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5.2 BEDRIFTSRETTEDE TILTAK

5.2.4 Nattleveranser

Segundo Krüger (2001/2002), Teodoro Rosso, primeiro engenheiro a estudar e divulgar o processo de coordenação modular no Brasil, faz uma referência a Descartes e à sua obra Discurso sobre o Método (1596-1650) em seu livro, a fim de conceituar a racionalização da indústria da construção civil:

 não aceitar nada como verdadeiro, enquanto não reconhecido pela razão;  dividir cada dificuldade em tantas partes quantas possíveis e necessárias

para melhor analisá-las;

 conduzir por ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e subindo por degraus até os mais complexos;

 fazer revisões completas para que se tenha a certeza de nada omitir.

A partir daí, Rosso21 (1980) formula o conceito de racionalização do processo de produção como “um conjunto de ações reformadoras que se propõe substituir as práticas rotineiras por recursos e métodos baseados em raciocínio sistemático, visando eliminar a casualidade nas decisões”. (KRÜGER, 2001/2002)

Sabbatini (1989, apud OLIVEIRA, 2013) classifica os processos, de maneira geral, em:

 tradicionais: “baseados na produção artesanal, com uso intensivo da mão de obra, baixa mecanização, com elevado desperdício de mão de obra, material e tempo (...)”.

 racionalizados: “aqueles que incorporam princípios de planejamento e controle, tendo como objetivo eliminar desperdício, aumentar a produtividade, planejar o fluxo de produção e programar as decisões”.  industrializados: “baseados no uso intensivo de componentes e elementos

produzidos em instalações fixas e acopladas no canteiro (...)”, vinculados, ainda, a todos os fatores de organização, desempenho e incremento da produtividade.

A indústria da construção civil há muito tempo é estigmatizada como desorganizada e retrógrada. Prova disso se dá por dados estatísticos claros, em que esse setor é um dos maiores consumidores de recursos naturais e, como agravamento dessa característica, está o fato dela produzir cinco vezes mais resíduos do que os recursos consumidos. Tendo isso em mente, é de fundamental importância que os princípios da indústria da construção civil sejam reavaliados, sendo imprescindível que haja uma integração entre todos os processos de produção, de projetistas a consumidores finais, a fim de reduzir desperdícios, gastos e tempo.

Ao longo da história, a industrialização da construção civil se fundamentou na criação e na evolução de ferramentas e máquinas criadas a fim de reduzir custos e prazos, além, é claro, de melhorar o controle de qualidade. À medida que essas máquinas eram aperfeiçoadas, fez-se necessário estimular o pensamento global do processo, partindo assim do planejamento e organização até a sua finalização, observando a qualidade do produto final através do gerenciamento de cada ciclo produtivo.

Segundo Bruna (1976), o desenvolvimento da industrialização se deu em três fases:

 A primeira fase da industrialização foi caracterizada pelos primeiros protótipos que, praticamente, executavam o processo de forma artesanal e que dependiam ainda da força motriz e da habilidade humana para desempenhar seu papel.

 Na segunda etapa da racionalização, as máquinas são equipadas com motores e reguladas, o operário realiza pequenos procedimentos repetidamente e em pouco tempo. A produção seriada segrega o trabalhador braçal do intelectual. Nessa fase, desenvolve-se o pensamento sistêmico; cada etapa integra um conjunto de ações.

 Por fim, a terceira e última etapa da industrialização ocorreu por volta dos anos 50, em que as máquinas e ferramentas foram aperfeiçoadas com sistemas automatizados, exonerando quase que exclusivamente o papel do homem como seu operador principal. O operário exerce aqui a função de acionar as máquinas, enquanto elas reproduzem os ciclos de forma autônoma.

No ano de sua criação, o BNH contratou o CBC – Centro Brasileiro da Construção – para a execução de um “Plano de Implantação da Coordenação Modular”, elaborado pelo engenheiro Teodoro Rosso e pelo arquiteto João Honório de Mello.

Foi o primeiro passo em direção à industrialização da construção ou, de acordo com explicação dos responsáveis pela instituição: “É uma metodologia que permite estabelecer relações sistêmicas de integração entre os componentes construtivos, visando a aplicação do método industrial ao processo de edificação” (CADERNOS DO CBC22, 1971 apud KOURY, 2011).

O constante crescimento desse setor e, consequentemente, o aumento da concorrência tem estimulado as construtoras nacionais a procurarem por tecnologias que acelerem os processos produtivos, já que os canteiros continuam em franca expansão e cada dia de atraso pode significar uma perda de lucro considerável. Alie- se a isso o fato de que, cada vez mais, essas construtoras almejam padrões e parâmetros internacionais, o que eleva a qualidade das obras através de certificações e selos.

De acordo com Franco (1992), a racionalização construtiva é, entre as possíveis ações utilizadas, a que mais tem atraído a atenção de empresas construtoras e empreendedoras, pois permite uma evolução constante, a partir da própria cultura da empresa, e possui grande sinergismo com outras iniciativas, como, por exemplo, a implantação de sistemas da qualidade (FERREIRA et al, 2011).

Essas constatações explicitam a busca constante das empresas do setor pela racionalidade e pela mecanização, características intrínsecas da industrialização, já que seus princípios, parâmetros e ferramentas favorecem a contínua melhoria dos processos envolvidos.

Segundo Franco (1992), o projeto merece especial destaque, uma vez que é o principal articulador e indutor de todas as ações, organizando e garantindo o emprego eficiente da tecnologia. Essa importância pode ser entendida pela grande capacidade que as decisões de projeto têm em influenciar decisivamente os custos finais do empreendimento (Figura 3.6). (FERREIRA et al, 2011)

Figura 3.6: Influência do Projeto sobre os custos durante o ciclo do empreendimento

Fonte: O´Connor e Davis (1988, apud FERREIRA et al, 2011)

Ademais, Oliveira; Sabbatini (2001) ressaltam que é fundamental a clara definição da função do edifício, suas características, desempenho, durabilidade e a atenção às necessidades do cliente.

A ISO 624123 (1982, apud OLIVEIRA; SABBATINI, 2001) propõe que a análise de desempenho do edifício seja feita por meio de quatro ações principais:

 identificação da funcionalidade do edifício e da sua vida útil;  definição do subsistema e suas funções;

 definição dos requisitos mínimos de desempenho exigidos pelos usuários;  definição dos agentes de degradação mecânicos, eletromagnéticos,

térmicos, químicos e biológicos que afetam a durabilidade dos componentes de construção do edifício.