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O objetivo dos trabalhos da área de Teoria de Desenvolvimento de Grupos é explicar como e por que os grupos de trabalho mudam ao longo do tempo em busca do atingimento dos melhores resultados para seus objetivos (WHEELAN, 2009).

Os estudos desta área iniciam-se nos anos 1950 com trabalhos sobre a importância da liderança nas organizações apresentado por Bennis e Shepard (1956) e o desenvolvimento dos grupos por estágios de maturidade de Bennis (1959) e Tuckman (1965). Também se alinham nesta discussão a teoria de fases de Bales e Strodtbeck (1951) e Bales (1965). Após esta fase inicial, Gersick (1988 e 1991) desenvolve a teoria do equilíbrio pontuado em contraponto ao desenvolvimento por fases. Wheelan (1990) retoma os estudos de desenvolvimento por fases com seu modelo unificado baseado sobre os modelos de Tuckman (1965) e Tuckman e Jensen (1977).

Bennis e Shepard (1956) concluem que cada grupo deve aprender sobre o relacionamento dos indivíduos com a autoridade do líder e a estrutura da equipe e, a seguir, com os problemas de intimidade e interdependência dos membros para o atingimento dos estágios mais altos de maturidade do grupo.

Bennis (1959) aprofunda o estudo da liderança, definida como o processo onde o líder induz um subordinado a ter um determinado comportamento desejado,

desenvolvendo uma tipologia para análise dos diferentes tipos de liderança nos diferentes tipos de organizações.

A definição de maturidade para grupos é similar à dos indivíduos, um grupo maduro sabe quais são e como buscar seus objetivos (BENNIS; SHEPARD, 1956). O grupo maduro resolve seus conflitos internos, mobiliza seus recursos e toma decisões inteligentes, se ele possuir os meios para consensualmente validar esta experiência (BENNIS; SHEPARD, 1956).

O modelo por estágios de maturidade proposto por Bennis (1959) foi confirmado e expandido por Tuckman (1965) em sua revisão da literatura sobre o assunto. O autor propôs um modelo de quatro etapas para explicar o desenvolvimento de grupos de terapia e treinamento após a análise de mais de cinquenta artigos sobre o assunto. Tuckman e Jensen (1997) retomam o estudo do modelo, examinando as novas pesquisas publicadas desde 1965 (22 artigos adicionais) que sustentam o modelo de quatro etapas.

A análise de Tuckman e Jensen (1997) emerge com a definição de quatro fases: 1. Formação; 2. Confronto; 3. Normatização e 4. Execução.

Durante a fase de Formação, os grupos preocupam-se em testar os limites entre os comportamentos interpessoais com o foco na execução das tarefas. É identificado a dependência do grupo ao seu líder ou aos padrões estabelecidos durante a formação do grupo.

Na fase seguinte, Confronto, é caracterizada pelo conflito e polarização em torno de questões interpessoais dentro do grupo. Este comportamento serve como resistência à influência de integrantes do grupo e dos líderes na execução das tarefas. A resistência dos participantes tem como objetivo a expressão de sua individualidade e como reação à formação da estrutura do grupo onde não tiveram influência significativa. Os participantes reagem emocionalmente às solicitações de execução de tarefas como uma forma de resistência.

As resistências são superadas no terceiro estágio – Normatização - onde o sentimento de grupo é estabelecido com o consequente desenvolvimento da coesão interna, novos padrões de trabalho são desenvolvidos em conjunto e os novos papéis são adotados através da livre expressão das opiniões pessoais. O grupo se transforma em uma unidade pela aceitação mútua dos indivíduos e o seu desejo de manter e perpetuar o grupo.

Finalmente, o grupo atinge a quarta fase – Execução - em que a fortalecida estrutura interpessoal torna-se a ferramenta para a entrega das tarefas. Os papéis tornam- se mais flexíveis e funcionais, e a energia do grupo é canalizada para a entrega das tarefas.

As questões estruturais do grupo já foram resolvidas e a estrutura torna-se o suporte para o desempenho das tarefas individuais (TUCKMAN, 1965).

Outra linha de pesquisa explica a existência de conflitos em função de questões culturais. Hofstede et al. (2010) ensinam que, após a formação do grupo, uma linguagem comum será desenvolvida, hábitos serão compartilhados, regras sobre divisão do trabalho, comportamento, cooperação e liderança irão ser estabelecidas. Conflitos irão surgir e serão gerenciados pelo grupo. O estabelecimento destas regras internas é um processo fundamental para a sobrevivência do grupo (HOFSTEDE et al., 2010).

Apesar da aceitação do modelo de fases outra visão emerge no estudo de grupos. Gersick (1988) verifica em sua pesquisa que os grupos analisados não seguiram o padrão de desenvolvimento por estágios previsto pela teoria anterior e propõe um novo modelo denominado equilíbrio pontuado (Punctuaed equilibrium). O termo pontuado refere-se à interrupção do movimento de inércia a qual os grupos permanecem a maior parte do tempo (GERSICK, 1991). A autora sustenta que o sistema se desenvolve através de movimentos alternados de estagnação (períodos de inércia) pontuado por rápidos períodos de mudanças revolucionárias (GERSICK, 1988).

A teoria do equilíbrio pontuado critica as duas correntes clássicas de estudo na área até então: a dinâmica de grupos e o desenvolvimento por etapas. O primeiro modelo tem como foco apenas os aspectos psicossociais e emocionais da vida em grupo e trabalha basicamente com grupos de terapia ou de treinamento. O segundo modelo está firmemente ancorado no modelo de desenvolvimento de grupo através de uma inevitável progressão. Cada grupo deve necessariamente passar pelas fases de formação, confronto, normatização e execução como visto anteriormente. A crítica principal recai sobre a falta de descrição dos modelos psicossociais que movimentam o grupo de uma fase a outra. Também não informa o momento no qual o movimento irá ocorrer e não leva em conta o ambiente externo.

A autora tem como motivação para sua pesquisa a identificação das forças que ocorrem naturalmente dentro dos times durante o projeto e que fazem com que um produto seja entregue ao final do processo (GERSICK, 1988). O estudo foca nos grupos de trabalho organizados naturalmente para entrega de um projeto dentro de um cronograma verificando os problemas inter-relacionais, as atividades de solução de problemas, as relações do grupo com recursos externos e os requisitos recebidos (GERSICK, 1988). O modelo proposto incorpora a duração, os mecanismos de mudança e a dinâmica das relações em seus determinados contextos.

A teoria de equilíbrio pontuado conclui que os grupos não se desenvolvem em uma série uniforme de etapas, nem através de uma sequência linear como se fossem blocos de construção. Grupos de projetos são desafiados pelas contingências do trabalho a inovar para gerar um produto final. Para atingir este objetivo eles encontram maneiras de trabalhar juntos, lidar com as expectativas externas e controlar sua própria velocidade para o cumprimento dos prazos (GERSICK, 1991).

Com base no modelo de Tuckman (1997) e com base em sua própria pesquisa empírica, Wheelan propôs um modelo unificado de desenvolvimento de grupo (WHEELAN, 1990) (WHEELAN, 1994). Este modelo, embora linear em um sentido de tempo cronológico, assume a perspectiva de que os grupos atingem a maturidade conforme eles continuam a trabalhar juntos em vez de simplesmente passar por diferentes fases de desenvolvimento. Wheelan (1990) desenvolve seu modelo a partir do estudo de