Com o intuito de pesquisar se os livros que a FNLIJ premia realmente chegam aos seus leitores, criamos uma questão no formulário para que o profissional que trabalha na biblioteca indicasse quais livros premiados as crianças mais procuram. No quadro abaixo, apresentamos apenas os 5 mais procurados, que são: A bolsa amarela (15%); Asa de papel (17%) Dez sacizinhos (15%); O menino marrom e O pega-pega (5%). É necessário levar em consideração que 9% dos entrevistados não souberam responder a questão. A lista completa com todos os livros premiados encontra-se no anexo 11.
Os livros premiados que não foram mencionados por nenhum dos entrevistados são: A princesinha medrosa; Cacoete; Chamuscou, não queimou; Chica e João; De
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carta em carta; Felpo Filva; Indo não sei aonde buscar não sei o quê; João por um fio; Ludi na revolta da vacina; Meninos do mangue; O curumim que virou gigante; O menino e o cachorro; Pedro e a Lua; Procura-se lobo; Uma ilha lá longe.
GRÁFICO 7
Os livros mais citados pelos profissionais que atuam nas bibliotecas como esquecidos pelas crianças foram: Pedro (7%), A bolsa amarela (4%), A mãe da mãe da
minha mãe e Sua Alteza a Divinha (3%). No caso do livro da Lygia Bojunga, os
entrevistados justificaram o fato de não ser procurado pelas crianças por serem leituras, na opinião desses profissionais, mais adequadas ao público juvenil. Já com relação aos outros três livros, consideram que a falta de cor do projeto gráfico não atrai as crianças. É importante ressaltar que 83% dos entrevistados não souberam responder a questão (anexo 12).
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GRÁFICO 8
O projeto gráfico dos livros infantis é, num primeiro momento, o principal motivo das escolhas pelas crianças. Através de alguns depoimentos, percebemos que grande parte das crianças escolhe os livros primeiramente em função das capas. “Buscam
livros coloridos e com pouco texto”, foi o depoimento de uma entrevistada. A partir da
análise do gráfico abaixo, verifica-se que a maior parte das escolhas dos livros que ocorrem nas bibliotecas escolares são espontâneas (37%). Além disso, 12% disseram que a leitura é espontânea, mas tentam incentivar ou indicar determinados livros.
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GRÁFICO 9
Assim, para verificar se os livros premiados estão chegando ao seu público alvo com incentivo da escola, buscamos saber, através do formulário, se existe algum trabalho realizado com os livros premiados pela FNLIJ. Afinal, depois de tanto trabalho da fundação para selecionar os melhores livros para crianças, é necessário saber se eles estão presentes nas bibliotecas escolares e se estão chegando aos seus leitores. Infelizmente, 61% dos entrevistados não realizam nenhum tipo de trabalho com os livros da FNLIJ. Consideramos todos os tipos de atividades, seja a contação de histórias, peça teatral, ilustrações etc. Dos 31% dos entrevistados que disseram trabalhar com os livros da FNLIJ, apenas 22% indicaram o nome do título e falaram sobre os trabalhos realizados (anexo 13). Os livros mais indicados foram: Asa de papel, em 20 escolas; O menino marrom, em 11 escolas e A bolsa amarela, em 8 escolas.
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GRÁFICO 10
Esta pesquisa representa a situação dos profissionais e das bibliotecas escolares da Rede Municipal de Belo Horizonte e da presença dos premiados para criança em seus acervos, bem como do trabalho de avaliação realizado pela FNLIJ. Percebemos que o ideal de uma escola com biblioteca abastecida de livros significativos, acolhendo os alunos não só para empréstimos, mas para atividades de discussão de leituras, ainda está longe de ser alcançado no país. Não se pode negar que houve e há esforços do Ministério da Educação e da prefeitura de Belo Horizonte no sentido de dotar as bibliotecas escolares e até os próprios alunos de acervos interessantes e bem escolhidos. Entretanto, no plano escolar e no da comunidade, a repercussão não tem sido a esperada. Ou as bibliotecas não funcionam, transformadas em meros depósitos de livros, ou as crianças são depreciadas como usuárias de direito dessas coleções a elas destinadas e que a elas, muitas vezes, não chegam.
Para finalizar o capítulo, evidenciaremos o lugar da premiação na biblioteca escolar. Um dos aspectos que se destaca como importante na evolução do conceito de biblioteca é não mais considerá-la apenas um local para armazenar livros e sim,
116 concebê-la como um espaço que promove a disseminação da informação. Um espaço dinâmico que passa a integrar diversos suportes e materiais audiovisuais, cuja atuação deve estar integrada aos objetivos e propostas da instituição de ensino em que se insere, configurando-se, dessa maneira, como um laboratório de aprendizagem, como afirma Silva:
A biblioteca escolar é uma instituição do sistema social que organiza materiais bibliográficos, audiovisuais e outros meios e os coloca à disposição de uma comunidade educacional. Constitui parte integrante do sistema educacional e participa de seus objetivos, metas e fins. A biblioteca escolar é um instrumento de desenvolvimento do currículo e permite o fomento da leitura e a formação de uma atitude científica, constitui um elemento que forma o indivíduo para a aprendizagem permanente, estimula a criatividade, a comunicação, facilita a recreação; apóia os docentes em sua capacitação e lhes oferece a informação necessária para a tomada de decisões na aula. Interage também com os pais de família e com outros agentes da comunidade (SILVA, 1997, p.147).
É na escola e por meio desse espaço denominado biblioteca que os alunos terão a oportunidade de conviver com suportes de leitura, adquirindo o gosto pelos livros e pela leitura, podendo, dessa maneira, incorporar essa prática em seu cotidiano. A biblioteca deve favorecer a consecução dos objetivos educacionais: transversalidade, acesso à cultura e, especialmente, o fomento da leitura. Para tanto, precisa desempenhar funções educativas, culturais e técnicas. As funções educativas são: o fomento da leitura, o fomento da pesquisa, o desenvolvimento da criatividade, a educação para o lazer, o acesso à informação e a orientação para a vida. Seriam funções culturais: promover, no espaço da biblioteca, de forma interdisciplinar, diversas atividades culturais, como exposições, concursos literários, saraus literários, feiras de ciências, entre outras; proporcionar informação sobre as atividades culturais externas à escola. Seriam funções técnicas: gerenciar e organizar os recursos informacionais; explorar esses recursos e difundi-los para a comunidade escolar; facilitar o acesso a esses recursos (Silva, 1997).
A biblioteca escolar precisa funcionar como uma das principais instâncias responsáveis por despertar e promover o gosto pela leitura e ser um apoio ao processo de ensino-aprendizagem. Para que isso aconteça, é indispensável que se estabeleça uma parceria entre bibliotecário e professor, pois ambos os profissionais são educadores e devem se preocupar em conferir às crianças uma escolarização de qualidade.
117 De acordo com a pesquisa anteriormente realizada (Costa, 2006), um dos graves problemas vivenciados nas bibliotecas escolares da Rede Municipal de Belo Horizonte está relacionado à questão de recursos humanos. Afinal, não é suficiente existir uma biblioteca com espaço e acervo se não se conta com um profissional capacitado para dinamizá-la. Outro problema encontrado e identificado nas bibliotecas é a presença de professores de “laudo médico” (afastados da regência) que não se identificam com as atividades bibliotecárias e, por isso, não se dispõem a dinamizá-las, reforçando a idéia de que esse espaço é o local ideal para descansar.
Acreditamos que, para que um profissional consiga desempenhar bem as atribuições que a ele competem, não basta o gosto pela leitura, é necessária uma formação que possa dar suporte teórico para sua prática. Além disso, para que a biblioteca escolar seja, de fato, parte central da escola, e não apenas um apêndice, é necessário que o profissional que nela atua participe ativamente das reuniões pedagógicas, conheça o projeto político pedagógico e seja o fio condutor de todos os movimentos que possam fazer da biblioteca um espaço plural, aberto, onde alunos e professores possam juntos sentir o gosto da descoberta, das múltiplas leituras, da diversidade de informações e opiniões.
A pesquisa evidenciou, ainda, um problema relacionado ao fato de, infelizmente, nosso país ser constituído de raras e precárias bibliotecas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (Pesquisa de Informações Básicas Municipais, 1999), dos 5.506 municípios que havia no país em 1999, em quase um quarto (20%) não havia uma só biblioteca pública; em mais de dois terços de municípios (68,5%) havia apenas uma biblioteca pública; em um pequeno número de municípios havia mais de uma biblioteca (11%). Segundo Soares (2004), o mesmo ocorre com as bibliotecas escolares: são raras e precárias. Mesmo com insuficiência de dados estatísticos, é possível afirmar que a quantidade de bibliotecas é pequena em relação ao número de escolas e à população escolar. Além disso, as poucas bibliotecas que temos são constituídas, em sua maioria, por um pequeno acervo quase sempre desatualizado; funcionam mais como depósito de livros que como verdadeiras bibliotecas (Silva, 1997).
118 Diante desses problemas, percebemos que vem aumentando a preocupação em fomentar o gosto pela leitura nos jovens. Tal preocupação tem resultado na criação de programas de incentivo à leitura, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola39, PNBE. Podemos citar, também, a criação da FNLIJ que, apesar de não se tratar de uma política pública, é uma instituição que se preocupa com a promoção da leitura de qualidade e possui uma importância entre pesquisadores, editores, escritores, ilustradores, professores, entre outros, através do prestígio simbólico adquirido pelas suas premiações.
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O programa consiste na aquisição e na distribuição de obras de literatura brasileira e estrangeira, infanto-juvenis, de pesquisa, de referência, além de outros materiais de apoio a professores e alunos, como atlas, globos e mapas.
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CAPÍTULO 4 - FNLIJ E PNBE: EM DEFESA DA QUALIDADE DA PRODUÇÃO LITERÁRIA PARA