O terreno onde está implantado todo o conjunto arquitetônico e o projeto paisagístico possui uma superfície de 110 mil m2 e está localizado em Santo André.
O projeto para desenvolver o Centro Cívico de Santo André foi o projeto vencedor de um concurso, no qual Haruyoshi Ono e José Tabacow também participaram. O escritório do Rino Levi foi o escolhido e logo o próprio Rino Levi encomendou o projeto ao escritório do Burle Marx. Em relação à contratação, Haruyoshi Ono, em entrevista à Marília Dorador, afirma: “não sei se foi uma encomenda, pois o pagamento foi feito através da Prefeitura de Santo André”.40 O projetou paisagístico, a principio, previa apenas os jardins, mas nas conversas de desenvolvimento, Burle Marx começou a pensar em incluir painéis, o que acabou resultando em três estudos para o foyer do Teatro Municipal, conforme Haruyoshi Ono.
O Centro Cívico abriga os edifícios institucionais. A prefeitura, câmara e fórum, além de importantes equipamentos culturais como biblioteca, salão de exposições, teatro e auditório municipal. O paisagismo que integra esses diferentes prédios humanizando todo o espaço, tornando-o propício ao convívio e favorecendo a sociabilidade, são méritos de Roberto Burle Marx.
Características do paisagismo41
40 GUIMARÃES, Marília Dorador. Entrevista com Haruyoshi Ono. Anexo (05/05/2011) – Anexo p. 219-234.
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Vide em Anexo 5-Ficha5 e Anexo 6-Ficha 6, p.188-189.
Ilustração 82– Foto aérea do terreno. Centro Cívico de Santo André SP
Ilustração 83-84 – Centro Cívico de Santo André, Rino Levi, Santo André SP
Burle Marx faz uso de formas geométricas para a criação do paisagismo do entorno do Centro Cívico de Santo André.
Além de jardins que possuem canteiros, vegetação, espelhos d‟água e mosaicos com pedras portuguesas no piso, Burle Marx realizou – um pouco depois, mas ainda com o mesmo prefeito – uma enorme tapeçaria, que foi pensada para o prédio da Prefeitura. Segundo Haruyoshi Ono, a tapeçaria foi feita na Fazenda da família Gomes, mais especificamente na tecelagem Parahyba, que possuía um grande tear.
Membros do atual escritório Burle Marx e Cia estiveram há pouco tempo em Santo André e notaram que o local está abandonado e mal conservado. Contudo, o painel foi restaurado e pôde ser emprestada para as exposições realizadas para o centenário do paisagista Roberto Burle Marx. Segundo Haruyoshi Ono, a exposição foi um sucesso, pois a tapeçaria é muito bonita.42
De acordo com Lauro Cavalcanti, a presença dessa tapeçaria sugere a interface entre a indústria e o artesanato, uma maneira de preservar a idéia de criação artística em meio à produção industrial daquela cidade.43
Neste projeto, Burle Marx dizia que a paisagem urbana do entorno não merecia participar do jardim44. E se examinarmos a concepção daquele espaço, ele é totalmente dissociado da paisagem do entorno. Neste sentido
42 Idem, ibidem, p. 217. Esta tapeçaria, considerada uma das maiores já feitas no Brasil, esteve presente na exposição “Roberto Burle
Marx 100 anos: a permanência do instável”, com curadoria de Lauro Cavalcanti, Paço Imperial do Rio de Janeiro, de 12 de dezembro de 2008 a 19 de abril de 2009. A exposição ganhou itinerância em São Paulo, no MAM, de 17 de julho a 13 de setembro de 2009.
43 CAVALCANTI, Lauro. Roberto Burle Marx 100 anos: a permanência do instável. Exposição MAM-SP.
Ilustração 85, 86, 87 – Centro Cívico de Santo André, Rino Levi, Santo André SP
o jardim tem fortes conotações de uma concepção do barroco francês: geometria rígida, dissociação da paisagem do entorno, pouca compartimentação e visualização a um só tempo de todo o conjunto. Isso pode parecer especulativo, mas o próprio Roberto chamava o jardim ao lado da torre da Prefeitura de parterre.
Roberto Burle Marx explicava que a concepção daquele espaço apenas diferia dos originais franceses porque permitia que o observador caminhasse em seu interior. Há aqui uma nova proposição em que os pisos, com seus desenhos, não cumprem apenas um papel funcional, mas interagem com as superfícies coloridas das plantas de cobertura dos canteiros adjacentes”45, segundo José Tabacow em entrevista a Abílio Guerra para Vitruvius.
Este projeto arquitetônico de Rino Levi foi e é até os dias atuais um marco na arquitetura moderna.
44 GUIMARÃES, Marília Dorador. Entrevista com José Tabacow. Anexo 31 (01/03/2011) – Anexo p. 235-239. 45 GUERRA, Abilio entrevista José Tabacow. Op. Cit.
Ilustração 88 – Centro Cívico de Santo André, Rino Levi, Santo André SP
No Centro Cívico de Santo André, o artista faz uso da forma geométrica para a composição dos canteiros, espelho d‟água e dos jardins.
Nas folhas das espécies vegetais, Burle Marx mescla nuances diversas de verde com flores nos tons de amarelo, rosa, vermelho, laranja. Ele insere espécies vegetais nativas e exóticas, tanto para herbáceas quanto para arbustivas. Emprega árvores de grandes portes, como palmeiras, manacás da serra, quaresmeiras.
Neste projeto, Burle Marx aplica a estratégia do contraste que é um dos princípios centrais do seu paisagismo. Ou seja, opta pelo jogo de massas de cores únicas e vibrantes, opção exemplificada pelo uso de cores nos tons verde, vermelho-escuro, amarelo. É a experimentação do plano, da cor e da forma em grandes áreas verdes, criando-se tapetes de cores.
O projeto paisagístico acompanha a topografia do sítio, que foi modificada. Foi executada uma movimentação de terra para possibilitar a criação de três platôs de diferentes níveis. No primeiro, mais baixo, estão o estacionamento e alguns caminhos que integram o passeio público da cidade com o Centro Cívico; no nível intermediário, está á área cultural, com o Teatro Municipal e o Auditório; e no último nível – que é o mais alto do Centro Cívico e o mais integrado à cidade – estão a Prefeitura, o Fórum e a Câmara.
Com o uso de formas geométricas, Burle Marx desenvolve o desenho dos pisos, dos canteiros e espelho d‟água.
Ilustrações 103, 104, 105 – Painéis em auto-relevo, Centro Cívico de Santo André, Roberto Burle Marx, Santo André SP
Tapeçaria
A tapecaria chama atencao pela sua dimensao. Foi realizada por Burle Marx em 1967, para a Prefeitura de Santo André. Ela mede 3,27 por 26,38 metros e é acompanhada de outras duas confeccoes texteis. Segundo o catalogo da exposição: “Roberto Burle Marx 100 anos: a permanência do instável, realizada no Paço Municipal, no Rio de Janeiro no ano de 2009.”