (AZEVEDO, 1960 apud SCHNEIDER; FERREIRA NETO, 2001, p. 145).
O autor supostamente observava que a Educação Física praticada nas escolas, mesmo antes do advento da República, possuía o fim em si mesma, relacionando-
(AZEVEDO, 1960 apud SCHNEIDER; FERREIRA NETO, 2001, p. 145), pois faltavam, naquele momento, não apenas uma filosofia e uma política de educação, que traduzissem os ideias de vida e estabelecessem os princípios e as bases para a reconstrução educacional, como também a consciência dessa íntima correlação entre as atividades físicas e as atividades morais e mentais (AZEVEDO, 1960 apud SCHNEIDER; FERREIRA NETO, 2001).
Os dois aspectos estavam
elaborado por Fernando Azevedo em Da Educação Física e dividido em dois movimentos. No primeiro, as dores e o sofrimento do exercício físico seriam minimizados por uma série de procedimentos pedagógicos que visavam torná-lo uma prática mais prazerosa. Desta maneira,
despertariam o gosto pelo exercício e o hábito do esforço físico, sem pressupor nenhum sofrimento que não fosse prazerosamente desenvolvido (PAGNI, 1997, p. 75). Na sequência, e
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partes do corpo, alterando as isoladas com as outras simultaneamente, desenvolvendo os músculos e as funções orgânicas como um todo. Destarte, as crianças aprenderiam a perceber seus limites fisiológicos e psíquicos, adquirindo uma maior consciência do próprio corpo, além do domínio sobre a vontade e desejos, importantes tanto para sua formação geral, quanto para a sua preparação para o esporte (Cf. PAGNI, 1997).
[...] com o objetivo de que elas [as crianças] se habituassem e desenvolvessem o gosto pelo esforço físico despendido nos jogos, preparando-se e, gradativamente, adaptando-se a um esforço mais intenso, com movimentos mais complexos e mais completos, a ser despendido com a introdução da ginástica. Por esse processo, os indivíduos não perceberiam tanto assim os sacrifícios exigidos pelo exercício físico, ao contrário, adaptando-se ao esforço físico, desenvolveriam o gosto pelo trabalho físico, tornando a sua prática prazerosa. Dessa forma, no momento em que a ginástica é introduzida nesse programa, o corpo do indivíduo já estaria preparado para executá- la, sua mente estaria adaptada a sua execução motora e pronta para receber as informações sobre seus benefícios, motivando ainda mais sua prática a fim de fosse transformada num hábito, algo a ser desenvolvido durante essa etapa de sua vida e incorporada entre as atividades a serem desenvolvidas em sua vida adulta. (PAGNI, 1997, p. 75-76)
Dessa forma, simultaneamente, no segundo movimento, uma prática de esporte pretendia disciplinar a espontaneidade e o entusiasmo que pressupõem esta atividade, através do controle racional dos movimentos e emoções internalizados pelos indivíduos durante o treinamento físico que antecedeu tal prática.
O esporte deveria ser introduzido nesse programa [...] numa parte da aula como um complemento da ginástica. A prescrição do esporte exigiria não apenas uma melhor preparação física e psíquica para aprender os movimentos e as regras necessárias para a sua prática, como também uma maior consciência dos seus próprios limites físicos pelos indivíduos a fim de que não os ultrapassassem, evitando assim a fadiga física e mental. (PAGNI, 1997, p. 77)
Segundo Pagni (1997), a precedência de jogos e da ginástica à prática do esporte ocorre em virtude da atividade esportiva estimular, nos indivíduos, o agonismo, o entusiasmo e o extravasamento das emoções, expondo ao risco dos praticantes extrapolarem, por essas motivações, na liberação excessiva de seus instintos e paixões, promovendo o efeito contrário
condicionando estas a sua capacidade física e intelectual, levaria a uma perda desse controle
consciente e a possibilida .
Esse é o segundo movimento observado nas formulações de Fernando Azevedo sobre a educação física e o esporte. Com a proposta dessa preparação racional dos indivíduos para a prática do esporte, ele pretendia prepará-los para serem capazes de conter a liberação excessiva de seus instintos e de suas paixões, bem como torná-los capazes de expressar uma liberação controlada destes, adequada aos padrões considerados civilizados de comportamento. (PAGNI, 1997, p. 78)
Inferimos que as reflexões de Fernando Azevedo na obra Da Educação Física sinalizam a influência do ideário escolanovista. Décadas antes de se tornar um eminente reformador de políticas educacionais e defensor da implementação da Escola Nova no Brasil, suas críticas à Educação Física que se fazia presente no interior da escola, como fora dela, no início do século XX, podem ser tomadas como críticas à Pedagogia Tradicional. Apesar disso, numa época em que predominava o entusiasmo pela educação (NAGLE, 1974), Azevedo não avança muito
além da aproximação com uma sistematização sensivelmente mais pedagógica, como aquela que caracteriza a Ginástica Sueca. Neste sentido, as contribuições do autor são um avanço ao trazerem a questão pedagógica da prática corporal centrada no aluno, a necessidade de formação dos professores e a atividade física sistematizada como parte constituinte do processo educativo; ainda que, a nosso ver, o programa de Fernando de Azevedo pode ser interpretado, na década de 1920, apenas como ideias educacionais62.
Com efeito, se nos apoiarmos na hipótese explicativa que supõe que a ausência de resultados práticos na realização de um sistema educacional brasileiro, no período da Primeira República, residiria no plano das condições materiais ou seja, pela insuficiência no
do ensino (SAVIANI, 2011) podemos supor que Educação Física também enfrentou dificuldades de expansão e desenvolvimento, em meio ao ensino primário fragmentado, que penava sob a responsabilidade das iniciativas dos estados da federação.
Porém, a despeito das dificuldades que se impunham e limitavam o desenvolvimento da Educação Física escolar no âmbito civil, as bases e condições que permitiram a consolidação hegemônica de uma concepção pedagógica que por sua vez também teve impacto no currículo surgiram na esteira do processo de modernização das forças militares no Brasil, que marca as últimas duas décadas da Primeira República.