• No results found

Negative konsekvenser

Os dados a seguir são sobre o desempenho cardiorrespiratório dos voluntários (n geral= 24; n 1º Período- 7h= 12; n 2º Período- 8h= 12). Estes dados foram obtidos através do teste de esforço. As análises foram feitas baseadas nos valores de VO2máx, os resultados previstos e os atingidos

(figura 17). A partir do percentual de VO2máx atingido, foram classificados em

Muito fraco, fraco, regular inferior, regular superior, bom e excelente.

No geral os estudantes obtiveram a seguinte distribuição: 4,17% foram muito fracos, 29,17% fracos, 37,50% regulares inferior, 25% regulares superior e 4,17% excelente (figura 18).

Ao comparar as turmas, a partir das análises que obtiveram diferenças estatisticamente significativas, observam-se (X2=78,29; p<0,001) (figura18):

· Que a turma do 1º período (7h) tem um percentual maior de alunos (8,33%) com desempenho muito fraco do que a turma do 2º período (0%);

· Que a turma do 2º período tem um percentual maior (33,33%) de alunos com o desempenho fraco do que a turma do 1º período (25%);

· Mais alunos do 1º período apresentaram um desempenho regular inferior (41,67%) do que os alunos do 2º período (33,33%);

· O percentual de aluno que apresentou desempenho regular superior é maior na turma do 2º período (33,33%) do que na turma do primeiro período (16,67%);

Na turma do 1º período o percentual da classificação do desempenho como excelente foi superior (8,33%) ao da turma do 2º período (0%).

Figura 18: Comparação da classificação do desempenho no teste de esforço entre as turmas 2009.2 (1º período-7h) e 2009.1 (2º período-8h) (*Qui-quadrado, p<0,05).

· A comparação das médias de VO2máx atingidos, dos percentuais

de VO2máx atingidos e a comparação do delta (Δ), que é a diferença entre o

VO2máx estimado e o VO2máx atingido, entre os grupos não resultou em

diferença estatisticamente significativa.

Também não houve diferença nas médias da FCmáx atingida, no valor máximo da escala de Borg nem no tempo médio de duração do teste (Tabela 14).

Apenas 6 voluntários atingiram o tempo mínimo exigido pelo protocolo de realização do teste de esforço para considerar um desempenho máximo, que é igual e/ou maior que 8min. Foram 2 voluntários do 1º período (7h) e 4 do 2º período (8h).

· Ao comparar as médias das mesmas variáveis entre os grupos, apenas com os dados dos voluntários que atingiram o tempo mínimo de teste observou-se que também não houve diferença estatisticamente significativa (Tabela 15).

Tabela 14 – Comparação do VO2máx atingido, do percentual de

VO2máx atingido, do delta (Δ), da FCmáx atingida, do valor máximo da escala

de Borg e do tempo de duração no teste de esforço entre 1º e 2º período.

Dados 1º Período (7h) 2º Período (8h) p

VO2máx atingido (ml/kg/min) 33,23±7,99 33,27±5,63 >0,839 %VO2máx atingido 66,85±11,15 69,06±8,93 >0,598 Delta (Δ)(ml/kg/min) 16,10±5,24 14,95±4,40 >0,565 FCmáx atingida(BPM) 192,42±5,98 196,17±8,65 >0,339 Escala de Borgmáx 10,83±1,58 10,83±2,04 >0,953 Tempo do teste 6min02seg±2min52seg 6min24seg±2min25seg >0,572

Tabela 14 – Comparação do VO2máx atingido, do percentual de

VO2máx atingido, do delta (Δ), da FCmáx atingida, do valor máximo da escala

de Borg e do tempo de duração no teste de esforço entre 1º e 2º período para dos voluntários que atingiram o tempo mínimo de teste.

Dados 1º Período (7h) 2º Período (8h) p

VO2máx atingido (ml/kg/min) 47,39±6,69 39,58±3,37 >0,105 %VO2máx atingido 85,99±12,13 78,90±6,94 >0,247 Delta (Δ)(ml/kg/min) 7,72±6,69 11,08±4,63 >0,247 FCmáx atingida(BPM) 194,50±7,78 201,25±7,97 >0,355 Escala de Borgmáx 11,00±1,41 12,50±1,91 >0,355 Tempo do teste 11min17seg±2min17seg 9min24seg±1min14seg >0,355

4.3 CORRELAÇÕES

Os resultados a seguir mostram as correlações entre as variáveis obtidas através da actimetria e: os escores dos questionários (IQSP, HO e ESE), os valores do IMC, RCQ, VO2máx atingido e o % VO2máx atingido. Os

valores descritos abaixo correspondem aos coeficientes de correlação e aqueles marcados com asterisco (*) representam as associações encontradas (Tabelas 16, 17, 18 e 19).

As análises com todos os voluntários (n=24) que participaram da 2ª etapa, resultou em associações negativas entre o RCQ e a eficiência do sono na semana (r=-0,44;p<0,029) e no fim de semana (r=-0,46;p<0,022); entre o tempo real de sono no fim de semana e o IQSP (r=-0,43;p<0,037); e a latência do sono no fim de semana e a ESE (r=-0,56;p<0,004).

A turma 2009.2 (7h; n=12) obteve associação positivas entre as variáveis nº de despertares noturno na semana e RCQ (r= 0,72; p<0,007) e nº de despertares noturno no fim de semana e RCQ (r= 0,62; p<0,031). Já a

turma 2009.1 (8h; n=12) apresentou correlações negativas entre o horário de dormir na semana e o escore do HO (rs= -0,60; p<0,05); entre a eficiência do

sono na semana e o escore do HO (r= -0,68; p<0,015); entre a hora de dormir no fim de semana e % VO2máx atingido (r= -0,58; p<0,048); entre o horário de

dormir no fim de semana e o escore do HO (r= -0,69; p<0,012); e entre a latência do sono do fim de semana e a ESE (r= -0,77; p<0,003).

As análises com todos os voluntários (n=6) que participaram da 2ª etapa, e alcançaram o tempo mínimo exigido no teste de esforço resultou em associações negativas entre a hora de dormir na semana e o VO2máx atingido

e (rs= -0,93; p<0,05) e o IQSP (rs= -0,99; p<0,05). Obteve também associações

positivas entre a hora de acordar no fim de semana com VO2máx atingido (rs=

Tabela 16 – Coeficientes de correlação entre as variáveis obtidas através da actimetria e os valores do % VO2máx atingido, IMC, RCQ, HO,

IQSP e ESE de todos os voluntários (*Pearson<0,05; **Spearman<0,05).

VO2máx atingido

% VO2máx

atingido IMC RCQ IQSP HO ESE Irregularidade 0,09 -0,03 -0,23 -0,24 0,00 0,10 -0,29

Semana

Hora de dormir -0,31 0,14 0,19 -0,03 -0,27 -0,18 -0,28 Hora de acordar -0,14 -0,02 0,05 0,05 0,31 -0,26 0,31 Tempo real de sono -0,06 -0,24 0,02 -0,14 0,12 -0,17 0,14 Eficiência do sono -034 -0,17 0,08 -0,44* 0,09 -0,28 0,24 Latência do sono -0,03 -0,05 -0,01 0,05 -0,02 0,20 -0,24 Nº de despertares noturnos 0,42** 0,36 0,22 0,42 0,24 0,42 -0,07 Fim de semana Hora de dormir -0,40** 0,10 0,19 -0,07 -0,20 -0,16 -0,26 Hora de acordar 0,06 -0,19 0,07 0,02 0,28 -0,12 0,25 Tempo real de sono 0,25 0,21 -0,18 -0,05 -0,43* -0,12 0,06 Eficiência do sono -0,37 -0,10 -0,17 -0,46* 0,05 -0,19 0,14 Latência do sono -0,05 0,03 0,36 0,07 -0,36 0,36 -0,56* Nº de despertares noturnos 0,47** 0,34 0,13 0,33 -0,09 0,17 -0,04

Tabela 17 – Coeficientes de correlação entre as variáveis obtidas através da actimetria e os valores do % VO2máx atingido, IMC, RCQ, HO,

IQSP e ESE da turma do 1º Período (7h) (*Pearson<0,05).

VO2máx

atingido

% VO2máx

atingido IMC RCQ IQSP HO ESE Irregularidade 0,28 0,18 0,28 0,17 0,15 0,22 -0,18

Semana

Hora de dormir 0,11 0,10 -0,17 0,48 0,16 -0,2 -0,28 Hora de acordar -0,20 0,51 0,42 0,17 0,31 -0,19 0,11 Tempo real de sono 0,28 -0,18 -0,41 -0,25 -0,22 0,19 -0,14 Tempo na cama 0,45 -0,34 -0,49 0,12 -0,19 -0,03 -0,29 Eficiência do sono 0,28 -0,02 -0,23 -0,57 -0,18 0,35 0,07 Latência do sono -0,05 -0,27 0,05 -0,17 0,07 0,27 -0,52 Nº de despertares noturnos 0,00 0,01 -0,05 0,72* 0,12 -0,35 -0,37 Fim de semana Hora de dormir -0,02 0,66* 0,03 0,42 0,13 -0,31 -0,05 Hora de acordar -0,55 0,19 0,43 -0,04 0,50 0,26 0,06 Tempo real de sono 0,46 0,18 -0,48 0,05 -0,48 -0,2 -0,05 Tempo na cama 0,34 0,37 -0,28 0,45 -0,34 -0,51 -0,12 Eficiência do sono 0,36 -0,01 -0,47 -0,45 -0,16 0,20 0,02 Latência do sono -0,21 -0,2 0,45 -0,39 -0,08 0,46 -0,14 Nº de despertares noturnos 0,46 0,17 0,13 0,62* -0,06 -0,44 -0,15

Tabela 18 – Coeficientes de correlação entre as variáveis obtidas através da actimetria e os valores do % VO2máx atingido, IMC, RCQ, HO,

IQSP e ESSE da turma do 2º Período (8h) (*Pearson<0,05; **Spearman<0,05).

VO2máx

atingido

% VO2máx

atingido IMC RCQ IQSP HO ESE Irregularidade -0,12 -0,20 -0,20 -0,42 -0,10 -0,14 -0,28

Semana

Hora de dormir 0,32 -0,25 0,26 -0,47 -0,26 -0,60** 0,25 Hora de acordar 0,23 -0,36 0,57 -0,24 0,14 -0,52 0,20 Tempo real de sono -0,33 -0,34 0,36 0,00 0,37 -0,48 0,42 Tempo na cama -0,32 -0,03 0,18 0,53 0,25 0,25 0,10 Eficiência do sono 0,01 -0,34 0,26 -0,33 0,25 -0,68* 0,38 Latência do sono 0,15 0,18 0,03 0,24 -0,13 0,24 -0,16 Nº de despertares noturnos -0,23 0,26 0,04 0,32 -0,05 0,32 -0,01 Fim de semana Hora de dormir 0,06 -0,58* 0,22 -0,44 0,24 -0,69* -0,05 Hora de acordar 0,08 -0,023 0,25 -0,41 -0,31 -0,43 -0,14 Tempo real de sono 0,13 0,34 0,12 -0,16 -0,55 0,01 0,05 Tempo na cama 0,17 0,21 0,09 0,22 -0,37 0,11 -0,19 Eficiência do sono 0,00 -0,23 0,09 -0,49 0,23 -0,57 0,29 Latência do sono 0,01 0,18 0,30 0,38 -0,44 0,31 -0,77* Nº de despertares noturnos -0,01 0,32 0,18 0,30 -0,43 0,25 0,10

Tabela 19 – Coeficientes de correlação entre as variáveis obtidas através da actimetria e os valores do VO2máx atingido, %VO2máx atingido,

IMC, RCQ, HO, IQSP e ESE de todos ao voluntários com o tempo de teste < 8min (**Spearman<0,05).

VO2máx

atingido

% VO2máx

atingido IMC RCQ IQSP HO ESE Irregularidade 0,41 -0,41 -0,37 -0,14 0,35 -0,31 -0,03

Semana

Hora de dormir -0,93** -0,35 -0,31 -0,20 -0,99** 0,66 -0,70 Hora de acordar 0,64 0,64 0,89 0,66 0,64** 0,21 0,99 Tempo real de sono 0,20 -0,03 -0,20 -0,14 0,03 -031 -0,15 Eficiência do sono 0,41 -0,70 -0,14 -0,37 -0,26 -020 -0,15 Latência do sono -0,23 -0,70 0,26 0,60 -0,12 0,09 -0,58 Nº de despertares noturnos -0,20 0,49 -0,09 0,09 0,32 -0,09 0,21 Fim de semana Hora de dormir -0,06 -0,41 -0,60 -0,60 -0,58 0,60 -0,03 Hora de acordar 0,81** 0,81** 0,43 0,09 0,81** -0,77 0,70 Tempo real de sono 0,93** 0,12 0,14 -0,31 0,06 -0,14 0,52 Eficiência do sono 0,41 -0,23 -0,14 -0,37 -0,26 -0,20 -0,15 Latência do sono -0,23 -0,64 0,37 0,49 -0,67 0,31 -0,70 Nº de despertares noturnos 0,41 0,99** 0,31 0,20 0,93 -0,66 0,70

5. DISCUSSÃO

Neste trabalho foi avaliado o efeito de diferentes esquemas de horário de aula no ciclo sono e vigília (CSV) e no condicionamento cardiorrespiratório de estudantes universitários do curso de medicina. O estudo foi realizado com duas turmas, uma turma iniciava as aulas às 7h (2009.2 -1 período) e a outra turma iniciava a aula às 8h (2009.1 – 2º período). A faixa etária dos voluntários entre 17 e 26 anos, a maior parte deles possuía idade igual ou abaixo de 19 anos (62,50%), que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) esta faixa de idade ainda faz parte do período da adolescência, é um período da vida, que começa aos 10 e vai até os 19 anos (Conti et al. 2005). Esta idade é caracterizada por modificações no sistema de temporização circadiana que levam a um atraso de fase no início do sono fazendo com que o adolescente durma e acorde mais tarde, além de a duração da fase de sono ser elevada (Dahl & Carskadon 1995, Carskadon 1992).

Como nos dias de semana as aulas iniciam pela manhã mais cedo, o estudante pode sofrer privação parcial de sono, que está relacionada a problemas como sonolência, cansaço, dificuldades cognitivas e comportamentos agressivos. Independente da faixa de idade, os estudantes universitários em geral apresentam os mesmo sintomas de privação parcial de sono dos estudantes adolescentes, pois além dos horários de aula, a demanda acadêmica também é um fator que contribui para este quadro. Dentre os problemas relacionados a padrões de CSV as alterações fisiológicas são presentes em indivíduos nessa condição (Gaspar, Moreno & Menna-Barreto 1998).

A função cardiorrespiratória apresenta alterações em indivíduos que apresentam distúrbios do sono, estas alterações podem ser identificadas através de um teste de esforço, avaliando o desempenho do indivíduo. Assim, a avaliação do efeito dos diferentes esquemas de aula no padrão de sono e sua possível consequência no desempenho cardiorrespiratório surgiu da constatação de que estudantes sofrem privação parcial de sono com consequências capazes de prejudicar o seu desempenho em sala de aula e das suas funções fisiológicas, por apresentarem sinais de lentidão, cansaço, baixo rendimento acadêmico, além de problemas de saúde, o que pode prejudicar a qualidade de vida destes indivíduos (Papp et al. 2006).

Este problema não é devidamente discutido na sociedade, embora pais e professores reconheçam que os estudantes sofrem privação de sono durante a semana e muitas vezes no fim de semana também, devido às atividades sociais.

Baseados nos resultados verificaram que dentre os alunos que preencheram devidamente os questionários (47 da turma 2009.2 -1º período- 7h; 41 da turma 2009.1- 2º período- 8h), 77,58% eram do sexo feminino e 22,42% do sexo masculino. Utilizando-se o critério de classificação para avaliação do cronotipo proposto por Benedito-Silva et al. (1990), a maioria dos estudantes foi classificada como indiferente, caracterizando-se por uma maior flexibilidade em relação aos horários de sono.

O número mais frequente de indivíduos que moram na casa foi de 3 a 4 pessoas.

A maioria dos estudantes não faz curso extra-escolar, atividade física ou trabalha. Para chegar à escola a maioria dos estudantes utiliza o carro

(62,07%) e leva mais de entre 10 e 20min para fazer esse trajeto. Nenhum aluno relatou fumar e a maioria nem ingerir bebidas alcoólicas, nem chá, às vezes tomam café (93,20%) e refrigerante (93,30%).

Dentre os voluntários 43,18% relatou ter algum problema de saúde, em que os mais comentados estão relacionados ao sistema respiratório. A nossa amostra é semelhante aos adolescentes estudados por Lima (2002) e Almondes e Araujo (2003).

Quanto ao cronotipo os dados mostraram que nossa amostra tendeu à vespertinidade, a maioria dos voluntários (55,12%) foi classificada como indiferentes e não houve diferença estatisticamente significativa entre as duas turmas.

Os estudantes relataram que no fim de semana não tem uma necessidade de usar despertador (15,90%) ou depender de alguém para acordá-los (3,41%) como acontece na semana (84,09%) (7,95%). Resultados semelhantes foram encontrados nos estudos de Andrade (1997) e Sousa (2003). A turma do 1º período (7h) apresentou uma dependência do despertador maior (91,48%) do que os alunos da turma do 2º período (8h) (75,61%). Essa dependência maior por parte dos alunos do 1º período é reflexo do fato de terem que acordar mais cedo, quanto mais cedo, é mais difícil acordarem sem auxílio.

Foi observada, também, a existência de um padrão extensão-restrição (PER), ou seja, a extensão de sono durante o final de semana e restrição de sono na semana (Gianotti et al. 2005; Chen et al. 2006; Brown et al. 2006). Os estudantes que têm aula às 8h apresentaram o PER maior do que os estudantes que assistiam aula às 7h, porém não houve diferença

estatisticamente significativa entre as turmas. A partir dos horários de dormir dos dados objetivos obtivemos o índice de irregularidade, que foi maior para a

turma que assistia aula às 8h do que o índice da turma que assistia aula às 7h,

porém essa diferença não estatisticamente significativa, o que corrobora o

resultado obtido na medida subjetiva análoga, o padrão de expansão e

restrição.

Tanto os dados subjetivos (questionário A Saúde e o Sono) como os

dados objetivos (actimetria), mostraram atrasos de fase do início e final do

sono nos finais de semana quando comparados com os dias de semana em

ambas as turmas. Para os alunos do 1º período (7h) o início do sono

baseando-se nos dados subjetivos objetivos, respectivamente, era às

23h17min, 23h53 nos dias de semana e 00h32, 01h15 nos finais de semana; o final do sono nos dias de semana era às 05h59, 06h38 e nos finais de semana às 09h07, 09h28. Para os alunos do 2º período (8h) o início do sono baseando- se nos dados subjetivos objetivos, respectivamente, era às 23h20min, 00h14min nos dias de semana e 01h08min, 00h25min nos finais de semana; o final do sono nos dias de semana era às 06h43min, 06h57min e nos finais de semana às 09h04min, 07h51min. Entre as turmas houve diferença apenas na hora de acordar na semana, nos dados subjetivos, e hora de acordar no fim de semana nos dados objetivos, ou seja, os alunos que tem aula às 7h estão acordando mais cedo na semana e acordam mais tarde no fim de semana, provavelmente para repor o tempo de sono que foi reduzido na semana.

Quanto à duração do sono, houve diferenças significativas entre os dias

Os alunos do 1º período dormem 2h15min a mais no fim de semana, e

os alunos da outra turma dormem 32min a mais no fim de semana. Já nos

dados objetivos apenas aos alunos do 1º período apresentaram diferenças na

duração de sono e no tempo na cama, 1h14min, 1h15min de tempo a mais no

fim de semana, respectivamente. O que reforça o resultado subjetivo. Não

houve diferença entre as turmas, porém a turma de alunos que têm aula mais

cedo, apresenta irregularidade em todos os horários e na duração de sono, já a

turma que têm aula mais tarde apresentou diferença nos dados subjetivos, e

nos objetivos apenas no tempo na cama uma diferença de 41min a mais no fim

de semana. O Início das aulas às 7h aparenta provocar mais irregularidade do

que às 8h, além disso, os alunos do 1º período entraram na universidade no

semestre 2009.2, ou seja, passaram 1 semestre de férias após passarem no

vestibular, o que dificulta mais ainda se acostumar novamente com a rotina de

aulas de manhã cedo e a tarde toda, estudos em casa devido a demanda

acadêmica maior do no pré-vestibular, diferente dos alunos que entram na

universidade no primeiro semestre após o vestibular, eles têm cerca de 2

meses e meio de férias.

Quanto aos motivos para dormir e acordar nos horários relatados, a maior parte dos voluntários ao responder o questionário á saúde e o sono, tanto os alunos da turma do 1º período (7h) quanto os alunos da turma do 2º período (8h), afirma que na semana o principal motivo para acordar no horário relatado é devido o horário das aulas. Já no fim de semana o principal motivo é porque não sentiu mais sono para os alunos do 2º e 1º período, estes últimos também relatam com destaque acordar para estudar. Como motivos para dormir nos horários relatados na semana, os estudantes de ambas as turmas

têm como resposta em destaque ir dormir no horário por estar estudando. No fim de semana o destaque foi ir dormir no horário relatado por ter ido as

“baladas” em ambas as turmas.

Ambas as turmas apresentam características de irregularidade no

padrão, porém a turma do 1º período (7h) apresenta mais variações nos

horários entre semana e fim de semana, o que indica estarem apresentando

um padrão de CSV mais irregular do que a turma do 2º período (8h).

A presença de um padrão irregular do CSV entre a semana e final de semana, pode estar relacionada ao conflito entre a necessidade fisiológica do adolescente em relação, entre outros, à imposição dos horários escolares, que não permite ao estudante dormir a quantidade de sono necessária nem tão pouco nos horários em que ele sente sono (Epstein, et al. 1998; Wolfson & Carskadon 1998).

Como consequências desta irregularidade no padrão do CVS podem ocorrer modificações na ordem temporal interna do indivíduo acarretando numa diminuição da qualidade do sono, que estaria associada a um aumento na sonolência. Assim, a sonolência, descrita como uma das consequências da irregularidade do CVS (Wolfson & Carskadon 1998 e Acebo & Carskadon 2002).

E é possível observar esta sonolência principalmente pela manhã, no horário de aula. Os estudantes relatam se sentir mais sonolentos no período entre 8h-10h da manhã (39,77%) na semana do que no fim de semana (31,03%), horário que estão assistindo aula. Entretanto, ao comparar as duas turmas, neste período durante a semana, mais alunos do 1º período (7h)

(53,19%) relatam estar sonolentos nesse intervalo de tempo do que os alunos da turma do 2º período (8h) (24,39%).

Quanto à sonolência diurna excessiva, no geral, a maioria doa alunos (74,36%) foram classificados como normais. Todavia, ao comprar as turmas, os alunos que tem aula às 7h apresentaram um maior número de estudantes com sonolência excessiva do que os alunos com aula as 8h.

Pouco tempo de sono na semana combinado com padrão de CSV irregular no fim de semana, é um preditor comum da sonolência diurna. (Saarenpää-Heikkilä et al. 2000). Nosso estudo mostra que nossa amostra está

parcialmente privada de sono e como consequência disso boa quantidade (25,64%) dos alunos sofrem com sonolência diurna excessiva, o que prejudica atenção durante as aulas e pode influenciar negativamente no processo de aprendizagem.

A presença da sonolência em adolescentes observada também por Andrade & Menna-Barreto (2002), Giannotti & Cortesi (2002), Acebo & Carskadon (2002) e Sousa (2003) está relacionada a um aumento na frequência de cochilos. Em nosso estudo 39,56% dos estudantes mencionaram cochilar de vez em quando e 27,91% afirmaram todos os dias.

Além da sonolência a qualidade do sono também é prejudicada pela irregularidade do CSV. Quanto mais cedo à aula, pior a qualidade de sono dos estudantes. Esse resultado também foi observado no estudo de Lima (2002) e no estudo de Cardosoi et al. (2009).

Esses resultados reforçam a idéia de que esse atraso dos episódios de sono no fim de semana é devido tanto aos fatores sociais como, provavelmente, pelo fator endógeno. Não tendo aulas no fim de semana, ou

algum compromisso fixo que o obrigue a acordar cedo, estudante tem liberdade para participar de atividades noturnas. Além disso, os humanos tendem a atrasar os episódios de sono nos dias livres, pois tem um ciclo sono vigília de aproximadamente 25h (Aschoff 1965).

O horário de início das aulas é o fator principal para favorecer a irregularidade no padrão de CSV dos estudantes em estudo. A soma desse fator com a demanda acadêmica, as atividades sociais do fim de semana e, para a maioria, o atraso natural do CSV dos adolescentes, acentua ainda mais esse padrão do CSV.

Quanto à latência do sono não houve diferenças entre semana e fim de semana, tanto nos dados subjetivos como objetivos e na comparação entre as turmas. Isso nos permite sugerir que a irregularidade no padrão do CSV dos voluntários desse estudo não está afetando o componente circadiano do mecanismo de regulação do ciclo sono e vigília, pois este componente está relacionado com a função endógena de favorecer o início do sono e o início da vigília independente de períodos de excesso de tempo de sono ou de vigília prévios. Este componente é expresso pelo sistema de temporização circadiana, com seu nível mínimo de propensão ao sono no início da manhã e o seu máximo no início da noite ou final da fase clara (Dijk & Czeisler 1995).

A eficiência do sono dos estudantes também não apresentou diferenças, o que reforça a idéia de não haver interferência da irregularidade com o mecanismo de regulação do ciclo sono vigília, pois a manutenção do sono não sofre alteração independente do padrão de sono.

Sobre o desempenho dos estudantes no teste de esforço, a maior parte dos alunos (93,83%) apresentou resultado igual ou abaixo de 50% do VO2max

atingido, baseado nos valores esperados. O resultado ruim para indivíduos jovens e saudáveis. Todavia, esse desempenho pode ser atribuído a diversos fatores durante a realização dos testes.

A falta de motivação e interesse dos adolescentes em realizarem o teste pode ser a principal justificativa para esse desempenho. Durante a coleta de dados, antes mesmo de iniciar o teste a maior parte dos voluntários já relatava estarem cansados ou com pressa, durante o teste muitos aparentemente não se esforçavam, desistiam do bem antes de atingir um nível de esforço próximo