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Naturtyper i Etne

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O trabalho sempre foi sinônimo de fonte de sustento e sobrevivência humana. A ergonomia, ciência do trabalho que estudas as relações entre indivíduo e trabalho, palavra em grego que significa ergon (trabalho) e nomos (leis, regras). Na Bíblia é conhecido o significado do trabalho que relata “ganharás o pão com o suor de teu rosto”. E assim foi desenvolvendo-se ao longo da história as diversas formas de o ser humano cria mecanismos para desenvolver o seu trabalho, de maneira a encontrar prazer e significado das suas tarefas. O trabalhador ao sentir-se útil, contribuir para desenvolver o espaço onde cumpre suas obrigações diárias, além de poder desenvolver-se como ser humano é um objetivo significativo dos estudos no mundo do trabalho.

Desde a passagem dos artesãos para a revolução industrial, seguindo as modernidades tecnológicas, o trabalho tem se tornado ferramenta mercantil e trazido às questões humano-sociais relacionadas. Falar das relações do homem com o seu trabalho apresenta a perspectiva de conhecer as teorias desenvolvidas e sua conectividade com a prática, de modo a aprimorar o bem-estar e melhorias ocupacionais.

A ergonomia contribui para solucionar ou minimizar questões relacionadas à saúde, segurança, conforto, eficácia, acidentes e erros humanos no trabalho, relata Kroeme;Grandjean (2005). A importância das questões relacionadas ao trabalho provém dos longos períodos que as pessoas têm permanecido no interior das organizações.

A concepção de trabalho seria desvinculada da concepção de castigo, fardo, sacrifício se estivesse mais ligado a fatores que contribuem com a felicidade, complementa Nunes et al. (2009). Búrigo (1997) cita que nunca antes estivemos tão presos pelas organizações, elas moldam nossas formas de pensar e amordaçam até mesmos nossos corpos.

O estudo do trabalho tem se tornado essencial para compreender as ligações sociais e humanas e num enfoque geral, o trabalho está associado à sobrevivência e à ideia de necessidade, apresenta Silva Filho (1995). Diante de uma análise do trabalho a partir das reflexões de Marx no entendimento e visão do trabalho, com o desenvolvimento do capitalismo, Karl Marx apud SilvaFilho (1995) interpreta o trabalho como um processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza, e em hipótese alguma o trabalho humano pode se restringir à mera execução, pois somente o homem pode iniciar um trabalho e ter em mente a imagem da situação final. O trabalho apenas executado, sem ser autogerido e autônomo demonstra que perde a sociedade que como base o trabalho e a inteligência e a criatividade quando os empregados tornam-se meros executores destes trabalhos.

Porém o estudo da racionalidade no ambiente de trabalho consiste no esforço de descobrir o equilíbrio ou a possível relação entre o sistema que produz e impulsiona geralmente este mero trabalho que executa, mas não desenvolve o ser humano. O mundo sistêmico existente nas organizações e o mundo da vida humana dos trabalhadores, conforme Stein (1987),expõe a necessidade de estudos sobre a racionalidade.

No decorrer dos séculos XIX e XX a ideia da razão foi sucedida pela ideia de racionalidade, de caráter pragmático, que designa a atividade metódica e sistemática, mas submissa ao real e aos fatos, que a partir de uma inteligência crítica. Elabusca permanentemente identificar e propor reparos, revisões e refutações na tentativa de compreender o mundo e a natureza (SPENSER; BARROS apud SILVEIRA, 2008).

Silveira (2008) apresenta que a racionalidade pode ser entendida modernamente, a partir de Weber como aquilo que qualifica o sentido da ação social. Em outras palavras, pode ser entendida como a forma ou a orientação que a ação como o sentido assume. Tal afirmativa pode ser entendida a partir da ideia de que o processo de racionalização assume seu lugar na vida social independentemente de outros fatores, de forma própria e em padrões pouco visíveis. Dessa maneira, a racionalidade pode assumir diferentes proporções, com enfoque conforme o padrão de ação adotada pelos indivíduos em determinado contexto sócio histórico.

Thiry-Cherques (2009) expressa que a racionalidade não deve ser confundida com a ação social. Existem ações sociais que não possuem ligações com ações conscientes – racionais. A racionalização oferece em que a ação racional é exercida, é o processo que oferece diferenciado significado às linhas e ação.

Embora uma ação seja racionalizável no interior de cada esfera, não é possível uma racionalidade total. As tensões entre racionalidade formal e substantiva são irredutíveis, ou seja, a racionalidade de cálculo meios-fins (instrumental) e a voltada para a efetivação de um valor são irreconciliáveis, por exemplo, o cálculo econômico é racional para a esfera do mercado, mas não para a esfera do social, contribui Thiry-Cherques (2009). Ao discutir a ação social Weber apud Silveira (2008) argumenta que esta pode ser orientada de modo racional referente a fins por expectativas quanto ao comportamento de objetos do mundo exterior e de outras pessoas, utilizando estas expectativas como condições ou meios para alcançar fins próprios, ponderados e perseguidos racionalmente; visto que as pessoas possuem uma carga e teor de valores que recebeu no seu processo de socialização, ou em manifestações emocionais pontuais.

Perante isso, consegue-se verificar que é possível estudar as relações de trabalho, com base nas ações e proporções com que estas se desenvolvem quanto às práticas instrumentais que se exercem no ambiente de trabalho e a outra dimensão da racionalidade interligada ao ser humano Isso significa que o diálogo da racionalidade, ou seja, a troca da racionalidade adotada pelo indivíduo é uma e a racionalidade que as organizações estão inseridas é outra, pela própria natureza de origem – humana e organizacional. Por isso que as relações precisam ser desenvolvidas e compreendidas de modo que os conflitos reduzam e a sintonia possa se elevar.

Compreendem-se quatro tipos de racionalidades: prática, teórica, substantiva e instrumental, conforme Ramos (1983). A racionalidade prática está relacionada com a visão e o prejuízo do indivíduo sobre uma prática assumida. A racionalidade teórica envolve o domínio da realidade através da construção de conceitos abstratos precisos em detrimento da ação. Isto implica que a conduta à ação não precisa ocorrer necessariamente. A racionalidade substantiva refere-se ao direcionamento de ordens de ação sob determinados padrões que levam em consideração a contextualização do indivíduo, é orientada por valores sociais e está em conformidade com pressupostos sociais. A racionalidade instrumental – chamada por Mannheim de racionalidade funcional– configura a articulação ou relação entre as ações para que os objetivos predeterminados sejam atingidos, nesta lógica prevalece a relação entre meios e fins.

Para elucidar o sentido racional do trabalho, na mesma medida que o ser humano busca a razão do seu trabalho, traduzem duas vertentes no seu significado: a linha da racionalidade instrumental (mais voltado a fins produtivos) e racionalidade substantiva (onde preserva os valores humanos e sociais). Sendo que as organizações sustentam-se e desenvolvem-se para o mercado, mas as pessoas sustentam-se e desenvolvem-se por subsídios pelo próprio processo natural humano e de socialização, conforme contribuiu Weber.

Prudência e justiça são virtudes éticas – hábitos de eleição preferencial no sentimento humano – que parecem não ter marcado presença no mundo capitalista, que desvirtuam inclusive a razão utilitária, ditam Valenti; Silva (1995). Ramos (1989) diz que quando Manheim apresenta o fato de que a racionalidade instrumental despoja o indivíduo de sua capacidade de sadio julgamento tende a abranger a totalidade da vida humana, não deixa ao indivíduo outra escolha além da desistência da própria autonomia e de sua própria interpretação dos eventos, em favor daquilo que os outros lhe dão.

Percebe-se ainda que as mudanças dos períodos históricos possam levar a transformações no mundo do trabalho já previstas pelo economista Keynes conforme Valenti; Silva (1995), Keynes fez

projeções para o futuro em termo de possibilidades econômicas, e para isso ocorrer, precisava-se combater os dois tipos de pessimismo que dominavam o comportamento humano da época: o dos revolucionários, para os quais tudo estava tão mal que nada poderia salvá-los, senão uma mudança violenta; e os que consideravam o equilíbrio econômico-social tão precário que não era possível arriscar nenhuma experiência. Para que se pudesse reverter esse quadro, Keynes sugeriu que o homem deveria assumir uma posição mais digna, de fim em si mesmo. Ele defendeu que o acúmulo de riqueza, com o passar do tempo, não apresentaria mais importância social. Outra previsão originária desse estudo foi a de que haveria grandes mudanças no código moral e uma reavaliação do motivo-dinheiro. Apesar da crise do keynesianismo e da hegemonia do lucro sobre outros valores, há quem ratifique essa ordem prevista, talvez tardia, na qual o motor do mundo será a subjetividade e não a economia (VALENTI; SILVA, 1995).

Isto demonstra que após mais de uma década desta descrição se vive em uma realidade onde os estudos e a teorias relacionadas ao universo do trabalho têm oferecido maiores subjetividades conforme se notificam artigos descritos nas revistas da área de Administração no Brasil nos últimos 05 anos, como RAC (Revista de Administração Contemporânea) RAUSP (Revista de Administração da Universidade de São Paulo), RAE (Revista de Administração de Empresas). O pensamento complexo e as subjetividades nos estudos organizacionais demonstram que vivemos em uma nova tendência, seja por critérios acadêmicos ou práticos. A economia e o lucro já não se sustentam objetivamente como os períodos anteriores desta época.

Como ainda descreve Ramos (1989), pode-se tornado escravos de um sistema de comunicação de massa dirigido por grandes complexos empresariais, onde os indivíduos tendem a perder a capacidade de se empenhar no debate racional. Cedem a influências projetadas, a maioria das pessoas perdem a capacidade de distinguir entre o fabricado e o real e, em vez disso, aprendem a reprimir padrões de racionalidade, beleza e moralidade, inerentes ao senso comum.

Habermas, um dos precursores da teoria crítica, demonstrou seu posicionamento por meio da Escola de Frankfurt, que se tornou um centro de pesquisa voltado para a análise crítica dos problemas do capitalismo moderno. A teoria crítica, como é conhecida a produção central do grupo, tornou-se uma passagem obrigatória aos intelectuais contemporâneos que se dedicam a estudar diversos temas, tais como a racionalidade na sociedade moderna e as relações entre a ciência e o desenvolvimento social, demonstra Ramos (1989) e Serva (1997).

A crítica da razão instrumental e a preocupação com a emancipação humana são dois aspectos marcantes nas obras dos frankfurtianos. Habermas é considerado o herdeiro direto da

Escola de Frankfurt. Habermas elaborou um dos estudos mais profundos sobre o tema da racionalidade, tocando os campos da filosofia e das ciências sociais. A teoria da ação comunicativa vem influenciando dezenas de autores no mundo, suscitando críticas, adições e comentários quanto à ação racional da sociedade contemporânea com vistas à emancipação do homem face aos constrangimentos impostos por essa sociedade (SERVA, 1996).

Diante das discussões e apresentações pode-se verificar que as preocupações com os aspectos e as questões éticas, humanas e sociais precisam ser preservadas frente às ações e os objetivos empresariais que podem refletir em consequências e constrangimentos humanos e sociais. Os fins econômicos, financeiros e tecnológicos estarão neutralizando o que satisfaz os seres humanos nos seus ambientes de trabalho.

A visão da racionalidade, foi uma das preocupações centrais dos autores da Escola de Frankfurt, ao afirmar que na sociedade moderna, a racionalidade se transformou num instrumento disfarçado de perpetuação da repressão social, em vez de ser sinônimo de razão verdadeira, com as forças produtoras subordina-se a vida humana a metas que nada têm a ver com a emancipação humana. Contudo, na moderna ciência social, o ser humano não é senão uma criatura capaz do cálculo utilitário de consequências e o mercado modelo de acordo com o qual sua vida associada deveria organizar-se; e hoje em dia a expansão do mercado atingiu um ponto de rendimentos decrescentes, ‘em termos de bem-estar humano’. Os resultados da modernização na indústria e todo o sistema de mercantilização atualmente tem resultado em inseguranças psicológicas, degradação da qualidade da vida, poluição e exaustão dos recursos do planeta, e assim segue o mal disfarçado no caráter enganador das sociedades contemporâneas (RAMOS, 1989).

Simon (1971, p. 75) ao contrário afirmava que um indivíduo jamais poderia alcançar um alto grau de racionalidade, e sim a organização, pois “as organizações administrativas são sistemas de comportamento cooperativo, onde se espera que os seus membros orientem seu comportamento de acordo com certos fins que são considerados objetivos da organização”. O autor já demonstrava a boa administração como àquela que entende o comportamento da organização e do indivíduo por objetivamente atender aos fins. Etzioni (1989) demonstrou também que o racionalismo da organização e a felicidade humana são concomitantes. Todavia, em toda organização existe um ponto em que a felicidade e a eficiência deixam de se complementar ao mesmo tempo, ao ver que nem todo trabalho pode ser bem pago e satisfatório, e que também nem todas as regras são aceitáveis. Deste modo, se vive em tensões permanentes.

Nessas abordagens reafirma-se que a racionalidade e o mundo do trabalho convivem em duas dimensões que precisam ser melhor compreendidas, o equilíbrio das perspectivas humanas e organizacionais. Enquanto as pessoas que trabalham nas organizações oferecem à sociedade a troca e geração de renda e produção de bens e serviços, estes trabalhadores precisam também sustentar-se para continuar oferecendo o melhor nas organizações em que convivem diariamente.

A racionalidade substantiva, também chamada de valores e instrumental como meio- finalística com a contribuição de Weber, Thiry-Cherques (2009) relata racionalidade quanto aos valores refere-se aos fins que são frutos de escolhas que possuem por base valores não diferenciáveis objetivamente. Já a racionalidade meio finalística é oposta a racionalidade quanto aos valores, pois é utilitária por formular um conhecimento a ser posto a serviço de um determinado fim. Para favorecer o entendimento, se expressa a seguir uma destas.

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