5. Resultater og diskusjon
5.2 Nedvandring av ål ved Fosstveit .1 Nedvandringsperiode
Ana Rosa Aparecida Araujo da Costa Maria Silvia Brumatti Sentelhas Rebeca Schneider Mesquita Escola Vera Cruz [email protected]
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Não sei por onde começar esta longa história, pois ela é cheia de detalhes e de tantos personagens, que infelizmente tenho que resumir em um pequeno trecho, o que foi para este grupo1, para mim e para a Rebeca, com quem troquei idéias e defini caminhos, a Vitória Régia.
No final do primeiro semestre, ao sairmos de férias, já sabíamos que no segundo semestre iríamos entrar em contato com a comunidade de Portel, na Amazônia, e assim ficamos de desenvolver junto ao grupo uma proposta de intercâmbio cultural, que proporcionasse uma troca de experiências e nos fizesse entrar em contato com outras culturas deste nosso país de tamanha imensidão. Esse projeto proporcionou ao grupo um movimento de busca pelo conhecimento e também aprendermos um pouco mais sobre nós mesmos. A Vitória Régia é um capitulo desta maravilhosa viagem...
Dentro deste contexto e diante da troca cultural que iríamos desenvolver, aproveitei o momento para introduzir na área de Português as lendas da Amazônia. Entre estas lendas, estava a Lenda da Vitória Régia e a partir dessa narrativa o grupo ficou muito interessado em conhecer a flor referida na lenda. Começamos assim a trazer informações a respeito e em uma das pesquisas, havia informações referentes ao tamanho da folha da Vitória Régia e curiosidades, como o fato dessa folha medir até 2m de diâmetro e suportar o peso de uma pessoa.
Algumas crianças trouxeram fotos e informações que encontraram na internet, em uma das fotos havia a Vitória Régia e sua flor e também a foto de uma criança sentada sobre ela.
Foto da Vitória Regia
Estas informações atraíram e estimularam a curiosidade do grupo, aproveitei assim para dar continuidade ao trabalho com Matemática iniciado no começo do semestre, quando havíamos introduzido medidas e para acrescentar proporcionalidade e geometria, pois trabalharíamos com as formas.
Diante desta curiosidade, em nossa roda de conversa, estimulamos o grupo a pensar qual seria o tamanho da folha da Vitória Régia se estivesse em nossa sala e como poderíamos fazer para medi-la e desenhá-la no chão. As crianças sugeriram: “Vamos medir dois metros e desenhar a folha no chão!” com o que concordei.
Rebeca medindo a folha
Algumas crianças, ao verem o desenho pediram para sentarem na folha, como a menina da foto. Aproveitamos para perguntar: “Quantas crianças será que cabem na folha?”.
Para obtermos essa resposta fomos experimentando com as crianças se posicionando de diferentes modos: em pé, sentados e deitados. Nessa atividade, discutimos a relação que se estabeleceu entre a quantidade de crianças que cabiam na folha desenhado no chão e a posição do corpo, deixando que antecipassem suas hipóteses e as confirmassem ou as refutassem depois. Proporcionei assim a fase de pesquisa e de validação (novo- implícito) do quadro teórico de Douady (1984), mencionado por Maranhão (1999).
Crianças experimentando suas hipóteses
Uma das crianças, ainda não satisfeita só com esta experiência, me pediu: -“Por que você não leva a gente para ver a Vitória Régia?”
Todos se empolgaram com esta possibilidade e fizemos o contato necessário com o Jardim Botânico, que para nossa triste surpresa, nos informou que as plantas existentes no local haviam morrido pela mudança climática, causando um desapontamento geral! Foi desta conversa e da impossibilidade de realizarmos este desejo que surgiu a proposta, vinda de outra criança, de fazermos “A nossa própria Vitória Régia!”
Nós ainda não sabíamos quais os caminhos a serem percorridos e foi de nossas incertezas e “trocas miúdas” com as outras professoras e com a equipe pedagógica da Escola Vera Cruz, que abrimos as possibilidades e encaminhamentos necessários. “Nesse ciclo, são essas idas e vindas que permitem o crescimento do grupo – um avançar constante de experiências pessoais e de trocas com o outro! Na prática a teoria; na teoria, a prática!” (COSTA, 2006, p.78).
“...a criança pequena deve ser levada a sério. Ativa e competente, ela tem idéias e teorias que não apenas valem serem ouvidas, mas também merecem escrutínio e, quando for o caso questionamento e desafio.” (DAHLBERG, MOSS & PENCE,2003) Foi então que em nossa roda de conversa na classe retomamos todos os passos vividos até aquele momento e perguntamos se de fato estavam dispostos a levar a diante a idéia de construir “nossa própria Vitória Régia” e a resposta positiva foi unânime. O comprometimento do grupo com o trabalho foi muito importante para darmos cada passo.
Passamos assim a conversar sobre como realizar essa idéia e eles foram trazendo diferentes possibilidades: A primeira foi construir a Vitória Régia de argila, o que causou no grupo certa inquietação, proporcionando uma discussão interessante cheia de argumentos e contraposições, diante das hipóteses levantadas pelo grupo:
-“Mas se for de argila vai quebrar!” Aninha -“A gente espera endurecer!” Carol
-“Vai quebrar mesmo assim, argila quebra!” Aninha (de suas experiências vividas com argila na oficina).
- “Além disso vai precisar de muita argila!” - Rodrigo - “E se a gente puser em cima de uma mesa!” - Henrique
- “Como vamos levar lá para fora? Por que não podemos construí-la no pátio e não podemos deixar lá fora?” - Ana Rosa, a professora.
-“Então vamos fazer de outra coisa!”
- “Eu acho que tem que ser de papel por que é fininho e suave como a folha!” - André - “Papel também rasga!” - Carol
-“A gente vai juntando ou papel duro ( papelão)!” - André -“Jornal com cola também dá, ou de madeira!” - Gustavo -“Madeira!” - Gustavo
- “Eu acho que tem que ser de argila!”- Carol insistindo em sua idéia, e complementa: -“A gente faz de pedacinhos e depois junta!”
Diante de certo impasse resolvemos votar nas propostas e, para nossa surpresa, ganhou a idéia que se referia a fazermos de madeira. Nós não sabíamos como fazer ou qual seria
o desdobramento desta idéia, poderia dar certo ou não! Pretendíamos trabalhar com as possibilidades e ajudá-los a mudar os caminhos caso fosse necessário, e a entender o processo, caso não desse certo!
Fomos assim levantando aspectos importantes com o grupo e retomando as discussões que já havíamos feito a respeito. Nesse momento pudemos pensar quais propostas seriam interessantes e retomamos com o grupo as idéias já propostas de como fazer, concluímos que faríamos de “madeira, juntando os pedacinhos!”
Recolhemos todas as madeiras que havia na Oficina de artes da escola e levamos para a classe e diante daquele material surgiram novos desafios: “E agora, como fazer?” O grupo passou a experimentar, a dar sugestões e a descartar as propostas inviáveis. Nós coordenávamos as discussões e chamávamos a atenção do grupo para as colocações pertinentes e abríamos novas discussões. Entre nós professoras, refletíamos também sobre o desenvolvimento das atividades, quais as soluções levantadas pelo grupo e quais encaminhamentos ou intervenções seriam necessários para dar continuidade ao projeto. Sempre que possível recorríamos a outras experiências vividas pelo grupo durante o semestre anterior ou a discussões durante cada etapa deste projeto, para que encontrassem recursos para dar encaminhamento ou para que sustentassem suas idéias e nós também, pois eram as referências para nossas intervenções.
A Carol neste momento disse algo muito importante para o grupo: “Pra dar certo precisa todo mundo fazer junto e respeitar o outro”.
As crianças começaram juntando as madeiras no centro da sala e o que surgiu foi uma construção, como tantas outras que haviam feito com blocos de madeiras.
Frente aquele movimento sem retorno o Rodrigo perguntou: “Como vamos fazer para ficar redondo se os blocos são quadrados?”
Rodrigo indicando a forma de um quadrado com as mãos.
Gabriel com uma peça redonda dos blocos de construção na mão, mostra ao grupo e fala: “A Vitória Régia tem que ser assim ó!” Camilo quer dar sua contribuição e pega várias peças redondas dos blocos de construção da sala para mostrar ao grupo. As meninas fazem um desenho na lousa para mostrar como a Vitória Régia deveria ser.
Maria clara desenhando a Vitória Régia na lousa
Em certo momento Aninha sugeriu: “Por que alguém não deita no meio abre as pernas e os braços e a gente monta em volta dele?” Ao refletirmos sobre esta sugestão da Ana e ao nos depararmos com esta imagem, nos reportamos ao Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, pensamos no conhecimento construído pela humanidade, sendo utilizado como meio para construir uma circunferência. Rodrigo complementou:
-“A gente começa pela borda e depois põe o recheio!”
Lembrei ao grupo, mostrando a foto da Vitória Régia, que havia uma borda levantada, que circundava a folha. Foram surgindo assim outras sugestões: Julieta mostra com as mãos formando um pequeno círculo de bordas levantadas, como havia visto na foto: -“Eu sei como a gente pode fazer a bordinha, assim ó!
E a Carol complementa a idéia da Julieta, mostrando as mãos sobrepostas em ângulo de noventa graus:
- “É assim ó!”
Julieta e Carol discussão sobre a borda.
Nesse momento o grupo passa a colocar as tábuas em pé e faz o contorno da borda ao entorno do André, que está deitado no chão, tentando realizar a sugestão.
Andre deitado no chão para fazer o contorno da folha.
Depois de pronta a borda, passamos ao centro, mas antes de preenchê-lo foi preciso nos organizar melhor, a quantidade de crianças envolvidas na proposta não permitia que todos participassem da construção juntos, pois se atropelavam e desmanchavam o que já estava organizado.
Decidimos assim que iríamos separá-los em pequenos grupos. Neste momento a sugestão de uma criança foi que cada um participasse onde sabia fazer melhor. Assim seguimos os caminhos sugeridos: uma criança deitou no chão e um grupo construiu a
sua volta um contorno em forma circular, as outras crianças se revezaram preenchendo o centro e fomos vendo surgir diante dos nossos olhos uma imensa Vitória Régia!
Preenchendo o meio da folha.
Todos vibraram com o resultado, mas ainda nos deparamos com alguns detalhes: preencher da borda para o centro não deu certo, pois as peças não se encaixavam e diante deste novo problema, a solução foi tão rápida como ele:
-“Preencher ao contrário!”
Mesmo assim faltavam pequenos cantos a serem preenchidos e o logo o Gustavo nos trouxe uma observação:
-“Eu sei qual é o problema, são todas quadradas!” e o Camilo, ouvindo essa observação, sugeriu que arrumássemos madeiras com outras formas:
-“Precisamos fazer umas de triângulo!”
Fomos até a oficina e serramos algumas, deixando-as menores ou triangulares. A Ludmila, ouvindo essas sugestões, resolveu também participar:
-“Guarda as pequenas para por nos buracos!”
Dessa maneira tudo começou a se encaixar e depois da Vitória Régia pronta, pintamos as madeiras de verde para ficar o mais próximo possível do nosso desejo.
Preparação das madeiras e montagem da versão final da Vitória Régia.
Precisávamos ainda fazer algo importante, a flor, pois só havíamos construído a folha! Perguntei ao grupo:
-“Como vamos fazer a flor?”
-“Pega uns pauzinhos brancos e finge que é a flor!”-Julieta
- “Pega as madeirinhas e põe algumas em pé para virar a flor!”-Gabriel - “Põe as madeirinhas da borda para dentro e faz virar a flor!- Julieta - “Mas tem que ser do ladinho da Vitória Régia!”- Camillo
- “Achei que ia ser dentro”- Aninha - “Dentro ou fora?”- Ana Rosa
Neste momento precisamos recorrer novamente ao nosso mural com as pesquisas e as fotos da Vitória Régia.
Decidimos fazer a flor com umas madeirinhas compridas que sobraram, por votação escolhemos a cor branca, e nos pequenos grupos, da forma como haviam se dividido para a montagem da folha, se reuniram para montar a flor. Cada grupo discutiu entre si como iriam usar as madeiras para montar a flor, ao mesmo tempo em que experimentavam suas idéias com o material oferecido, e nós fotografamos para decidirmos, também por votação, qual seria a versão final da flor. Flores submetidas a votação:
Flor que ganhou a Votação:
Para finalizar este trabalho tivemos dois momentos importantes: O primeiro foi colocarmos na exposição de artes para que todos pudessem também ver a “Nossa Vitória Régia”!
Neste dia todos trabalharam com o mesmo empenho e ficaram ainda mais orgulhosos com o resultado publicado, sentaram-se também em cima da Vitória Régia, como a menina da foto que havíamos visto durante nossas pesquisas!
Montagem da exposição de artes
O segundo se deu depois de terminada a exposição. Continuamos usando as madeiras para fazer novas construções e ficou decidido que deixaríamos este material no Jardim II, para que as próximas turmas pudessem usá-lo como material de uso coletivo para brincar de construção na classe ou na areia.
“As crianças aprendem interagindo com seu ambiente e transformando ativamente seus relacionamentos com o mundo dos adultos, das coisas, dos eventos e, de maneiras originais, com seus pares. Em certo sentido, as crianças participam da construção de sua identidade e da identidade dos outros... Os conflitos construtivos (resultantes do intercambio de ações, expectativas e idéias diferentes) transformam a experiência
cognitiva do individuo e promovem aprendizagem e desenvolvimento.” (MALLAGUZZI,citado em DAHLBERG,MOSS & PENCE,2003)
Este projeto uniu o grupo em uma busca comum, fazendo com que precisassem se unir, ouvir e respeitar o outro, para que chegassem ao seu objetivo. Diante de um problema comum, levantaram hipóteses, buscaram soluções, argumentando, ouvindo e respeitando o consenso, para chegarem ao seu objetivo. Saíram ainda mais unidos e preparados para enfrentar outros desafios.
BIBILOGRAFIA:
COSTA, A. R. A. A. Minha nova atuação como professora coordenadora de matemática In MARANHÃO, C; MERCADANTE, S.(Orgs). Sala de Aula: um espaço de pesquisa em matemática. São Paulo: Vera Cruz Edições, 2006.
DAHLBERG, G; MOSS, P e PENCE, A.- Qualidade na Educação da Primeira Infância- Perspectivas pós-modernas. Porto Alegre: Artmed , 2003
MARANHÃO, C. Dialética ferramenta-objeto. In MACHADO S. (org.) Educação Matemática: uma introdução. São Paulo: EDUC, 1999.
TRABALHANDO A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE 1ª A 4ª SÉRIES EM