A fim de traçar um perfil dos participantes da pesquisa, primeiramente estão apresentados os dados referentes à idade e composição corporal e na sequência, são apresentados os dados referentes à imagem corporal e maturação sexual.
Tabela 1: Distribuição dos sujeitos por idade e sexo.
Idade Sexo masculino Sexo feminino Geral
8 anos 35 (19,7%) 43 (27,6%) 78 (23,4%) 9 anos 23 (12,9%) 24 (15,4%) 47 (14,1%) 10 anos 32 (18,0%) 24 (15,4%) 56 (16,8%) 11 anos 19 (10,7%) 30 (19,2%) 49 (14,7%) 12 anos 27 (15,2%) 12 (7,7%) 39 (11,7%) 13 anos 22 (12,4%) 15 (9,6%) 37 (11,1%) 14 anos 9 (5,1%) 6 (3,8%) 15 (4,5%) 15 anos 9 (5,1%) 1 (0,6%) 10 (3,0%) 16 anos 1 (0,6%) 1 (0,6%) 2 (0,6%) 17 anos 1 (0,6%) 0 (0,0%) 1 (0,3%) Total 178 (100,0%) 156 (100,0%) 334 (100,0%)
A média de idade geral dos sujeitos avaliados foi de 10,5±2,1 anos (mínimo de 8 e máximo de 17), sendo a média para o sexo masculino de 10,8±2,2 anos e para o sexo feminino de 10,2±1,9 anos.
Na Tabela 2 são apresentados resultados por sexo e gerais referentes à massa corporal, estatura e Índice de Massa Corporal (IMC).
Tabela 2: Massa corporal, estatura e IMC. Massa corporal [kg] Estatura [m] IMC [kg/m2] Sexo masculino (n = 178) 39,9 ± 15,5 (19,1 – 109,2) 1,42 ± 0,14 (19,1 – 109,2) 19,2 ± 4,4 (13,3 – 42,0) Sexo feminino (n = 156) 35,9 ± 11,7 (17,9 – 87,2) 1,38 ± 0,13 (1,10 – 1,71) 18,4 ± 3,5 (13,4 – 33,2) Geral (n = 334) 38,0 ± 14,0 (17,9 – 109,2) 1,40 ± 0,14 (1,10 – 1,88) 18,8 ± 4,0 (13,3 – 42,0) Onde: Média ± desvio padrão (mínimo – máximo)
Percebe-se que em média, o sexo masculino apresentou maior massa corporal e estatura em relação ao sexo feminino. Este fato reflete-se em um maior IMC também do sexo masculino. A média de idade dos sujeitos do sexo masculino foi ligeiramente maior do que do sexo feminino.
De acordo com a WHO (2007), para esta faixa etária média, a estatura média para o sexo masculino, é de 1,41±6,61 m. Já para o sexo feminino é de 1,39±6,44 m A Massa Corporal para meninos é de 31,1 Kg e para meninas é 31,8 Kg. Já o Índice de Massa Corporal médio é de 16,7 kg/m2 para ambos os sexos. Assim, utilizando a mesma referência proposta em 2007, pode-se classificar a média de IMC do sexo masculino e do sexo feminino como normal.
Petroski et al. (2006) sugere que para crianças e adolescentes brasileiros, os pontos de corte desenvolvidos por Conde e Monteiro (2006) sejam os mais adequados para classificar o IMC. Levando em consideração esta proposta, as médias de idades dos sexos feminino e masculino encontradas neste estudo podem ser classificadas como normais, já que o ponto de corte para excesso de peso considerado pelo autor para os meninos é de 19,68 kg/m2 e para as meninas é de 19,04 kg/m2.
No estudo proposto por Guedes e Guedes (1997), os autores analisaram o ganho de estatura, massa corporal e IMC de rapazes e moças entre 7 e 17 anos. Foi constatado que o maior ganho de estatura para as moças ocorreu entre os 10 e 11 anos (7,08 cm e para rapazes entre 13 e 14 anos (6,44 cm). Em relação a massa corporal, para as meninas, o maior ganho ocorreu entre os 10 e 11 anos (5,55 kg) e para os meninos entre os 13 e 14 anos (6,00 kg). Por fim, estes aumentos refletiram no Índice de Massa Corporal, de modo que o maior ganho para o sexo feminino ocorreu entre 10 e 11 anos (1,06 kg/m2) e para o sexo masculino entre 13 e 14 anos (0,97 kg/m2).
Segundo os dados de 2008 e 2009 do estudo Pesquisa de Orçamentos Familiares, o perfil antropométrico das crianças catarinenses difere da mediana observada para a mesma faixa etária. Por exemplo, a massa corporal média das crianças catarinenses que possuem 10 anos esta 2,2 kg acima da mediana nacional (36,4% para 34,2%). Ainda, a diferença entre as estaturas encontra-se na casa dos 2cm (141,8% contra 139,9%), o que possivelmente indica diminuição do déficit de crescimento no Estado de Santa Catarina.
Assis et al. (2006) colocam que Florianópolis-SC é uma das capitais do Brasil que apresenta níveis altos de sobrepeso e obesidade durante a infância quando comparados a outras cidades, estados e países. Farias Junior e Lopes (2003), tem avaliado a prevalência de sobrepeso e obesidade nas idades entre 7 e 10 anos e 15 e 18 anos. Os percentuais encontrados são de 22,1% de sobrepeso e 11,4% de obesidade.
Adami e Vasconcelos (2008), ao analisarem a prevalência de obesidade em 629 escolares entre 10 e 14 anos de Florianópolis-SC, identificaram uma média de prevalência de sobrepeso e obesidade em meninos de 27,8% e 5,8% respectivamente. Já para as meninas, foi encontrada uma prevalência de 16,5% de sobrepeso e de 5,1% de obesidade.
Filosof et al. (2000) coloca que foram encontrados números de sobrepeso em crianças e adolescentes na Colômbia (14,0%), na Bolívia (15,2%), no Paraguai (19,8%), no Peru (28,6%) e no Brasil (18,8%).
Anjos et al. (1998) analisaram as medidas de massa corporal e estatura de crianças e jovens brasileiros de ambos os sexos do nascimento até 25 anos obtidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e pelo Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição em 1989. Constataram que os valores de massa corporal
levantados tendem a manter-se estáveis entre 6 e 8 anos e aumentam progressivamente até se estabilizarem aos 19 a 20 anos no sexo feminino e aos 20 a 21 anos no sexo masculino. A pesquisa revelou também que as meninas apresentam valores de índice de massa corporal superiores aos meninos a partir dos 12 anos, bem como diferenças entre os percentis extremos. Assim, foi possível afirmar que em linhas gerais, o padrão de evolução do índice de massa corporal no Brasil assemelha-se ao encontrado na França, Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.
Segundo Dietz (1994), a adolescência é um dos períodos mais críticos da obesidade. Bray (2000), afirma que quando presente nesta fase do ciclo vital, este distúrbio tende a permanecer durante a vida adulta e associa-se de forma significativa a hipertensão arterial e com a hipercolesterolemia, o que representa fator de risco para doença coronariana futura. Estas afirmações ratificam a importância de avaliação adequada e acompanhamento durante esta fase.
Denadai et al. (1998) propuseram a intervenção e acompanhamento de atividade física moderada associadas a orientação nutricional em 11 adolescentes obesos com média de idade de 12,8 anos em duas sessões semanais durante nove meses. Ao aferir o IMC inicial e final (após a intervenção), foi constatado que o modelo de intervenção através de exercício físico aeróbio aliado a orientação nutricional é apropriado para o controle precoce da obesidade e para minimização de riscos mórbidos associados, podendo ser considerada como um recurso importante para diminuição de incidência e prevalência da obesidade na vida adulta. Giugliano e Melo (2004), colocam que não há dúvidas quanto ao aumento da obesidade em crianças, porém afirmam que persistem questões sobre o melhor critério diagnóstico nesta faixa etária. Fisberg (1995) cita que o peso por estatura em crianças e o IMC em adolescentes seriam os melhores indicadores. Porém, o autor coloca dificuldades na avaliação da composição corporal em crianças e também desconhecimento quanto aos limites de percentual de gordura associados aos riscos em relação à saúde nesta faixa de idade. Davies e Preece (1989) também admitem ser insatisfatório o número de técnicas para o estudo da composição corporal em crianças e adolescentes ao comparar-se aos adultos. Giugliano e Melo (2004) sugerem que parte deste problema, pode ser atribuído às alterações na composição corporal que ocorrem durante o processo fisiológico do crescimento. Malina e Bouchard (1991), afirmam que estas alterações referem-se principalmente às porcentagens de gordura, músculos e ossos.
Ao considerar estes dados, é importante ressaltar que a validade da utilização do IMC para diagnosticar sobrepeso e obesidade é baseada na correlação que apresenta com a gordura corporal. Entretanto, o índice não distingue os componentes, ou seja, não considera o que refere-se a massa gorda, a massa muscular, a massa residual e a massa óssea. Este fato dificulta a diferenciação entre o sobrepeso causado por excesso de gordura ou de massa muscular (SIGULEM et al., 2000). Considera-se esta limitação ainda maior durante o processo de maturação sexual, principalmente na adolescência, quando o jovem apresenta um aumento progressivo do IMC. Por este motivo, mais a frente serão apresentados os dados do fracionamento da massa corporal em quatro componentes, permitindo uma melhor avaliação.
A seguir, a tabela 3 que refere-se aos dados de dobras cutâneas tricipital e subescapular de ambos os sexos.
Tabela 3: Dobras cutâneas (em mm). Dobras cutâneas (DC) Sexo masculino (n = 332) Sexo feminino (n = 332) Geral (n = 332) Tricipital 12,2 ± 6,5 (4,2 – 35,0) 13,9 ± 5,9 (4,2 – 35,5) 13,0 ± 6,3 (4,2 – 35,5) Subescapular 10,1 ± 7,2 (3,9 – 40,0) 11,4 ± 6,7 (4,4 – 37,5) 10,7 ± 7,0 (3,9 – 40,0) Σ DC 22,3 (8,2 – 73,3)± 13,3 (11,0 – 69,8)25,3 ± 12,2 23,7 (8,2 – 73,3)± 12,9
Onde: Média ± desvio padrão (mínimo – máximo)
Pode-se observar que as dobras cutâneas tricipital e subescapular apresentam valores mais elevados no sexo feminino. Guedes e Guedes (1997) propõem que embora as meninas em todas as idades consideradas apresentaram valores médios mais elevados do que os meninos, foi a partir dos 12 anos na região tricipital e dos 15 anos na região subescapular que as diferenças tornaram-se ainda mais significantes.
Montañes et al. (2007) demonstraram que a dobra cutânea tricipital pode ser considerada um forte indicador de dislipidemias e hipertensão arterial em crianças. Seguindo este raciocínio, a dobra cutânea subescapular pode ser entendida como um bom indicador de adiposidade. Misra et al. (2007) complementa que esta última dobra cutânea em comparação com IMC e com a Composição Corporal tem melhor capacidade para predizer fatores de risco cardiovascular em adolescentes.
De acordo com Guedes e Guedes (1997), a superioridade das moças em relação aos rapazes quanto à quantidade de gordura subcutânea na adolescência deve ser atribuída, numa proporção mais elevada aos depósitos de gordura localizados mais nas extremidades do corpo do que na parte central. No estudo proposto por Guedes e Guedes (1997), a principal diferença entre as meninas de mais idade para as mais jovens parece ter ocorrido na quantidade de gordura subcutânea, entre os meninos as maiores diferenças constatadas foram referentes à disposição dos depósitos regionais de adiposidade, sendo que a tendência de concentração de gordura é mais centralizada com o avanço da idade. Outros estudos sobre a distribuição de gordura subcutânea também concluíram resultados semelhantes que corroboram na sugestão de que esta é uma tendência esperada quanto a distribuição do tecido adiposo nesta faixa etária (GUEDES, 1982; KEMPER; VERSCHUUR, 1985; MALINA; BOUCHARD, 1988).
Em estudo realizado por Forbes (1986), que levou em consideração a idade cronológica, constatou que à medida que a maturação progride de um estágio inicial para o estágio pleno, a dobra cutânea tricipital aumenta nas meninas e diminui progressivamente nas meninos.
O decréscimo da taxa de aumento da gordura corporal com a idade é de menor intensidade no tronco do que nos membros. Isto pode ser explicado pois a espessura da dobra cutânea subescapular continua aumentando também no sexo masculino, contrariamente do que ocorre com a dobra tricipital (TANNER; WHITEHOUSE, 1975).
A proporção apresentada pelas medidas de espessura das dobras cutâneas nas regiões subescapular e tricipital são fundamentais para os indicadores referenciais visto que apontam interesses junto a monitoramento dos índices de saúde de crianças e adolescentes, uma vez que a medida da gordura subcutânea exerce função importante frente a variação das funções metabólicas, consideradas junto a gordura corporal total, com um dos fatores de risco mais significativo
associado ao aparecimento de doenças degenerativas (BJORNTORP, 1985). Com isto, Guedes e Guedes (1997) colocam que ao controlar e ratificar a importância deste acompanhamento e diagnóstico quanto à distribuição de gordura subcutânea na parte central e extremidades do corpo, pode-se auxiliar na minimização de possíveis disfunções metabólicas durante a infância e adolescência que possivelmente poderiam provocar o surgimento de distúrbios patológicos na fase adulta.
Seguem abaixo as figuras 1 e 2, que apresentam a distribuição das espessuras e soma das dobras cutâneas tricipital e subescapular em função da idade para os sexos masculino e feminino.
- 12,0 24,0 36,0 48,0 60,0 mm Triciptal 10,2 11,0 14,5 14,3 12,8 12,1 15,2 11,8 17,8 8,4 Subescapular 7,8 8,8 11,8 11,0 10,4 11,8 18,5 11,4 11,6 9,2 Σ DC 18,0 19,8 26,3 25,4 23,2 23,9 33,8 23,2 28,8 17,7 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos 17 anos
Figura 1 – Distribuição das espessuras e soma das dobras cutâneas em função da idade para o sexo masculino.
Contrapondo os dados apresentados no estudo de Forbes (1986), a dobra cutânea tricipital dos sujeitos do sexo masculino teve uma leve diminuição entre os 10 e 13 anos, porém entre os 13 e 17 anos, os valores oscilaram entre aumento e diminuição. Entretanto, os dados referentes à dobra cutânea subescapular corroboram com a pesquisa realizada por Tanner e Whitehouse (1975), visto que a espessura encontrada é menor do que na dobra cutânea tricipital, considerando que com o avanço da idade, a concentração de gordura corporal tende a ser menor no tronco do que nos membros. Em relação ao somatório das dobras cutâneas, os valores identificados demonstraram uma grande oscilação de aumento e diminuição
da espessura com o avanço da idade. No estudo proposto por Guedes e Guedes (1997), a média do somatório aumentou com o passar dos anos.
- 12,0 24,0 36,0 48,0 60,0 mm Triciptal 12,2 13,3 14,2 15,9 13,8 13,5 15,2 20,5 27,5 Subescapular 10,4 11,4 11,0 12,6 11,1 11,0 12,9 11,4 27,5 Σ DC 22,6 24,7 25,3 28,4 24,9 24,5 28,1 32,1 55,0 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos
Figura 2 – Distribuição das espessuras e soma das dobras cutâneas em função da idade para o sexo feminino.
No sexo feminino, observa-se que a dobra cutânea tricipital aumentou progressivamente com o avanço da idade. Este resultado semelhante foi encontrado na pesquisa de Forbes (1986), Guedes e Guedes (1997) e Santos et al. (2007). A dobra subescapular aferida em todas as idades, foi mantida em valores mais baixos do que a dobra tricipital e ainda que em espessuras e proporções menores, também aumentou progressivamente com o avanço da idade.
Na Tabela 4, são contemplados dados referentes ao percentual de gordura e aos fracionamento da massa corporal em quatro componentes, distinguindo a quantidade em quilos referente a massa gorda, massa muscular, massa óssea e massa residual.
Tabela 4: Percentual de gordura e fracionamento da composição corporal. Sexo masculino (n = 176) Sexo feminino (n = 156) Geral (n = 332) Percentual de gordura [%] 19,4 ± 10,5 (5,0 – 59,0) 21,8 ± 7,9 (10,6 – 47,8) 20,5 ± 9,4 (5,0 – 59,0) Massa Gorda [kg] 8,5 ± 8,3 (1,0 – 63,9) 8,4 ± 5,8 (2,3 – 41,7) 8,5 ± 7,2 (1,0 – 63,9) Massa Muscular [kg] 16,2 ± 5,3 (5,9 – 37,1) 15,8 ± 3,9 (7,5 – 26,1) 16,0 ± 4,7 (5,9 – 37,1) Massa óssea [kg] 5,1 ± 1,5 (2,5 – 10,4) 4,2 ± 1,0 (2,2 – 7,1) 4,7 ± 1,4 (2,2 – 10,4) Massa residual [kg] 9,4 ± 3,4 (4,6 – 26,3) 7,5 ± 2,5 (3,7 – 18,2) 8,5 ± 3,1 (3,7 – 26,3) Onde: Média ± desvio padrão (mínimo – máximo)
Pode-se observar que a média de percentual de gordura do sexo masculino foi aproximadamente 2% menor do que no sexo feminino.
De acordo com classificação proposta por Lohman (1987) apresentada no quadro abaixo, que leva em consideração as duas dobras cutâneas coletadas no presente estudo (TR + SB), a média de percentual de gordura encontrada para meninos e para meninas podem ser consideradas em nível ótimo.
Valor observado
Classificação Sexo masculino Sexo feminino
Até 6,0 Até 12,0 Muito baixo
6,1 – 10,0 12,1 – 15,0 Baixo
10,1 – 20,0 15,1 – 25,0 Ótimo
20,1 – 25,0 25,1 – 31,0 Moderadamente alto
25,1 – 31,0 31,1 – 35,5 Alto
Maior que 31,0 Maior que 35,5 Muito alto
Quadro 8 – Classificação de Percentual de Gordura (%G). Fonte: Adaptado de Lohman (1987).
Assim, é possível perceber que a maioria dos sujeitos do presente estudo apresentou este índice dentro dos padrões considerados normais. Estes resultados apresentam-se de forma similar ao estudo realizado por Pires (2002), ao analisar escolares da região de Florianópolis – SC e Lopes (1999), em estudo com crianças de diferentes grupos étnico-culturais do Estado de Santa Catarina.
Diniz et al. (2006), ao pesquisarem o percentual de gordura de escolares de ambos os sexos entre 8 e 11 anos de Ijuí – RS, também constataram que grande parte dos sujeitos apresentou nível considerado adequado para a saúde.
Santos et al. (2007), ao avaliarem meninas não atletas entre 7 e 17 anos, observaram uma média de percentual de gordura de 27,2% e média de massa gorda de 14,2 Kg. Resultados que apontam valores mais elevados do que os observados no presente estudo. Isto pode ocorrer pois a concentração de crianças e adolescentes da pesquisa realizada por Santos et al. (2007) foi maior nas fases púberes e pós-púberes, contrapondo-se às características da maioria dos sujeitos do presente estudo.
Em virtude de que os sujeitos da presente pesquisa apresentaram idade cronológica média entre os 10 e 11 anos, as diferenças entre os percentuais de gordura e logo dos componentes da massa corporal (massa gorda, massa muscular, massa óssea e massa residual) não apresentaram grandes variações entre os sexos. Isto pode ocorrer, pois os eventos da puberdade geralmente se dão posteriormente a esta fase. Nos próximos capítulos, será possível verificar de que maneira reage o percentual de gordura e logo o aumento e/ou diminuição de massa gorda e massa muscular a medida que os estágios da maturação sexual avançam em ambos os sexos .
A seguir, a tabela 5 apresenta dados referentes à imagem corporal percebida e imagem corporal desejada indicada pelos sujeitos em geral e por divisão de sexo.
Tabela 5: Imagem corporal percebida e desejada. Escala
da Silhueta
Sexo masculino Sexo feminino Geral
IP ID IP ID IP ID 1 10 (5,6%) 6 (3,8%) 8 (4,5%) 7 (4,5%) 16 (4,8%) 15 (4,5%) 2 13 (7,3%) 13 (8,3%) 12 (6,7%) 9 (5,8%) 26 (7,8%) 21 (6,3%) 3 26 (14,6%) 10 (10,8%) 33 (18,5%) 11 (7,1%) 36 (10,8%) 44 (13,2%) 4 48 (27,0%) 26 (16,7%) 44 (24,7%) 30 (19,2%) 74 (22,2%) 74 (22,2%) 5 35 (19,7%) 52 (33,3%) 48 (27,0%) 68 (43,6%) 87 (26,0%) 116 (34,7%) 6 29 (16,3%) 30 (19,2%) 26 (14,6%) 26 (16,7%) 59 (17,7%) 52 (15,6%) 7 14 (7,9%) 17 (10,9%) 7 (3,9%) 5 (3,2%) 31 (9,3%) 12 (3,6%) 8 2 (1,1%) 2 (1,3%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 4 (1,2%) 0 (0,0%) 9 1 (0,6%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 0 (0,0%) 1 (0,3%) 0 (0,0%) Total 178 (100%) 178 (100%) 156 (100%) 156 (100%) 334 (100%) 334 (100%) Onde: Frequência absoluta (frequência relativa)
Nota-se que aproximadamente 80% dos sujeitos do sexo masculino se percebem e se desejam entre as silhuetas 3 e 6 e se desejam entre as silhuetas 3 e 6, sendo a maior concentração de percepção na silhueta 4 e de desejo na silhueta 5. Da mesma maneira, no sexo feminino, aproximadamente 80% das meninas se percebem e se desejam entre as silhuetas 3 e 6, sendo a maior concentração de percepção e de desejo na silhueta 5.
Ao adotar a classificação para Imagem Corporal Percebida colocada por Madrigal-Fritsch et al. (1999), onde silhueta 1 representa baixo peso, entre as silhuetas 2 e 5 eutrofia, silhuetas 6 e 7 sobrepeso, e 8 e 9 obesidade, pode-se considerar que mais da metade dos sujeitos de ambos os sexos do presente estudo classificam-se em termos de imagem corporal percebidas como eutróficos.
Stunkard (1983), diz que a silhueta percebida é a real e a desejada a ideal. Acrescenta que a discrepância entre estas mede o grau de insatisfação com a imagem corporal. Em linhas gerais, esta discrepância se dá a partir da subtração da imagem corporal percebida da imagem corporal desejada. Quando este valor é positivo (exemplo: icp=5 / imd=4), significa que o sujeito apresentou desejo de
diminuir a imagem corporal. Quando o valor é negativo (exemplo: icp=5 / imd=6), significa que o sujeito apresentou desejo em aumentar a imagem corporal. As questões colocadas para esta escala, são as mesmas colocadas para a escala presente no estudo em questão, proposta por Tiggeman e Barret (1998) adaptada para crianças e adolescentes.
Segue abaixo a figura 3 que coloca a diferença entre a imagem corporal percebida e a imagem corporal desejada dos sexos masculino e feminino do presente estudo, seguindo a proposta de Stunkard (1983) referente a insatisfação com a imagem corporal.
0 20 40 60 80 100 120 140 F re q u ê n c ia a b s o lu ta masculino 0 1 1 8 16 24 62 35 19 6 6 0 0 feminino 0 1 2 5 13 20 54 29 26 1 4 0 1 Total 0 2 3 13 29 44 116 64 45 7 10 0 1 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6
Figura 3 – Diferença entre imagem corporal percebida e imagem corporal desejada para os sexos feminino e masculino
Ao aplicar a proposta de Stunkard (1983) junto aos sujeitos que compõem a amostra do presente estudo, nota-se que 35% dos sujeitos encontra-se satisfeito com a imagem corporal atual. Sendo que destes, há pouca variação de satisfação entre os sexos. Entre os meninos, cerca de 34% encontram-se satisfeitos com sua imagem corporal atual, aproximadamente 36% apresentou desejo em diminuir a imagem corporal, enquanto que cerca de 30% apresentou desejo em aumentar a imagem corporal. Em contrapartida, no sexo feminino, 34% encontram-se satisfeitas com a imagem corporal atual, 40% manifestou desejo em diminuir a imagem corporal e 26% esboçaram vontade em aumentar a imagem corporal.
Savoia (2003) afirma que principalmente nas meninas, a preocupação com o corpo esbelto e esguio, pode provocar distúrbios nutricionais com consequências
graves para a saúde. Assim, a insatisfação com a imagem corporal parece ser mais elevada no sexo feminino. Gardner et al,.(2003) coloca que isto pode ser constatado até mesmo em crianças. No sexo masculino, a insatisfação com a imagem corporal também está relacionada com as desordens alimentares, como anorexia e bulimia nervosa (KEEL et al., 1997; LEON et al., 1995).
Fernandes (2007) afirma que a insatisfação corporal não é exclusiva do sexo feminino e na pesquisa realizada pela autora, o percentual desta foi maior no sexo masculino, corroborando com os dados encontrados por Furnham e Calnan (1998).
Ricciardelli e McCabe (2001), afirmam que possivelmente a preocupação com a imagem corporal está relacionada com sexo, idade, cor, grupos étnicos e índice de massa corporal. No próximo capítulo, será possível verificar a correlação existente entre a imagem corporal e o índice de massa corporal.
Em estudo realizado por Robinson et al. (2001), foi colocado que meninas asiáticas americanas podem relatar menos insatisfação com a imagem corporal do que crianças brancas latinas. Os mesmo autores afirmam que crianças africanas americanas têm preferência a uma figura corporal maior do que as figuras percebidas em contrapartida que as crianças caucasianas têm o desejo de uma imagem corporal mais magra do que a percebida. Sem dúvida, cada vez mais em função da globalização mundial e da valorização exagerada na imagem perante os veículos de comunicação, a imagem reconhecida como a ideal vem se tornando progressivamente mais magra. Com isto, segundo Labre (2002), a proporção de indivíduos insatisfeitos com suas aparências físicas vem aumentando durante as os últimos anos, sendo que em menores proporções nos países ocidentais. Na Noruega, foi observado um aumento da insatisfação corporal entre os anos de 1992 e 2002 (STORVOLL ET AL,. 2005).
Cuadrado et al. (2000), ao estudarem a imagem corporal percebida e atitudes para emagrecer de crianças e adolescentes entre 12 e 18 anos na Espanha, constataram que 56% das meninas e 27% dos meninos identificaram insatisfação com a massa corporal, mesmo apesar da baixa prevalência de sobrepeso encontrado (10% para o sexo feminino e 6% para o sexo masculino).
Em pesquisa realizada por Ducan et al. (1985), ao estudarem os efeitos da maturação puberal sobre a imagem corporal, comportamento escolar e desvios de conduta de adolescentes entre 12 e 17 anos norte-americanos, identificaram que os meninos que encontravam-se no início da puberdade demonstraram mais satisfação
corporal (24% desejava ser magro). Enquanto que as meninas desta mesma fase do desenvolvimento puberal, demonstraram maior insatisfação com a imagem corporal (69% desejava ser magra).
Em estudo desenvolvido por Fernandes (2007) envolvendo 1183 crianças e adolescentes entre seis e 18 anos de Belo Horizonte, foi encontrado que 28,9% dos sujeitos gostariam de ser mais gordos, 37,4% sentem-se bem com o corpo e 33,7% gostariam de ser mais magros. A mesma autora observa que mesmo em crianças mais novas, o número de indivíduos insatisfeitos com o seu corpo é elevado. Estes dados assemelham-se aos encontrados em pesquisa de Triches e Giugliani (2007) e são inferiores ao estudo proposto por Pinheiro (2003).
Heinberg e Thompson (1992) colocam que algum nível de insatisfação