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Naturbruksskolene

5.3 Utdanningsinstitusjonenes tilpasning

5.3.1 Naturbruksskolene

O Nordeste brasileiro define-se historicamente como o espaço de ocupação mais antiga por parte do colonizador europeu. Visto como a região mais próxima, na América, de aporte das naus que vinham do velho mundo, é nesse "lugar", a partir da primeira metade do século XVI, que se vão desenvolver os dois mais sólidos centros de sustentação da colonização lusitana na América, os quais foram Pernambuco e Bahia (Freyre, 1997, Dantas, Sampaio e Carvalho, 1998, Alencastro, 2000).

Os grupos indígenas aí situados, em sua maioria, conheceram séculos de contato e, por essa razão, toda a história de seus ancestrais passa, de alguma forma, pela história do confronto com o

"outro", com o "branco", o "invasor". Trata-se de uma história das relações interétnicas, das relações com a Igreja, com o Império e, posteriormente, com o Estado-nação e toda a sorte de políticas que dele proveio.

Sabe-se que já no início da colonização, como atesta Gilberto Freyre, em Casa-Grande & Senzala (1997), os portugueses conseguiram "sufocar muito da espontaneidade nativa":

os cantos indígenas, de um tão agreste sabor, substituíram-nos os jesuítas por outros, compostos por eles, secos e mecânicos; cantos devotos, sem falar em amor, apenas em Nossa Senhora e nos santos. À naturalidade das diferentes línguas regionais, superimpuseram uma só, a ‘geral’. (...) Ainda mais: procuraram destruir, ou pelo menos castrar, tudo o que fosse expressão viril de cultura artística ou religiosa em desacordo com a moral católica e com as convenções européias. Separaram a arte da vida (Freyre, 1997:109).

As missões religiosas que deram cabo de fazer a junção de diversos grupos num só aldeamento missionário e, séculos depois, as atividades desempenhadas por órgãos responsáveis pela tutela desses grupos são também fundamentais no entendimento do que se passou na região que foi:

(...) uma das áreas de colonização mais importantes e antigas na formação da nação brasileira. A população indígena desta região sofreu um profundo e persistente impacto econômico e sociocultural por parte dos empreendimentos econômicos e religiosos que viabilizaram a ocupação dos sertões e a expansão territorial dos domínios portugueses (Oliveira, 1999b:110)

As "etnias" sobreviventes se valerem de duas possibilidades: 1) a busca por locais de "refúgio", convivendo com comunidades quilombolas e sertanejas ou 2) a incorporação pelo processo de ocupação, expansão, enfim, pelo processo civilizatório (Oliveira, 1999b:111). Dessa maneira, as populações indígenas que hoje habitam o Nordeste "provêm das culturas autóctones que foram envolvidas em dois processos de territorialização com características bem distintas: um verificado na segunda metade do século XVII e nas primeiras décadas do XVIII, associado às missões religiosas; o outro ocorrido neste século e articulado com a agência indigenista local" (Oliveira, 1999a:22).

O processo de territorialização, segundo João Pacheco de Oliveira, pode ser entendido como "um processo de reorganização social" pelo qual o grupo é levado a passar. A reorganização implica, por sua vez: "i) a criação de uma nova unidade sociocultural mediante o estabelecimento de uma identidade étnica diferenciadora; ii) a constituição de mecanismos políticos especializados; iii) a redefinição do controle social sobre os recursos ambientais; iv) a reelaboração da cultura e da relação com o passado" (Oliveira, 1999a:20).

Em outras palavras, o que o autor chama de "processo de territorialização" também pode ser definido como o movimento através do qual o grupo se transforma numa coletividade organizada que formula uma identidade própria e institui "mecanismos de tomada de decisão e de representação", reestruturando, com isso, as suas formas culturais (Oliveira, 1999a:22-24).

No primeiro movimento, as famílias nativas, com suas línguas e culturas diferenciadas, foram levadas para as organizações dos aldeamentos missionários, passando pelo processo de sedentarização e catequização. É desse momento que decorrem as atuais denominações indígenas do Nordeste. As missões, consideradas "unidades básicas de ocupação territorial e de produção econômica", caracterizaram-se por terem como objetivo uma conciliação ou acomodação entre diferentes culturas, as quais foram "homogeneizadas pelo processo de catequese e pelo disciplinamento do trabalho" (Idem).

Em seguida, o chamado "diretório dos índios" teve por intenção principal desenvolver estratégias "assimilacionistas" ao invés do "preservacionismo" mais presente nas missões. Como se sabe, foi precisamente durante o diretório pombalino que os casamentos interétnicos foram estimulados, além da proibição das línguas nativas e o uso obrigatório do português. Esse momento, para o autor, provoca profundo impacto na vida dos antigos moradores das vilas e aldeamentos pelo fato de "limitar seriamente as suas posses, deixando impressas marcas em suas memórias e narrativas" (Oliveira, 1999a:22-24).

Ao final do século XIX, já não se falava mais em povos e culturas indígenas no Nordeste. Destituídos de seus antigos territórios, não são mais reconhecidos como coletividades, mas referidos individualmente como ‘remanescentes’ ou ‘descendentes’. São os ‘índios misturados’ de que falam as autoridades, a população regional e eles próprios (...) (Idem).

O segundo processo de territorialização ocorre tão somente no início do século, mais especificamente na década de 20, quando alguns governos começam a reconhecer as terras dos antigos aldeamentos, delegando ao órgão indigenista a função de "controle" dessas terras, de modo a possibilitar que nelas residam os "descendentes indígenas". Esse segundo processo apresenta um caráter "antiassimilacionista", primando pela criação de "condições supostamente ‘naturais’ e adequadas" para a "afirmação de uma cultura diferenciadora", instaurando, portanto, "a população tutelada como um objeto demarcado cultural e territorialmente" (Oliveira, 1999a:24).

Resulta desse processo a criação de Postos Indígenas em diversas áreas do Nordeste, situadas, principalmente, nos Estados de Pernambuco, Bahia e Alagoas, sendo que em várias dessas áreas houve reconhecimento e demarcação de terras para a população indígena nela habitante. Houve ainda um outro movimento, ocorrido nos anos de 1970 e 80 que se deu com a chegada ao público de notícias sobre a mobilização e as respectivas reivindicações de grupos indígenas que não eram reconhecidos pelo órgão indigenista e não estavam presentes na descrição feita pela literatura etnológica até então. É a partir deste último momento que os rituais diferenciadores se fazem mais importantes e o destaque dado à estrutura política do grupo se intensifica (Oliveira, 1999a:27).