A presente pesquisa apresenta algumas limitações que devem ser destacadas, pois podem, apesar do rigor científico adotado na coleta e análise dos dados, distorcer os resultados e afetar a interpretação dos resultados. Algumas limitações decorrem do caráter descritivo da pesquisa. Bruyne, Herman e Schoutheete (1977) ressaltam que o poder de generalização descritiva em estudo dessa natureza e a validade das conclusões são bastante limitados a um estudo em particular.
Pelo fato de a pesquisa se limitar às empresas de capital aberto com ações negociadas na BM&FBovespa, devido à necessidade de variáveis de mercado, não é possível generalizar as conclusões do estudo a todas as empresas industriais do Brasil.
Apesar da obrigatoriedade estabelecida pela Lei nº 11.638/2007, outra limitação a ser considerada é o fato de o perfil dos ativos intangíveis das empresas ser traçado tendo por base somente os ativos intangíveis com evidenciação contábil, não tendo sido implementadas estratégias para obtenção de dados primários (entrevista ou questionário) junto às empresas, a fim de se considerar os intangíveis que possam não ter sido evidenciados contabilmente. Ou seja, o perfil dos ativos intangíveis das empresas objeto de estudo considera apenas as informações sobre os intangíveis das empresas com evidenciação contábil, principal limitação da pesquisa. Em decorrência disso, pelo fato de no Brasil a obrigatoriedade de divulgação das informações sobre os ativos intangíveis nas demonstrações contábeis só se dar a partir de 2008, a pesquisa realizada compreende os exercícios sociais de 2008 a 2010. Assim, os resultados obtidos não podem ser extrapolados para outros anos. Portanto, a conclusão deve ser limitada ao período analisado e está sujeita a testes adicionais baseados em dados coletados outras vezes.
Além disso, o CPC 04 (R1) (CPC, 2010) determina que o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, assim como os ativos intangíveis gerados internamente relacionados às atividades de pesquisa e os relacionados às atividades de desenvolvimento que não demonstrem os aspectos listados no item 57 do citado pronunciamento, não devem ser reconhecidos como ativos intangíveis, mas como despesa do período. Dessa forma, o estudo limita-se a analisar os ativos reconhecidos como intangíveis, desconsiderando-se os gastos classificados como despesa do período.
Ressalta-se, ainda, que a métrica de inovação utilizada no estudo de gastos com P&D pode não ser bom indicador da eficácia do processo de inovação, mas da disposição e orientação estratégica da empresa em inovar. Assim, autores propõem adotar a produção e citações de patentes como indicadores de inovação, já que são resultados dos processos de inovação (TEH; KAYO; KIMURA, 2008).
Contudo, acredita-se que essas limitações não invalidam os resultados obtidos nesta pesquisa, visto que a mesma terá como propósito identificar semelhanças e diferenças decorrentes do grau de intensidade tecnológica setorial.
Consideradas as limitações da presente pesquisa, apresentam-se recomendações para futuras pesquisas na busca da análise do perfil dos ativos intangíveis de empresas industriais considerando o grau de intensidade tecnológica. Neste sentido, recomenda-se:
a) Utilização de outras métricas de intangibilidade, visando a comparação dos resultados obtidos;
b) Investigar com maior quantidade de variáveis explicativas no modelo e analisar mais detalhadamente os fatores subjetivos, bem como averiguar se eles podem ser transformados em valores mensuráveis;
c) Ampliar a base de dados, buscando-se informações de todas as empresas industriais, com implementação de estratégias para obtenção de dados primários (entrevista ou questionário) junto às empresas, a fim de se considerar os intangíveis não evidenciados contabilmente; e
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