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3. METHODOLOGY

3.3 D ATA A NALYSIS

Antes de considerar fatos relativos à herança da resistência às ações de controle biológico de pragas, promovidas pelas proteínas Cry, faz-se neces- sário situar o leitor no tópico relativo à resistência das pragas agrícolas em si, que surgiu com o uso intenso dos defensivos agrícolas ou inseticidas quí- micos. Este é um tópico de grande impacto na discussão relativa à produti- vidade agrícola não só do Brasil, mas de todo o mundo (Hall; Menn, 1999).

Como uma alternativa ao problema do relato de um número cada vez maior de pragas resistentes, os biopesticidas, mais seguros do ponto de vista ambiental, foram lançados no mercado mundial e, desde então, tem recebido muita atenção quer por serem realmente uma alternativa, quer por represen- tarem uma forma de diminuição da pressão sobre a seleção pragas cada vez

mais resistentes aos defensivos químicos. Entre os biopesticidas utilizados para o controle de pragas, como já mencionado no inicio deste capítulo, des- taca-se a bactéria B. thuringiensis (Crickmore et al., 1998; Babu et al., 2003). Pode-se dizer que a principal dificuldade em se obter plantas de cana- de-açúcar geneticamente modificadas e expressando níveis satisfatórios de proteínas Cry de modo a efetivamente desencadear um processo de contro- le biológico de diferentes pragas, deve-se ao fato de, nas várias tentativas de obtenção desse tipo de plantas de cana-de-açúcar resistentes aos insetos praga, não ter havido adequado processo de clonagem desses genes e, com isso, houve sempre baixos níveis de expressão dos genes cry que foram uti- lizados nesse processos de transformação. Em outras plantas, como o algo- dão, o arroz, a batata, o milho etc., há relatos de sucesso nessa mesma forma de abordagem genética (James, 1999; Tu et al., 2000; Bohorova et al., 2003).

Wenge colaboradores (2006) destacam em seu relato acerca de resis- tência de plantas de cana-de-açúcar à broca da cana. Em seus experimen- tos, quando os níveis de produção da proteína Cry1Ac produzida a partir de plantas de cana-de-açúcar transgênicas portadoras de um gene cry1Ac sintético e, portanto, satisfazendo as exigências relativas à preferência de códons típicas de plantas de cana-de-açúcar, observaram dois tipos de comportamentos que são descritos a seguir. Quando ocorreu níveis baixos de expressão desse gene sintético, digamos devido a expressão inadequada do gene sintético, houve um rápido surgimento de populações de D. sac-

charalis resistentes e com elevada taxa de sobrevivência nos bioensaios. Entretanto, quando as montagens obtidas produziam níveis adequados da proteína Cry1Ac não foram observadas larvas da broca da cana resistentes nos ensaios realizados indicando, com isso, que ocorre a seleção de insetos resistentes quando as condições de seleção não são adequadas.

Em dois relatos apresentados na literatura internacional (Wu et al., 2009a e WU et al., 2009b) há relativamente pouco tempo atrás, há a menção da utilização da proteína Cry1Ab frente a ensaios de resistência por parte de larvas de D. saccharalis, em que se menciona que a piramidização, ou seja o uso de mais de um tipo de genes cry, em plantas transgênicas, em geral, tende a retardar o surgimento de populações de insetos praga resistentes.

Na outra publicação, os autores descreveram que foram realizados cru- zamentos entre cultivares de cana-de-açúcar, transgênicos ou não, envol- vendo cruzamentos diretos e reversos bem com retrocruzamentos com ge-

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nitores em que haviam genes de resistência à broca da cana ou não e com esse tipo de abordagem foi possível a eles detectar que a resistência de larvas de broca da cana parece ser governada por um ou poucos genes autossômi- cos recessivos herdados num modelo mendeliano de herança.

Considerações finais

Em um capitulo de livro editado por Tomes, Lekssmanan e Songstad so- bre o tema biofuels, Matsuoka e colaboradores (2011) relataram a experiên- cia brasileira relativa à indústria do etanol, em que os primeiros esforços levados a cabo, com plantas de cana-de-açúcar transgênica, iniciaram-se no final do século passado, totalizando nove experimentos buscando obter plantas tolerantes a herbicidas (Falco et al. 2000). Esses mesmos autores comentaram em seu texto que se espera, nos próximos anos, haver a efe- tiva construção de um cultivar de cana-de-açúcar transgênico, que possa ser comercializado ou mesmo ofertado aos produtores de açúcar e álcool para combustível, uma vez que já existem várias iniciativas em andamen- to, tanto em instituições financiadas por fundos governamentais como em projetos da iniciativa privada.

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