Nos diferentes períodos do projeto no MCSP abordados pelos educadores nas dinâmicas de grupo focal ocorreram diferentes situações e formatos de encontros de formação nos quais eles situam experiências significativas, oferecendo a eles e a mim a possibilidade de perceber as diferentes qualidades da formação oferecida pelo projeto, sejam por suas mudanças e avanços, assim como as rupturas e carências. Os encontros são significativos pelas trocas que possibilitaram ao grupo, assim como também as que ocorreram no convívio cotidiano com os colegas de mesma unidade do MSCP, aspecto enfatizado por todos os grupos. Mas o que é essa troca? O que essa palavra significa, afinal, na formação desses educadores? O que dá a estes encontros o caráter de formação?
KCS, educadora que havia participado do processo inicial de formação em 2008 no período de implantação do projeto, lembra dos primeiros encontros coletivos:
Estávamos pensando o que era mediação [...] e cada um foi falando o que pensava sobre mediação e, listamos as palavras49. A Camila enviou pra
gente [...] e num outro momento, eu até usei essas palavras no meu TCC porque eu falava de mediação[...]. O encontro foi bem legal pois foi troca, a ideia não era precisar concordar ou não com a ideia de mediação do outro, mas pensar em todas as palavras juntas, por exemplo, eu não concordo com a palavra ‘transmitir’ mas num conjunto, elas fazem sentido, funcionam, elas se avizinham ...
Foi uma semana não? O grupo todo, todo mundo junto foi conhecendo todas as casas, cada dia a gente fazia a formação numa casa, e antes, a gente fez um encontro para tentar chegar num ponto em comum, o que a gente ia pensar como mediação e formação, e depois, o que achei legal, foi a gente propor uma bibliografia [...] e formamos uma pasta com um pouquinho de cada um para cada casa [...].(Registro verbal, arquivo da autora).
49
9LVLWD GRV HGXFDGRUHV QD &DVD GR *ULWR HP UHVWDXUR GXUDQWH D SULPHLUD VHPDQD GH IRUPD©¥R QR SHU¯RGR GH LPSODQWD©¥RGRSURMHWRHGXFDWLYR0DLRGH
Uma lista de palavras que formam um conjunto de ideias que se “avizinham”, uma sequência de casas descobertas em conjunto pelos educadores, textos reunidos com “um pouquinho de cada um para cada casa”. Seja um conjunto de palavras, casas ou textos, percebo que a extensão do MSCP continuamente nos desafiou a tecer as suas partes, as suas unidades para chegar “num ponto em comum”.
A busca por unidade e coerência foi citada em outros grupos pelos educadores que atuaram no período inicial do projeto e, por outro lado, a falta de uma visão do conjunto e uma atuação coletiva mais efetiva é percebida por PCS, que entrou no projeto mais adiante, promovendo uma revisão mais critica por parte de KCS sobre as reuniões que continuaram a ocorrer no projeto:
PCS: É bom ouvir isso pois hoje é o que a gente sente falta, lógico, vocês estavam partindo de um início, mas depois conforme vai entrando e saindo educador [...]parece que isso se perde, essa coisa de pensar junto, perdeu [...] e conhecer todas as casas é fundamental!
KCS: Mas lembro que a gente se encontrava mas eram mil demandas: banheiro, computador, como a gente iria pesquisar porque não podíamos sair das unidades em horário de trabalho [...] as demandas praticas, burocráticas, os problemas, os abandonos das casas [...] Perdeu a formação e começou a ficar chato...
Nos conhecemos, ficamos uma semana juntos, surgiram afinidades mas não necessariamente fomos para as mesmas casas, mas tudo bem, mas, quando nos reencontrávamos nas reuniões , eram estas demandas. A Camila e a Tatiana tinham que dar conta desses problemas com a gente, e
tínhamos poucos e pequenos encontros, rápidos [...] eram mais desabafos, e era sempre só resolvendo burocracias [...] tudo era muito lento na instituição para se resolvido [...] Chegamos com vontade de fazer o espaço viver mas, a sensação é que espaço não ia viver, que o espaço ia ficar naquela historia lá do passado [...]. Tudo era sempre mesmo difícil, eles (a instituição) ficavam cobrando que era pra usar essa roupa (o uniforme), pra fiscalizar o pessoal que ia trabalhar de domingo, nada haver com educação... (Registro verbal, arquivo da autora)
O começo do projeto foi marcado por muita união e entusiasmo entre todos nós, mas muitas de nossas intenções foram refreadas ou não realizadas por não corresponderem as expectativas ou possibilidades da instituição, como por exemplo as propostas de mediação concebidas pelos educadores nesse momento do projeto, revelando fragilidades e discordâncias. Se compartilhar e conceber ideias e propostas entre os educadores significa crescimento, a falta de concretização dessas ideias é aspecto frustrante, como relata APA sobre sua atuação com outra educadora na Casa do Tatuapé e das experiências com os vizinhos e frequentadores de grupo de terceira idade que, antes da implantação no projeto educativo, tinham o hábito de frequentar e realizar encontros no local e com os quais desenvolveram novos encontros num projeto que chamaram de Re-memórias:
Para mim foi muito significativo o contato com a educadora que trabalhava comigo, havia coisas que a gente entendeu juntos... a relação com os vizinhos e o pessoal da terceira idade que cobravam que continuasse com as atividades anteriores. E o nosso aprendizado foi entender, problematizar aquele espaço, além de espaço museologico [...] conversamos com as pessoas, elaboramos projetos, vídeos [...] e o projeto Re-memórias. [...] gravávamos esses encontros, acontecia as quartas, e tinha uma questão afetiva [...] eles tinham uma necessidade de se apropriar do espaço mas conseguimos traçar um diálogo com nossos objetivos [...] E o jogo Inventario Invertido [...], achamos uma forma de criar com diferentes públicos [...] de forma mais lúdica [...] mas que foi frustrante, foi barrar na burocracia da prefeitura. Aí elaboramos, adaptamos e achamos uma forma simples de usar o jogo, mas foi frustrante [...].(Registro verbal, arquivo da autora)
O jogo Inventário Invertido foi uma das propostas de mediação desenvolvidas nesse processo inicial do projeto, mas que não pôde ser confeccionado como concebido originalmente, inicialmente por lentidão na aprovação por parte da direção do MCSP e, posteriormente, por falta de orçamento. No decorrer do projeto diferentes propostas de mediação que incluíam desde jogos e materiais de apoio até oficinas e encontros para professores visando diversificar as abordagens de mediação com o público, foram revistas, atualizadas, replanejadas e reapropriadas com soluções mais simplificadas, ou abandonadas. Ainda assim, algumas foram concretizadas mesmo que vagarosamente em decorrência de processos de criação que envolvem cuidadosas pesquisas e discussões entre os educadores e supervisão, assim como pelo burocrático processo de aprovação e
divulgação com a instituição50. Como contraponto a estas dificuldades, para a educadora RSB que atuou no projeto por longo período, as reuniões não perderam caráter construtivo pois contribuíam na elaboração e revisão das propostas de mediação:
Eu achava (as reuniões) importantes porque você conseguia saber o que estava acontecendo nas outras casas (unidades do MCSP) e para trocar experiências. As vezes a gente queria montar uma oficina, um projeto e era importante saber das experiências que as outras pessoas estavam tendo, para adequar as suas e receber opinião dos outros era fundamental. (Registro verbal, arquivo da autora)
O início do projeto também desafiou toda a equipe de educadores a investigar e elaborar um conhecimento mais profundo e atualizado sobre cada unidade do MCSP, em decorrência da percepção de sua amplitude como vimos no capítulo dois. Apostilas com documentos e registros foram oferecidas pelos funcionários do museu, mas, aos olhos curiosos dos educadores, mostraram-se desatualizados, convencionais e insuficientes. A necessidade e interesse em ampliar as pesquisas sobre o MCSP gerou muitas leituras e pesquisas entre eles e algumas visitas em bibliotecas e arquivos, quando a instituição autorizava deslocamento dos postos de trabalho. Ao longo do projeto e mais intensamente em seu início havia um esforço coletivo em mapear, investigar e resgatar informações que intencionava construir um novo olhar sobre o MCSP numa perspectiva de mediação problematizadora e não reprodutora, ao relacionar a história oficial com as histórias de cada lugar, de cada bairro, das pessoas que ali viveram ou viviam, como relata APA:
Lembrei da formação inicial [...] senti falta de uma pesquisa, que até foi realizada, cada um fez de uma forma, mas mais organizada do entorno daquele espaço [...]. Considerar as informações do entorno também deveria ser essencial, além dos dados históricos daquele local. Mas o que é aquele local hoje e como atualizá-lo [...] faz parte de democratizar e dar outros acessos a ele, além de sua importância acadêmica, histórica [...] para determinado publico, envolve isso mas também só iria emergir uma proposta de formação de publico se houvesse uma pesquisa do entorno [...] que articulasse a historia e a historia do entorno hoje. (Registro verbal, arquivo da autora)
À história de cada unidade foram sendo agregadas novas camadas de histórias vivenciadas e escritas pelos educadores .Troca, nesse sentido, foi viver e tecer histórias. Assim como aprendemos com Aguirre (2008) que em contraponto a uma visão de cultura estática e essencialista, temos a visão dinâmica que favorece a incorporação de novos elementos e significados, num processo constante de trocas, mestiçagens e transfusões que também podemos transpor para a visão de história que inspirou-nos nestas trocas. No final
50
Alguns projetos específicos com propostas diferenciadas de mediação foram experimentados e desenvolvidos como o “Pode Entrar”, que ofereceu em cada unidade atividades, oficinas, encontros para públicos de diversas idades, desenvolvidos pelos educadores no ano de 2010, na temporada das férias de verão.
de 2009 começou a ser planejado e elaborado em conjunto por todos os educadores que atuavam no projeto nesse momento um registro cuidadoso da história de cada unidade, chamado de Memorial51 pois, envolvia além dos registros e documentos oficiais, memórias
dos próprios educadores e de visitantes, relatados pelos primeiros, através de suas experiências com o público. O material, finalizado em 2010, visava registrar essa história do MCSP e incentivar o seu acesso e continuidade por outros educadores e interessados em geral, demarcando a passagem do nosso projeto educativo no MCSP, inclusive caso a empresa Arteducação Produções não continuasse o contrato com a prefeitura.
A sua elaboração contou com a colaboração da historiadora e educadora Valéria Peixoto de Alencar, aspecto que também visava a sua integração com os educadores em função das perspectivas de sua atuação como supervisora. A apresentação do Memorial escrita pela supervisão diz:
A proposta de organizar o Memorial do Projeto de Educação Patrimonial foi formulada pelos educadores e supervisão nas reuniões de formação continuada, em função da necessidade e interesse que o grupo sentiu de organizar e compartilhar suas pesquisas, reflexões e experiências. O Memorial é o registro da passagem deste Projeto Educativo no Museu da Cidade de São Paulo e representa uma camada de sua história que poderá ser compartilhada com futuros educadores patrimoniais, interessados em geral como estudantes, pesquisadores e professores além de profissionais do próprio Departamento do Patrimônio Histórico.
Este Memorial precisa ser compreendido como um recorte da história do Museu da Cidade de São Paulo e não sua totalidade por duas razões em especial: a primeira, de ordem mais prática, representa um recorte da história por tratar-se ainda de um material incompleto, visto a extensão e complexidade da história de cada uma das unidades do Museu e da própria história da cidade de São Paulo com a qual está entrelaçada, além da dificuldade de acesso sobre parte dos documentos e bibliografia. A segunda razão de ser um recorte é de ordem mais subjetiva, pois representa uma história de cunho mais autoral, cujo conteúdo trata das experiências vividas pelos próprios educadores, com relevância aqueles que atuaram no projeto mais recentemente, já que o projeto iníciou-se em Maio de 2008, pelo Arteducação Produções. O Memorial não pretende, portanto esgotar-se em si mesmo, mas impulsionar novas camadas de pesquisas, criações, reflexões e experiências, entre os próprios educadores e em seus processos de mediação com o público, considerando a dimensão afetiva e critica na construção e re-significação de nossa própria história e cultura. (Arquivo da autora)
A educadora TGAC relata o que participar do processo de elaboração do Memorial representou em sua formação e complementa sobre o sentido das trocas nos processos coletivos de pesquisa e estudo:
Na minha opinião [...] um dos momentos de formação mais significativos que achei que foi o Memorial [...] quando cheguei ao projeto a coisa já estava andando, faltou tempo mas foi complexo, bem elaborado [...] e foi ai
51
Material elaborado para o Projeto de Educação Patrimonial pelo Arteducação Produções e educadores do projeto em 2010, não publicado.
que me e aproximei da casa (Modernista). Fotografar, escrever sobre a casa, ouvir as pessoas que trabalham lá para compor o material [...]. E ai, depois, nos últimos meses tinha reunião de sábado, uma ou duas vezes [...] onde líamos textos e discutíamos entre os educadores, com a Valéria e a Camila [...] É importante você ler mas se você não discute, não adiante guardar pois aquilo morre, e quando você troca com outros que estão vivendo uma experiência parecida, amplia... (Registro verbal, arquivo da autora)
A troca entre os educadores aproxima e amplia conhecimentos, sentidos e afetividades. Oferece-lhes a possibilidade de construir conhecimentos e experiências comuns, como ilustra o relato de RSB:
Cada dupla que passava por uma casa tinha um desempenho, um estudo, eu sei porque a primeira casa que eu fiquei foi o Sitio da Ressaca. A gente pesquisou, estudou a história e tentamos produzir um documento relatando um pouco do que a gente conheceu, pesquisou. A gente fez até relatos de história oral conversando com alguns moradores para continuar a história da casa [...]. Foi uma das coisas que a gente deixou, cada educador que passava por uma casa deixava um legado então quando eu mudei de casa, para a Capela do Morumbi, outros educadores também tinham deixado um legado e a gente foi partindo disso, era o que a gente estudava, a história e também continuava os estudos aprofundando cada vez mais aquilo que aquele educador havia deixado, a gente continuava a partir de onde ele havia parado, por mais que não fosse a mesma pessoa a continuar os estudos mas tendo um legado de uma outra pessoa, continuar pesquisando é bom para ter referencia. Então, eles deixavam as referencias de pesquisa [...] como deixei quando saí e hoje a educadora da Capela continua a pesquisa, é um processo bem rico [...](Registro verbal, arquivo da autora) Para KCS, observar as colegas educadoras como historiadoras significa descobrir o potencial formador dos processos de estudo e pesquisa:
KCS: Isso era formação em conjunto, quando eu estava com minha colega na Casa do Bandeirante, formada em história, ela lia e lia, e ai a gente trocava. Lembro da AKR na Capela, ela queria pesquisar como historiadora, ela comprava a história, e nesse sentido teve formação. (Registro verbal, arquivo da autora)
No relato de ALG, que teve a possibilidade com sua parceira da Casa do Bandeirante de deslocarem-se para outras instituições culturais da cidade durante período em que essa unidade estava fechada para reforma e montagem de nova exposição, percebemos como as diferentes situações em que as trocas se efetuam influenciam na sua formação:
ALG: A gente pesquisa além da casa [...] você começa a pesquisa e vai além, descobre outras coisas [...] e tem uma história dentro da outra [...] e cada um tem uma formação, de historiador de artista [...] são muitos pontos de vista diferentes e aí você começa a pensar diferente, pela troca, pela pessoas que estão ao seu lado, pelo grupo. (Outro momento de formação importante) é quando saímos para outra casa ou espaço, mas às vezes por conveniência, como no nosso caso, a casa estava em reforma, ai nós
pudemos sair [...] quando fazemos essas visitas em outros ambientes de trabalho estamos não só com nossa visão [...]. Estamos compartilhando ideias, visões diferentes com outros educadores ( de outras instituições) , estamos avaliando não só a obra de arte mas o espaço, as pessoas e, comparando, tendo o outro espaço como comparação e referencia para avaliar o nosso trabalho [...](Registro verbal, arquivo da autora)
Nas relações que se efetuam com os colegas, o educador atualiza e avalia a sua prática. Mas esse espaço de troca também é cheio de conflitos, de negociações, aprendizados, sofrimentos por revelar aquilo que ainda não sabemos ou somos, como ilustra o trecho de conversa entre RSB e CBB:
RSB: Na história eu sou mais objetiva, então para a gente fazer um projeto a gente tinha que pensar mais no chão sabe, então, se por exemplo, a gente fez um projeto que falava sobre África através de um jogo de quebra- cabeça, e esse foi um em que várias vezes a gente entrou em conflito, nas escolhas de imagens. É que a gente começava a montar um projeto, começava a sair a ideia, aí a gente escolhia as imagens relacionadas com a cultura africana e às vezes ela (referindo-se à colega de trabalho) dava uma fugida e falava para acrescentar um outro tipo de imagem, como uma imagem de um ponto de interrogação, uma coisa nova, diferente, que para mim era novo, estranho de certa forma acrescentar uma nova peça no jogo, para mim saia um pouco fora da linha de raciocínio mas que na verdade, depois, repensando, as ideias faziam um certo sentido e ai a gente acabava convergindo [...]. E às vezes no texto também, a forma que eu escrevo, é as vezes ao contrário, eu filosofo muito, acabo falando, escrevendo de uma forma mas subjetiva e ela não, era mais objetiva (risos) na escrita. E a gente entrava em conflito nessas questões, mas ai mais uma vez convergíamos e as coisas se ajeitavam. Ela dava a opinião dela e eu também sobre o que ela havia feito e ai no final a gente juntava as duas coisas e ai dava uma coisa boa, apesar desse projeto não ter sido finalizado [...] a experiência da conversa fez a gente crescer [...].
CBB: O diálogo, a conversa é importante, acho que isso me impulsionou e de certa forma gostaria de ter aprimorado mais [...] na minha formação profissional, mas que me fortaleceu de certa forma para trabalhar em grupo, para lidar com outras formas de pensar, eu aprendi bastante também, pessoal e profissionalmente, isso é interessante, pois pode ser em qualquer trabalho que você tiver, é uma questão cultural, quando você tem que lidar com outras áreas, com pessoas que tem outro tipo de conhecimento, de raciocínio e tudo o mais, é uma coisa para mim como profissional e como pessoa também. A dificuldade de diálogo existe e poderia ter sido melhor [...] se eu tivesse buscado mais diálogo, uma conversa, uma interação maior e às vezes, [...] que não ocorria por eu não ter tanta facilidade para interagir como se deveria, então, penso que a formação continuada tem que ser estimulada [...](Registro verbal, arquivo da autora).
E, para concluir, podemos pensar que é nessa intimidade mais profunda com o outro, quase impalpável, que a formação, como aquilo que inevitavelmente nos mobiliza e altera, acontece por meio de aspectos mais singulares, diluídos e orgânicos que parecem naturalizados nos modos sensíveis e cotidianos de se relacionar, contaminar, negociar e incorporar elementos dos outros sujeitos:
AKR: Meu maior momento que, acho que foi imprescindível, foi o fato de nunca estar sozinha, tem que ter um colega, seja no momento do café, seja antes da visita, quando você chega no espaço, na verdade o momento mais importante é quando você esta conversando com esta pessoa, que você esta ligada [...] se isso não acontece, a coisa não vai pra frente [...] Com um de meus colegas que tive mais afinidade [...] éramos só nos dois na prática, havia a necessidade de chegar a um consenso, mesmo com abordagem diferentes, mas tínhamos que confrontar nossos pontos de vista sobre o espaço, não tinha problema, mas esse confronto, era necessário, natural, isso, como hábito te incentiva e não te acomoda [...] os outros funcionários (do Museu do Theatro Municipal) importam, estão incluídos, é orgânico [...] mas não estão na mesma função [...] tem que ter a relação com os dois educadores.
APA: Dentro do processo, e este processo diário, é que considero como a formação tem continuidade [...] porque a supervisão do MCSP tem uma rede de espaços e ela que não dá conta de tudo, ela pode motivar, separar textos, reflexões, acompanhar visitas, mas se você pensa que a formação continuada são todos os momentos de quando você esta ali [...] porque cada pessoa te altera, cada percepção te altera [...] e acho que a formação