7. RESULTS AND DISCUSSION
7.2 A NALYSIS OF O FFER P RICE D ISCOUNT
Apoio social é entendido como qualquer auxílio oferecido por pessoas que se conhecem, resultando em efeitos emocionais e/ou comportamentos positivos.
Esse é um processo recíproco, gerando bem-estar para quem recebe e para quem oferece o apoio. O apoio social tem sido relacionado com o grau de saúde e bem- estar das pessoas. Pesquisas comprovam que, em momentos de estresse, o apoio social contribui para a manutenção da saúde (VALLA, 2000).
Existem diferenças entre apoio social e rede social, configurando-se esta última como uma dimensão estrutural ou institucional ligada a um indivíduo, como a vizinhança, as organizações religiosas, a escola, dentre outras (PEDRO; ROCHA E NASCIMENTO, 2008).
Segundo Andrade (2002), o apoio social fornecido pelas redes permite compartilhar informações e auxiliar uns aos outros em momentos de crise. O envolvimento da comunidade pode ser significativo para o aumento da confiança pessoal, ampliação da auto-estima e, consequentemente, disponibilidade para resolução dos problemas intrínsecos da vida.
Por meio de sua fala, Camila coloca que ainda hoje recebe conselhos de seus amigos para não pensar em auto-extermínio. O apoio dos vizinhos e colegas foi essencial para que essa jovem pudesse se sentir acolhida, fazer parte de um mundo no qual as pessoas se preocupam com ela. O fato de ter uma filha também fez com que a jovem repensasse suas atitudes, pois a mesma ficaria sem mãe, sozinha no mundo. A jovem hoje aconselha suas colegas a não tentarem o suicídio, mostrando que sempre há um outro caminho a seguir:
[...] Eu dou conselho pra minhas amigas não fazer isso [...] as pessoas me deu muito conselho que não era pra eu fazer isso mais [...] Tenho uma filha de cinco anos [...] eu ia deixar uma vida pra trás [...] As pessoas até hoje, vive assim me dá muito conselho para eu não fazer isso [...] (Camila)
Segundo Heidegger (2002a), vivemos em um mundo compartilhado pela pré-sença dos outros, pois a ausência só existe quando há o outro. Todo ser é ser- com-o-outro, e o “com” é uma determinação da presença, uma característica fundamental para o existir humano. “Na base desse ser no mundo compartilhado pelo “com”, o mundo é sempre o mundo compartilhado com os outros. O mundo da pré-sença é mundo compartilhado” (HEIDEGGER, 2002a, p.170).
A conjunção “com” significa junto, portando ser-com-os-outros permite que o ser humano se relacione, atue, pense, viva como o outro (HEIDEGGER, 2002a). Dessa maneira, é possível compreender a rede de apoio social como um espaço de compartilhamento, de relação, de cuidado e preocupação que, por meio
da interação da pré-sença de vários outros, promove o bem-estar e a qualidade de vida dessas jovens e adolescentes. Transforma significativamente o mundo, pois todos os “outros” são existência e, assim, a totalidade do mundo.
O primeiro grupo social ao qual o homem se vincula é a família, grupo social natural que, com sua organização e estrutura, qualifica e influencia as experiências de seus integrantes (GASPARI, 2002).
A família tem função fundamental na vida de qualquer ser-humano. É o eixo estruturante de nossa vida, é o primeiro contato com o ser-com-o-outro; é o espaço no qual se programam os comportamentos. Assume papel ímpar no desenvolvimento do adolescente e do jovem pois, mesmo que essa fase seja caracterizada por um afastamento do núcleo familiar, será nesse núcleo que os jovens buscarão seu ancoradouro e terão sua identidade definida.
A forte ligação entre os membros da família tem sido apontada como um fator protetor contra o suicídio. Famílias que permitem envolvimento recíproco entre seus membros, com possibilidade de diálogo, troca de afetos e confiança uns nos outros para o apoio emocional diante dos problemas inevitáveis da vida, dificilmente terão espaço para condutas auto-destrutivas (RESMINI, 2004).
Dessa forma, fica evidente, no discurso de Cristina, o apoio familiar como condição fundamental para vencer as dificuldades. A jovem sente-se apoiada, amada e querida por seus irmãos, enxergando-os como um porto, no qual, caso ela precise, poderá se ancorar.
[...] Eu tenho apoio dos meus irmãos que preocupam comigo, conversam [...] no que puder me ajudar, me ajudam [...] (Cristina)
Para Franciele, a família também serviu como apoio no início da nova caminhada. A adolescente sente-se feliz, amparada por seus familiares, sente-se inserida na sociedade e por isso não vê o auto-extermínio como solução.
[...] Eu hoje sou feliz [...] tenho meu namorado, tenho meu emprego, tenho uma família feliz, tenho ótimos sobrinhos, então pra mim acabou e isso pra mim não existe mais [...] agora eu sou feliz do jeito que eu sou [...] eu agora tô tranquila, nem penso pra mim não [...] (Franciele)
A jovem ressalta em sua fala a importância que o emprego tem em sua vida. Entendo que o emprego faz com que Franciele se sinta aceita pelos outros, aceita pela sociedade, que deu uma oportunidade para que ela se mostrasse
enquanto alguém que busca um espaço no mundo. Fica claro como a rede social foi importante para sua recuperação e aumento da auto-estima. O trabalho para Franciele seria o voto de confiança para que ela recomeçasse sua jornada.
Para Botega (2006), ter uma ocupação, estar empregado, sentindo-se produtivo e socialmente mais integrado por meio de seu trabalho, é um fator protetor conta o suicídio.
Observo que, quando a família e a comunidade se dispõem a se envolver com seu jovem, tratando-o com amor, carinho e respeito, sua pré-sença torna-se imprescindível para o restabelecimento desse sujeito. A família e a comunidade devem estar junto com o jovem, numa relação envolvente e significante na qual há uma preocupação para com o outro, consideração e paciência. Esse jovem sente-se protegido e cuidado. Dessa maneira, ser-no-mundo para ele deixa de ser uma relação de fracasso, pois o “estar-só é um modo deficiente de ser-com”
(HEIDEGGER, 2002a p. 172).
Assim, concluo que a família e sociedade têm papel fundamental para o desenvolvimento e bem-estar de seus jovens, influenciando positivamente em seu comportamento, a partir do momento em que envolvem estes sujeitos no seu cotidiano, com respeito e consideração, deixando de tratá-los como sujeitos incompletos, pois ainda tem muito a construir. Atitudes inclusivas, estabelecimento de espaços de escuta e discussão sobre a adolescência e juventude, seus medos, frustrações, desejos e aspirações, servirão como proteção contra um comportamento auto-destrutivo, uma vez que qualquer risco poderá ser identificado previamente.