Para resumir e facilitar a comparação entre as pesquisas nacionais e estrangeiras, a Tabela 5 as descreve quanto aos tipos de amostras de participantes, organizações,
treinamentos e medidas de transferência e impacto em amplitude, adotados nas pesquisas nacionais e estrangeiras.
Tabela 5. Comparações entre pesquisas realizadas no Brasil e em outros países Aspectos
Metodológicos Pesquisas Brasileiras Pesquisas internacionais
Amostras
Servidores públicos, gerentes, funcionários de empresas privadas, estudantes universitários.
Gerentes, servidores públicos, funcionários de empresas privadas, estudantes universitários, desempregados, engenheiros.
Organizações
Públicas, Privadas e de diferentes setores econômicos (Bancos, empresas de pesquisa, saúde, tribunais).
Públicas, privadas, universidades e empresas de diferentes setores econômicos (bancos, supermercado, universidades).
Treinamentos
Diversidade de treinamentos: gerenciais, técnicos, operacionais, corporativos e abertos ao público em geral.
Diversidade de tipos de treinamento avaliados: operacionais, gerenciais, corporativos.
Procedimentos de análise de
dados
Regressão múltipla padrão, hierárquica e logística, equação estrutural, análises fatoriais exploratórias, análises de consistência interna (alfa de Cronbach), ANOVA, teste t, correlações e análise de conteúdo para dados qualitativos
Metanálises, correlações, análises fatoriais exploratórias e confirmatórias, análises de consistência interna (alfa de Cronbach), equações estruturais, chi-quadrado, regressão múltipla hierárquica, ANOVA e teste t.
Medidas de transferência
e impacto
Medidas de impacto em profundidade (transferência) e em amplitude com predomínio de autoavaliações, poucos casos de heteroavaliações e de uso de medidas objetivas de desempenho individual (fonte secundária) de egressos.
Dentro da produção nacional percebe-se um esforço crescente, mas ainda incipiente, na criação de escalas específicas à ação instrucional avaliada. (Abbad, Mourão, Vitoria & Yotamo, manuscrito não publicado). Inclusive, vários estudos obtiveram bons indícios de validade psicométrica como os trabalhos de Silva (2007), Alvim (2008), Silva (2008), Pereira (2009), Pilati et al. (2009), Oliveira Neto (2009), Bastos (2012), Santos Junior (2012) e Pilati e Borges-Andrade (2012).
Dentre os estudos realizados fora do Brasil poucos demonstraram esforços para a criação de um instrumento específico para a ação instrucional avaliada que buscasse os resultados diretos do treinamento sobre o desempenho do egresso (Tziner et. al, 2007; D’Netto et al, 2008; Galanou & Priporas, 2009; Chiaburu, Sawyer & Thouroghgood, 2010;
Ismail, et al., 2010; Barzegar & Farjad, 2011; Pineda-Herrero et al., 2012; Quesada- Pallares, 2012; Rasli et. al, 2012). Observou-se, ainda que embora tenham avaliado o nível de impacto em profundidade, alguns estudos utilizaram escalas previamente validadas em outros estudos, as quais uma foi desenvolvida por Xiao (1996) sendo um instrumento dividido em duas subescalas, uma que busca identificar os efeitos diretos e a outra os indiretos do treinamento, utilizadas nos estudos de Chiaburu, Dam e Hutchins (2010), Ismail et al. (2010), Simosi (2012) e Pham et al. (2013). Além de um instrumento desenvolvido por Holton e Bates (1998; 2000) também dividido em duas subescalas de efeitos diretos e indiretos do treinamento no desempenho do egresso, que foi utilizada no estudo de Quesada-Pallares et. al. (2011).
Em ambos os casos, há predomínio de autoavaliações, com poucos casos de heteroavaliações e de uso de medidas objetivas de desempenho individual de egressos (fonte secundária).
Os principais resultados das pesquisas realizadas no Brasil de 2007-2012
a transferência de treinamento (Silva, 2007; Brandão, Bahry, Freitas & Borges-Andrade, 2008; Branco, 2008; Moura, 2008; Galvão, 2009; Oliveira Neto, 2009; Oliveira, 2010; Silva, 2011; Santos, 2012; Abbad, Mourão, Vitoria & Yotamo, manuscrito não publicado). Esses achados corroboram outros publicados em revistas de língua inglesa sobre o valor explicativo de clima para transferência, suporte gerencial e suporte de colegas, constructos correlatos ao de suporte, sobre o comportamento subsequente do egresso de treinamentos no trabalho (Burke & Hutchins, 2007; Blume, Ford, Baldwin & Huang, 2010; Chiaburu, Dam & Hutchins, 2010; Ismail, Mohamed, Sulaiman & Sabh, 2010; Martin, 2010; Simosi, 2012).
Dessa forma percebe-se pela análise da literatura que oportunidades de aplicação de novas aprendizagens no trabalho e suporte de outras pessoas (chefes e colegas) estão positivamente correlacionados com transferência de treinamento. A magnitude da correlação e o valor preditivo de suporte psicossocial à transferência é que variam muito (fortes, moderados e fracos) nas pesquisas nacionais e estrangeiras.
No presente estudo serão investigadas as variáveis antecedentes referentes ao suporte à transferência de treinamento, compreendidas como características do ambiente pós-treinamento que exercem influência proximal sobre efeitos do treinamento no trabalho. Optou-se por investigar a influência do suporte recebido pelos treinandos em relação aos resultados de treinamento (impacto do treinamento no trabalho em amplitude e em profundidade) pois as revisões de literatura demonstraram que eles vêm sendo forte preditores.
As medidas de suporte utilizadas neste estudo foram baseadas nas escalas de Suporte à Transferência de Abbad (1999) e Abbad e Sallorenzo (2001). Além desses, foram adotadas duas escalas de Impacto do Treinamento no Trabalho (em profundidade e amplitude – com auto e heteroavaliações), sendo que as duas medidas de impacto em
profundidade, foram especialmente construídas para avaliar os efeitos específicos de dois treinamentos gerenciais. O instrumento de avaliação de impacto em amplitude foi
desenvolvido e validado por profissionais da organização e incluem itens dos instrumentos de gestão de pessoas por competências adotado pela empresa estudada.
Na presente pesquisa buscou-se investigar as relações entre as variáveis antecedentes Características da Clientela e Suporte à Transferência sobre as variáveis critério Impacto do treinamento no Trabalho, em amplitude e profundidade. Em relação às características da clientela optou-se por investigar apenas as características demográficas e funcionais e identificar o motivo que levou o indivíduo a participar do treinamento e as suas percepções sobre a necessidade, aquisição e utilização dos CHAs adquiridos.
A seguir será exposto o problema de pesquisa, o objetivo geral e os objetivos específicos da presente pesquisa.