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Natural history .1 Definition

Desde o final da guerra civil em 2002, a economia de Angola tem revelado uma tendência de recuperação de crescimento, bem como de estabilização macroeconômica, visível nas principais variáveis macroeconômicas do país como, por exemplo, a taxa de inflação, taxa de câmbio, superávit orçamental. Este fato tem contribuído para o aumento do investimento dos setores público e privado, da produção, das receitas associadas ao petróleo, do processo de construção e reconstrução de infraestruturas econômicas, do emprego e do consumo, dentre outros. De maneira geral, o fim da guerra civil, veio contribuir profundamente no crescimento da economia angolana, atingindo elevadas taxas nos anos de 2005 a 2007 (BANCO MUNDIAL, PEA, MINFIN, 2008, 2010, 2011).

Entretanto, encerrado um ciclo de guerra de 27 anos como já fora referido, Angola deparou-se com o problema de transformar a paz e estabilidade política em fatores que propiciassem o crescimento e desenvolvimento econômico. Os contrastes econômicos que caracterizavam Angola mantiveram-se no ano 2003, contrastes estes que não se circunscrevem à contraposição entre um país virtualmente rico e um país efetivamente pobre, cuja taxa de pobreza geral é de 68,2% (dados de 2001), um conjunto quantitativo de deslocados de cerca de dois milhões de pessoas em finais de 2003 e mais de 500 mil pessoas em situação urgente de ajuda alimentar.

Os dois elementos que têm individualizado a economia nacional - o domínio dos negócios petrolíferos e a instabilidade macroeconômica -, não registraram variações significativas em 2003, continuando o PIB petrolífero a representar, em média, 55% da riqueza total anual e a inflação ainda a estabelecer-se em limites intoleráveis para o poder de comprados cidadãos mais pobres e inconfortáveis para as estratégias empresarias.

Tem-se por vezes, afirmado que a persistente instabilidade macroeconômica e as demais distorções na economia são os principais fatores responsáveis pelo retardamento do crescimento dos restantes setores; ainda que no essencial esta afirmação esteja correta, não podemos minimizar a importância de outros fatores, como o fraco poder de compra da população, a destruição das infraestruturas, a grande dificuldade de circulação de mercadorias e pessoas, o envelhecimento do parque industrial, a desertificação agrícola, a inexistência de capital humano e entre outros: “A

guerra responde pela atomização dos mercados, desligados entre si, quase autossuficientes ao nível de uma reprodução simples da atividade econômica. As grandes dificuldades com que a circulação de pessoas e bens se efetua pelo país explicam uma boa percentagem das elevadas taxas de inflação, ao introduzir limitações à capacidade global de oferta” (ALVES DA ROCHA, 2004).

Diante deste quadro, deu-se início a um processo de recuperação da economia nacional e de estruturação futura das suas bases produtivas devendo ter nas circunstâncias vividas no momento, como variável estratégica o emprego. O modelo, ou seja, os modelos em que o mesmo deve assentar têm de levar em devida conta a possibilidade da máxima criação de empregos. O reconhecimento de que o emprego deve ser a variável central das estratégias de recuperação de produção justifica-se, não apenas pela elevada taxa de desemprego atualmente registrada na economia não petrolífera.

Ademais, a economia petrolífera, “pela sua natureza capital/tecnologia - intensiva, não tem capacidade de criação de emprego: o setor petrolífero não consegue empregar um número de trabalhadores nacionais superior a 10.000, enquanto que o restante do setor mineiro não vai além dos 28.000” (ALVES DA ROCHA, 2004).

Utilizando os indicadores convencionais relacionados com a avaliação macroeconômica - taxa de inflação, déficit orçamental e convergência cambial, pode-se concluir que no geral, registraram progressos importantes. As estatísticas são claras quanto a tendências de uma diminuição do ritmo de crescimento dos preços, de convergência cambial, de estabilidade no mercado de câmbios e de uma recuperação da confiança na moeda nacional (BANCO NACIONAL, 2007, apud AMBRÓSIO, 2008).

Relativamente à taxa de inflação segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e do Banco Nacional de Angola, os indicadores estatísticos que medem a intensidade de variação dos preços permitem constatar que a inflação anual acumulada tem vindo a diminuir: 268,4%, em 2000, 116,1% em 2001, 105,6%, em 2002 e 76,6% em 2003 (BANCO NACIONAL, 2007, apud AMBRÓSIO, 2008).

Além disso, a taxa de inflação média, anual, igualmente registra uma nítida tendência de regressão: 339,7%, em 2000, 162,5%, em 2001, 108,9%, em 2002 e 89,5% em 2003. A taxa média mensal de inflação, igualmente, patenteia um comportamento

positivo para aqueles mesmos anos: 11,5%, 6,6%, 6,2% e 4,9% respectivamente. Do mesmo modo, a inflação média dos últimos trimestres diminuiu: 9,5% em 2000, 7,7%, em 2001, 6,3%, em 2002 e 2,8%, em 2003 (BANCO NACIONAL, 2007, apud AMBRÓSIO, 2008).

Pese embora estas tendências, a inflação permanecia muito alta nos seus valores absolutos, corroendo o débil poder de compra da população pobre, que representavam 70% do total, dificultando o cálculo econômico, continuando a incentivar a fuga ao Kwanza, tornando inconfortável a consideração de estratégias empresariais estruturantes viradas para o médio e longo prazo e transmitindo sinais contraditórios para as decisões micro econômicos.

Relativamente à taxa de câmbio, o comportamento foi muito oscilante e mais previsível, atendendo justamente às medidas de políticas tomadas e tendentes a regularizar o funcionamento do mercado cambial. A taxa de câmbio média passou de Kz 58,94/USD, em Dezembro de 2002, para Kz 79,20 no correspondente mês em 2003, o equivalente a uma depreciação média no ano de 34,4%. O ano de 2003 passou e a tendência de crescimento econômico continuou, pese embora o fato de a realidade estiver contrariando (BANCO NACIONAL, 2007, apud AMBRÓSIO, 2008).

Finalizando, nestes primeiros anos do renascer da economia de Angola, ainda se via alguma inibição do progresso econômico do país, muita das vezes através do interesse do problema de transformar da paz e estabilidade política em fatores básicos que propiciassem o crescimento e desenvolvimento econômico. Alguns indicadores econômicos já se faziam sentir, por conseguinte, este fato só veio aumentar a confiança do governo angolano no progresso da sua estrutura sócioeconômica.