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NATALIE DAVIES

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Na década de 70 e 80 começam a emergir alguns estudos que associam as políticas organizacionais aos comportamentos absentistas (e.g.: Waters e Roach, 1979; Keller, 1984) o que nos transporta para um novo conceito: a

permissividade organizacional

proposta por Brooke (1986) e corroborado no estudo de Dalton e Perry (1981).

A literatura suporta que as taxas de absentismo estejam intimamente relacionadas com as políticas e práticas organizacionais, explícitas por exemplo, no contrato colectivo de trabalho. Dalton e Perry (1981) concluíram que as organizações que pagam aos colaboradores uma taxa mais elevada e que permitem que os benefícios de doença acumulem mais rapidamente, demonstram uma maior taxa de absentismo.

Estabelecendo a ponte com as políticas de GRH, Sturges e Guest (2001) recomendam a utilização da componente atitudinal do EO devido à sua maior relevância no domínio da formação das políticas de RH. Desta forma, as políticas de RH terão o desígnio de produzir resultados ao nível da GRH, como aumentar os níveis de EO que por sua vez poderão aumentar o sucesso da mudança organizacional. Para o autor o EO é considerado uma variável mediadora entre os antecedentes e os consequentes comportamentais, onde o EO se traduzira pela vontade de aceitar a mudança. Contudo, Dalton e Mesch (1991) concluíram que as políticas organizacionais de absentismo constituem um melhor preditor face às variáveis individuais.

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CAPÍTULO APÍTULO APÍTULO APÍTULO 3333---- MMMMETODOLOGIAETODOLOGIAETODOLOGIAETODOLOGIA

Nessa secção são apresentados os aspectos metodológicos do trabalho, considerando o tipo de investigação, a sua unidade de análise, a caracterização da amostra, os instrumentos utilizados, e os objectivos do estudo e formulação de hipóteses.

3.1 3.1 3.1

3.1---- Tipo de InvestigaçãoTipo de InvestigaçãoTipo de InvestigaçãoTipo de Investigação

Nesta investigação é utilizada uma combinação do método qualitativo e o método quantitativo, embora se enfatize a componente quantitativa do estudo

As Ciências Sociais têm sido rotuladas de “

soft

”, não tanto num intento pejorativo, mas como designante de imprecisão e falta de fiabilidade. O rigor científico é usualmente associado à quantificação numa determinada área de investigação. Esta imagem de pouca utilidade científica que a metodologia qualitativa adquiriu ao longo da história foi lentamente mudando e, finalmente, o paradigma ganhou mais força à medida que novas críticas ao modelo quantitativo foram surgindo. As principais críticas ao paradigma quantitativo são dirigidas à definição da natureza do positivismo e destacam as assunções de paradigmas alternativos. (Guba e Lincoln, 1994).

O foco do pós-positivismo, ao testar hipóteses ou proposições matemáticas, é a metodologia quantitativa, convertida em fórmulas exactas que traduzem determinadas relações entre variáveis de estudo. Esta metodologia é extremamente útil quando o objectivo é prever ou controlar um fenómeno, apoiada pela consistência dos modelos estatísticos e matemáticos. Existe, pois, uma ideologia generalizada de que apenas a informação recolhida através dos métodos quantitativos é válida e de elevada qualidade científica. Contudo, actualmente, são-lhe apontadas diversas críticas (Guba e Lincoln, 1994).

Em termos de crítica interna, Lincoln e Guba (2000) apontam a descontextualização dos fenómenos, isto é, a negligência do efeito do contexto natural através do controlo rigoroso das variáveis dos fenómenos. Quando se trata de analisar o comportamento humano, é inevitável aludir aos significados e objectivos vinculados às actividades dos actores sociais, comprometendo desta forma a utilidade do método quantitativo. Apesar da importância da generalização através da

estatística, existem constrangimentos inerentes a esta aplicabilidade quando se abordam casos individuais. Por último, a exclusão da dimensão da descoberta e do pensamento divergente, em favor do trabalho empírico de verificação de hipóteses do método quantitativo, constitui outra das críticas.

Não obstante as críticas enumeradas à abordagem quantitativa, esta apresenta algumas vantagens óbvias, indexadas às suas próprias características. Nesta abordagem está implícita a quantificação da recolha de informação, mas também o seu tratamento estatístico, quer na sua forma simples (média, moda, desvio-padrão), como na forma mais complexa (medidas de associação, análise de regressão ou análise factorial). A investigação quantitativa é um tipo de investigação que trabalha com dados estruturados, tendo como objectivo compreender, explicar e prever factos, fenómenos ou comportamentos (identificando as suas causas) e, por último, prever a sua ocorrência (Richardson

et al

., 1985).

Neste estudo foi utilizada uma combinação de métodos, pautados pelas características supracitadas, embora o método quantitativo tenha sido privilegiado em relação à abordagem qualitativa. Sustentando esta opção, pretendeu-se, com o método quantitativo, garantir a precisão dos resultados, assegurar uma margem de segurança das inferências estatísticas, e concomitantemente, evitar desvios na análise e interpretação dos dados. O número de sujeitos também foi determinante para a utilização da abordagem quantitativa e do tratamento estatístico dos dados. Durante o mês de Março e Abril de 2009, foram distribuídos 260 questionários num universo de 732 colaboradores (dados referentes a 2009).

A combinação com o método qualitativo acrescenta uma lógica indutiva e holística a este estudo (Denzin e Lincoln, 2000). A abordagem qualitativa tem como principal objectivo neste estudo assegurar que os dados obtidos através do questionário possam ser enriquecidos pela visão interna dos seus colaboradores, com recurso à entrevista com questões abertas e semi-abertas. Neste sentido, foram entrevistados, no mês de Abril de 2009, a Directora de Recursos Humanos, a Directora de Qualidade e Sistemas de Produção, os Responsáveis de Segmento I e II (ou Unidade Autónoma de Produção), o Director do Serviço Técnico e o Director de

Supply Chain

e Compras. O objectivo é conhecer a perspectiva dos membros organizacionais que exercem funções de liderança sobre as políticas e práticas organizacionais que existem na empresa face aos fenómenos

absentistas e de empenhamento organizacional dos seus colaboradores. Na elaboração do questionário, as categorias profissionais apresentadas distinguem-se também pelas funções associadas em maior ou menor grau à liderança (cf Anexo III Descrição de Funções).

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