2 TEORIDEL
2.5 N ISS ´ ÅTTE MATEMATISKE KOMPETANSER
A primeira categoria, considerada para a análise realizada nesta pesquisa, é a relação do entrevistado com o Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos, para que se pudesse perceber qual o grau de envolvimento do sujeito entrevistado com este movimento e quais as razões o levaram a se aproximar desse espaço específico de discussão.
Ava Gardner disse que, a princípio, chegou ao Fórum “não fisicamente”. Esta fala se justificou devido à explicação que segue: enquanto membro do CME-BH, ele tinha conhecimento das ações que ali eram empreendidas no Fórum e das discussões que eram feitas nele, contudo, não era freqüentador do mesmo, situação que se reverteu mais tarde, devido ao seu interesse pelas questões propostas naquele lugar.
Estando no CME-BH, sempre defendeu a postura de que aquele órgão deveria ampliar os seus espaços de participação e de discussão em torno da educação. Ao tomar conhecimento da existência do Fórum, defendeu a necessidade de que o CME-BH dele fizesse parte, visto que, o Conselho já integrava outros fóruns, e que
fundamental o CME-BH participar desse espaço, porque nós poderíamos ser ali mais um parceiro e conseguir ali mais parceiros para a questão que a gente queria”. (AVA GARDNER).
O entrevistado participava esporadicamente das plenárias do Fórum Mineiro de EJA. Havia uma representação do CME-BH no Fórum, realizada por outrem. Quando a pessoa, que representava o Conselho, deixou de participar das plenárias do Fórum, o entrevistado defendeu a importância da continuidade desta representação e, sob a avaliação dos conselheiros, assumiu este compromisso, tornando-se o novo representante do CME-BH no Fórum Mineiro.
Relatou que sua participação no Fórum se concretizava no segmento dos educadores de EJA, com o qual melhor se identificava. Prosseguiu dizendo que já desempenhou diversas funções no Fórum, situação comum a muitos de seus integrantes. Para o entrevistado, “isso dá vida ao Fórum, nós não temos um núcleo pensante e o núcleo executante, eu acho isso muito bom”. (AVA GARDNER). Afirmou, ainda, gostar muito da forma como se dialoga no interior do Fórum: “lá as coisas são ditas abertamente, sem subterfúgios e entrelinhas”. E, ainda, “entre nós não existe essa questão de ele sabe, ele fala, ele não sabe, ele não fala; não tem isso entre as pessoas do Fórum”. Não sabe dizer se esta é uma característica inerente ao movimento dos fóruns ou se é algo próprio das pessoas que compõem o Fórum Mineiro, mas isso demonstra aquilo que denominou de “postura freireana”.
Por fim, a respeito de suas relações com o Fórum, disse: “no início, eu tinha uma certa resistência em relação ao Fórum, porque, apesar de reconhecer a importância dele como movimento social, porque eu acho que o Fórum é um movimento social, me preocupava um pouco a participação privilegiada de gestores e da universidade nesse lugar”. Cabe aqui uma observação, pois a própria referência do entrevistado à participação privilegiada de alguns segmentos em detrimento de outros, já se constitui em elemento para contrapor o seu pensamento de que o Fórum é um movimento social.
Marilyn Monroe, quando foi trabalhar no PET33, programa que tinha uma representação no Fórum Mineiro, pôde conhecer as ações deste. Quando o entrevistado passou a integrar o CME-BH, sua participação no Fórum se intensificou. Na época, lembrou o
entrevistado, a discussão sobre a regulamentação da EJA estava na pauta proposta pela SMED-BH: “Quando eu assumi a responsabilidade pelo Fórum, na verdade, eu fiz o CME-BH assumir”. (MARILYN MONROE). No Fórum, assumiu a sua secretaria, quando seu funcionamento era na UEMG; assumiu, também, a organização do IV ENEJA, em Belo Horizonte.
Greta Garbo conheceu o Fórum através da solicitação de sua chefia na SMED-BH, no ano de 2000, que indicou sua participação neste espaço, porque isso faria parte das funções que Greta Garbo teria que exercer na Gerência de Funcionamento Escolar. Ele se tornaria a referência da Gerência naquele espaço, com o intuito de estabelecer uma interlocução entre a SMED-BH e aqueles que estavam dialogando sobre a Educação de Jovens e Adultos naquele momento. Isso ocorreu porque o processo de regulamentação da EJA havia começado. O entrevistado completou: “[...] na verdade, ela me intimou, ela falou assim: você vai participar”. (GRETA GARBO).
Para Greta Garbo, devido a sua participação no Fórum, o seu pensamento acerca da Educação de Jovens e Adultos foi reformulado. Ele identificava a EJA com a suplência, visto acreditar, naquele época, que o objetivo do aluno, ao buscar uma escola, era somente o da procura daquilo que não tivera durante a infância. “Então, o Fórum, a importância do Fórum, foi o fórum que abriu a minha cabeça para a questão da pluralidade da dimensão humana, do ensino e da aprendizagem nessa perspectiva”. (GRETA GARBO).
O entrevistado apresentava enorme resistência à forma de trabalho do PET, onde eram desenvolvidas experiências consideradas inovadoras. Por isso, tinha dificuldade em encontrar uma maneira de registrar estas inovações e as diferentes formas de trabalho desenvolvidas pelo Programa. Esta dificuldade residia no fato de pensar o legal em detrimento do legítimo. Em sua opinião, este era o maior problema enfrentado pela gerência da qual fazia parte. Ou seja, pensar como as vivências escolares poderiam significar escolaridade. Assim, o Fórum era um espaço onde poderia discutir essas situações diferentes, e, então, “eu ia com uma meta, sempre, para os fóruns, com a meta de fazer o papel de advogado do diabo.” (GRETA GARBO).
Marlon Brando chegou ao Fórum por meio de um convite que recebeu para trabalhar na SMED-BH. No trabalho, lidava com a Educação de Jovens e Adultos. Uma de suas funções era a de contribuir na discussão para a regulamentação da EJA. Como
representante oficial da SMED-BH no Fórum, deu-se início a sua participação neste espaço de discussão.
O entrevistado disse que causou estranheza o fato de que, aos poucos, foi
notando é que a minha participação [no Fórum] era como se fosse um apêndice de tudo que eu tinha que fazer. [...] a gente tinha que apresentar um dia por semana, uma espécie de relatório das atividades, das ações, dos conflitos, de como é que foi desenvolvido, o Fórum Mineiro nunca era perguntado. (MARLON BRANDO).
Complementou dizendo que, em sua opinião, o único momento em que o Fórum fez parte da pauta de discussões da SMED-BH aconteceu por ocasião da realização, em Belo Horizonte, do IV ENEJA, pois a Prefeitura arcou com parte das despesas da organização do evento.
Afirmou que o fato de ele participar do Fórum proporcionou ganho para si próprio, já que, por esta razão, foi levado a conhecer melhor as obras de Paulo Freire, no campo da Educação de Jovens e Adultos. Configurou-se, também, como uma oportunidade de contato com outras cidades, com outras propostas, o que fez com que ele aprofundasse seu conhecimento sobre o funcionamento das ONGs e das Universidades.
James Dean conheceu o Fórum Mineiro de EJA por sugestão de uma professora da UFMG. Ampliou sua participação no Fórum, quando, nele, passou a realizar a representação do sindicato no qual militava. Ele acredita que sua participação no Fórum está muito ligada ao desejo do próprio sindicato de se envolver com as lutas do trabalhador da educação, dentre elas, a da construção e da ampliação dos espaços de formação. Avaliou que, em sua opinião, não existia, por parte do poder público, uma preocupação específica com a formação dos educadores de jovens e adultos. Assim, o sindicato busca mobilizar e articular os educadores para participar do Fórum.
Disse que o Fórum, em sua visão, no que tange as relações internas, não é tão hierárquico. Segundo ele,
as relações são menos hierárquicas, [...] quase, não chega a isso em momento algum, mas quase que você constrói relações pessoais e institucionais, quase que, digamos assim, sem uma separação muita rígida. [...] as relações estão imbricadas, estão no caldeirão, o processo está ali, acontecendo. (JAMES DEAN).
Manifestou que a sua participação no Fórum satisfaz as suas expectativas pessoais e afirmou que
[...] os fóruns têm me alimentado, é..., através de reflexões, de discussões, de reuniões de interfórum, etc., na construção de eixos norteadores para
fui ampliando, também, as minhas relações com a universidade, enquanto historiador educador e enquanto sindicalista. (JAMES DEAN).
Elizabeth Taylor conheceu o Fórum por meio das cartas-convite, meio utilizado para divulgar e convidar as pessoas para comparecem nas plenárias, que chegavam à escola na qual trabalhava, e por meio dos comentários dos colegas de trabalho sobre aquele espaço de discussão. Ele lecionava no período da tarde, em uma escola da Rede Estadual. Assim, utilizava-se de seu tempo de Módulo II34 para comparecer no Fórum. O dia disponibilizado, para que ele comparecesse às reuniões do Fórum, era a sexta- feira. No ano em que foi necessário ministrar aulas na sexta-feira, pedia liberação nos dias das plenárias. Por ter feito a opção de fazer um segundo curso superior, o entrevistado deixou de participar das reuniões do Fórum, mas reafirma que “o amor não acabou não”.
Percebe o Fórum como um lugar para a busca do aperfeiçoamento profissional e para o aprofundamento nos estudos relativos à educação. Avaliou que o Fórum seja um espaço muito importante para isso e que, também, ele seja um espaço de reivindicação.
O entrevistado falou que, algumas vezes, se emocionou com os relatos de experiência que aconteciam no Fórum e que este espaço
era um incentivo profissional, para ver: olha, tá acontecendo em outros lugares e porque não pode acontecer na nossa escola. [...] eu vejo assim que as pessoas que vão lá, elas estão assim, elas estão lá porque querem estar de coração, não é aquela coisa assim, ah eu estou lá obrigada, só para cumprir tabela, para assinar uma lista de presença, não, elas estão lá é por que estão comprometidas, eu percebo isso também, comprometimento das pessoas que estão lá com uma educação no Brasil. (ELIZABETH TAYLOR).
Cary Grant já foi homenageado em uma das reuniões do Fórum e disse ter ficado muito feliz e orgulhoso por ter sido lembrado. Acredita que a grande contribuição que o Fórum trouxe, no âmbito individual, foi a questão do espaço de formação e entende que o mesmo contribuiu para um entendimento melhor do que seja a Educação de Jovens e Adultos. Mas, o grande ganho foi o coletivo, “foi de a gente ter essa representação de formação e política, de ser respeitada, eu acho que esse foi o ganho maior, quer dizer que eu trouxe de lá pra cá”. (CARY GRANT).
34 Horário para que os professores realizem atividades de planejamento e reuniões pedagógicas, e que, na maioria das escolas da Rede Estadual de Educação de MG, se concentra em um dia da semana, de livre