2. TEORETISK FORANKRING
2.2 Nasjonale læreplaner
As cabrucas e florestas não diferiram quanto à densidade de árvores (número de árvores/0,1 ha) e também não diferiram quanto à densidade de árvores potencialmente forrageiras (considerando as 17 espécies consumidas) e nem na distribuição das frequências diamétricas das árvores amostradas (Tabela 4.12). Por outro lado, cabrucas quando comparadas às florestas tiveram maior densidade de espécies exóticas (principalmente Theobroma cacao e algumas árvores Erythrina poeppigiana), menor riqueza de espécies por unidade de área (número de espécies/0,1 ha), baixa disponibilidade de vegetação no estrato de 5 a 10 m, e principalmente não apresentaram árvores com infestação de cipós. Desconsiderando os cacaueiros, a densidade de árvores nas cabrucas foi igual a 21,0 ± 6,0 (árvores/0,1ha). Em relação às estruturas que potencialmente servem de abrigos, as cabrucas não apresentaram emaranhados de cipós e tiveram menor densidade de palmeiras quando comparada à floresta, porém apresentaram bromélias,
Tabela 4.12 – Diferenças na estrutura da vegetação e na disponibilidade de recursos entre os tipos de vegetação presentes nas áreas de estudo dos ouriços-preto (continua)
Tipos de vegetação (2) Variáveis do hábitat (1)
Floresta Cabruca Capoeira Seringal Estrutura geral
Densidade de árvores 59,00 ± 08,19 53,67 ± 09,29 34,00 88,00 Densidade de árvores exóticas 02,67 ± 03,05a 40,00 ± 20,22b 0,00 20,00 Riqueza de espécies 25,00 ± 01,00a 10,66 ± 06,11b 18,00 33,00 Diâmetro a altura do peito
10 a 20 cm 78,97 ± 07,55 81,36 ± 09,79 93,00 55,68 20 a 30 cm 13,27 ± 07,07 10,02 ± 05,44 05,88 25,00 >30 cm 07,76 ± 04,25 08,62 ± 04,37 0,98 19,32 Número de cipós 0 cipós 33,27 ± 10,22a 100,00 ± 0b 37,50 79,55 1 a 5 cipós 39,72 ± 09,58a 00,00 ± 0b 31,25 14,77 6 a 10 cipós 18,06 ± 05,16a 00,00 ± 0b 25,00 04,55 >10 cipós 08,95 ± 06,09a 00,00 ± 0b 06,25 01,14
Copa coberta por cipós
0 % 40,81 ± 14,88a 100,00 ± 0b 43,75 85,23 1 a 25% 21,79 ± 06,41a 00,00 ± 0b 21,88 5,68 26 a 50 % 13,42 ± 13,68a 00,00 ± 0b 25,00 04,55 51 a75% 10,20 ± 04,98a 00,00 ± 0b 00,00 01,14 76 a 100% 13,78 ± 02,91a 00,00 ± 0b 09,38 03,41 Estrato vertical 0 a 2 m 13,27 ± 03,69 04,31 ± 06,03 26,96 05,23 2 a 5 m 17,16 ± 08,18 28,67 ± 05,03 46,16 10,93 5 a 10 m 28,26 ± 07,14a 14,40 ± 03,46b 13,37 11,40 10 a 15 m 18,72 ± 15,62 17,26 ± 07,41 02,47 05,94 15 a 20 m 13,81 ± 09,90 10,91 ± 04,18 00,41 16,63 20 a 25 m 08,78 ± 32,60 24,45 ± 03,31 00,63 49,88
Tabela 4.12 – Diferenças na estrutura da vegetação e na disponibilidade de recursos entre os tipos de vegetação presentes nas áreas de estudo dos ouriços-preto (conclusão)
Tipos de vegetação (2)
Variáveis do hábitat (1) Floresta Cabruca Capoeira Seringal Disponibilidade de potenciais fontes de alimentos, abrigos e latrinas
Densidade de árvores forrageiras 16,33 ± 6,11 06,00 ± 8,71 7,00 36,00 Densid. de árvores com emaranhados 14,00 ± 01,00a 0,00 ± 00,00b 09,00 04,00 Densid. de árvores com bromélias 00,00 ± 00,00a 02,33 ± 00,58b 00,00 02,00 Densid. de árvores com ocos 00,33 ± 00,58 01,00 ± 01,00 00,00 00,00 Densidade de palmeiras 4,00 ± 01,73a 00,33 ± 00,58b 4,00 02,00 Densidade de dendezeiros 01,67 ± 01,53 00,33 ± 00,58 00,00 00,00
(1) Os dados de densidade são referentes ao número de árvores por 0,1 ha, e de riqueza de espécies é referente ao numero de espécies encontradas em 0,1 ha.
(2) São apresentados os valores médios e desvio-padrão de 3 áreas (g.l. = 2). Valores dentro de linha seguida por letras diferentes são significativamente diferentes pelo teste Mann-Whitney (p < 0,05).
enquanto que estas não foram registradas nas florestas. Em relação às potenciais estruturas que servem como latrinas, as cabrucas e florestas tiveram similar disponibilidade de dendezeiros e ocos e, como dito, somente as cabrucas apresentaram bromélias.
Os dados apontaram que o seringal presente na área de vida do ouriço CS03 apresentou grande densidade de árvores, elevada densidade de árvores exóticas e forrageiras, e elevada riqueza de espécies arbóreas. A estrutura diamétrica das árvores e dos estratos verticais apontam para um dossel mais alto e formado por árvores de caule mais grosso. A infestação por cipó e a presença de emaranhados é mais baixa nas árvores do seringal do que nas árvores da floresta e maior do que nas cabrucas. A presença de bromélias ocorreu como observado nas cabrucas.
A capoeira foi semelhante às florestas em quase todos os aspectos, divergindo por ser mais baixa, com vegetação concentrada até 10 m de altura, e com árvores geralmente de menor diâmetro.
4.2.4 Discussão
As curvas cumulativas assintóticas das áreas de vida individuais dos ouriços-preto indicaram que a amostragem foi suficiente para estimar acuradamente o tamanho da área de vida anual. As áreas de vida das fêmeas estudadas (0,48-1,5 ha pelo MPC; 0,34-1,47 ha pelo kernel- 95%) tiveram tamanhos similares aos encontrados por Oliveira (2006) estudando fêmeas desta espécie em outra localidade (0,53-3,89 ha pelo MPC; 0,37-1,96 ha pelo kernel-95%). Os valores mensurados estão em concordância com o esperado para um folívoro deste porte, considerando que a extensão da área de uso é diretamente relacionada com o peso corporal e requerimento energético, dentro de um conjunto de espécies de dieta similar (CLUTTON-BROCK; HARVEY, 1977; McNAB, 1963; MILTON; MAY, 1976; SCHOENER, 1968). Por exemplo, as áreas de vida dos ouriços-preto (incluindo o macho) tiveram tamanhos similares àquelas observadas em folívoros de mesmo porte em floretas tropicais, tais como Avahi laniger (1-4 ha) e Dendrohyrax
arboreus (0,4-4,1 ha) (COMPORT; WARD; FOLEY, 1996; GANZHORN et al., 1985;
HARCOURT, 1991), assim como, foram maiores do que as áreas de folívoros de menor porte, tais como Kannabateomys amblyonyx (0,02-0,15 ha; STALLINGS; KIERULFF; SILVA, 1994), e menores do que as áreas de vida de folívoros de maior porte, tais como Coendou prehensilis (amplitude: 8-38ha) e Phascolarctos cinereus (116 ha) (ELLIS et al., 2002; MONTGOMERY; LUBIN, 1978; SANTOS-JUNIOR, 1998).
A sobreposição da área de vida do macho (CS03) sobre a fêmea marcada (CS04) e o fato deste macho ter sido observado na companhia de outras duas fêmeas na porção norte e sudeste de sua área de moradia (Capítulo 3 deste trabalho) sugere que o macho habita uma área maior, provavelmente por monitorar mais de uma fêmea, o que é comumente observado em outros roedores (EISENBERG, 1966). Evidentemente, estudos adicionais, principalmente com outros machos e vários animais em uma mesma área, são necessários para verificar alguns aspectos ainda não esclarecidos como: a variação no tamanho da área de vida dos machos desta espécie, as diferenças entre sexos no uso do espaço, a ocorrência de poliginia, e o grau de sobreposição das áreas de vida de animais de mesmo sexo.
Com relação à seleção de habitat, grande parte das escolhas feitas pelos ouriços-preto em menor escala explicam a seleção em maior escala, por isso a discussão sobre a seleção do
habitat partirá neste sentido, abordando os aspectos da seleção em um grau mais fino, para depois abordar os aspectos gerais.
Os emaranhados de cipós foram as estruturas preferidas pelos ouriços para o descanso diurno, se escondendo mais eficientemente nestes do que em outros tipos de abrigo (bromélias, folhas de palmeiras, etc.) devido às obstruções do acesso visual causado pela vegetação. Desta forma, para o repouso diurno os ouriços-preto parecem ter selecionado árvores com alta infestação por lianas e usado com maior frequência os emaranhados de cipós em relação aos outros tipos de abrigos, primariamente, por ganhar proteção contra predadores. De forma similar, a seleção de árvores com elevada quantidade de cipós tem sido observada também em preguiças
Choloepus hoffmanni, Bradypus torquatus, Bradypus variegatus (BARRETO; 2007;
MONTGOMERY; SUNQUIST, 1978; PINDER, 1986) e o uso intensivo de emaranhados de cipós como refúgio tem também sido documentado para ouriços-preto do Espírito Santo (OLIVEIRA, 2006). Segundo Montgomery e Sunquist (1978) e Pinder (1986), os emaranhados dificultam o acesso dos predadores, permitem maior possibilidades de fugas, e a vibração transmitida pelos pequenos ramos entrelaçados de cipós tem a propriedade de alertar os animais antes que um predador consiga alcançá-los. Outro fator que aparentemente resulta na escolha dos sítios de repouso diurno é a proteção contra as chuvas e contra a incidência de luz solar, uma vez que durante o período amostral todos os tipos de abrigos (emaranhados de cipós, folha de palmeira, copa densa, etc.) utilizados pelos ouriços foram cobertos por vegetação acima do animal e, como mostrado no Capítulo 3 deste trabalho, durante chuvas fortes os ouriços cessaram suas atividades e se abrigaram nestes locais. A escolha de árvores grandes com alta cobertura por cipós na copa e do estrato vertical referente à porção interna da copa (5-10 m), o qual é o mais denso, reforça ambas as hipóteses, pois nestes locais alguns pesquisadores indicam que deve ocorrer menor flutuação nas condições climáticas (JOHANSSON, 1974; LONGMAN; JENIK, 1987; MONTGOMERY; SUNQUIST, 1978; PARKER, 1995; RICHARD, 1952; WHITMORE, 1984) e maior probabilidade dos animais se esconderem (SWEITZER; BERGER, 1992).
Os cipós também foram bastante utilizados para o deslocamento dos ouriços-preto. Os suportes extremamente finos (< 2 cm), tais como as lianas das áreas de estudo, foram usados com maior frequência, embora suportes grossos estivessem disponíveis e poderiam ser mais estáveis. O uso de suportes finos para a locomoção dos ouriços (1,2 -2,2 kg) foi semelhante ao uso de