Outra forma de partilhar o nosso projecto com a comunidade prendeu-se com a realização de uma exposição final dos trabalhos das crianças e paralelamente de todos os registos efectuados ao longo de meses de trabalho. Tal com já foi mencionado, para esta exposição apontamos como exemplos: a maqueta, o fogo-de-artifício, os lenços dos namorados, o Manel e a Maria, os trajes, os bordados, as peças de ouro e o coração construídas pelas crianças, as fotografias ilustrativas das visitas e de diversos momentos do processo vivenciado. Esta exposição foi dada a conhecer através de convites a todas as pessoas que colaboraram no projecto, ao agrupamento a que pertencemos, a outros agrupamentos e a todas as pessoas que as crianças quiseram convidar.
O entusiasmo das crianças era enorme e não paravam de dizer “temos que fazer
os convites”, “temos que fazer os convites”.
Mas tinham de pensar como:
“Como fizemos o postal de natal, só que o nosso desenho tem que ser
sobre os nossos trabalhos que fizemos para a exposição”.(M.)
“Só que não pode ser muito grandes senão os envelopes, tem que ser
maiores ainda. (J.P.)
As crianças escolheram a cor da cartolina e cada uma desenhou o que queria. Como era necessário fazer convites para pessoas que não eram seus familiares (agrupamento, pessoas que colaboraram no projecto, escolas entre outros) cada criança depois fez os convites que quis para as pessoas da sua família e amigos. (Fig. 66 e 67)
Figura 66 - Brincos de Rainha desenhados pelas crianças
Figura 67 - Vários convites elaborados por as crianças dos grupos
Para além da elaboração dos convites, era necessário pensar como entregá-lo. Daí surgiu uma outra tarefa: a construção dos envelopes (Fig. 68) e dos selos.(Fig. 69) Mendes e Delgado referem que “(…) efectuar dobragens [envelopes] e observar a forma obtida, criar “novas” figuras a partir de outras e descrever o que acabou de construir, são exemplos de actividades que promovem o desenvolvimento de capacidades de visualização” (2008, p. 12).
Figura 68 - Dobragem do recorte. Figura 69 - Fazerem o selo
Depois desta tarefa acabada, era necessário pensarmos no que íamos expor e aonde.
“Eu acho que não vai ser difícil porque nós fizemos muitas coisas bonitas e bem feitas”.(M.)
“Temos a maqueta, o palmito, muito trabalho de ouro e das lavradeiras, os lenços dos namorados, não me lembro agora de mais nada.” (J. P.) “Também fizemos o Manel e a Maria e os mobiles com as lavradeiras, mordomas e noivos”. (Í. C.)
“Podemos fazer a exposição na entrada, para todas as pessoas verem. Temos que tirar muita coisa, mas vamos por lá os nossos trabalhos”.
(D.)
“Não vai custar quase nada porque nós temos tudo exposto aqui na sala e é só levar para lá”. (M.)
“Onde vamos por as nossas jóias? Aqui estão no placar e na entrada?”
(L.)
“Podemos ir agora à entrada para pensarmos melhor onde vamos por os trabalhos e o que temos que tirar.” (C.) (Fig. 70 e 71)
Depois do espaço quase vazio foi mais fácil para as crianças imaginarem onde podíamos colocar os diversos trabalhos que tínhamos. Tal como nos refere Silva “os conceitos lógico-matemáticos não se esgotam aqui; São especialmente relevantes os conceitos espácio-temporais que são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo da criança na medida em que lhe permitem orientar-se no espaço e no tempo” (2008, p.18).
Figura 70 - Tirar os cadeirões. Figura 71 - Arrumar os vaso.
Pensamos em conjunto como devíamos expor os trabalhos e a decisão foi tomada por votação. Então ficou decidido que
“Devíamos começar por pôr na parede o nome do nosso projecto e
depois as fotografias que nós trouxemos sobre Viana, as festas e os monumentos”. (R.S.)
“Depois a maqueta que era para ver onde era Viana”(R.J.)
“Ali o Palmito” (M.)
Assim todas as crianças foram dando as suas opiniões, até que chegaram à conclusão que não ia caber tudo “Mas temos que por o principal” (F). (Fig. 72 e 73)
A montagem não foi fácil até porque as opiniões eram muitas, tivemos que dividir o grupo e a partir daí foi muito mais rápido e mais fácil.
Figura 72 - Presépio com as imagens vestidas de Minhotas
Figura 73 - O Coração de Viana e jóias
Nesta exposição podemos demonstrar que em todo este projecto foram postas em prática diversas estratégias lúdicas significativas no contexto que se estava a trabalhar. A educadora e o grupo recriaram o espaço e procuraram de uma forma criativa e organizada mostrar a todos quantos visitaram a nossa exposição que é possível desenvolver um projecto curricular integrado no jardim-de-infância.
No dia e na hora em que estava prevista a abertura da exposição tudo estava pronto, a apresentadora vestida de lavradeira e o apresentador vestido de minhoto e todas as outras crianças expectantes e ansiosas por verem quem eram as primeiras pessoas a aparecerem.
Todos quantos nos visitaram e ouviram as explicações das crianças manifestaram o seu agrado, de forma muito especial o dono do Museu do Ouro, por crianças tão pequeninas terem trabalhado com tanto entusiasmo, tanto orgulho e saberem tão bem explicar cada passo que tiveram que dar para construírem e elaborarem todos aqueles trabalhos.
As crianças das escolas que foram ver a exposição mandaram-nos trabalhos e comentários feitos por elas relacionados com o que vivenciaram naqueles momentos e varias turmas foram visitar a exposição por mais de uma vez a pedido das crianças.
Para todas as crianças deste grupo foi muito gratificante ver no seu Jardim de Infância as pessoas que nos tinham recebido nas nossas visitas e muitos, muitos familiares e amigos.
Poucos dias depois, ainda se notava nas crianças cansaço de tanta excitação, fomos convidados para participar com o nosso projecto num Congresso em Braga. Quando receberam o convite o (J. P.) disse,
Mas como vamos? (L.)
Temos que ir de carrinha porque Braga é muito longe. (R.J.)