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Nasjonalt folkehelseinstitutt (tidl. Statens institutt for folkehelse)

Mesmo sendo a Depressão considerada por muitos como a doença do século XXI e vir ganhando espaço com o reconhecimento de uma doença não exclusiva em adultos, a depressão na infância como fenômeno singular ainda é pouco explorada, se levado em conta sua relevância. A partir da década de 1970, surgiram os primeiros instrumentos de avaliação objetiva para depressão na infância, com a publicação da Children Depression Inventory (CDI) e do Children’s Depression Scale (CDS) – desenvolvida por Lang e Tischer em 1978,

tendo sido desenvolvida ainda uma escala reduzida (CDS-R) por Poznanski, em 1984. Esta consiste em uma entrevista semiestruturada composta por 18 itens, com fins para uso específico de diagnóstico (BARBOSA; LUCENA, 1995; SIGOLO, 2008). Existe ainda o instrumento RCDS (Reynolds Child Depression Scale) ou Escala de Depressão para Crianças de Reynolds em 1989 (PEREIRA, 2007).

Ainda que tenham sido criados instrumentos de avaliação para o referido transtorno, é possível surgir inconsistências que devem ser consideradas, a exemplos da não preocupação em adequar a linguagem do teste ao público-alvo; de muitas vezes os itens serem reduzidos a apenas um sintoma, em detrimento dos demais, considerados pouco importantes para o diagnóstico; e ainda da inconsistência de construir um instrumento designado para avaliar depressão em crianças e não incluir itens especificamente referentes à sintomatologia infantil

(BARBOSA; LUCENA, 1995). Ainda segundo estes autores, tais inconsistências podem ser encontradas tanto no CDI, como no CDS-R.

O inventário de depressão Infantil (CDI) merece ser melhor detalhado, tendo em vista que trata-se de um dos instrumentos mais utilizados para rastrear sintomas do transtorno depressivo em crianças. É um instrumento de autorrelato, inicialmente proposto por Kovacs (1983, 1992), nos EUA, o qual partiu de uma adaptação do Inventário de Depressão de Beck (BDI) para adultos. Este instrumento foi pensado com o propósito de averiguar sintomas depressivos em crianças na faixa etária entre 7 e 17 anos, não tendo a finalidade de proporcionar diagnósticos clínicos de fato. Originalmente, o CDI é uma medida de estrutura unifatorial, formado por 27 itens, abarcando sintomas afetivos, cognitivos, somáticos e de conduta (GOMES et al., 2013). Nele, para emitirem as respostas, os sujeitos utilizam uma escala de resposta de três pontos: 0 (ausência de sintomas), 1 (presença de sintomas) e 2 (gravidade dos sintomas) (COUTINHO et al., 2008).

Para o Brasil, o CDI também é um dos mais utilizados quando se trata de pesquisa com depressão infantil. Incialmente, foi adaptado para tal população por Gouveia et al. (1995). Nesta versão, o instrumento é composto por 20 itens, com ponto de corte em 17 pontos. Segundo os autores, apresenta adequação de evidências psicométricas na avaliação do construto (CRUVINEL; BORUCHOVITCH; SANTOS, 2008).

Outro estudo para o contexto brasileiro foi o realizado por Amaral e Barbosa (1990), que propuseram um instrumento para avaliar a depressão infantil, em princípio analisado mediante um estudo piloto e aplicado em uma população de crianças vítimas de queimadura. A escala final é composta por 27 itens para autoavaliação de reações fisiológicas, comportamentais e afetivo-emocionais. Além desta, Pereira e Amaral (2004) desenvolveram uma Escala de Avaliação de Depressão para Crianças e submeteram-na a diversas modificações, de modo que ao final foi composta de 24 itens que avaliam a sintomatologia depressiva dividida em quatro fatores: afeto disfórico, afetiva-emocional com conteúdo de ansiedade, fisiológica-autonômica e cognitiva com conteúdo de autoestima (PEREIRA; AMARAL, 2007).

Os instrumentos legalmente utilizados por profissionais devidamente competentes para o uso devem ser aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP). Em consulta ao Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos – SATEPSI (CFP, 2016), na seção que trata de testes psicológicos, foi encontrado apenas o teste intitulado “Escala de Depressão para Crianças", cujos autores Pereira e Amaral submeteram o mesmo no ano de 2008. No endereço eletrônico do CFP consta que o instrumento ainda está em processo de avaliação.

Sobre os aspectos epidemiológicos e sintomáticos, Schwan e Ramires (2011) constataram neste cenário que a depressão infantil é um quadro cada vez mais crescente, ocorrendo cada vez mais precocemente. Destacam que, apesar de vir sendo reconhecida como uma patologia e ser verificada como uma das queixas mais recorrentes na prática clínica, ainda é baixo o número de diagnósticos realizados. Consequentemente, os pacientes não recebem o devido tratamento.

Os estudos acerca desta temática são ainda limitados. Segundo uma pesquisa realizada por Cruvinel e Boruchovitch (2003), a epidemiologia referente à incidência de depressão em crianças apresenta-se em números bastante flutuantes, tanto no Brasil quanto no contexto internacional. Não obstante, é sabido que esta demanda é real. O que se confirma por meio de diversos índices apontados por autores como Hallak (2001) e Curatolo (2001), que investigaram escolares entre 7 e 12 anos. O primeiro constatou um índice de 21,1% de sintomatologia depressiva dentre os estudantes; e o segundo obteve que, quando avaliada pelo Inventário de Depressão Infantil (CDI), 6% de sua amostra apresentava tal característica e 3% quando avaliado pela Escala de Sintomatologia Depressiva para professores (ESDM) - instrumento de 22 itens respondidos por meio de uma escala tipo Likert variando de um a três. Em uma faixa etária um pouco mais abrangente, Barbosa e Gaião (2001) investigaram crianças e adolescentes de 07 a 17 anos do interior da Paraíba e encontraram uma prevalência de depressão consideravelmente expressiva (22%).

Outro levantamento realizado mais recentemente, por Thiengo, Cavalcante e Lovisi (2013) aponta em seus resultados que os índices de prevalências para depressão, no contexto nacional e internacional, variaram entre 0,6% e 30%. Neste mesmo estudo, foram apontadas também prevalências para ansiedade (3,3% a 32,3%), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade - TDAH (0,9% a 19%). Verificou-se que os instrumentos utilizados nos estudos analisados foram variados, sobressaindo-se, especialmente nos estudos internacionais, aqueles que se pautam nos critérios diagnósticos descritos no Diagnostic and Statistical

Manual of Mental Disorders (DSM-IV): Child and Adolescent Psychiatric Assessment

(CAPA) e o Composite International Diagnóstic Interview (CIDI).

É importante ressaltar que os instrumentos utilizados nas pesquisas acima apontadas foram de rastreio de sintomas, não tendo finalidade de emitir diagnósticos. Além disso, a população investigada foi predominantemente de escolares com professores que apontavam indícios da sintomatologia depressiva na criança com a qual convivia. Por não se tratarem de pesquisas diretamente realizadas com amostra clínica (aquelas cujos responsáveis procuraram

ajuda profissional), os índices podem se apresentar de uma forma não condizente com a realidade das crianças que de fato sofrem e são diagnosticadas com sintomas depressivos.

Além disso, como pode ser observado por meio desses dados, a incidência do Transtorno de Depressão Infantil vem sendo de fato investigada por alguns autores. Entretanto, vale ressaltar que, como os resultados acima delineados apresentaram uma ampla variabilidade, devem-se considerar as distintas regiões onde os estudos foram realizados e consequentemente a diversidade da população avaliada. Diante disso, pode-se inferir que uma questão emergente nesta temática esteja na expressiva divergência nos critérios de avaliação, em função da carência de mais estudos na área e ausência de um instrumento válido e legal elaborado para o contexto brasileiro que possa fornecer dados mais homogêneos e convergentes, possibilitando a facilitação do diagnóstico. Tais estudos são de suma importância para a detecção cada vez mais precoce e intervenções de caráter preventivo.

Diante do que foi pesquisado na literatura da área, é inegável que vários autores (BARBOSA; GAIÃO, 2001; CURATOLO, 2001; GOUVEIA et al., 1995; CRUVINEL; BORUCHOVITCH, 2008; HALLAK, 2001) vêm cada vez mais explorando tal temática, na tentativa de contribuir para construir um arcabouço teórico-técnico mais abrangente. Entretanto, em sua maioria, este trabalho vem sendo feito na direção de adaptação de instrumentos estrangeiros para o uso na população brasileira. Levando em consideração a influência dos fatores ambientais, culturais, regionais e econômicos, faz-se extremamente necessária a elaboração de um instrumento para investigar a Depressão Infantil em crianças brasileiras (PEREIRA, 2002). É relevante esclarecer que tais instrumentos de medida destinados ao rastreio sintomatológico não devem ser utilizados isoladamente, de forma a pretender, por si, concluir o diagnóstico de depressão, e sim, caracterizar o grau da magnitude dos sintomas depressivos, juntamente com outros dados relevantes para o processo avaliativo (PEREIRA, 2007).