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National identity, manifested through talk

Chapter 6: Relationship between the nationality and feeling of national

6.2. National identity, manifested through talk

O trabalho de campo, de acordo com Minayo (1999) e Cruz Neto (2002) é uma etapa essencial da abordagem qualitativa em pesquisa, sendo precedido pela definição do objeto de estudo, da construção dos instrumentos de pesquisa e da delimitação do espaço a ser investigado.

Concordando com Cruz Neto (2002, p. 53)

concebemos o campo de pesquisa como o recorte que o pesquisador faz em termo de espaço, representando uma realidade empírica a ser estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto da investigação”

Sustentados por estas concepções desenvolvemos algumas estratégias que possibilitaram a nossa entrada no campo. Inicialmente, buscamos identificar os locais em que poderíamos encontrar os sujeitos de nosso estudo, ou seja, adolescentes em situação de vulnerabilidade/desfiliação que faziam das ruas seu espaço de sobrevivência. Neste sentido, as casas de passagem da Sociedade Cidadão 2000, se mostraram o cenário mais apropriado para a pesquisa por ser um ambiente onde seria possível encontrar os adolescentes de uma forma mais fácil e segura do que na rua.

É importante salientarmos que anteriormente a nossa entrada nas instituições, apresentamos o projeto de pesquisa ao Juizado da Infância e Juventude do Estado de Goiás, representado pelo Dr. Maurício Porfírio Rosa, Juiz de Direito da Infância e Juventude, e ao Coordenador Geral da Sociedade Cidadão 2000, que autorizaram o

contato e realização da entrevistas junto aos adolescentes. Em seguida, o projeto foi submetido à análise e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Médica Humana e Animal do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (CEPMHA-HC-UFG), conforme protocolo no. 082/04 (Anexo I).

Após a realização destes procedimentos, que garantiram a legalidade de nossa presença nas instituições, realizamos o contato com as duas coordenadoras das instituições. Estas, em virtude do vínculo por elas constituídos com os (as) adolescentes e educadores das instituições, foram essenciais ao desenvolvimento do trabalho de campo, por atuarem como mediadoras e facilitadoras do nosso contato com os atores deste estudo.

Em busca de uma maior aproximação com os sujeitos da pesquisa, começamos a freqüentar as instituições e a vivenciar um pouco de sua rotina. Nesta etapa, constatamos que teríamos dificuldade em construir, com os(as) adolescentes uma relação de vínculo, que precedesse o momento da entrevista, pois percebemos que apesar da existência de cerca de 30 adolescentes em acompanhamento nas instituições, estes a freqüentam de forma inconstante, com pouco tempo de permanência e sem horários ou dias determinados, o que nos foi confirmado pelas coordenadoras das casas. Assim, em algumas de nossas visitas encontramos três adolescentes nas instituições, em outras tínhamos apenas um e às vezes nenhum, sendo que durante o primeiro mês de nossa permanência no campo de estudo, não encontramos a (o) mesma (o) adolescente, em duas visitas, na instituição.

Considerando esta característica em relação à realidade vivenciada pelas instituições e pelos atores do estudo, foi necessário que aproveitássemos a presença do (a) adolescente na instituição para a realização da entrevista, uma vez que, muito provavelmente teríamos dificuldade de encontrá-los (as) novamente durante o tempo de duração de nossa pesquisa. No entanto, observamos que a mediação de nosso contato realizado pelas coordenadoras das instituições, conforme pontuado anteriormente, se configurou como uma estratégia que amenizou as limitações impostas pela

impossibilidade de construção de um vínculo mais duradouro, anterior às entrevistas. Além disso, outra situação que facilitava a realização das entrevistas era a presença de mais de um (a) adolescente na instituição, pois observamos que, na maioria das vezes, o(a) primeiro(a) adolescente entrevistado(a) naquele dia, motivava a participação dos(as) outros(as) presentes na casa.

As entrevistas foram realizadas, durante o segundo semestre de 2006, em salas das instituições que nos garantiram privacidade, sendo que inicialmente os (as) adolescentes eram esclarecidos e convidados (as) para participar do estudo, de forma voluntária, sendo a participação condicionada à assinatura de um Termo De Consentimento Livre E Esclarecido por parte da (o) adolescente (Anexo II)

O critério de inclusão no estudo consistiu em ser adolescente e ter experiência de vida nas ruas superior a 6 meses. Na coleta utilizamos o critério etário para definição da adolescência, de acordo com o ECA. Essa escolha se deu pelo fato de ser a população atendida pelas instituições na qual coletamos os dados, sendo que não deixamos de considerar a discussão apresentada no capitulo 2 acerca das divergências em relação à delimitação etária da adolescência.

Considerando estes critérios participaram do estudo 13 adolescentes, sendo 5 do sexo feminino e 8 do sexo masculino, com idade entre 12 e 17 anos.

É importante salientarmos que a definição da amostra de nossa pesquisa, concordando com Minayo (1999, p. 102), foi realizada considerando que na pesquisa qualitativa o critério de amostragem não é numérico, sendo a amostra ideal “aquela capaz de refletir a totalidade nas suas múltiplas dimensões”.

Desta forma, em nosso estudo não buscamos a generalização dos conceitos encontrados, e sim o aprofundamento no universo a que nos propomos a estudar. Deste ponto de vista, as entrevistas realizadas apresentaram caráter de representatividade, pois além de ser observada a reincidência das informações, as entrevistas trazem à tona os sujeitos sociais que vivenciam o fenômeno em estudo.

3.3.1 Coleta de dados:

Nesse trabalho os dados foram coletados através de entrevistas semi- estruturadas, que de acordo com Minayo (2006) pode ser entendida como uma conversa com finalidade na qual o entrevistador busca construir informações acerca do objeto de pesquisa. Para a realização das entrevistas, elaboramos um roteiro que nos serviu de orientador do processo, possibilitando que abordássemos todos os aspectos pertinentes e necessários à nossa pesquisa, sem nos cercear no que se refere á outros conteúdos que, inicialmente, não haviam sido previstos, e, que, no entanto se mostraram de suma importância para a compreensão do trabalho como um todo.

Inspirados em Medeiros (1999), optamos por apresentar a seguir (quadro 2) as questões norteadoras do roteiro de entrevista, para que através delas pudéssemos esclarecer o leitor, acerca de nossas expectativas para as respostas.

Quadro 2- Roteiro de entrevista

Parte I: Identificação

Código de identificação: os entrevistados foram identificados por sexo ( M-masculino, F- feminino) e ordem cronológica da realização das entrevistas (ex.: M1- primeira entrevista realizado com um adolescente)

Idade: Procedência: