Chapter 5 : Results
5.1 The need for the exemption rules §12
A taxa de fotossíntese das duas cultivares mensuradas às 8 horas diferiu na maioria dos meses quando irrigadas com sistema por microaspersão e em 50% dos meses quando irrigadas por aspersão e gotejamento (Tabela 2). As cultivares expressaram valores de A diferentes nos diversos sistemas de irrigação, na maioria dos meses. A variação das taxas de A das bananeiras entre os meses em todos os sistemas de irrigação foi semelhante (Tabela 3). A diferença percentual, entre o menor e o maior
valor de A registrados neste horário, CO2
m-2s-1) registrado na 'BRS Platina' irrigada com sistema por microaspersão em janeiro CO2 m-2s-1) observada na - , conduzida
com o mesmo sistema de irrigação, em dezembro de 2009. As taxas fotossintéticas e suas variações mensuradas em bananeiras tipo Prata irrigadas com diferentes sistemas de irrigação, em cinco horários ao longo do período experimental (2009-2010), em
91
Guanambi, BA, expressaram valores próximos aos relatados na literatura para banana Cavendish (TURNER et al., 2007; ROBINSON; GÁLAN SAÚCO, 2010).
As alterações nas trocas gasosas em folhas de bananeiras em função da resposta do estômato ao déficit hídrico, ao déficit de pressão de vapor (DPV), à temperatura foliar (Tleaf), à intensidade e qualidade da radiação solar incidente, foram
relatadas em diversos trabalhos (TURNER; LAHAV, 1983; ECKSTEIN; ROBINSON, 1995; THOMAS; TURNER, 1998; TURNER; THOMAS; 1998).
Alterações nas trocas gasosas foram identificadas na 'BRS Platina' exposta à mesma Qleaf, nos três sistemas de irrigação, no mês de abril de 2010 às 8 horas (Tabela
2), mês caracterizado por ausência de precipitação, baixa umidade relativa (Figura 1) e temperaturas mais amenas (Figura 2).
O híbrido expressou maior Tleaf no sistema por gotejamento, Tleaf intermediária
no sistema por aspersão convencional subcopa e menor Tleaf no sistema por
microaspersão, comportamento semelhante ao observado maioria dos meses e em todos os horários para as duas cultivares. É provável que a maior Tleaf registrada no sistema
por gotejamento não limitou a taxa de A, mesmo porque a menor Tleaf média constatada
na 'BRS Platina' irrigada por microaspersão (29,60oC) e a maior Tleaf média registrada
na - (33,18oC) situam-se dentro da faixa ótima para equilíbrio entre crescimento e taxa de assimilação líquida (27oC), portanto inferior à temperatura ambiente que caracteriza o início do estresse térmico em bananeira (34oC) (ROBINSON; GÁLAN SAÚCO, 2010).
Ainda no mês de abril de 2010 às 8 horas, as taxas de E e A foram maiores na 'BRS Platina' conduzida com sistema por aspersão e gotejamento, e menores nas conduzidas com sistema por microaspersão, apesar da Ci e da gs não diferirem entre
sistemas. A menor A, observada para essa cultivar irrigada com sistema por microaspersão, pode estar relacionada às pequenas diferenças na gs entre sistemas, não
detectadas pelo teste de Tukey (p < 0,05), mas que representam uma diferença percentual de 220% do menor valor absoluto (0,10 mol H2O m-2s-1) ao maior (0,32 mol
H2O m-2s-1). Uma pequena variação na gs parece influenciar uma variação maior na E e
A.
A - , no mês de abril de 2010 às 8 horas expressou maior taxa de A (14,88 µmol CO2 m-2s-1) quando conduzida com sistema por microaspersão, enquanto
apresentou menor Qleaf e menores valores A (11,36 e 8,66 µmol CO2 m-2s-1), quando
92
identificadas diferenças entre sistemas na Ci, E, razão A/Ci e na gs, apesar da diferença
percentual de 65% entre o menor e o maior valor. A Tleaf expressa pela - no
sistema de irrigação por microaspersão foi menor que nos outros, assim como na maioria dos meses em todos os horários. É provável que a combinação de alta Tleaf e da
elevada incidência de Qleaf tenha limitado a taxa de A das cultivares conduzidas com o
sistema por gotejamento, o que evidencia maior eficiência do uso da água nas bananeiras conduzidas com sistema por microaspersão.
As maiores taxas de A registradas às 8 horas ocorreram no mês de dezembro de 2009 em todos os sistemas de irrigação para as duas cultivares de bananeira (Tabela 2), exceção a 'BRS Platina' irrigada com sistema por microaspersão. O mês de dezembro 2009 foi caracterizado por temperatura máxima abaixo de 35oC (Figura 1), pela ocorrência de chuvas e maior umidade relativa do ar (Figura 2), condições favoráveis, pois "a planta não faz fotossíntese quando quer, mas quando pode", possibilitada pelo ótimo ecológico que contribui para o ótimo fisiológico. A radiação (Qleaf)foi a mesma
para as duas cultivares em todos os sistemas, exceto na aspersão. A Tleaf nas duas
cultivares foi semelhante apenas na microaspersão. A 'BRS Platina' expressou menor Tleaf cultivada com sistema de irrigação por microaspersão e a - não
diferenciou entre sistemas. A Ci foi a mesma nas duas cultivares em todos os sistemas
de irrigação. A taxa de E foi maior na - em todos os sistemas, exceto na aspersão cujos valores foram similares. A menor taxa de A (7,26 µmol CO2 m-2s-1)
expressa pela 'BRS Platina' irrigada com sistema por microaspersão coincide com as menores taxas de E (1,78 mmol H2O m-2s-1) e menor gs (0,08 mol m-2s-1) (Tabela 2). As
duas últimas aliadas a menor razão A/Ci (0,03 µmol CO2 m-2s-1/µmol CO2 mol-1), que é
uma medida da eficiência de carboxilação da enzima rubisco, cujo decréscimo expressa uma mudança em direção à atividade oxigenase, justificam a redução na A.
Avaliação realizada às 10 horas registrou valores de A diferentes entre as cultivares em todos os sistemas de irrigação, na maioria dos meses (Tabela 4). Quando irrigadas com sistema por microaspersão e aspersão convencional subcopa as menores valores de A foram expressas pela 'BRS Platina' e as maiores pela - . O inverso foi observado quando irrigadas com sistema por gotejamento. As duas cultivares expressaram taxas diferentes quando irrigadas por diferentes sistemas na maioria dos meses. Os maiores valores de A foram registrados quando irrigados por gotejamento na maioria dos meses. A variação detectada entre os meses foi menor para as duas cultivares quando irrigadas com sistema por microaspersão e maior quando
93
irrigadas com sistema por gotejamento (Tabela 5). A diferença percentual foi um pouco menor que às 8 horas, com maiores e menores valores bem próximos aos observados no horário citado.
As alterações nas trocas gasosas da 'BRS Platina' entre os sistemas de irrigação, às 10 horas no mês de maio 2010, com ocorrência de chuvas, maior umidade relativa do ar (Figura 1) e temperatura máxima ambiente inferior a 35oC, chama atenção pelo registro dos maiores valores entre os meses no sistema por aspersão para as variáveis fisiológicas: Qleaf (1.520 µmol fótons m-2s-1); E (7,18 mmol H2O m-2s-1); gs (0,56 mol
H2O m-2s-1); A (22,23 µmol CO2 m-2s-1); eficiência de carboxilação A/Ci (0,098 µmol
CO2 m-2s-1/µmol CO2 mol-1); A/E (3,12 µmol CO2 m-2s-1/mmol H2O m-2s-1), ao mesmo
tempo que registra menores valores entre os meses no sistema por gotejamento: E (1,07 mmol H2O m-2s-1); gs (0,02 mol H2O m-2s-1); A (1,98 µmol CO2 m-2s-1); eficiência de
carboxilação A/Ci (0,009 µmol CO2 m-2s-1/µmol CO2 mol-1); A/E (1,84 µmol CO2 m-2s-1/
mmol H2O m-2s-1), apesar de submetidos à mesma radiação Qleaf (1.397 µmol fótons
m-2s-1) (Tabela 5). A menor refrigeração do sistema por gotejamento evidenciada pela maior temperatura foliar Tleaf (40,44oC), além de comprometer o funcionamento
enzimático, demonstrado pela razão A/Ci, promoveu o fechamento estomático,
comprovado pela menor gs, a despeito das condições atmosféricas amenas registradas no
mês em discussão.
'BRS Platina' e - , às 12 horas, diferiram quanto às taxas de A na maioria dos meses, apenas quando cultivadas com sistema de irrigação por gotejamento (Tabela 6). As taxas de A variaram entre sistemas de irrigação nas duas cultivares, na maioria dos meses. 'BRS Platina' e - expressaram maiores valores quando irrigadas com sistemas por microaspersão e menores quando irrigadas com sistemas por aspersão convencional subcopa e gotejamento, respectivamente. As taxas de A mensuradas nas folhas das duas cultivares variaram entre os meses. A menor variação ocorreu quando elas foram irrigadas por aspersão (Tabela 7). A diferença percentual, considerando todos os fatores, 498%, foi a menor em todos os horários de observação.
As mensurações realizadas na terceira folha da - irrigada com sistema por microaspersão nos meses de agosto e setembro de 2010, às 12 horas, estimaram a mesma radiação Qleaf (1.416,10 e 1.442,80 µmol fótons m-2s-1), no entanto
as trocas gasosas diferiram. As taxas de E (3,23 e 5,33 mmol H2O m-2s-1); taxas de A
94
foram menores em agosto e maiores em setembro, respectivamente. Um exemplo evidente da resposta ao fechamento estomático comprovado pelo menor valor de gs
(0,12 e 0,33 mol H2O m-2s-1), respectivamente; assim como pela mudança na atividade
da enzima rubisco para a oxigenase, evidenciada pela menor eficiência de carboxilação A/Ci (0,03 e 0,09 µmol CO2 m-2s-1/µmol CO2 mol-1), respectivamente.
O comportamento descrito traduz a resposta da planta à maior aridez ambiental no mês de agosto comparado a setembro, com características semelhantes quanto à ausência de chuvas, mas com distinção importante quanto à umidade relativa, com valor inferior a 40%, o menor em todo o período de avaliação (Figura 1); aliada à maior temperatura ambiente, com máxima próxima dos 35oC (Figura 2), constatada pela maior temperatura foliar (35,16oC) comparada a 34,42oC registrada em setembro.
As taxas de fotossíntese registradas às 14 horas foram iguais nas duas cultivares na maioria dos meses, exceto quando as bananeiras foram irrigadas com microaspersão (Tabela 8). - expressou maiores taxas em todos os sistemas de irrigação. As bananeiras apresentaram variação nos valores de A quando conduzidas em diferentes sistemas de irrigação, na maioria dos meses. Os maiores valores ocorreram nas bananeiras irrigadas por gotejamento. A maior variação de A detectada entre os meses de avaliação para as duas cultivares nos três sistemas de irrigação foi expressa pela 'BRS Platina' cultivada com sistemas de irrigação por aspersão (Tabela 9). A diferença percentual foi superior a 847% e 'BRS Platina' e ata- irrigadas por microaspersão em agosto e setembro de 2010, respectivamente, expressaram menor e maior valores, respectivamente.
Bananeiras tipo Prata irrigada por qualquer sistema de irrigação, às 14 horas, sempre que expressaram maior temperatura foliar (Tleaf) apresentaram também maior
taxa de transpiração como mecanismo de refrigeração da planta. Porém como indício de fechamento estomático, observou-se menor gs e redução da taxa de A, mesmo
submetidas à elevada incidência da radiação (Qleaf) (Tabela 9). 'BRS Platina', em janeiro
de 2010, irrigada por microaspersão e aspersão convencional subcopa, exposta à radiação (Qleaf) elevada (1.628 µmol fótons m-2s-1) e a uma média radiação (782,40
µmol fótons m-2s-1), respectivamente, expressaram as maiores temperaturas foliares registradas em todo o período de observação (37,86oC e 40,02oC), respectivamente; enquanto que as taxas de fotossíntese que não diferiram e foram baixas (5,78 e 6,96 µmol CO2 m-2s-1), respectivamente.
95
Outro exemplo da mesma cultivar irrigada com sistema por gotejamento, às 14 horas, em outubro de 2009, exposta a uma elevada radiação Qleaf (1.415,75 µmol fótons
m-2s-1), expressa a maior temperatura (Tleaf) do período de avaliação (43,22oC); alta taxa
de E (5,17 mmol H2O m-2s-1), como mecanismo compensatório de refrigeração; e,
consequentemente, reduzida taxa de A (6,53 µmol CO2 m-2s-1), consequência de
comprometimento do sistema enzimático pelo aumento de temperatura, resultando em baixa eficiência instantânea de uso da água (A/E). Donato et al. (2013), em trabalho realizado no Norte de Minas, constataram redução da A/E com aumento da temperatura foliar para todas as lâminas de irrigação variando de 25% a 125% da evapotranspiração de cultivo, em diferentes subgrupos e grupos genômico de bananeira e concluíram que a bananeira cultivada em regiões e, ou, épocas de temperaturas supraótimas, mesmo com o aporte de lâmina de irrigação adequada, tem sua transpiração e fotossíntese afetadas.
Assim, em locais fora das condições ideais de cultivo, como o semiárido, as práticas culturais devem priorizar o conforto hídrico e térmico. Portanto, desfolha, desbrota, corte do pseudocaule e manejo da palhada são operações indispensáveis em bananais de alta produtividade, além de irrigação dimensionada para atender os picos de demanda evapotranspiratória, que permita maior refrigeração da planta através da troca de calor latente e da troca de calor sensível promovida pela água aspergida sobre as folhas ou pseudocaule, como na microaspersão e na aspersão convencional. Adicionalmente, em casos de mercados mais exigentes, é possível a adoção de técnicas de cultivo protegido utilizadas em outros locais, como nas Ilhas Canárias (CABRERA; GALÁN SAÚCO, 2005), Turquia e Israel (GALÁN SAÚCO; DAMATTO JUNIOR, 2012).
A avaliação realizada às 16 horas registrou taxas fotossintéticas diferentes entre as cultivares de bananeira tipo Prata, na maioria dos meses, quando irrigadas com sistemas por microaspersão e gotejamento. Os valores foram maiores na 'BRS Platina' e menores na - . Irrigadas por aspersão convencional subcopa as bananeiras apresentaram valores de A semelhantes (Tabela 10). As bananeiras cultivadas nos diferentes sistemas expressaram taxas fotossintéticas com variação significativa na maioria dos meses. As taxas de A das bananeiras cultivadas em todos os sistemas de irrigação apresentaram pequena variação entre os meses para a maioria dos casos (Tabela 11). A diferença percentual entre a menor e maior taxa foi a maior (1.651%) de todos os horários de avaliação.
96