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IV. DISCUSIÓN Y POSICIONAMIENTO

2. De cuándo es virtuosa la circularidad

2.3. Naturalismo Reflexivo

Apesar das vantagens ambientais do etanol sobre o combustível de origem fóssil, o seu sistema de produção e o papel das agroindústrias canavieiras no desenvolvimento sustentável regional têm gerado polêmicas, e alvo de muitas críticas, principalmente no Estado do Acre, por se considerar que a cultura de cana-de-açúcar compete por terras com outras produções destinadas para alimentação humana, implicando na elevação dos preços de produtos da primeira necessidade, reduzindo o poder aquisitivo das populações mais necessitadas, principalmente nas regiões menos favorecidas.

Nesta perspectiva, Szmrecsanyi (2009) afirma que o sistema de produção de cana-de- açúcar de forma extensiva teve impacto na redução de áreas destinadas ao cultivo de

alimentos nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, além disso, é considerado responsável pela degradação da vegetação nativa e das áreas de preservação permanente. Segundo o autor, o impacto da expansão da cana-de-açúcar já é sentido no Cerado, Amazônia, na Mata Atlântica nordestina, Caatinga e até no pantanal, considerado patrimônio ambiental mundial. Por outro lado, a grande vantagem econômica e a pressão política exercida pela indústria canavieira sobre pequenos agricultores ao seu entorno resulta sempre na marginalização de outras atividades agrícolas que não conseguem competir com a cultura da cana.

Na região Sudeste, principalmente no estado de São Paulo a área do plantio da cana- de-açúcar dobrou na última década, ocupando terras antes destinadas à pastagem, citros e café. Essas culturas foram deslocadas para outras regiões como Amazônia, contribuindo para aumento da taxa do desmatamento. Essa situação se repete também nos Estados de Minas Gerais e Espirito Santos, onde houve redução de áreas destinas a produção de café (SZMRECSANYI, 2009). Portanto, a expansão do cultivo da cana-de-açúcar de forma extensiva, tem causado em várias regiões do país a redução de áreas destinadas a produção de gêneros alimentícios, além de influenciar desmatamentos das florestas nativas, seja diretamente ou indiretamente.

Aguiar e Sousa (2014), também seguem os mesmo pressupostos, para esses aurores, o sistema de cultivo de cana-de-açúcar de forma extensiva para a produção do etanol tem influenciado fortemente a elevação dos preços dos alimentos no Brasil. Por outro lado, consideram que os efeitos negativos desse sistema de produção podem ser compensados pelos benefícios econômicos que as indústrias canavieiras levam para as regiões onde são implantas, isto é, proporcionam o crescimento econômico, geração de emprego e renda que são fundamentais para o desenvolvimento local e regional, e serviria para colmatar os impactos sobre a elevação de preços de terras e dos alimentos.

Os autores defendem ainda que a dimensão territorial do país, isto é, a disponibilidade de área agricultável existente para exploração agrícola nas regiões de Cerrado e Amazônia (áreas de pastagens degradadas), podem servir de atenuantes aos impactos da expansão de cana-de-açúcar, isto porque a concorrência por terras entre cana-de-açúcar e a produção dos produtos alimentícios pode ser resolvido parcialmente pelo aumento da produtividade no campo.

Segundo Gomes (2010), o aumento da produtividade seria a alternativa em curto prazo para suprir a demanda por terra para a produção dos biocombustíveis e redução do seu impacto sobre os preços dos alimentos, e isso passaria por aplicação das novas tecnologias

para elevar a produtividade das pastagens e aumentar a densidade do animal por área ocupado, melhorando assim o manejo da pecuária que no país ocupa maior parte das terras destinadas para agricultura. A produtividade conquistada no sector agropecuário nos últimos anos com a redução média de números de gados por hectare reflete bem a realidade. Uma boa prática de manejo das áreas de pastagens e forragens de boa qualidade permitiria a utilização de maior numero de animais por hectare, liberando terras para a produção de outras culturas.

Os dados disponíveis demonstram que nas duas últimas décadas a produtividade nas áreas de pastagens tem crescido consideravelmente nos estabelecimentos agropecuários brasileiros, houve uma redução de área de pastagens de aproximadamente 4% e um aumento de 23 % de números de gados (GOMES, 2010). Segundo o autor a taxa média de lotação animal no Brasil é de 1 cabeça por hectare, no Estado de São Paulo a densidade média é de 1,4 cabeças por hectare, 40 % mais produtivo do que a média nacional. Se essa média fosse aplicada em todas as regiões do país seria liberada para agricultura mais de 50 milhões de hectares, o que impactaria de forma significativa sobre os preços das terras e dos produtos alimentícios.

O objetivo deste subcapítulo é analisar o impacto da produção e expansão da cana-de- açúcar sobre área ocupada pelas principais culturas agrícolas (mandioca, arroz, milho e feijão) nos municípios pertencentes à região do Baixo Acre. O período analisado foi de 2007 a 2012, momento em que se deu início ao plantio e produção extensiva da cana-de-açúcar para o início do processamento e fabrico do etanol. A escolha destas culturas deve-se à sua importância, tanto para o mercado interno e regional, quanto pela sua essência nutricional para as populações tradicionais e habitantes dessa região.

Nesta perspectiva, optou-se por fazer uma análise sobre as variações das áreas plantadas de cada cultura ao longo de cinco anos. Os dados indicam que apesar do crescimento da área ocupada com a cultura da cana-de-açúcar na região, o efeito sobre a redução da ocupação do solo concentra-se especificamente nas culturas de feijão e arroz que tiveram uma diminuição significativa de área plantada, por outro lado houve um aumento considerável das áreas de plantio de mandioca e milho.

Analisando a Tabela 15, a área ocupada pelo milho teve o crescimento significativo em todos os municípios da região do Baixo Acre, na cidade de Capixaba onde a usina desenvolve suas atividades agrícolas de produção de cana, em 2007, essa cultura ocupava 2060 ha, depois de cinco anos, em 2012 subiu para 2815 ha, uma expansão ocupacional de 755 ha. Esse aumento da área de plantio de milho é observado (de forma relativa) em todos os municípios da região.

Em todo o Estado teve um aumento de 18,26%, em 2007 a área total ocupada com o milho era de 37.065 ha, em 2012 já a cultura ocupava uma área 43.833 ha. Esta cultura representa uma participação importante no agronegócio da região, teve a sua demanda elevada não só pela conjuntura internacional com a elevação dos preços desse cereal nos últimos anos no mercado mundial, mas também foi influenciado pelo início das atividades da indústria avícola no Estado do Acre (em 2010) que passou a demandar cada vez mais o milho como matéria prima para alimentação das aves.

Igualmente, a área ocupada pela mandioca também manteve em expansão, mesmo com a entrada da cana de açúcar em Capixaba, em 2007 a área média ocupada pela mandioca na região do Baixo Acre era de 1459 ha, em 2012 subiu para 2.203 ha, um adicional de 744 ha em cinco anos. A expansão e ocupação de solo por essa cultura se justifica principalmente por ser a principal base alimentar da população do Acre e de toda região Amazônica. A participação da mandioca (em farinha) na dieta da população acreana é histórica e fortemente influenciada pelo crescimento da população. Com mercado consumidor garantido e pouca concorrência em nível nacional, os produtores locais se sentem mais seguros e incentivados em manter a produção de mandioca.

Outro aspecto importante que sustenta o aumento da demanda pela mandioca é o programa de aquisição dos alimentos da agricultura familiar, essa política que garante a aquisição dos alimentos pelo governo do Estado, estimula os agricultores a produzirem sem se preocupar com as concorrências do mercado. A farinha de mandioca é um dos itens importantes que recebe esse tipo de subsídio. Segundo os dados do governo do Acre, em 2011 foram investidos R$ 495.000,00 em compra direto dos produtos agrícolas beneficiando diretamente 56 agricultores familiares e 4120 consumidores só no município de Capixaba. Em todo o Estado o investimento em programa de aquisição dos alimentos da agricultura familiar no ano de 2011 foi de R$ 6.042.169,31, beneficiando 673 produtores e 38 mil consumidores (ACRE, 2013).

Tabela 15 - Evolução da área plantada (ha) da cultura de milho, mandioca nos municípios

pertencentes à região do Baixo Acre

MILHO